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| Regina Duarte e Lima Duarte em Roque Santeiro (divulgação) |
A TV Globo bateu o martelo e confirmou o retorno de um dos maiores fenômenos da história da teledramaturgia brasileira. Roque Santeiro (1985), obra-prima de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, foi a escolhida para ocupar a faixa da Edição Especial nas tardes da emissora, substituindo Além do Tempo (2015). O repeteco estreia em 5 de outubro.
A escalação do clássico estrelado por Lima Duarte (Sinhazinho Malta), Regina Duarte (Viúva Porcina) e José Wilker (Roque Santeiro) reflete a busca da direção por títulos de forte apelo popular para blindar a audiência vespertina. No entanto, o anúncio acendeu um alerta junto aos fãs de TV: colocar a trama de Asa Branca de volta no ar é uma manobra bastante arriscada. Por isso mesmo, a decisão surpreende.
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Histórico desfavorável
A preocupação não vem do nada. Embora seja incontestável a importância de Roque Santeiro, que cravou médias históricas de audiência em sua exibição original nos anos 80, sua última reprise na TV aberta não foi lá essas coisas.
No ano 2000, quando foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo, a novela ficou longe de ser um fenômeno. O ritmo oitentista, o tom satírico e a narrativa mais cadenciada sofreram para dialogar com o público vespertino da virada do milênio. Resultado: Roque Santeiro derrubou a audiência da faixa e chegou a perder para o Chaves, na época um sucesso difícil de quebrar no SBT.
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Reprises de clássicos
Por outro lado, a escolha por Roque Santeiro até que faz sentido na atual Globo, que está buscando revisitar clássicos em suas duas faixas de reprises vespertinas. A Edição Especial já reexibiu novelas mais “antiguinhas”, como Mulheres de Areia (1993), História de Amor (1995) e Terra Nostra (1999). Já o Vale a Pena Ver de Novo foi ainda mais longe ao resgatar Tieta (1989) e Rainha da Sucata (1990).
Essas duas últimas revelam o que pode acontecer com Roque Santeiro. A reapresentação de Tieta no Vale a Pena Ver de Novo provou que clássicos solares, populares e bem-humorados conseguem capturar novas gerações e reter o público nostálgico, garantindo excelentes índices e gerando forte repercussão nas redes sociais.
Por outro lado, a volta de Rainha da Sucata passou longe de repetir o sucesso esperado. A trama de Silvio de Abreu enfrentou rejeição, teve índices mornos e escancarou que nem todo "sucesso do passado" envelhece de forma palatável para a rotina do telespectador de hoje.
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Sucesso ou fracasso?
Ao escalar Roque Santeiro para a Edição Especial, a Globo faz um movimento duplo: aposta na força da memória afetiva de um clássico irretocável para movimentar o horário, ao mesmo tempo em que corre o risco de ver a história se repetir caso o público jovem do horário não compre a sátira política e o ritmo de 1985.
Se a ideia era apostar numa novela clássica com “cara de Tieta”, talvez Pedra Sobre Pedra (1992) fosse o título mais adequado, já que as semelhanças são maiores. Roque Santeiro tem uma ambientação parecida e muito humor, características de Aguinaldo Silva, mas é também uma sátira política mais contundente. Será que vai dar certo?
André Santana
24/09/2026

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