"Como assim vocês
não gostam da gente?"

Na semana passada, falamos aqui sobre o Cidade Alerta, que tem abocanhado a liderança de audiência em diversos momentos. O jornal de Luiz Bacci, porém, não é o único jornal popular da Record a fazer frente à programação da Globo. O Balanço Geral já coloca o Vídeo Show no bolso há tempos, e agora começa a incomodar, também, o Jornal Hoje. Enquanto isso, faixas como Sessão da Tarde e Vale a Pena Ver de Novo até lideram, mas veem suas diferenças com relação à concorrência ficarem cada vez menores. Ou seja, a tarde da Globo como um todo vem vivendo uma crise de audiência inédita.

Já falamos sobre o Vídeo Show diversas vezes. O diagnóstico é o mesmo: sobram apresentadores (ruins) e falta conteúdo à atração. Os bastidores da Globo já não parecem uma pauta tão fascinante quanto um dia já foi. Faz tempo que o vespertino parece preguiçoso em forma e conteúdo, e, hoje, o Vídeo Show paga pelo seu tempo de inércia. Está numa situação tão crítica que parece não haver mais uma solução além de sua extinção. Porque mexer mais uma vez parece tão perigoso quanto deixar como está.

Depois de Vídeo Show, entram Sessão da Tarde e Vale a Pena Ver de Novo. Duas faixas clássicas da Globo, as duas atrações só não está piores porque a concorrência não exibe nada muito atrativo no mesmo horário. Aqui, o problema parece ser a consequência de uma decisão tomada há quatro anos: a inversão de horários entre as duas atrações. “Colar” Vídeo Show no Vale a Pena Ver de Novo sempre pareceu coerente. Quem gosta de conferir os bastidores da Globo também gosta das novelas da casa. Ou seja, os dois programas têm públicos que dialogam. Ao “separá-los”, a emissora quebrou um efeito cascata que fazia sentido.

Agora, há um filme que separa Vídeo Show da reprise da novela. Um filme que não necessariamente herda público do vespertino. Aliás, um filme que, quase sempre, não desperta grande interesse de ninguém. Não é de hoje que a TV aberta perde cada vez mais público com exibição de filmes. E a Sessão da Tarde raramente exibe filmes de forte apelo. Percebendo o erro, a emissora chegou a trocar a programação da última semana, escalando filmes mais populares. Mas será que reforçar o pacote é a solução?

Além de perder o público do Vídeo Show, o Vale a Pena Ver de Novo também sofre com escalações equivocadas de suas novelas. Os dois últimos cartazes da faixa, Celebridade e a atual, Belíssima, não disseram a que vieram. Arrisco dizer que, neste horário mais tardio, o Vale a Pena Ver de Novo só reage mesmo quando há um “novelão” em cartaz. Basta relembrar dos últimos grandes sucessos do horário: Senhora do Destino, Cheias de Charme e O Rei do Gado. Outras novelas que já fizeram sucesso na faixa, como Anjo Mau, naufragaram em suas re-reprises.

Fechando a grade vespertina, entra Malhação – Vidas Brasileiras. A atual temporada da novela adolescente é uma das piores da história do programa. O formato adotado, de histórias que se encerram a cada duas semanas, não permite ao público se envolver com os personagens e as situações. Tudo é muito superficial e apressado. Adaptar a série canadense 30 Vies revelou-se uma ideia equivocada. Uma pena, levando em consideração que esta Malhação substituiu Viva a Diferença, talvez a melhor temporada da história da atração.

Ou seja, há muitos problemas nas tardes da Globo. Alguns não parecem tão complicados de resolver, como Malhação, que em breve lança nova temporada. Mas outros, como o Vídeo Show, carecem de medidas urgentes. Mariano Boni acaba de assumir a direção dos programas de entretenimento de entrevistas, e caberá a ele resolver a primeira pedra no sapato da grade vespertina: o Vídeo Show. Há muitos boatos em torno disso, como sua extinção e substituição pelo Encontro, ou a estreia de uma nova atração no horário, ou até colocar Fernanda Gentil como nova apresentadora da revista vespertina. Tudo é especulação. Mas espera-se grandes mudanças para 2019, já que a Globo não é de ficar parada diante de problemas urgentes.

André Santana