"Tem uma cobra na minha bota!"

Em 2017, depois de mais de um ano fora do ar, a Record voltou a apostar em A Fazenda. Na época, para dar um ar de novidade a este retorno, a emissora lançou A Fazenda – Nova Chance. Era uma nova chance para o próprio reality, que andava cambaleante na audiência. E, também, uma nova chance aos participantes, todos figuras já vistas em outros reality shows, da Record e de outras emissoras.

Pois a nova temporada de A Fazenda, que estreou na última terça-feira, 17, não se chama Nova Chance, mas bem que poderia. Afinal, a nova edição trouxe nomes como Andréa Nóbrega, Túlio Maravilha, Tati Dias, Diego Grossi, Jhenyfer Dulz (a Bifão), Lucas Viana, Drika Marinho e Hariane Almeida. Em comum? Todos já estiveram em realities, da Record ou não.

Túlio, Diego e Drika são figurinhas do Power Couple, enquanto Tati e Bifão vieram diretamente do De Férias com o Ex, da MTV. Da MTV também veio Lucas Viana, que participou do Are You The One?. Já Hari é cria do BBB, enquanto Andréa Nóbrega marcou presença no saudoso Mulheres Ricas, da Band. Guilherme Leão, Arícia Silva, Rodrigo Phavanello, Sabrina de Paiva, Thayse Teixeira, Netto Rodrigues, Phellipe Haagensen e Viny Vieira completam o time.

No entanto (e felizmente), A Fazenda não é dependente de personagens famosos. É a mistura das diferentes personalidades em busca de um lugar ao sol que garante o sucesso do programa. Neste início, o grupo mostrou ter potencial, distribuindo alfinetadas em meio às inevitáveis promessas de amizade eterna. Em suma, é um elenco que deve render. Nos primeiros episódios, Andréa Nóbrega já despontou como protagonista, rendendo momentos de humor involuntário com seu jeito, digamos, “peculiar”, e que vem sendo fortalecida com a rejeição que outros participantes demonstraram para com ela.

O que se nota é que, depois de muito bater cabeça, a Record conseguiu reinventar A Fazenda. O novo apresentador Marcos Mion trouxe o primeiro grande frescor, ao ser, de longe, o melhor âncora que já passou por ali. Mion comprova que já pegou o programa para si. O apresentador esteve excelente em seus momentos em cena, sobretudo na estreia, na interação ao vivo com os demais participantes. Em alguns momentos, participantes o chamaram de Gugu ou de Bial. E Mion, sem perder a piada, se apresentou como Tiago Leifert. É justamente esta capacidade de levantar a bola e improvisar quando surge a oportunidade que caracteriza um bom apresentador. Deste modo, Marcos Mion já fincou sua marca por ali. A Fazenda já é dele.

Além disso, a direção do programa parece ter adquirido um know-how interessante no momento de escalar o elenco. Há um nítido esforço para juntar um elenco o mais variado possível. Não basta apenas ter grau de fama: a mistura de personalidades é que garante o conflito e, consequentemente, o show.

Por isso, A Fazenda ganhou uma sobrevida interessante nestes dois últimos anos. O formato, que parecia caminhar rumo ao desgaste total, mostra que ainda pode render um bom caldo. Para quem gosta de um reality de confinamento movimentado, com muitas intrigas e participantes fazendo de tudo para aparecer, A Fazenda parece cumprir esta missão com muito mais louvor que o BBB, por exemplo. Nada mal.

André Santana