sábado, 29 de dezembro de 2018

Top 10 de 2018: destaques negativos


A televisão brasileira errou muito em 2018. Por isso, a primeira parte da retrospectiva 2018 do TELE-VISÃO lista os destaques negativos da programação do ano que termina. A lista é elaborada baseada na opinião deste que vos escreve e, portanto, é sujeita a injustiças e esquecimentos. A ordem em que aparecem não é importante. Acompanhem:

- Novelas

Não dá para destacar uma. No geral, 2018 foi marcado por novelas fracas. Boa parte delas até começou bem, mas logo perdeu fôlego, como Segundo Sol, O Tempo Não Para e Espelho da Vida, da Globo, e As Aventuras de Poliana, do SBT. Ainda na Globo, Malhação – Vidas Brasileiras, foi outra grande decepção. Na Record, o ano começou com o fiasco Apocalipse e termina com Jesus, que ficou aquém do esperado. Apenas Orgulho e Paixão, a trama das seis da Globo, pode ser considerada uma exceção, já que foi uma novela simpática e divertida.

- “Vídeo Show”

Mais uma vez, o vespertino da Globo surge como destaque negativo do ano em razão da série de mudanças infundadas da qual a atração é vítima. Neste ano, o que já estava ruim ficou pior. Otaviano Costa deixou o programa, e Sophia Abrahão ganhou a companhia de Fernanda Keulla e Vivian Amorim, além de Ana Clara. Mas as ex-BBB's, apesar de simpáticas e boas de TP, não deram conta do programa ao vivo. Além disso, as pautas do programa seguiram preguiçosas. Deu tudo tão errado que Fernanda e Vivian já deixaram o vespertino, que ganhou Joaquim Lopes de volta. Mas continua tudo muito ruim.

- “Superpoderosas”

Num ano atípico, a Band tratou de reformular sua programação e apostar numa série de estreias. Uma delas foi o matinal Superpoderosas, um programa feminino com a boa proposta de ser voltado à mulher contemporânea. Natália Leite mandou muito bem na apresentação, mas o assunto extremamente segmentado afugentou o público, afinal, a audiência da TV aberta é diversa. Saiu do ar depois de pouco tempo.

- “Agora É com Datena”

Ou Agora É Domingo, ou Brasil da Gente. O programa que mais teve títulos num único ano foi marcado por vários tropeços. Primeiro, a Band errou ao fazer do dominical de José Luiz Datena um programa com seis horas de duração e pouquíssimo conteúdo para preencher tanto tempo. O programa já estreou cansativo. Depois, se perdeu na indecisão de Datena, que saiu para concorrer ao Senado, mas voltou pouco tempo depois. Nesta saída, o programa se tornou dois: Brasil da Gente, com Netinho de Paula, e Agora É Domingo, com Joel Datena. Mas Datenão voltou, o programa ficou só Agora É Domingo, foi reduzido para “apenas” quatro horas, mas ainda não se encontrou.

- “Tricotando”

Mais uma vez, a RedeTV lançou um novo programa na faixa das 18 horas na tentativa de alavancar o RedeTV News. E apostou no que sabe fazer de melhor (ou não): fofocas. Mas o Tricotando se mostrou um prato requentado, com notícias velhas e pouco convidativas. Uma pena, já que a dupla de apresentadores funciona bem. Lígia Mendes e Franklin David são simpáticos. Mas falta conteúdo.

- “Fala Zuca”

No início do ano, a RedeTV desmembrou o Melhor pra Você e lançou dois novos matinais: Edu Guedes e Você e Fala Zuca. E “desmembrou”, neste caso, não é força de expressão, já que a emissora tratou de instalar um muro dividindo o cenário do extinto matinal para realizar seus dois “novos” programas. Nesta divisão, Fala Zuca levou a pior: Celso Zucatelli tinha a proposta de falar sobre tudo, mas em apenas meia hora e fazendo muito merchandising. Resultado: o programa não tinha conteúdo nenhum e teve vida curtíssima.

- Mara Maravilha

A ex-apresentadora infantil do SBT conseguiu a proeza de ser convidada a se retirar de dois programas em 2018. Titular do Fofocalizando desde que o programa ainda era Fofocando, em 2016, a artista se viu em meio a brigas e discussões com vários de seus companheiros de programa, principalmente Léo Dias e Lívia Andrade. Constatando a rejeição do público, a direção da emissora preferiu afastar Mara da produção. Ela, então, se tornou jurada do quadro Dez ou Mil, do Programa do Ratinho. Mas consideraram que ela “desarmonizou” o quadro e ela foi afastada também. O problema de Mara é que ela vestiu esta persona de “polêmica” e “dona da verdade” e não consegue mais se dissociar disso. E suas falas equivocadas travestidas de “opinião” jogam contra ela mesma. Assim, ela prejudicou a si mesmo, perdendo a oportunidade de estar na TV, oportunidade que ela buscava há tempos. Mara precisava rever suas posições para voltar a ter espaço na telinha.

- Reprises da Record

Neste ano, a Record pesou a mão ao programar um sem-número de reprises para tapar buracos em sua grade de programação. Além da faixa dupla de reprises de novelas à tarde, a emissora recorreu ao repeteco de A Terra Prometida para ocupar a faixa das 19h30, já que Topíssima, prevista para a vaga, foi adiada. O canal também promoveu a reapresentação de minisséries bíblicas nas noites de sábado, já que empurrou o Programa da Sabrina para mais tarde e não tinha o que colocar no lugar. Como se não bastasse, ainda tirou a poeira de antigas esquetes de humor e pegadinhas de gosto duvidoso para preencher a faixa Show de Humor, nas manhãs de domingo, já que encurtou o Domingo Show e criou mais uma brecha na grade. Haja material pra tanta reprise!

- Programas de auditório

Antes sinônimo de alegria, os programas de auditório agora ganharam um viés assistencialista insuportável. O pior deles foi Eliana, que trocou a pauta divertida para contar, toda semana, a história de alguma criança pobre que quer ser cantora. Hora do Faro, da Record, já nasceu nesta vibe de lágrimas, e se empenha cada vez mais em contar histórias depressivas. Já na Globo, o Caldeirão do Huck coloca um verniz de game, mas também tem abusado, cada vez mais, nas histórias de vida “emocionantes”. Outro que perdeu a mão foi o Programa da Sabrina, que se transformou num reality show sobre a gravidez da apresentadora. Nada contra, mas ficou maçante demais.

- Silvio Santos

O dono do SBT foi alvo de severas críticas em 2018. O apresentador anda perdendo a mão em suas “brincadeiras”, disparando uma série de comentários e atitudes que pegaram muito mal. Ele sempre foi assim, é verdade, mas estamos num importante momento de se discutir questões sociais e culturais que são fundamentais. O que era aceitável antes, agora não é mais. Episódios lamentáveis, como o que envolveu Claudia Leitte no Teleton, enfraquecem o animador que, pela trajetória que tem, devia ser mais cuidadoso.

E para você, internauta? Quais os destaques negativos de 2018? Deixe sua opinião! O TELE-VISÃO volta a ser atualizado no próximo sábado, dia 06, com os destaques positivos de 2018. Até lá!

André Santana

Feliz Ano Novo!



Chega ao fim o TELE-VISÃO 2018! Quero agradecer a todos que passaram mais um ano discutindo, comentando, analisando e dando palpites sobre nossa tão amada televisão brasileira. No ano que vem, seguiremos por aqui! E espero que você siga por aí, sempre colaborando com as boas discussões deste espaço!

Um 2019 muito especial a todos nós! Forte abraço!

André Santana

sábado, 22 de dezembro de 2018

Perspectiva 2019: o próximo ano promete!


O ano de 2019 promete muitas novidades na televisão brasileira. Nos últimos anos, a crise econômica do país refletiu nos investimentos dos canais, que não trouxeram grandes novidades ao seu público. Entretanto, surpreendentemente, o ano que vem vindo deve ser diferente. Não que a crise tenha passado, mas as emissoras se mostram mais dispostas a arriscar mais.

Esta mudança de postura tem a ver, principalmente, com a reconfiguração da batalha pela audiência a TV aberta. O final de 2018 mostrou um importante avanço de Record e SBT diante da liderança da Globo. Pra variar, tal avanço aconteceu não porque estes canais trouxeram grandes coisas, mas porque a Globo errou. A rede dos Marinho se mostrou enfraquecida, com novelas mornas, linha de shows que não empolgou e tardes sem fôlego. Com isso, as vice-líderes aproveitaram.

A Record viu sua linha de shows crescer com A Fazenda e promete continuar mantendo a boa fase. Para isso, finalmente trará novos formatos para revezar com os já amplamente utilizados Power Couple, Dancing Brasil e cia. Enquanto isso, o SBT vai continuar contando com a sorte, já que não estão previstas grandes mudanças na grade. Produtos tradicionais, como o Programa do Ratinho e A Praça É Nossa, seguem consolidados e, portanto, a emissora seguirá com a política de que “em time que está ganhando não se mexe”.

Já RedeTV e Band seguem tentando ampliar suas participações neste bolo. Para isso, a primeira já vem programando estreias para o início do ano, com a intenção de mexer nas manhãs e investir mais em jornalismo. Já a segunda deve voltar a investir em esporte, para tentar reverter a má fase atual.

Abaixo, um apanhado do que já se sabe que virá em 2019 na TV aberta:

Globo

A Globo segue com suas estreias de verão. No mês de janeiro, várias minisséries e uma nova edição do Big Brother Brasil vão estrear. Chacrinha: O Velho Guerreiro, Elis e Dez Segundos Para Vencer, três microsséries oriundas de filmes, abrirão o ano na emissora. Outras novidades do horário nobre são a estreia de Lady Night na TV aberta, às quintas-feiras, e a última temporada de Tá no Ar – A TV na TV, às terças. Tá Brincando, com Otaviano Costa, estreia nas tardes de sábado, enquanto uma nova temporada do The Voice Kids, com André Marques, estreia aos domingos.

A partir de abril, a Globo deve lançar novas séries na linha de shows, nas noites de terça e quinta, mas não se sabe ainda exatamente o que virá. O que se sabe é que, no segundo horário, a emissora substituirá a já tradicional “supersérie” pela exibição de duas minisséries: Se Eu Fechar os Olhos Agora, de Ricardo Linhares, e Assédio, de Maria Camargo. No decorrer de 2019, outros formatos devem ocupar os horários, mas o único produto confirmado até aqui é o The Voice Brasil.

Aliás, todo este silêncio incomum acerca da programação da Globo tem a ver com a reconfiguração da direção de entretenimento. Boninho agora divide os programas de variedades com Mariano Boni, que veio do jornalismo para tocar os programas de entretenimento “com entrevistas”. Tal mudança tem a ver justamente com a queda de audiência da Globo em vários destes programas, como o Vídeo Show e o Conversa com Bial. Assim, especula-se que várias mudanças na grade diária devem ocorrer, e isso deve incluir a estreia de Fernanda Gentil. Também há a expectativa acerca do retorno de Angélica, mas pouco se sabe sobre isso também. Por outro lado, SóTocaTop, Tamanho Família e PopStar devem ter novas temporadas.

Nas novelas, muitas estreias estão sendo preparadas. Já em janeiro, Cordel Encantado substitui Belíssima no Vale a Pena Ver de Novo; e Verão 90, de Izabel de Oliveira e Paula Amaral, entra na vaga de O Tempo Não Para, às sete. Às seis, a novidade será Órfãos da Terra, de Duca Rachid e Thelma Guedes. Já às nove, o próximo cartaz será Dias Felizes, de Walcyr Carrasco. E Malhação – Toda Forma de Amar, de Emanuel Jacobina, substituirá Vidas Brasileiras a partir de março.

SBT

O SBT é o canal que menos tem novidades engatilhadas para o próximo ano. O canal seguirá com sua programação praticamente intocável. Fofocalizando, Casos de Família, Programa do Ratinho, The Noite, Programa Raul Gil, Domingo Legal e Eliana seguem firmes e fortes. Além, claro, do Programa Silvio Santos. A única mudança prevista até aqui é o Operação Mesquita, que passará a ser exibido diariamente, nas madrugadas.

Em janeiro, o canal tem como única novidade a estreia da nova temporada do Bake Off Junior. Nadja Haddad segue na apresentação do reality, que terá crianças fazendo suas sobremesas. A faixa de realities dos sábados também deve ficar intocada em 2019, com as novas temporadas de Fábrica de Casamentos, em março, e Bake Off Brasil – Mão na Massa, em agosto.

Outra estreia confirmada para janeiro não é bem uma estreia. Trata-se da reprise de Cúmplices de um Resgate, que substituirá Chiquititas na faixa das 21h30. A emissora promete, também, reapresentar a primeira temporada da série A Garota da Moto no horário. Em seguida, lançará a segunda temporada da atração, inédita.

Ainda não há a informação sobre o próximo texto que o canal produzirá no campo das novelas infantis. E não há pressa para tal definição, tendo em vista que As Aventuras de Poliana deverá atravessar o ano. Além disso, há sempre as “lendas urbanas” de projetos que nunca acontecem no SBT. Um deles é a volta do Topa ou Não Topa, da qual nunca mais se ouviu falar. O outro é o lançamento de um novo jornal policial no horário das 18 horas. Pouco provável que aconteça, mas, se acontecer, não vai durar muito.

Record

Surpreendentemente, a Record promete novos formatos em sua linha de shows, após dois anos exibindo praticamente os mesmos programas de sempre. A primeira novidade será The Four, uma nova competição musical que será apresentada por Xuxa Meneghel. Outra será Troca de Esposas, um reality semelhante ao Troca de Família, mas com algumas diferenças. Ticiane Pinheiro será a apresentadora. A emissora também voltará a apostar num reality culinário, o Top Chef, que será apresentado pelo chef Felipe Bronze.

Os novos formatos vão se revezar na faixa das 22h30 com as atrações já consagradas da emissora. Gugu Liberato deve voltar a comandar o Power Couple Brasil e o Canta Comigo, que terão novas temporadas. Dancing Brasil, com Xuxa, também retorna. Já Marcos Mion deve retornar para mais uma edição de A Fazenda, no segundo semestre. A incógnita fica por conta do destino de Sabrina Sato, já que o Programa da Sabrina, da maneira como está hoje, não deve mais existir. Sabrina, ao retornar de sua licença-maternidade, deve comandar um novo formato.

A Record também surpreendeu no campo das novelas, já que promete voltar a exibir novelas não-bíblicas. Topíssima, texto de Christiane Fridman previsto para este ano, foi retomado e deve estrear em 2019. O folhetim deve substituir a reprise de A Terra Prometida. Já na “faixa bíblica”, as novidades serão a macrossérie Jezabel e a novela Gênesis. Enquanto as estreias não acontecem, a emissora abrirá 2019 com a exibição da série Terrores Urbanos.

No mais, tudo deve ficar como está. O jornalismo popular seguirá ocupando grandes espaços, como o Balanço Geral e o Cidade Alerta, e o entretenimento seguirá apostando nos carros-chefes Hoje Em Dia, Domingo Show e Hora do Faro. Só fica a dúvida sobre o horário antes destinado ao Programa do Porchat. O mais provável é que séries passem a ser exibidas na faixa.

RedeTV

Entra ano e sai ano, e a promessa da RedeTV é sempre a mesma: diminuir o número de concessionários na programação. Em 2019, a conversa é que a faixa entre meio-dia e 15 horas, ocupada pela Igreja Universal, será diminuída para das 13h às 15h. Assim, o horário do almoço terá espaço para uma nova produção.

Entre os candidatos para a vaga estão um novo jornal, que já vem sendo desenvolvido. A ideia é um noticiário apresentado de maneira diferente de todos os outros. Edgard Piccoli é quem está à frente dos pilotos. No entanto, a vaga pode ficar também com Edu Guedes, com seu Edu Guedes e Você. Isso porque há a possibilidade de a atração de culinária ser “empurrada” em razão de um novo programa, a ser apresentado pelo padre Alessandro Campos.

O padre, aliás, é a nova aquisição da emissora. A princípio, Alessandro Campos comandaria um musical semanal, mas, segundo os sites especializados, o padre teria pedido para fazer uma atração diária. Sendo assim, ele é o mais cotado para assumir as manhãs da emissora em 2019, embora não se saiba fazendo exatamente o que. Quanto à Edu, ele poderia tanto ir para a hora do almoço, quanto deixar a emissora rumo à Band (leia mais abaixo).

Outra novidade da RedeTV para 2019 é o reality show Entubados. Anteriormente previsto para 2018, a atração foi adiada porque ainda não fechou sua cota de patrocínio. Entubados é uma espécie de “Big Brother de youtubers”, e já teve duas temporadas exibidas no canal Sony. Agora, a atração será exibida na TV aberta, com apresentação de Gustavo Mendes.

Band

A Band saiu da inércia em 2018, estreando vários novos programas. No entanto, as novidades não disseram a que vieram e, agora, o canal deve correr atrás do prejuízo. A emissora ainda não conseguiu emplacar um sucessor do MasterChef como carro-chefe da programação, e se trata de uma missão mais do que urgente, afinal, o formato já está perdendo o interesse.

O principal candidato à vaga é O Aprendiz, que deve ter nova temporada comandada por Roberto Justus este ano. Além disso, a Band também prepara um novo talk show semanal, que deve ser apresentado por Cátia Fonseca no horário nobre. E há ainda a promessa de que Amaury Jr leve seu programa de volta à programação diária. Também se especula que a Band pretende tirar Edu Guedes da RedeTV. Seria ele o substituto natural de Daniel Bork?

A Band também vive a expectativa de fechar um acordo com a Disney, aos moldes do Mundo Disney, que era exibido no SBT. Havia a intenção de vender parte da programação matinal, vespertina e até uma faixa noturna para a gigante do entretenimento. No entanto, dizem que as negociações entre Band e Disney esfriaram, então é pouco provável que o acordo seja sacramentado. Mas, sem dúvidas, seria uma boa oportunidade para a Band, que teria conteúdo e dinheiro entrando no caixa.

Sem Disney, os esforços do canal devem mirar no esporte. Segundo vários sites, a emissora pretende voltar a investir em transmissões esportivas, ensaiando a compra de campeonatos internacionais e até voltando a conversar com a Globo para voltar a exibir o futebol do Brasil. Neste contexto, a Band pretende voltar a valorizar Milton Neves. Especula-se que o Terceiro Tempo, ou até mesmo o Super Técnico, podem voltar.


André Santana

Feliz Natal pra Todos, Feliz Natal!



Nos vemos sábado que vem, dia 29, com a primeira parte do Top 10 de 2018. Até lá!

André Santana

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Fim de ano no TELE-VISÃO!


O Natal está aí, e é momento de começarmos nossa “programação especial” de fim de ano no TELE-VISÃO. A partir de amanhã, 22, até o dia 05 de janeiro de 2019, o blog passará a ser atualizado apenas aos sábados, e trazendo posts especiais para finalizarmos 2018 e entrarmos em 2019 com nossos assuntos passados a limpo.

Amanhã, 22, o TELE-VISÃO publica sua tradicional Perspectiva 2019, que trará uma série de posts especiais que buscam adiantar o que os principais canais abertos brasileiros preparam para o ano que se aproxima. Teremos um apanhado do que virá na programação da Globo, SBT, Record, Band e RedeTV.

No sábado seguinte, dia 29, começa o Top 10 de 2018, com a lista dos dez destaques negativos do ano. Vamos relembrar junto o que de pior passou na telinha neste ano. Já no dia 5 de janeiro, o Top 10 de 2018 trará a lista dos dez destaques positivos do ano. O melhor da TV em 2018 será relembrado por aqui. A partir do dia 12 de janeiro o TELE-VISÃO volta ao normal, com atualizações constantes ao longo da semana.

Fique por aqui neste final de ano e vamos juntos relembrar 2018 e especular 2019. Conto com vocês!

André Santana

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Sugestão para a Record: "Programa Livre" nas madrugadas

"Fala garoto!"
O Programa do Porchat realmente chegará ao fim na Record. Com isso, abre-se uma lacuna na programação. A emissora chegou a cogitar substituí-lo, mas, ao que parece, deverá optar pela mais preguiçosa das soluções: voltar com as séries enlatadas. Nada contra as séries, mas a emissora deu uma boa revitalizada em seu início de madrugada com a atração de Fabio Porchat e, agora, vai colocar tudo a perder.

Por isso mesmo, o TELE-VISÃO dá uma de diretor de programação e dá uma sugestão à direção da Record. A emissora poderia, no horário, apostar em uma atração aos moldes do extinto Programa Livre, do SBT. Ou seja, um programa de entrevistas com um apresentador antenado, diante de uma plateia formada por jovens participativos, e que mesclasse bate-papo e boa música. Já imaginou?

A Globo foi muito feliz ao não ir na mesma direção da concorrência e apostar num talk show mais jornalístico e menos humorístico, o Conversa com Bial. Sendo assim, a Record também poderia pensar em ser uma alternativa. Deixe o humor (duvidoso) para Danilo Gentili no SBT, e aposte num programa de entrevistas que seja diferente tanto do The Noite quanto do programa de Pedro Bial. E um programa juvenil, aos moldes do Programa Livre, seria algo bem interessante de se ver no horário.

Serginho Groisman ainda faz mais ou menos o que fazia no Programa Livre em seu Altas Horas, nas noites de sábado da Globo. Mas o formato sempre funcionou muito bem na grade diária. O desafio da Record seria encontrar um apresentador tão eficiente quanto Serginho para assumir esta função. Afinal, deve ser alguém que tenha aceitação e entrada junto ao público juvenil, além de possuir estofo e repertório para conduzir as entrevistas e a plateia com harmonia. Não é fácil.

Há alguns nomes da extinta MTV Brasil com bagagem para a missão. O nome mais adequado, na minha humilde opinião, é o de Cazé Peçanha, um apresentador talentoso e com muito repertório. Mas nomes como Sarah Oliveira, Marina Person, Sabrina Parlatore e Didi Wagner também seriam boas opções. Caso opte por uma solução caseira, a Record tem um nome e tanto para isso: Marcos Mion. 

Mas a Record, infelizmente, não deve investir nisso no próximo ano e nem nos demais. Porém, não custa sonhar, não é?

André Santana

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Apesar da baixa audiência, "O Sétimo Guardião" é aprovada nos grupos de discussão

"Miau!"
Apesar de parecerem cada vez mais antiquados, os grupos de discussão ainda são uma ferramenta de avaliação de novelas que a direção da Globo leva a sério. Passados alguns capítulos de qualquer nova novela, o canal reúne pessoas para opinar sobre a produção, no intuito de descobrir o que está e o que não está funcionando na trama em questão. O Sétimo Guardião, o mais recente folhetim a estrear, foi avaliado recentemente. E o grupo, no geral, gosta da novela, apesar de a audiência não estar lá essas coisas.

Segundo o site Telepadi, da jornalista Cristina Padiglione, o grupo apontou vários pontos positivos da novela. O realismo fantástico da obra de Aguinaldo Silva foi bem avaliado, assim como o a trama do delegado Machado (Milhem Cortaz), que tem fetiche por calcinhas. O casal principal, Luz (Marina Ruy Barbosa) e Gabriel (Bruno Gagliasso) foi aprovado por espectadores mais velhos, mas não muito pelos jovens. O público também espera que a vilã Valentina Marsalla (Lília Cabral) aja mais. Mas a unanimidade foi o gato León, adorado pelo público em geral.

Por outro lado, os elementos de terror que aparecem em O Sétimo Guardião, sobretudo nos capítulos iniciais, não foram bem-aceitos pelos espectadores. Ou seja, o público aprova a fantasia, mas não se sente à vontade com cenas de mocinhos ensanguentados e mãos que surgem de uma xícara de café. Mas, no geral, a novela foi aprovada pelo grupo. Assim, a direção da emissora precisa, então, buscar mais explicações e análises para entender a baixa audiência da produção, já que não foi constatada uma rejeição à história.

Isso é bom. Com a aprovação dos grupos de discussão, é bem pouco provável que a direção da emissora faça grandes intervenções no andamento de O Sétimo Guardião. Afinal, quando uma novela passa por este tipo de reforma, é bem comum que ela se desconfigure inteira, mas, mesmo assim, não consiga elevar os índices de audiência. Babilônia é o exemplo mais significativo neste sentido, mas outras novelas também passaram por mudanças que não deram resultado, como A Lei do Amor.

Particularmente, acho O Sétimo Guardião uma boa novela. É uma trama que tem uma pegada diferente de suas antecessoras e, por isso, traz um respiro mais do que necessário à faixa. Por outro lado, ela resgata elementos de novelas mais tradicionais. Ela tem núcleos bem definidos, uma estrutura mais amarradinha e um ritmo mais cadenciado e menos “clipado”. Provavelmente por isso ela deve atrair um público mais velho e tradicional, enquanto causa certa estranheza entre os jovens. Porém, é bem provável que a história engrene naturalmente, sobretudo quando a trama ficar mais clara. E, claro, depois de passadas as festas de fim de ano. Afinal, é preciso considerar que O Sétimo Guardião estreou numa época do ano bastante complicada.

André Santana

sábado, 15 de dezembro de 2018

Marcos Mion ganha novo status após "A Fazenda"

"Tô bem na fita!"

Marcos Mion é um dos mais interessantes nomes da televisão brasileira. No ar como apresentador há quase 20 anos, ele sempre chamou a atenção pela esperteza e inventividade. Foi um dos nomes fortes da extinta e saudosa MTV Brasil, sendo uma das figuras fundamentais da história do canal musical. Depois, conseguiu driblar uma espécie de “maldição MTV”, conseguindo se firmar como apresentador fora dali. E, depois de anos numa zona de conforto morna, o apresentador ressurgiu à frente de A Fazenda mostrando que ainda tem muita lenha para queimar.

Mion foi a cara da MTV do início do século 21. Estreou à frente do Supernova, ao lado de Didi Wagner em 2000, mas se destacou mesmo à frente do Piores Clipes do Mundo, onde criou um estilo que o destacaria. Ali, divertia os adolescentes ao apontar as bizarrices dos clipes exibidos pela emissora, sempre com bom humor. Deu tão certo que, no ano seguinte, o Piores Clipes do Mundo se tornou um dos carros-chefe da programação da emissora e Marcos Mion foi alçado à condição de astro do canal. Por conta disso, chamou a atenção da Band, que o levou para criar um projeto capaz de substituir o SuperPositivo, então apresentado por outra ex-VJ, Sabrina Parlatore.

Assim, em 2002, ele lançou o Descontrole. Levando a anarquia da MTV para um canal aberto, Marcos Mion logo esbarrou nas limitações de uma rede comercial. Se viu obrigado a mudar de rumo, relançando o programa com o sugestivo nome de Sob Controle. Não deu muito certo, reforçando a tese de que ex-MTV’s não costumava fazer sucesso fora dos domínios de onde surgiram. Deste modo, Marcos Mion acabou ficando um tempo afastado da telinha, retornando à MTV algum tempo depois e voltando a fazer sucesso.

Nesta segunda passagem pela MTV, Mion voltou a chamar a atenção ao comandar formatos divertidos, como o Covernation. Mais adiante, vieram outros sucessos, como o Mucho Macho, Descarga MTV e Quinta Categoria. Este último voltou a colocar Marcos Mion no radar da TV aberta, desta vez da Record, que viu nele a chance de dialogar com o público jovem. Surgia o Legendários.

Mais uma vez, Mion esbarrou nas limitações da TV aberta. Legendários estreou com a proposta de ser um programa de “humor do bem”. Na prática, era uma mistura pouco funcional de Pânico com CQC. Aos poucos, a atração foi mudando, deixando de lado a proposta de humor e informação, e partindo para o entretenimento puro e simples. Tornou-se um show de auditório, com entrevistas, musicais e jogos com figuras inusitadas. Marcos Mion, então, exercitou sua porção animador e foi muito bem. Por muitos anos, Legendários registrava excelentes índices de audiência nas noites de sábado da Record.

Mas, no ano passado, a Record optou por passar o Legendários para as sextas-feiras. No novo dia, o programa perdeu relevância. Ficou escondido. Mion, então, murchou. Com a decisão da emissora de encerrar a atração no final do ano passado, o destino de Marcos Mion ficou incerto. Mesmo o apresentador já tendo sido visto em outros programas da emissora, como Ídolos e A Casa, ele estava perdendo o espaço que construiu, e que era a cara dele. Sem dúvidas, era um momento de transição complicado. E, desta vez, sem MTV Brasil para retornar.

No entanto, a sorte voltou a sorrir para Mion quando lhe veio a incumbência de assumir A Fazenda. O reality show, como se sabe, nunca teve um apresentador à altura. Sendo assim, era a chance de ele se recolocar, numa nova posição. E Mion aproveitou esta chance com louvor. Levou o papel de apresentador de A Fazenda a outro patamar. Ele se envolveu, curtiu e brincou, deixando claro ao público o prazer de estar ali. Além disso, tinha visão de jogo, contribuindo com o desenrolar dos acontecimentos. Com isso, conseguiu o feito de “desengessar” o posto, driblando o excesso de texto sempre com esperteza e muita competência.

Assim, ao final da temporada, Marcos Mion saiu fortalecido de A Fazenda. O programa o colocou, novamente, às vistas do grande público, ressaltando sua competência como profissional de televisão. Mion, então, recuperou sua imagem e seu status, colocando-se novamente como uma figura relevante dentro da TV brasileira. Não por acaso, já surgiram notícias de que outros canais estão de olho no passe do moço. Mion é um nome que tem muito a contribuir e pode fazer a diferença em qualquer canal que venha a trabalhar. Merece, no mínimo, seguir à frente de A Fazenda. E, quem sabe, galgar novos espaços na programação 2019 da Record.

André Santana

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Fernanda Lima sai fortalecida da mais difícil temporada de "Amor & Sexo"

"Não sou um amorzinho?"
Assistir às reprises do Amor & Sexo veiculadas no canal Viva é um exercício interessante. O repeteco oportuniza notar a evolução do formato, que passou de um banal game show comportamental para um contundente debate de ideias. No entanto, não foi apenas o formato que evoluiu. Fernanda Lima, a cada ano, mostra cada vez mais firmeza e maturidade à frente da atração.

Contratada da Globo desde 2005, Fernanda Lima sempre foi um curinga dentro da programação do canal. Inicialmente, foi requisitada para cobrir a licença-maternidade de Angélica à frente do Vídeo Game. Em seguida, aventurou-se como atriz de novelas, nos elencos de Bang Bang e Pé na Jaca. Paralelamente, surgia à frente de séries e especiais, como o saudoso docudrama Por Toda Minha Vida. Em 2009, finalmente ganhou um palco para chamar de seu, o Amor & Sexo.

Por circular livremente pelo entretenimento da Globo sem um terreno fixo, Fernanda Lima era vista como uma espécie de “mestre de cerimônias”. Foi somente quando chegou ao Amor & Sexo que ela se viu livre para exercitar sua porção de comunicadora. Neste contexto, programa e apresentadora evoluíram juntos. De repente, Amor & Sexo ganhou um propósito mais engajado e informativo. E a apresentadora vestiu esta missão. Foi um feliz caso em que formato e apresentador se tornam uma coisa só. O discurso de Fernanda se alinhou ao discurso do programa. Amor & Sexo, então, se tornou o “programa da Fernanda Lima”.

Quando Fernanda Lima assumiu também a redação da atração, junto com os roteiristas Antonio Amancio, Paola Lins, Daniela Amorim, Maria Nattari, Milly Lacombe e Patrick Sampaio, os ideais de Amor & Sexo ficaram ainda mais alinhados aos da apresentadora. Isso deu substância para que o que era dito por Fernanda à frente do programa imprimisse mais credibilidade. É um texto pronto, mas que cabe perfeitamente à boca da artista.

Assim, Fernanda Lima chegou ao auge de sua maturidade como apresentadora de TV. Não somente no discurso, mas também no domínio de seu palco e de suas atrações. Fernanda não somente abarca sua fala, mas também sabe interagir com a plateia e seus convidados. Além disso, claramente se diverte em cena. Mostra uma porção de animadora cada vez mais evidente, orquestrando bem os momentos de diversão e informação do programa.

Na última terça-feira, 11, ela encerrou mais uma temporada de Amor & Sexo. A mais difícil temporada da atração, sem dúvidas. O programa enfrentou a baixa audiência, um patrulhamento conservador e o desgaste natural da fórmula. E Fernanda Lima saiu por cima em meio a este furacão, o que evidencia mais ainda sua maturidade profissional. Assim, justamente pela capacidade do formato de provocar reação, sua relevância ainda deve ser considerada. É um programa necessário.

André Santana

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

História da TV: "Vídeo Game" estreava há 17 anos

"Lembra quando eu era
a dona da tarde?"
Mais longevo game show da história da Globo, o Vídeo Game está fazendo aniversário nesta semana. O quadro, que era apresentado por Angélica no bloco final do Vídeo Show, estreou em 10 de dezembro de 2001 sem maiores pretensões, mas se revelou um grande sucesso. Ficou no ar por 10 anos e foi a oportunidade para que Angélica conseguisse fazer sua tão sonhada transição de público, abandonando de vez os programas infantis.

O Vídeo Game foi uma espécie de evolução do Tele Trívia, um quiz show que era exibido na edição de sábado do Vídeo Show ao longo do ano de 2000. Esta versão do programa trazia Miguel Falabella diante de uma plateia, recebendo convidados e apresentando quadros especiais. A ideia, então, era resgatar a proposta de um game sobre televisão que envolvesse os artistas da casa. Vídeo Game foi formatado ao longo do ano de 2001, e várias notícias saíram na imprensa neste período. Susana Werner, Miguel Falabella e até Ivete Sangalo foram cotados para a apresentação. Mas o quadro acabou entregue à Angélica, que havia pedido à direção da emissora para deixar o infantil Bambuluá. A Globo, então, passou o Vídeo Game para as mãos da loira, o que se revelou um grande acerto.

Exímia comandante de games, Angélica recuperou o viço de sua carreira um tanto combalida em razão do fracasso de suas últimas incursões infantis. No Vídeo Game, ela voltou a interagir com artistas e a plateia. Estava em casa. Ali, comandava provas simples, mas bem divertidas, que testavam os conhecimentos dos convidados sobre a história da TV e a programação da Globo. Reynaldo Gianecchinni e Claudia Jimenez, que eram par romântico na novela As Filhas da Mãe, foram os primeiros participantes. Foi a atriz, aliás, quem sugeriu que o programa fizesse doações para instituições de caridade. Assim, o vencedor da semana podia indicar uma instituição que recebia 100 cestas básicas.

Para se sagrar o vencedor, o artista precisava passar por uma série de provas. Inicialmente, era uma prova por dia. Telinha Direta, Retrato Mal Falado, Antena Paranoica, A Próxima Atração e Camarim eram os nomes das primeiras provas, exibidas de segunda a sexta-feira. Mais adiante, outras provas clássicas surgiram, como o Tele Tubo. O dia era encerrado com a Prova da Plateia, no qual o artista escolhia alguém do público para fazer um desafio e somar pontos para ele. Muitos momentos inusitados surgiram destas provas, como quando um participante deu uma cambalhota e acertou a perna de Angélica, derrubando-a no chão.

Angélica não foi a única a apresentar o Vídeo Game. A apresentadora cedeu seu microfone ao marido Luciano Huck por uma semana e se tornou uma competidora, enfrentando Xuxa Meneghel, num especial de Dia das Crianças. Ela também foi substituída por Fernanda Lima em duas ocasiões, durante suas licenças-maternidades. O quadro do Vídeo Show também levou Angélica a ser indicada para o Troféu Imprensa na categoria melhor apresentadora ou animadora entre os anos de 2005 a 2012. Venceu em 2010, numa disputa entre Eliana e Ana Hickmann.

Em 2009, quando o Vídeo Show foi reformulado e passou a ser apresentado ao vivo por cinco apresentadores, o Vídeo Game também foi transformado. O quadro ganhou provas novas e passou a ser disputado por anônimos fãs de televisão. Os artistas ainda participavam, mas como convidados de quadros. No ano seguinte, o formato anterior, com artistas competindo, foi retomado. Mas Vídeo Game já enfrentava sinais de desgaste. Saiu do ar no final de 2011. Em 2012, foi lançado o Vídeo Game de Verão, exibido como programa-solo e apresentado por André Marques. Não deu certo e saiu do ar logo. A princípio, a suspensão do Vídeo Game era atribuída à gravidez de Angélica, que esperava Eva. Porém, mais adiante, ficou definido que o quadro não retornaria mais.

No ano passado, Angélica retornou ao Vídeo Show para comandar uma temporada especial de três semanas do Vídeo Game. Na época, especulou-se que a emissora testava o formato para tentar reverter a queda de audiência do Vídeo Show. Mas o retorno não fez o barulho esperado e acabou sendo apenas um “revival” especial mesmo. 

André Santana

domingo, 9 de dezembro de 2018

Multishow acerta de novo ao resgatar finais perdidos de "Chapolin"

"Palma palma, não priemos cânico!"

A exibição de Chaves pelo SBT sempre rendeu muitas teorias junto aos fãs. Ao engavetar alguns episódios da série mexicana, a emissora de Silvio Santos originou os “episódios perdidos”, que passaram a ser pedidos pelos fãs. O canal aproveitou a onda em seu aniversário de 30 anos, oferecendo ao público uma leva de episódios que não eram exibidos há tempos. Além disso, trouxe vários episódios inéditos, com nova dublagem.

Entretanto, com Chapolin, o SBT teve ainda menos cuidado. A emissora, desde 2000, só exibe a série de tempos em tempos, e sempre em curtas temporadas. Além disso, a comédia do herói atrapalhado tem vários episódios nunca antes exibidos no Brasil. E o canal nunca se dispôs a atender os desejos dos fãs, ao contrário do que aconteceu com o “moleque do oito”.

Sendo assim, a entrada do Multishow neste contexto foi bastante positiva para os fãs. Além de exibir episódios de Chaves e Chapolin em ordem cronológica, o canal da Globosat tratou de resgatar vários episódios perdidos e inéditos. Com isso, vem fazendo justiça sobretudo à trajetória do Polegar Vermelho, tendo em vista que vários dos episódios que o SBT não exibiu são partes de sagas muito queridas pelos espectadores. Na última segunda-feira, 03, por exemplo, o Multishow exibiu a parte final do antológico episódio Branca de Neve, que jamais foi vista por aqui.

No episódio Branca de Neve, de Chapolin, o herói surge na escolinha do Professor Girafales (Rubén Aguirre) para contar uma história à turma do Chaves. Ele, então, conta sua versão da saga de Branca de Neve. A princesa (Florinda Meza), na verdade, se chamava Patrícia Espinosa, “mas gostava tanto de bolo de coco, que todos a chamavam de Branca de Neve”, revelou o vermelhinho. A trama fez sucesso no Brasil pelo humor non sense e a música peculiar cantada pelos sete anões, o “Churi Churin Fun Flays”.

No entanto, quando o SBT exibia a série, a história era sempre interrompida quando a madrasta malvada, vivida por Maria Antonieta de las Nieves, se torna uma bruxa idosa, vivida por Angelines Fernández. Assim, o público brasileiro jamais ficou sabendo o que acontecia com a princesa depois disso. Mas o Multishow tratou de sanar a dúvida exibindo o episódio final, mostrando Branca de Neve sendo envenenada pela bruxa e, depois, sendo salva pelo próprio Chapolin (Chespirito). Os fãs vibraram com a novidade nas redes sociais.

Sagas de Chapolin exibidas incompletas eram comuns no SBT. Além de Branca de Neve, a emissora jamais exibiu o episódio final de O Alfaiatezinho Valente, outra história narrada por Chapolin. Já O Show Deve Continuar, uma saga em homenagem aos grandes clássicos do cinema, não teve seu primeiro episódio exibido por aqui.

Além disso, há casos de outros episódios que tiveram seus desfechos mostrados anos depois da estreia de Chapolin no Brasil. Um deles é A História de Juleu e Romieta, que, quando exibido na programação regular, também não tinha desfecho. A história só foi mostrada até o fim numa exibição especial do SBT, no horário nobre, em 1998.

Enquanto isso, o Multishow promete continuar exibindo os inéditos de Chapolin. Assim, o desfecho de O Alfaiatezinho Valente e o início de O Show Deve Continuar serão exibidos em breve. E, de quebra, o canal exibirá uma nova versão de Juleu e Romieta, nunca vista por aqui. Os fãs brasileiros agradecem a consideração.

André Santana

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Globo cancela supersérie de 2019 e confirma "Cordel Encantado"

"Se Eu Fechar os Olhos Agora"
Na semana passada, o assunto na Globo era a mudança de comando no entretenimento, com a chegada de Mariano Boni e a “promoção” de Ricardo Waddington. Agora, nesta semana, os olhares se voltam à dramaturgia. Mas não, não estamos falando de mudanças de comando: Silvio de Abreu segue firme e forte chefiando a pasta, e com a companhia de Gloria Perez no campo das séries. O que muda é que não haverá uma supersérie no ano de 2019 na grade do canal, algo que não acontecia desde 2011, quando O Astro iniciou a faixa, chamada a princípio de "novela das onze".

Segundo o site Notícias da TV, a decisão se deu depois de que vários projetos cotados para ocupar o horário não foram adiante. Inicialmente, a supersérie do ano que vem seria Sem Limites, escrita por Euclydes Marinho e baseada em vários textos de Nelson Rodrigues. Mas os primeiros capítulos da produção não agradaram e o projeto foi cancelado. Depois, a ideia era produzir O Selvagem da Ópera, um texto de Maria Adelaide Amaral que conta a história do maestro Carlos Gomes. No entanto, o projeto foi adiado para 2020, pois sua produção é complexa demais e não haveria tempo hábil para colocá-lo no ar em abril. Por fim, outro projeto de Euclydes Marinho foi considerado e, depois, engavetado: Irmãos de Sangue, baseado na obra de William Shakespeare. Não foi adiante porque a obra teria que passar por um hiato para ajustes de grade, o que a prejudicaria.

Ao mesmo tempo, a emissora já tinha no gatilho a minissérie Se Eu Fechar os Olhos Agora, escrita por Ricardo Linhares e inspirada no livro de Edney Silvestre. A princípio, a obra de dez capítulos seria a minissérie global que abriria o ano de 2019, como acontece sempre. No entanto, Se Eu Fechar os Olhos Agora perdeu espaço para as microsséries baseadas em filmes da Globo, que serão três neste ano: Chacrinha: O Velho Guerreiro, Elis e Dez Segundos Para Vencer. Deste modo, a produção teria que entrar depois e dividir espaço com o BBB, coisa que o canal tem evitado nos últimos anos. 

Sendo assim, Se Eu Fechar os Olhos Agora acabou adiada para abril, tapando o buraco da supersérie. E, como tem apenas 10 capítulos, será logo substituído por outra produção: Assédio. O drama da GloboPlay, portanto, fará sua estreia na TV aberta em 2019. No entanto, sabe-se que as superséries andavam ocupando grande parte da linha de shows da Globo. Onde Nascem os Fortes, última produção do horário, ficou no ar entre abril e julho de 2018. Ou seja, mesmo depois da exibição de Assédio, ainda haverá uma lacuna a ser preenchida. Isso sinaliza que o canal pode estar preparando mais novidades para sua linha de shows do ano que vem. Há quem diga que novos formatos vão estrear. Vamos ver o que acontece.

Falando em dramaturgia global, a novela Cordel Encantado foi confirmada como a próxima produção do Vale a Pena Ver de Novo. A trama escrita por Duca Rachid e Thelma Guedes marcou a estreia de Domingos Montagner em novelas e fez sucesso no horário das seis de 2010 ao trazer uma história que mescla contos de fada e cangaço. É realmente uma bela novela, mas enfrentou uma pesada barriga entre seu meio e final. No entanto, parece ser bem adequada ao público que vê a Globo neste horário. Pode funcionar.

André Santana

sábado, 1 de dezembro de 2018

Qual é o problema das tardes da Globo?

"Como assim vocês
não gostam da gente?"

Na semana passada, falamos aqui sobre o Cidade Alerta, que tem abocanhado a liderança de audiência em diversos momentos. O jornal de Luiz Bacci, porém, não é o único jornal popular da Record a fazer frente à programação da Globo. O Balanço Geral já coloca o Vídeo Show no bolso há tempos, e agora começa a incomodar, também, o Jornal Hoje. Enquanto isso, faixas como Sessão da Tarde e Vale a Pena Ver de Novo até lideram, mas veem suas diferenças com relação à concorrência ficarem cada vez menores. Ou seja, a tarde da Globo como um todo vem vivendo uma crise de audiência inédita.

Já falamos sobre o Vídeo Show diversas vezes. O diagnóstico é o mesmo: sobram apresentadores (ruins) e falta conteúdo à atração. Os bastidores da Globo já não parecem uma pauta tão fascinante quanto um dia já foi. Faz tempo que o vespertino parece preguiçoso em forma e conteúdo, e, hoje, o Vídeo Show paga pelo seu tempo de inércia. Está numa situação tão crítica que parece não haver mais uma solução além de sua extinção. Porque mexer mais uma vez parece tão perigoso quanto deixar como está.

Depois de Vídeo Show, entram Sessão da Tarde e Vale a Pena Ver de Novo. Duas faixas clássicas da Globo, as duas atrações só não está piores porque a concorrência não exibe nada muito atrativo no mesmo horário. Aqui, o problema parece ser a consequência de uma decisão tomada há quatro anos: a inversão de horários entre as duas atrações. “Colar” Vídeo Show no Vale a Pena Ver de Novo sempre pareceu coerente. Quem gosta de conferir os bastidores da Globo também gosta das novelas da casa. Ou seja, os dois programas têm públicos que dialogam. Ao “separá-los”, a emissora quebrou um efeito cascata que fazia sentido.

Agora, há um filme que separa Vídeo Show da reprise da novela. Um filme que não necessariamente herda público do vespertino. Aliás, um filme que, quase sempre, não desperta grande interesse de ninguém. Não é de hoje que a TV aberta perde cada vez mais público com exibição de filmes. E a Sessão da Tarde raramente exibe filmes de forte apelo. Percebendo o erro, a emissora chegou a trocar a programação da última semana, escalando filmes mais populares. Mas será que reforçar o pacote é a solução?

Além de perder o público do Vídeo Show, o Vale a Pena Ver de Novo também sofre com escalações equivocadas de suas novelas. Os dois últimos cartazes da faixa, Celebridade e a atual, Belíssima, não disseram a que vieram. Arrisco dizer que, neste horário mais tardio, o Vale a Pena Ver de Novo só reage mesmo quando há um “novelão” em cartaz. Basta relembrar dos últimos grandes sucessos do horário: Senhora do Destino, Cheias de Charme e O Rei do Gado. Outras novelas que já fizeram sucesso na faixa, como Anjo Mau, naufragaram em suas re-reprises.

Fechando a grade vespertina, entra Malhação – Vidas Brasileiras. A atual temporada da novela adolescente é uma das piores da história do programa. O formato adotado, de histórias que se encerram a cada duas semanas, não permite ao público se envolver com os personagens e as situações. Tudo é muito superficial e apressado. Adaptar a série canadense 30 Vies revelou-se uma ideia equivocada. Uma pena, levando em consideração que esta Malhação substituiu Viva a Diferença, talvez a melhor temporada da história da atração.

Ou seja, há muitos problemas nas tardes da Globo. Alguns não parecem tão complicados de resolver, como Malhação, que em breve lança nova temporada. Mas outros, como o Vídeo Show, carecem de medidas urgentes. Mariano Boni acaba de assumir a direção dos programas de entretenimento de entrevistas, e caberá a ele resolver a primeira pedra no sapato da grade vespertina: o Vídeo Show. Há muitos boatos em torno disso, como sua extinção e substituição pelo Encontro, ou a estreia de uma nova atração no horário, ou até colocar Fernanda Gentil como nova apresentadora da revista vespertina. Tudo é especulação. Mas espera-se grandes mudanças para 2019, já que a Globo não é de ficar parada diante de problemas urgentes.

André Santana

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Globo reorganiza direção de variedades

Plim plim
Nesta terça-feira, 27, a Globo anunciou uma reorganização de sua escala de executivos. Ricardo Waddington, que era o diretor de gênero “variedades” responsável pelas atrações noturnas e dos finais de semana, assume um novo cargo, o de diretor de produção. Ele entra na vaga de Eduardo Figueira, que está deixando a emissora. Com a mudança, a direção de variedades da emissora passará a ser dividida entre Boninho e Mariano Boni, com várias modificações.

Waddington e Boninho dividiam “variedades”. Enquanto Waddington respondia pelos programas descritos acima, Boninho era o comandante dos programas diários, matinais e reality shows. Agora, com a saída de Waddington e a entrada de Mariano Boni, o núcleo de variedades passará a ser dividido por conteúdo, e não mais por horários de exibição. Boninho, então, continuará com os realities, mas tocará também o que a emissora chama de “games” (Tamanho Família, Tá Brincando, Os Melhores Anos das Nossas Vidas e Zero 1), “auditório” (Caldeirão do Huck e Domingão do Faustão) e “musicais” (SóTocaTop e especiais).

Enquanto isso, Mariano Boni, que era diretor-executivo de jornalismo, ficará com as variedades enquadradas em “entrevistas e talk shows”. Nesta pasta, estarão os títulos Mais Você, Encontro com Fátima Bernardes, Vídeo Show, É de Casa, Altas Horas, Amor & Sexo e Conversa com Bial, além do Bem Estar, que deixa de estar sob responsabilidade do jornalismo.

Trata-se de uma grande mudança, sobretudo porque Boninho deixará de responder acerca de vários dos programas que implantou. O É de Casa mesmo foi um programa idealizado sob sua gerência, enquanto Mais Você, Encontro e Vídeo Show sofreram várias modificações sob sua chancela. Por outro lado, Boninho assume programas idealizados por Ricardo Waddington, como Tamanho Família, Tá Brincando e SóTocaTop. Mas não deixa de ser interessante esta divisão por conteúdos. Afinal, os programas enquadrados em “entrevistas” podem render sob um olhar de quem vem do jornalismo, caso de Mariano Boni. Aliás, Boni vai "estrear" no entretenimento com uma baita bucha nas mãos: dar um jeito no Vídeo Show!

A mudança também pode dar uma pista sobre o que está sendo preparado para Angélica. Isso porque, segundo a jornalista Patrícia Kogut, o projeto da loira foi entregue para ser implantado dentro da diretoria de Boninho. Nesta nova gestão, o projeto então deve ter mais a ver com auditórios/games/realities do que entrevistas. Vamos ver o que acontece.

André Santana

sábado, 24 de novembro de 2018

"Cidade Alerta" cresce e incomoda Globo

O sorriso de um líder de audiência

Não é de hoje que o Cidade Alerta se firmou como um dos mais importantes programas da grade da Record. Ainda na era Marcelo Rezende, o jornal policial conseguiu elevar a audiência vespertina da emissora para patamares nunca antes visto. Porém, com o falecimento de Rezende, ficou a dúvida sobre a continuidade do sucesso da atração. Mas seu sucessor Luiz Bacci tem conseguido manter o Cidade Alerta no topo da lista dos programas mais vistos da emissora. Mais do que isso: Cidade Alerta começou a alcançar a liderança no Ibope. Nesta semana, o policial se posicionou à frente de Malhação – Vidas Brasileiras e Espelho da Vida, da Globo, em vários momentos.

Nada mal para um programa que já teve altos e baixos. Criado nos anos 1990, o Cidade Alerta sempre rendeu bons frutos à Record desde sua estreia, com Ney Gonçalves Dias. Sua primeira fase chegou ao auge com José Luiz Datena no comando. Mas, quando já estava nas mãos de Marcelo Rezende, o policial foi perdendo espaço na década de 2000, quando a Record tentou qualificar sua grade de programação. Saiu do ar em 2005, para retornar apenas em 2011. Datena chegou a voltar para uma passagem relâmpago, mas foi com Marcelo Rezende que o Cidade Alerta firmou-se novamente.Com tempo de sobra, o jornalista consagrou os bate-papos descontraídos com os repórteres ao vivo. Ou seja, injetou humor num programa policial, uma mistura estranha, mas que deu certo.

Entretanto, a Record, mais uma vez, tentou reduzir o Cidade Alerta para tentar nova qualificação de grade. No ano passado, o jornal perdeu espaço para uma reprise de Os Dez Mandamentos. Não deu certo, e Cidade Alerta retomou seu tempo de exibição. Paralelamente, Marcelo Rezende foi diagnosticado com câncer e acabou falecendo. Sem seu grande âncora, Cidade Alerta parecia fadado à nova extinção. Mas Luiz Bacci conseguiu segurar a bronca.

Com Luiz Bacci à frente do Cidade Alerta, a Record conseguiu rejuvenescer uma de suas atrações mais tradicionais. Anteriormente apresentado por nomes veteranos do jornalismo, o Cidade Alerta é, agora, comandado por uma de suas “crias”. Isso porque Luiz Bacci, embora esteja na TV desde criança, se consagrou em definitivo no jornalismo televisivo quando se tornou repórter do Cidade Alerta. Batizado de “menino de ouro” por Rezende, o profissional conseguiu imprimir sua marca na atração. Dali, foi alçado à âncora do Balanço Geral, despertando o interesse da Band. Mudou de emissora para apresentar o vespertino Tá na Tela, de triste lembrança.

Mesmo com o fiasco, Luiz Bacci conseguiu retornar à Record e se firmar como apresentador na emissora. No Cidade Alerta, o jornalista exerce todo o seu traquejo no “ao vivo”, adquirido nestes anos todos de TV, e se sai muito bem. Claro, Bacci não tem o estofo e nem o conhecimento de Marcelo Rezende, um cronista e repórter policial de mão cheia e que, por isso, sabia fazer render uma única história por minutos a fio (ou horas). Já Bacci recorre a comentários mais lugares-comuns. Mesmo assim, ele consegue segurar as longas horas do Cidade Alerta e prender o público, um feito e tanto.

Assim, o atual sucesso do Cidade Alerta fez cair por terra qualquer previsão de que este tipo de programa estava fadado ao cansaço. Seu “ressurgimento das cinzas” chega a ser surpreendente. Bom para a emissora, que colhe o sucesso, mas ruim para quem prefere um programa menos trágico ou apelativo na TV. E deve piorar, afinal, toda vez que o Cidade Alerta dá trabalho, surgem genéricos dele por aí. Já rolam boatos de que Silvio Santos está de olho no passe de Bacci, e que ele deseja tentar, novamente, um jornal policial na faixa das 18 horas. Vai vendo.

André Santana