sábado, 14 de outubro de 2017

Carlos Lombardi e Miguel Falabella fazem falta no horário das sete da Globo

O bom desempenho de Pega Pega, atual cartaz das sete da Globo, deixa claro que a atual receita do sucesso no horário são as tramas de forte pegada infanto-juvenis. Tramas de temática leve, com histórias simples, roteiro quase didático, feitas para se assistir em família. É só observar os últimos sucessos do horário: Totalmente Demais era quase um conto de fadas, enquanto Haja Coração também tinha forte apelo infantil. Apenas Rock Story destoou da tendência, com uma história mais séria e com mais camadas.

Não que sejam ruins. Tramas como Pega Pega cumprem bem a sua missão, de ser apenas um entretenimento descompromissado. Sem nenhuma pretensão, estas tramas encontram um público cativo, e o bom retorno da audiência é uma prova incontestável de que é isso que os espectadores querem ver.

Mas fazem falta aquelas boas comédias do passado, com temáticas mais adultas. Nomes como Silvio de Abreu, Cassiano Gabus Mendes e Carlos Lombardi fizeram do horário um oásis de comédia rasgada e despudorada, com tramas que também agradavam à plateia infantil, mas tinham uma pegada um tanto mais arrojadas que as atuais produções. Usavam e abusavam da ironia, do sarcasmo e das alegorias.

Silvio de Abreu é hoje Diretor de Teledramaturgia Diária da Globo e não deve mais retornar ao horário, até porque suas últimas incursões ali, As Filhas da Mãe e o remake de Guerra dos Sexos, não emplacaram (embora As Filhas da Mãe tenha sido muito boa, na minha humilde opinião). Cassiano Gabus Mendes nos deixou após O Mapa da Mina, uma das mais fracas de sua galeria de sucessos. Na verdade, os dois veteranos ditaram moda por ali nos anos 1980, assinando verdadeiros clássicos da teledramaturgia.

Seus herdeiros mais diretos neste estilo tragicômico, sem dúvidas, foram Carlos Lombardi e Miguel Falabella. O primeiro reinou no horário por anos, trazendo tramas divertidíssimas, rápidas, espertas e cheias de camadas. Bebê a Bordo, Quatro por Quatro, Uga Uga e Kubanacan foram novelas ousadas, que imprimiram no horário um estilo muito peculiar. Todas sucessos de audiência, embora tenha quem as odeie. Sua última novela do horário, Pé na Jaca, não foi bem-sucedida, mas foi uma das melhores novelas de sua carreira. Ali, o autor soube misturar, com muita competência, o dramalhão familiar com seu estilo de humor, além de lotar a obra de referências pop.

Miguel Falabella teve uma carreira menor por ali, mas também soube, como poucos, fazer comédias de grande qualidade. Sua primeira novela, Salsa e Merengue, assinada com Maria Carmen Barbosa, foi também a sua melhor, pois ali estavam o melodrama e o humor popular no melhor sentido da palavra. Falabella é um grande criador de tipos, e Salsa e Merengue era lotada de personagens marcantes, como a Teodora de Débora Bloch, ou a engraçada trambiqueira Ruth, de Laura Cardoso. O autor voltaria ao horário ainda com A Lua me Disse e Aquele Beijo, tramas que não fizeram tanto sucesso quanto a primeira, mas também gostosas e com uma pegada bem popular e divertida.

Na faixa das sete, também reinou, por um certo período, o agora sumido Antonio Calmon. Calmon não era tão ácido quanto Falabella e Lombardi, mas algumas de suas obras conseguiram mesclar bem a trama infantilizada com uma comédia mais elaborada, como Vamp, Um Anjo Caiu do Céu e O Beijo do Vampiro. O autor também mandou bem no melodrama com Cara & Coroa, mas errou a mão feio em Começar de Novo e Três Irmãs. Desde esta última, não escreve mais novelas. Apresentou uma nova trama recentemente, Barba Azul, mas ela não foi aprovada pela Direção de Dramaturgia.

Miguel Falabella hoje se dedica à criação de séries, um segmento no qual parece se dar melhor. Já Carlos Lombardi viu sua última sinopse ser rejeitada na Globo, e acabou migrando para a Record, onde assinou a também ótima Pecado Mortal, um drama das 22 horas com boas pitadas de comédia. Recentemente, deixou a emissora e, agora, pretende se dedicar a projetos na TV paga. Os dois não deixaram “herdeiros”, e as novelas das sete vão perdendo, cada vez mais, sua característica subversiva. Uma pena. Fazem falta.

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André Santana

6 comentários:

  1. Discordo sobre o Falabella, mas concordo sobre o Lombardi. Torcer pra que o Silvio de Abreu o queira e convenca a Globo, ja que a direcao nao perdoa quem quebra o contrato. Queria ve-lo escrever Joao ao Cubo, que tinha sido aprovada mas Lombardi, ansioso, queria voltar logo no ar e preferiu ir pra Record. Alem do proprio Silvio, tem a Gloria Perez, que eh amiga dele, que tambem poderia influir numa volta a venus platinada.
    Sonhar eh bom, e sonho com a volta do Lombardi e ate do Lauro, na Globo.

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  2. Olá, tudo bem? Miguel Falabella é espetacular no teatro..Agora, como novelista, não sobressai em comparação aos colegas...Ele vai melhor em séries. Eu gostava mais das novelas do Lombardi. Até Uga Uga... Não sei se amadureci e deixei de apreciar o estilo ou ele entrou em uma espiral negativa em suas obras. Abs, Fabio www.tvfabio.zip.net

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    1. Kubanacan foi muito legal porem como durou o ano todo o final ficou meio nom sense

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  3. Os dois fazem falta sim, principalmente pela questão do texto, que anda tão em falta nas novelas ultimamente. Lombardi e Falabella são dois dos melhores roteiristas do país. Textos críticos, que vão muito além do melodrama fácil, infantil sem o mínimo de profundidade que Pega pega tem. Além deles, destaco Maria e Vincent que deixaram claro, depois de A lei do amor, que o melhor horário deles é o das sete. O horário das sete tá precisando mesmo de uma mudança faz tempo. Enquanto a audiência estiver ótima, nada vai acontecer e vão continuar apostando nas comédias infantis.

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  4. Que saudades de Pé na Jaca! Queria muito ter assistido Pecado Mortal, mas na época foi impossível. Quanto ao Miguel, nunca me apeguei em suas tramas...

    Abraço! www.jurandirdalcincomenta.com

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  5. Realmente uma comédia do Lombardi faz falta ao horário. As novelas das 7 estão mais do mesmo, Nos últimos quatro anos, só Rock Story que valeu a pena conferir pela história um pouco mais densa e Além do Horizonte, uma ideia interessante, mas mal compreendida.

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