sábado, 25 de março de 2017

"Novo Mundo" faz ótima estreia

Enquanto Sol Nascente caminhou em banho-maria e ajudou o espectador que sofria de insônia, a estreia de Novo Mundo serviu como um agradável despertar. Claro, primeiro capítulo de novela costuma investir muito para prender a atenção do espectador. Se irá manter tal fôlego, só o tempo vai dizer. No entanto, até aqui, Novo Mundo deixou a melhor das impressões. Com jeito de aventura clássica e apostando em personagens históricos, Novo Mundo trouxe uma interessante mistura.

Claro, como se trata de uma novela das seis, o folhetim há de imperar. Em Novo Mundo, temos o casal Anna (Isabelle Drummond) e Joaquim (Chay Suede), que traz os jovens atores repetindo a vitoriosa parceria da primeira fase de A Lei do Amor. Ela é a professora de português da princesa Maria Leopoldina (Letícia Colin), e ruma com a nobre para a colônia portuguesa para que esta conheça seu futuro marido, Dom Pedro I (Caio Castro). E Joaquim é um ator que se mete numa enrascada justamente na festa da princesa, de onde sai fugido com a esposa, Elvira (Ingrid Guimarães). Anna e Joaquim, claro, vão parar no mesmo navio e se apaixonam, mas terão Elvira como a pedra no sapato. E não apenas ela, já que Anna despertou a atenção do oficial inglês Thomas Johnson (Gabriel Braga Nunes), que já mostrou não ser flor que se cheire.

Toda esta sequência vista no primeiro capítulo chamou a atenção por vários motivos. Primeiro, pelo óbvio requinte da produção. Com direção artística de Vinícius Coimbra, o nome por trás das igualmente belas Ligações Perigosas e Liberdade Liberdade, Novo Mundo aposta em cenários suntuosos, fotografia original e takes inusitados. Todas estas qualidades puderam ser observadas nas cenas da fuga de Joaquim, quando descobrem que Elvira pegou para si uma barra de ouro da festa da princesa. A correria, inspirada nas grandes aventuras do cinema, teve direito a saltos incríveis, truques de despiste e até a indefectível corda cortada que solta um lustre do teto. Escondido na embarcação que rumará ao Brasil, Joaquim teve seus dias de pirata.

Outro ponto positivo é o texto dos autores estreantes Alessandro Marson e Thereza Falcão. A ideia de mesclar o folhetim de aventura com reais passagens históricas mostrou-se acertada. Assim, o espectador conviverá com figuras já tão conhecidas dos livros de História, como toda a Família Real Portuguesa, em meio aos personagens ficcionais que ajudarão a contar esta história dos tempos da colônia. A mistura funcionou muito bem, pois fugiu do didatismo que pode acometer uma produção calcada em dados históricos, e os personagens reais ajudam a contar uma história original. E o enredo rende, até porque os autores, embora estreantes na função titular, já têm grande experiência como colaboradores. O texto se mostra maduro, com bons diálogos e situações interessantes.

Além disso, ainda se pode destacar a qualidade do elenco. Os jovens atores estão em bom momento: Isabelle Drummond e Chay Suede repetem a boa química da novela anterior, Letícia Colin segue excelente, e até Caio Castro está simpático como Dom Pedro I. Entre os veteranos, Ingrid Guimarães segue divertindo como mais uma maluca por casamento. Por outro lado, Gabriel Braga Nunes, como mais um vilão, parece ainda no piloto automático que adotou há alguns anos. Mas não compromete.

Agora é torcer para que Novo Mundo mantenha o fôlego dos primeiros episódios e recoloque o horário das seis na boa trajetória que a faixa vinha nos últimos tempos, sobretudo com a trinca Sete Vidas, Além do Tempo e Eta Mundo Bom!. Só pesa contra a trama a fotografia escura e o filtro que parece “borrar” algumas cenas, recursos que costumam ser alvo de críticas de alguns espectadores. No mais, as expectativas são as melhores.

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André Santana

4 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Pretendo comentar sobre a novela neste domingo no meu blog. O texto apresenta velhos e cansados estereótipos: Dom João fã de frango.. Dom Pedro, um homem garanhão....E por aí vai....Sei não..... Abs, Fabio www.tvfabio.zip.net

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    1. Não achei tão estereotipada assim. Ela repete estas caricaturas, sim, mas faz com parcimônia. E não vejo isso como um prejudicial para a trama. Tenho gostado da novela! Abraço!

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  2. Há muito tempo não me empolgava tanto com uma novela em seu primeiro capítulo... Que mantenha o nível!

    Jurandir Dalcin | www.jurandirdalcincomenta.com

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