No último dia 15 de novembro, a RedeTV comemorou seus 18 anos de vida. Foi neste dia, no ano de 1999, que o canal lançou, oficialmente, sua primeira grade de programação. Ou seja, lá se vão 18 anos desde aquela estreia empolgante, quando parecia que ia nascer um canal de alta qualidade. Com o slogan “uma opção de qualidade na sua TV”, filmes clássicos, bons seriados, programas de formatos variados e bem embalados, e uma programação jornalística de nível, além de um elenco repleto de bons nomes, parecia que a RedeTV viria para substituir a Rede Manchete à altura. Mas a proposta ficou no campo da promessa.

É interessante observar que alguns dos programas que compõem a primeira grade da RedeTV estão no ar até hoje, ou seja, estão também completando 18 anos de existência. É o caso do Leitura Dinâmica, que estreou como uma revista eletrônica dominical e, hoje, é um belo jornal de fim de noite na programação da emissora. Ou ainda o TV Fama, que estreou como uma revista de cultura e bastidores apresentada por Mariana Kupfer, mas que foi cancelado logo no início, retornando ao ar alguns meses depois, já como um programa de fofocas apresentado por Monique Evans e Paulo Bonfá, e com matérias de Otávio Mesquita (meses depois, Nelson Rubens e Janaína Barbosa assumiriam).

Além destes, outro programa que faz parte do canal desde a estreia é o Superpop. O programa, que atualmente é apresentado por Luciana Gimenez nas noites de segunda e quarta-feira, entrou no ar em 15 de novembro de 1999, e era exibido de segunda a sábado, das 20h às 21h30, com apresentação de Adriane Galisteu. Era o início da ascensão de Adriane como apresentadora de TV, já que o programa de variedades era considerado o carro-chefe da grade de entretenimento do canal.

É preciso lembrar do contexto do lançamento do Superpop. Em 1999, a Band fazia sucesso com o programa juvenil H, apresentado por Luciano Huck em suas noites. A atração deu tão certo que chamou a atenção da Globo, que tratou de contratar Luciano Huck. Para substituí-lo, a Band contratou Otaviano Costa para seguir com o H em suas noites. Enquanto isso, Adriane Galisteu despontava como uma promessa na telinha, comandando com sucesso o game Quiz MTV, na extinta MTV Brasil. O desempenho de Adriane no canal musical despertou o interesse da direção da RedeTV, que decidiu apostar nela para ser a grande estrela da nova grade que estava sendo formatada. No início, aliás, a contratação de Adriane pela RedeTV permitia que ela continuasse dando expediente na MTV.

Assim, a RedeTV tratou de formatar um programa para Adriane. O canal chegou a pensar em colocar Adriane em seus fins de tarde, mas logo mudou de ideia e Superpop foi concebido para o horário nobre, justamente para tentar fazer frente ao H. O programa era simples e eficaz: com um sofá de couro instalado no meio do cenário, Adriane recebia convidados para entrevistas, debates e, ainda, trazia atrações musicais, com muita música ao vivo. Ou seja, a proposta do Superpop era ser uma espécie de “Hebe juvenil”, trazendo várias atrações de variedades típicas dos programas de auditório da época em torno de um sofá. E deu muito certo!

Superpop mostrou ter potencial, já que tinha uma boa apresentadora e atrações interessantes. Mas não dava sinais de decolar em seu horário de exibição, afinal, a faixa das 20 horas era muito concorrida. Percebendo isso, a direção da RedeTV mudou seu horário alguns meses depois da estreia, jogando o Superpop para faixa das 22 horas, e escalando as séries Jeannie É um Gênio e A Feiticeira para a faixa das 20 horas. A mudança deu certo e Superpop emplacou. Emplacou tanto que a direção da Record se interessou pelo passe de Adriane, contratando a loira antes mesmo de o Superpop fazer um ano de vida. Desfalcada e pega de surpresa, a RedeTV apelou para uma solução caseira, escalando Otávio Mesquita (que estava no canal no TV Fama e no Perfil 2000) e Fabiana Saba (que comandava o Interligado) para substituí-la. Ao mesmo tempo, abriu um número de telefone onde a audiência podia ligar e sugerir um nome para apresentar o Superpop.

Enquanto recebia sugestões da audiência, a direção da RedeTV convidava vários nomes para gravar pilotos para o Superpop. Monique Evans foi o nome mais votado na linha dos espectadores, seguida de Astrid Fontenelle. Pois várias delas foram testadas. E uma das personalidades convidadas para testes foi a então modelo Luciana Gimenez. Mesmo não sendo o melhor teste, a RedeTV resolveu apostar nela e Luciana estreou à frente do Superpop em janeiro de 2001. Com Luciana, o Superpop seguia basicamente o mesmo formato de quando estreou, mas logo foi ganhando outros contornos.

Já inserido na fase mais “apelativa” da RedeTV, o Superpop acabou se caracterizando por promover debates sobre temas polêmicos (quase sempre envolvendo sexo) e com a participação de subcelebridades, além do famigerado desfile de lingeries das quartas-feiras. Mesmo com o conteúdo de gosto duvidoso, Luciana Gimenez conseguiu se desenvolver como apresentadora, ganhando cada vez mais desenvoltura e traquejo. Mas, enquanto sua comandante evoluía, o programa ficava cada vez pior. E a apelação, que garantia alguns pontinhos de audiência, hoje já nem funciona mais. Superpop patina em parcos números no Ibope.

Luciana, hoje, é uma boa apresentadora. Prova disso é seu outro programa na grade, o Luciana By Night, às terças-feiras, anos-luz mais interessante que o Superpop. Já este, que deixou de ser diário e é exibido duas vezes por semana, já está fazendo hora extra. Neste aniversário de 18 anos da atração, seria a hora de a RedeTV perceber que o programa já deu o que tinha que dar e apostar em coisas novas na sua linha de shows. Até o tosco Sensacional, exibido às quintas-feiras, consegue ser melhor que o Superpop atualmente. Já passou da hora de uma reavaliação.

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana