sábado, 8 de abril de 2017

"A Força do Querer" traz novidades ao estilo de Gloria Perez

Estreou bem a nova investida da autora Gloria Perez no horário nobre, A Força do Querer. A trama entrou no ar sem pressa, mas não desinteressante. Teve um primeiro capítulo que fugiu do didatismo chato da apresentação dos personagens, e foi desenrolando sua trama principal aos poucos, revelando a conexão entre as histórias de maneira bastante harmônica. Soma-se a isso o ótimo elenco e uma direção criativa, mas sem pirotecnias desnecessárias, de Rogério Gomes. Tudo isso fez da primeira semana de A Força do Querer um entretenimento saboroso, que traz a veterana novelista apresentando algumas novidades em seu estilo já tão conhecido.

Desta vez, Gloria Perez não centrou toda a sua história numa única heroína, como fez com Morena (Nanda Costa), Maya (Juliana Paes), Sol (Deborah Secco), Jade (Giovanna Antonnelli) e Dara (Tereza Seiblitz), protagonistas de Salve Jorge, Caminho das Índias, América, O Clone e Explode Coração, respectivamente. Ao invés disso, trouxe diferentes tramas entrelaçadas por três personagens centrais, Ritinha (Isis Valverde), Bibi (Juliana Paes) e Jeiza (Paolla Oliveira). E até mesmo para apresentar seu trio central, a autora não teve pressa, já que o primeiro capítulo focou num prólogo envolvendo dois dos mocinhos, Zeca (Marco Pigossi) e Ruy (Fiuk). A partir deles nasce a relação entre duas grandes famílias, encabeçadas por Eugênio (Dan Stulbach) e Eurico (Humberto Martins), de onde se ramificam as tramas principais e paralelas. Ligado a eles está Caio (Rodrigo Lombardi), que tem uma história de amor com Bibi (Juliana Paes), uma das donas do primeiro capítulo. No final do primeiro episódio surge Ritinha, namorada de Zeca, mas que se envolverá com Ruy. A policial Jeiza surgiu apenas capítulos depois, ao abordar o caminhão de Zeca na estrada.

Além de não centrar sua trama numa única grande heroína, Gloria Perez também imprimiu outra novidade no enredo. Ao contrário de suas últimas novelas, que tinham o elenco tão inchado que vários personagens sumiam e apareciam ao sabor do vento, desta vez, em A Força do Querer, são poucos núcleos e personagens. Toda a trama está bastante concentrada nas duas famílias centrais, e é a partir das personagens que as compõem que a autora propõem os temas que pretende discutir, como o vício em jogo de Silvana (Lilia Cabral), esposa de Eurico, ou a transexualidade de Ivana (Caroline Duarte), filha de Joyce (Maria Fernanda Cândido) e Eugênio.

A terceira novidade no enredo de Gloria Perez é a falta da “ponte aérea” entre o Rio de Janeiro e qualquer outra parte do mundo, como a Turquia, Marrocos, Índia ou Estados Unidos. Desta vez, o núcleo “quase estrangeiro” da história está no estado do Pará, no Brasil mesmo, dando a chance de o público “viajar” com as personagens além do eixo Rio-São Paulo, explorando uma cultura tipicamente nacional, mas não tão conhecida aqui pelos lados do Sudeste. Assim, A Força do Querer tem o ritmo e o colorido do Carimbó, do artesanato de inspiração indígena e das lendas da região amazônica, como a do Boto. A locação proporciona um espetáculo visual que dá à A Força do Querer um charme especial.

E mesmo trazendo algumas novidades, Gloria Perez continua ainda sendo Gloria Perez e carrega muito do seu DNA. Assim, A Força do Querer não esconde que pretende ser um novelão, com muitas reviravoltas e amores impossíveis. Ou seja, é um folhetim rasgado, do qual a autora é especialista. Além disso, pode-se observar alguns enredos que remetem a outras de suas histórias, como a relação entre Eurico e Eugênio, que parece um remake dos irmãos Cadore de Caminho das Índias (incluindo aí a presença de Humberto Martins nas duas histórias). À Eugênio caberá se envolver com uma vilã interesseira, neste caso Irene (Débora Falabella), tal e qual Raul Cadore (Alexandre Borges) e a psicopata Yvone (Letícia Sabatella). Yvone, aliás, que também lembra muito a Alicinha (Cristiana Oliveira), de O Clone. Já Eurico e Silvana também remetem a Glauco (Edson Celulari) e Haydée (Christiane Torloni), de América. Duas mulheres elegantes que sofrem em segredo diante de uma dificuldade: Haydée era cleptomaníaca, enquanto Silvana, como já foi dito, é viciada em jogo.

Ou seja, Gloria Perez retornou ao horário nobre inspirada, e A Força do Querer, ao menos nesta primeira semana, parece oferecer bastante vigor à faixa. Há bons personagens, situações interessantes e belos cenários prontos para fazer o horário das nove da Globo retornar às boas diante do público. As expectativas são as melhores.

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André Santana

5 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Noosssa.... Você foi longe ao relembrar "Na Própria Carne". Eu, sinceramente, não lembrava dessa "preciosidade". Eu recordo do Show de Calouros aos sábados. Sobre A Força do Querer: acredito que Gloria Perez pegou um território minado pelas recentes produções exibidas na faixa horária....A Globo acertou ao escalar Gloria e Walcyr para ressuscitar as novelas das nove. Abs, Fabio www.tvfabio.zip.net

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  2. Me surpreendi! A novela é boa mesmo!

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  3. Faltou comentar que a abertura é uó!

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  4. Com todo respeito a Gloria, por que em certas novelas ela escolhe atores que nao estao prontos pra viverem o peso de um protagonistas ? Victor Fasano em Barriga de Aluguel, Ricardo Macchi em Explode Coracao, Marcio Garcia em Caminhos das Indias e agora Fiuk em A Forca do Querer. A grande sorte dela nessa novela eh que dessa vez Rogerio Gomes e Pedro Vasconcelos conseguiram fazer com que a atuacao do Fiuk nao comprometesse o peso de um personagem protagnoista. Com isso nao estou dizendo que Marcio Garcia nao seja um bom ator, ate eh, mas ele ainda nao eh um excelente ator ainda mais para ter sido um protagonista das nove, com todo respeito.
    Bom, eh cedo ainda pra avaliar a novela. Mas que bom que dessa vez, ela esteja desde o inicio agradando a crtica, porque o publico ela sempre agrada. Ja a critica so fala bem de seriados e minisseries, as novelas geralmente ela eh massacrada.

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  5. Ah, nada como o tempo. Em Salve Jorge tudo contribuiu para o seu fracasso. O seu texto inclusive, mas ao contrario de todos nao acho que o texto foi o unico culpado, pra era quase impossivel que a sucessora de AvBr repetisse o fenomeno ou fosse sucesso ou fosse ate regular, durante metade da novela tinham os orfaos e viuvos de AvBr, tinha tambem uma producao que era a de uma novela mexicana no poor sentido isto eh, cenarios pobres, erros imperdoaveis de continuidade e a direcao pessima.
    Agora digo a mesma coisa so que o contrario, o texto eh bom mas nao eh a unica coisa, a nobela ta sucedendo um fracasso e o publico ta sedento de uma boa novela, a direcao e producao estao em harmonia, nao tem concorrencia corte e principalmente, ta tendo a sorte de surgir no momento que tres grandes emissoras de tv aberga estao lutando com operadoras de tv pago, e estamos num momento atipico que a audiencia nao deve ser creditada apenas pelos meritos proproios das producoes globais, estamos num momento de ajuste de audiencia, ate que se resolva a perimba entre a SIMBa e as operadoras. A Forca do Querer apareceu no momento certo, e a autora tambem esta ajudando ja que ela esta sendo superior a sua novela anterior.

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