sábado, 18 de março de 2017

Com "O Rico e Lázaro", Record parece mostrar sempre a mesma novela

Não há dúvidas de que a Record, finalmente, descobriu a sua vocação na teledramaturgia. Depois de perder a mão dos folhetins realistas, que viveram uma queda livre na audiência desde Máscaras, o canal voltou a acertar quando transformou o seu projeto de minisséries bíblicas em novelas bíblicas. Neste contexto, a Record encontrou um novo filão, que a diferenciou das tramas da Globo e do SBT, e passou a azeitar a fórmula, evoluindo a cada novo trabalho.

O Rico e Lázaro, sua terceira produção na fila das novelas bíblicas (ou quarta, se considerarmos Os Dez Mandamentos – Nova Temporada como uma outra produção), estreou na última semana deixando bem claro aos olhos do público a visível evolução. Já começou com uma cena no inferno, mostrando o sofrimento do “rico”, enquanto o “lázaro” o observava do céu. A cena, realizada sob um efeito quase animado, parecido com o filme 300, funcionou muito bem. Na sequência, os primeiros personagens da novela foram apresentados aos baldes, dando a chance do público de conferir o figurino caprichado, os bons cenários e a grandiosidade da produção. Chamou a atenção as cenas de batalhas, todas ostentando uma direção criativa (de Edgard Miranda e equipe) e até uma violência num tom mais acentuado que nas tramas antecessoras, com muitas gargantas cortadas e sangue espirrando na tela.

Entretanto, com relação à trama, O Rico e Lázaro ainda não disse muito a que veio na primeira semana. Sabe-se que a trama principal é baseada na parábola de Jesus, que conta a história de dois homens que morrem no mesmo dia, mas um vai para o céu, e o outro direto para o inferno. E sabe-se, também, que os personagens-título são Asher (Rafael Gevú/Dudu Azevedo) e Zac (Vinícius Scribel/Igor Rickli), amigos de infância que disputarão o amor da mesma mulher, Joana (Maitê Padilha/Milena Toscano). Ainda não se sabe quem é o “rico” e quem é o “lázaro”, e a trama deve girar em torno da escolha destes dois personagens fictícios que os levarão em caminhos diferentes.

Ou seja, pela primeira vez, uma novela bíblica da Record tem personagens fictícios como protagonistas, e não figuras importantes da Bíblia Sagrada, como Moisés (Guilherme Winter), em Os Dez Mandamentos, e Josué (Sidney Sampaio), em A Terra Prometida. As figuras bíblicas e históricas, no entanto, ocupam as tramas paralelas, como o Profeta Jeremias (Victor Hugo) e o rei Nabucodonosor (Heitor Martinez), o grande vilão da trama. A trama de Paula Richard, assim, tem uma proposta diferente das sagas anteriores, assinadas por Vivian de Oliveira e Renato Modesto.

No entanto, esta deve ser uma das poucas diferenças entre O Rico e Lázaro e suas antecessoras. No geral, todas estas novelas formam uma única saga, já que a atual segue a linha do tempo da saga do povo hebreu. A nova novela mostra que, em 586 a.C., após a morte de Josué, o povo hebreu começa a “seguir seu próprio caminho”, dando as costas para Deus e começando a adorar deuses pagãos. O profeta Jeremias tenta alertá-los das terríveis consequências deste caminho, mas seu próprio povo tenta apedrejá-lo, o chamando de traidor e falso profeta. Sua profecia se cumpre com a chegada de Rei Nabucodonosor e de sua esposa Rainha Amitis (Adriana Garambone).

Outra diferença é o texto um tanto mais “recheado” de acontecimentos e situações, e do excesso de teor evangelizador nos diálogos. Os Dez Mandamentos e A Terra Prometida, mesmo tendo seus momentos de “pregação”, se colocava mais no propósito de contar uma história. Os “profetas protagonistas”, assim, traziam a palavra de Deus, mas também viviam situações folhetinescas típicas, dando a cara de novela necessária à narrativa. Talvez por não ter os profetas como protagonistas, O Rico e Lázaro os coloca como pregadores mais incisivos. Além disso, outros personagens também recitam ensinamentos bíblicos em praticamente todos os diálogos. O Rico e Lázaro, assim, se coloca mais firme no propósito evangelizador, ao menos nesta primeira semana.

Mas é só. De resto, o público vai encontrar cenários e figurinos bastante semelhantes às produções anteriores, imprimindo a sensação de que acompanhamos, ainda, a mesmíssima novela iniciada lá em 2015, com Os Dez Mandamentos. Com isso, a Record corre o sério risco de saturar a temática, já que a sensação de “mais do mesmo” é bem forte. Felizmente, a produção que substituirá O Rico e Lázaro será O Apocalipse, de Vivian de Oliveira, que se passará num futuro próximo. Ou seja, sairão os figurinos suntuosos dos reinos antigos e as areias do deserto, e entrará uma trama com cara contemporânea, que pode dar um necessário respiro à faixa. Caso contrário, o cansaço seria inevitável.

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André Santana

6 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Também fiquei incomodado com as cenas de violência da novela.. Ficou bem acima do tom.... Eu, particularmente, gosto mais das produções realizadas pela Record. José do Egito tem o seu estilo. Sansão e Dalila, outro... Na Casablanca, a produção segue o mesmo formato de A Terra Prometida...Não há diferença entre as produções. Até a qualidade de imagem é a mesma.... Comentarei no meu blog. Abs, Fabio www.tvfabio.zip.net

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    1. Faz sentido! Achei que a troca de diretores daria um olhar diferenciado às produções, mas isso não aconteceu. Continua tudo muito igual. O Rico e Lázaro não me empolgou.

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  2. Tambem acho que a record deveria dar uns intervalos entrw suas producoes biblicas...porem fez sucesso sugam ate a ultima gota..ansioso pra ver essa apocalipse que sera diferente

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    1. Confesso que estou curioso com a próxima! A temática é boa e pode render.

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  3. Rede Record e sua mania de sugar até o bagaço seus produtos hein !
    Lembro que no passado o Hoje em dia começava as 10 e ia até às 14 horas para SP
    O pica pau era exibido das 16 até às 20 horas e assim fizeram como o querido todo mundo odeia o Chris
    Parece que esses diretores se acomodam e não pensam em buscar algo novo ao telespectador
    Toda fórmula cansa ,precisa de um frescor

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    1. Isso sem falar na novela dos mutantes, que não acabava nunca! O defeito da Record é não saber a hora de parar com as coisas.

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