"Aguardando as ordens do chefe"
Deu no Notícias da TV ontem, 03/06: no cargo de Diretor de Entretenimento da Globo há seis meses, o jornalista Mariano Boni acabou com programas e ainda não promoveu nenhum lançamento. Desde que assumiu o cargo, no final do ano passado, Boni apenas extinguiu os programas Vídeo Show e Bem Estar, que hoje têm sobrevida como quadros de programas como Mais Você, Encontro e É de Casa. Até aqui, não há nenhum novo programa à vista no núcleo do novo diretor. 

Mariano Boni, que era diretor executivo do jornalismo, passou a dividir com Boninho os programas de entretenimento da Globo quando Ricardo Waddington, que ocupava o cargo, passou a responder pela Direção de Produção. Com isso, os produtos deste gênero ficaram divididos entre “programas com entrevistas” e “games, realities, musicais e variedades”. Boninho, que até então cuidava dos programas diários matinais, vespertinos e realities, passou a responder por vários semanais de entretenimento, até então com Waddington, além de continuar com os realities. Mas perdeu o comando dos matinais, como o É de Casa, idealizado por ele.

No guarda-chuva de Mariano Boni, os tais “programas de entretenimento com entrevistas”, entraram Mais Você, Encontro, Vídeo Show, Bem Estar, Conversa com Bial, É de Casa, Altas Horas e Amor & Sexo. Ficou claro, então, que a Globo queria a visão de um jornalista com experiência no campo executivo para aperfeiçoar o conteúdo dos programas que têm na conversa sua força motriz. Uma ideia boa, diga-se. No entanto, na prática, o que se viu até aqui foi a maior presença dos programas ao vivo na cobertura de grandes acontecimentos. Há uma clara maior flexibilização da grade para acomodar entradas de jornalismo ao vivo. Sem dúvidas, uma marca da nova gestão.

Porém, a nova direção se viu incapaz de solucionar dois dos problemas da grade da Globo que passaram a ser sua responsabilidade, o Bem Estar e o Vídeo Show. A saída encontrada, então, foi a simples extinção das duas atrações. A medida pareceu apressada, sobretudo no que se refere ao Vídeo Show. Tudo bem que o programa já havia passado por inúmeras reformulações e estava claramente desgastado. Mas caberia à nova direção uma última tentativa. Até porque a visão de um jornalista poderia trazer ao Vídeo Show justamente um conteúdo mais jornalístico. Já imaginou o olhar de um repórter curioso acerca dos bastidores da TV? Poderia render pautas bem mais interessantes que as bobajadas que o Vídeo Show exibia em seu respiro final.

Mas preferiram tirar do ar para substituir por nada. E, até agora, a grande aposta da gestão de Mariano Boni seria o novo programa com Fernanda Gentil, que parece mais um amontoado de ideias do que um projeto propriamente dito. É evidente que a Globo tenta se reajustar neste momento de crise, e não quer mais queimar cartuchos com estreias sem garantias. Algo válido e prudente. No entanto, apenas tirar programas do ar com soluções improvisadas parece saída de quem não tem muita ideia do que está fazendo. Enquanto isso, estamos no meio do ano e, até agora, não se sabe o que vai ser da grade da emissora.

André Santana