Mesmo em tempo de pandemia e produções paralisadas, o noticiário televisivo tem rendido uma série de assuntos. Entre eles, o fato de ser uma temporada de reprises ter rendido o inusitado retorno do Show do Tom. Sim, o humorístico de Tom Cavalcante, exibido entre 2004 e 2011 na Record, voltou ao ar no último sábado. E, mesmo com a imagem borrada, disse a que veio.

Segundo o Notícias da TV, Show do Tom deu mais audiência que seu antecessor no horário, o reality show Made in Japão, de Sabrina Sato, e o Live Legendários, um programa improvisado que Marcos Mion comandou anteriormente. O que mostra a força de Tom Cavalcante, que segue agradando o público da emissora mesmo com reprises. Isso expõe a carência do humor na grade do canal. É um formato que a Record devia considerar retomar. 

Enquanto isso, na Band, contratações aconteceram. Zeca Camargo foi confirmado como novo funcionário da casa. Mas não como parceiro de Mariana Godoy no novo matinal da emissora, que deve substituir o Aqui na Band, como previsto. E sim como diretor executivo, propondo novos programas e ideias para o canal. E quer saber? Achei a novidade bem interessante. Zeca é um cara de repertório, um profissional da área, que pode contribuir com uma renovação da programação da emissora. Acho que pode funcionar. Aguardemos.

Por fim, na Globo, a retomada das novelas ganha um novo cenário a cada dia. Com as incertezas dos rumos da pandemia, não se sabe exatamente quando a emissora voltará a gravar Amor de Mãe e Salve-se Quem Puder, que foram interrompidas. Com isso, começa a ganhar força a informação de que outra reprise pode ocupar o horário nobre da Globo. E que A Força do Querer é a mais cotada para a vaga. 

Sou um espectador saudoso de Amor de Mãe. Não vejo a hora de a novela de Manuela Dias voltar. Mas reconheço que é um momento de cautela. Uma retomada precoce e cheia de impedimentos, dado os inúmeros protocolos de segurança que deverão ser adotados, pode prejudicar a obra. Seria uma pena uma novela que começou tão bem e parou no auge retornar de maneira apressada, e sem entregar ao público a mesma qualidade inicial. Se os rumos da pandemia são obscuros, talvez a melhor solução seja mesmo esperar mais um pouco. E vamos combinar? Rever A Força do Querer não seria nada mal.

E falando em novelas da Globo, nesta semana circulou a notícia de que Silvio de Abreu estaria preparando sua aposentadoria. O Diretor de Dramaturgia da Globo ficaria mais poucos anos na função, passando o bastão para Ricardo Waddington. O próprio Silvio veio a público desmentir tal informação. E se trata de uma boa notícia. Silvio de Abreu é muito criticado, mas não se pode negar que ele tem mais acertos que erros à frente da dramaturgia da Globo. Ele lançou vários novos autores, organizou a fila de produções e tem sabido dosar a dramaturgia básica com boas experiências. 

Esta gestão vem sendo marcada pelo revezamento entre obras de fácil digestão e garantia de audiência, tipo Walcyr Carrasco, com experiências mais ousadas e/ou sofisticadas, como Manuela Dias, Paulo Halm e Rosane Svartman. E isso é muito positivo.

André Santana