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Em 2002, SBT lançava Popstars e mexia com o mercado fonográfico brasileiro

Rick Bonadio, Iara Negrete e Alexandre Schiavo comandavam a seleção do Popstars
Rick Bonadio, Iara Negrete e Alexandre Schiavo comandavam a seleção do Popstars (divulgação)

No próximo domingo, 27, o SBT lança a nova temporada do The Voice Brasil. A principal novidade é o dia de exibição: a competição musical passa das noites de segunda-feira para os domingos, demonstrando a vontade da emissora de fazer a atração acontecer. Afinal, o domingo é o dia mais nobre do SBT. Encaixar Tiago Leifert entre Celso Portiolli e Patrícia Abravanel é um sinal de prestígio.

É importante lembrar que o SBT foi pioneiro no segmento dos realities musicais no Brasil, ou “talent shows”. Há 24 anos, o canal lançava Popstars, atração exibida nas noites de sábado que estreou no mesmo dia que o Fama, na Globo. Os dois programas tinham propostas semelhantes, embora com formatos e horários diferentes.

Em meados de 2002, o Brasil vivia a febre absoluta dos reality shows. No SBT, Silvio Santos buscava alternativas para manter o público aquecido após o estrondo de Casa dos Artistas. Foi nesse cenário que, em 27 de abril de 2002, estreava Popstars, formato internacional adaptado pela produtora RGB Entertainment em parceria com o canal e a Sony Music, com o objetivo de formar uma banda feminina de pop dance.

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Contexto

Na época, os jornais acompanhavam cada passo da pré-produção. Noticiou-se que Silvio Santos cogitou apresentar a atração e que o programa chegaria para "esquentar a audiência do SBT" e duelar com atrações consolidadas. O formato trazia um diferencial para a época: sem apresentador fixo e conduzido apenas por narração, a atração focava no processo documental de seleção.

O caminho até o palco, no entanto, foi marcado por momentos dramáticos. Para a primeira fase de testes, o anúncio do SBT convocou garotas de 18 a 25 anos com o lema: "Você já pensou em ser famosa, fazer shows e aparecer nas capas das revistas?". O resultado foi uma verdadeira corrida ao sambódromo do Anhembi, em São Paulo, no final de março de 2002.

Como relatou o Jornal O Estado de S. Paulo, cerca de 18 mil pessoas se amontoaram na porta do complexo, reunindo 6 mil candidatas selecionadas a partir de 30 mil inscrições enviadas pelos Correios. O clima era de desespero e sonhos grandiosos: jovens enfrentavam filas sob sol escaldante, inclusive com registros de desmaios, e histórias extremas chamavam a atenção da imprensa, como a da paraibana Fernanda Raquel, que viajou 77 horas de carona num caminhão para tentar uma vaga.

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A saga do treinamento e a busca pela harmonia

À medida que as fases eliminatórias avançavam, a atração migrou para um workshop em um resort, isolando as semifinalistas do mundo exterior. Ali, a exigência técnica e emocional atingiu o ápice sob o olhar atento do jurado e produtor Rick Bonadio, da treinadora vocal Iara Negrete e de executivos como Alexandre Schiavo, vice-presidente de marketing da Sony Music.

Em matéria do jornal O Globo de junho de 2002, Schiavo relatou o desgaste de acompanhar o sonho das participantes: "Nunca imaginei ver tanta mulher chorando todo dia", brincou ele na época, ressaltando que o júri não buscava estereótipos: "Não buscamos uma loura, uma negra, uma ruiva... Estamos buscando talento e elas é que darão a cara do grupo".

Ao final de 20 semanas de exibição, em agosto de 2002, o público conheceu as cinco escolhidas: Aline Wirley, Fantine Thó, Karin Hils, Luciana Andrade e Li Martins (então Patrícia Lissa), batizadas oficialmente como o grupo Rouge.

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Baixa audiência

Por conta do sucesso do Rouge, muita gente acha que o programa Popstars registrou altos índices de audiência. Mas não foi bem assim. A atração do SBT mantinha médias modestas de audiência, em torno de 12 pontos, números que não eram considerados expressivos para o SBT na época. A repercussão do programa também era mínima, levando o mercado publicitário e até a própria gravadora a considerarem o projeto um morno resultado de televisão na época.

Porém, o destino do programa reservava uma reviravolta inusitada. Em reportagem da Folha de S. Paulo em setembro de 2003, analisando o impacto do formato, a diretora-geral da RGB, Elisabetta Zenatti, pontuou uma máxima que ficou famosa no mercado: "A audiência pode não ser um estouro, mas, se a banda estourar, o programa alcançou o sucesso".

E o Rouge estourou de forma avassaladora. Assim que a atração saiu do ar e as músicas chegaram às rádios e lojas, impulsionadas pelo fenômeno arrebatador de "Ragatanga", as garotas venderam mais de 1 milhão de cópias do primeiro álbum em apenas quatro meses. As vendas do VHS e DVD com trechos do programa também bateram recordes, com o público correndo para assistir à origem do grupo que havia perdido na TV.

Popstars teva uma segunda temporada em 2003, desta vez buscando meninos. Com isso, foi lançado o grupo Br’Oz, que também chamou a atenção na época, mas não repetiu o êxito do Rouge.

André Santana

24/09/2026

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