Ao assistir à estreia do novo Os Trapalhões, ontem, 17, no Viva, apagou-se a ideia de que um remake do humorístico seria um erro. Não foi. Na verdade, a nova parceria entre Globo e Viva revelou-se uma simpática homenagem aos eternos Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Curiosamente, o Viva participa deste momento “revival” da Globo, mas nunca exibiu originais de Os Trapalhões em sua programação, praticamente toda feita à base do arquivo da Globo.

O novo Os Trapalhões acertou por não trazer novos intérpretes aos personagens originais, até porque Didi, Dedé, Mussum e Zacarias não eram bem personagens, e sim personas bem humoradas dos próprios envolvidos. Tanto que apenas Didi era creditado na abertura com um nome artístico diferente, Renato Aragão, enquanto Dedé sempre foi Dedé Santana, e Mussum e Zacarias sempre apareceram como Mussum e Zacarias, embora se chamassem Antonio Carlos Gomes e Mauro Gonçalves. Na nova atração, o quarteto é formado por Didico (Lucas Veloso), Dedeco (Bruno Gissoni), Mussa (Mumuzinho) e Zaca (Gui Santana), que são sobrinhos dos originais. Didi (Renato Aragão) e Dedé (Dedé Santana) aparecem, dando a bênção. Solução fundamental para a compreensão de que não se trata de uma tentativa de refazer o original, e sim homenageá-lo.

O novo elenco procura repetir os trejeitos dos originais e consegue resultado satisfatório. O elo mais fraco é Bruno Gissoni, que não é lá muito bom ator e não parece ser um “escada” tão esperto quanto o Dedé Santana original. Além dele, Nego do Borel revivendo Tião Macalé decepcionou. Já Lucas Veloso faz um Didico correto, com impressionante semelhança a Didi; e Gui Santana, excelente imitador, convence como Zacarias. Mas quem mais chamou a atenção nesta estreia foi Mumuzinho, surpreendentemente bem como Mussa.

Vamos combinar que o maior desafio coube à Mumuzinho. Reviver o espírito de Mussum era uma missão espinhosa, tendo em vista que o trapalhão de dialeto próprio e fã de “mé” era uma figura extremamente particular. O saudoso Mussum tinha um carisma ímpar, que sobrevive e se perpetua mesmo depois de tantos anos de sua morte. Os tantos “memes” com a cara de Mussum e seu impagável “Cacildis” falam por si. Pois Mumuzinho conseguiu reeditar este espírito malandro de Mussum, recriando maneirismos clássicos e remetendo ao original em vários momentos. Porém, o fez à sua maneira, dando uma cara própria à figura. Não soou como mera imitação, como acontece com o Zacarias de Gui Santana, e sim como uma recriação interessante. A cena em que Mussa, como Rapunzel, tem os cabelos queimados pelo cabeleireiro Didico, e grita dizendo que está a “cara da Tina Turnis!” foi impagável!

Em tempos politicamente corretos, as piadas lotadas de preconceitos ficaram de fora, felizmente. Assim, sobrou o humor mais infantil e pastelão de Os Trapalhões, que foi reeditado de maneira eficiente, ora refazendo esquetes clássicos, ora trazendo novidades. Assim, o novo Os Trapalhões diverte e preserva a memória do programa original, um clássico que sempre deve ser reverenciado.

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André Santana