quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

"Big Brother Brasil" retorna tentando rejuvenescer

Parece que foi ontem que o Big Brother Brasil entrou no ar como um dos produtos de verão da Globo. Na época, no já longínquo ano de 2002, a atração estreou sob a sombra do sucesso retumbante que foi a Casa dos Artistas, do SBT, e fez um esforço danado para tentar convencer o público de que não, a Globo não estava copiando o SBT (na verdade, o SBT esnobou o formato e tratou de “criar” seu próprio reality, enquanto a Globo resolveu comprá-lo e se surpreendeu com a estreia na surdina do programa de Silvio Santos). Aliás, naquele contexto, Big Brother tinha mesmo mais a cara do SBT do que da Globo. No entanto, quinze anos já se passaram e, hoje, o BBB já está mais do que integrado à programação da emissora e ao hábito do espectador todo início de ano.

No entanto, em 2017, a atração passa pela maior mudança de sua história. Com a chegada de Tiago Leifert à apresentação, BBB entrou em cena de cara nova. Afinal, por mais que o programa em si não seja de um apresentador, e sim do elenco e da “dramaturgia” construída em torno do confinamento dos participantes, o rosto de Pedro Bial ficou muito marcado como um dos símbolos do Big Brother Brasil. Conforme os anos foram passando, Bial foi construindo uma relação cada vez mais íntima com o público e com os confinados. Expressões criadas por ele, como chamar os participantes de “heróis” ou se referir à casa como a “nave louca”, tornaram-se patrimônios do programa, bem como seu indefectível discurso de eliminação.

Talvez por isso, sua substituição por Tiago Leifert acabou causando grande comoção entre os espectadores nas redes sociais. Os fãs da atração sentiram falta de Bial, e até subiram a hashtag #BBBSemBial, na qual compararam a ausência do apresentador no reality com “pão de queijo sem queijo”. Muitos até criticaram a conduta de Tiago, considerada mais “travada”, sem o mesmo jogo de cintura do apresentador antigo. Mas, afinal, substituir Pedro Bial por Tiago Leifert foi uma boa ideia?

Particularmente, creio que sim. Pedro Bial ficou 15 anos à frente da atração, tempo mais do que considerável. Bial fez e aconteceu em todo este tempo, e deixou sua importante contribuição. Por isso, já estava mais do que na hora de partir para outros desafios, afinal, o apresentador e jornalista tem uma bagagem que, sem dúvidas, merecia levá-lo a voos maiores. No BBB, ele já não tinha muito o que fazer. No novo talk show que estreia em abril na Globo, sim, ele poderá trazer coisas novas. A verdade é que já fazia tempo que Bial merecia esta “promoção”. E, no elenco da Globo, não havia um nome mais adequado a substituir Bial do que Tiago Leifert. Com experiência em jornalismo esportivo, onde imprimiu sua informalidade, o apresentador passou ao entretenimento com bons serviços prestados, seja no The Voice, no Zero 1, e até no É de Casa. Sim, percebe-se que ele ainda não está totalmente à vontade no BBB, o que é mais do que natural. O apresentador acabou de chegar, e deve demorar um pouco até que ele mostre, por inteiro, do que é capaz. Vale lembrar que Pedro Bial também estreou no BBB bem sisudo e nervoso, e foi adquirindo traquejo com o tempo.

Dito isto, o que realmente causou estranheza na estreia de Tiago é que passou a impressão de que a direção do programa tentou reinventar o programa, passando um verniz “jovem”, quase como para dizer que se tratava de um novo programa a receber Leifert, como o novo cenário enorme e cheio de badulaques. Além disso, o novo apresentador entrou em cena sem a preocupação de avisar os mais distraídos que, agora, era ele quem estaria ali. Não acho que deveria haver uma “passagem de bastão” entre Bial e Leifert, como muitos defenderam, mas caberia, ao menos, um simples aviso ao público. O programa também agregou Paulinho Serra, responsável pelos flashs Selfie BBB, e Rafael Cortez, com um quadro no qual interage com internautas. Por fim, também terá um quadro com fantoches que representa uma família que assiste ao BBB, que parece um substituto das charges de Mauricio Ricardo, que não voltam mais (aliás, os bonecos são dos mesmos criadores dos da TV Colosso, perceberam?). Mas nenhuma mudança trará grandes acréscimos na audiência, afinal, o sucesso do BBB, como dito acima, é o seu elenco. Aguardemos o que vem por aí.

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André Santana

6 comentários:

  1. O Big Brother parece que se rejuvenesceu, mas até quando vai durar isso? Não tem mais graça nenhuma ficar espionando a vida alheia e os participantes entram pra jogar um jogo. Por isso que deixei de lado esse programa.

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    1. Eu acho que o BBB ainda vai longe, Kleber! Como disse no texto, o sucesso do programa é o elenco. Se for um grupo bem escolhido, a coisa acontece. O BBB vinha de anos mais apáticos e, no ano passado, voltou a repercutir bastante por conta da Ana Paula e aquelas palhaçadas todas. Tenho acompanhado este ano e achei o grupo meio morno, então, se nada mudar, 2017 não será uma temporada "lendária". Mas nada impede que no ano que vem a coisa mude de novo.

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  2. O meu sentimento é o mesmo do Kleber Nunes. Já curti o programa um dia, hoje não mais, apenas raramente. E que saudades do Tiago Leifert como apresentador esportivo! Abraços André o/

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    1. Sempre fui fã do Leifert nos esportes, mas realmente gosto dele como apresentador no entretenimento. Ele é ótimo no The Voice e acredito que vai achar o seu caminho no BBB.

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  3. Discordo quando você diz que Tiago Leifert era a melhor opção. Acho que André Marques, que está meio apagado no The Voice Kids, se sairia muito melhor. Falando em The Voice, acho que até nele Leifert é muito ruim. Acho-o arrogante e sem carisma, além de forçado. Prefiro ver minhas sériezinhas do que acompanhar o BBB.

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    1. Oi Edberg! Respeito sua opinião, mas não concordo. Acho André Marques um bom apresentador, mas ele é apenas correto. É um cara que faz o dele, não compromete, mas também não tem nada de mais. Esse "algo a mais" eu já vejo no Tiago, ele tem um estilo próprio bem interessante e muito jogo de cintura no "ao vivo". Acho ele a melhor opção para o BBB.

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