Antônio Calmon foi um dos principais autores de novelas da Globo entre as décadas de 1980 e 2000. São dele novelas que marcaram época, como Top Model, Vamp, Cara & Coroa, Um Anjo Caiu do Céu e O Beijo do Vampiro. Além disso, Calmon também criou e/ou colaborou com diversas séries e minisséries que também marcaram a televisão, como Armação Ilimitada, A, E, I, O, Urca, Sex Appeal, A Justiceira e Mulher. No entanto, logo após assinar a série Na Forma da Lei, de 2010, o novelista vem encarando uma fria e inóspita geladeira na emissora. Geladeira que quase chegou ao fim, com a aprovação da sinopse de Barba Azul, novela que estrearia na faixa das sete em 2018. No entanto, a trama foi reprovada após a entrega dos primeiros capítulos.

Com isso, não será desta vez que Antônio Calmon regressará ao horário das sete, faixa onde chegou a ser um dos principais autores, ao lado de Carlos Lombardi (hoje na Record). E sempre fica a dúvida: estaria o autor em baixa após o insucesso de suas últimas novelas? Começar de Novo, que escreveu em parceria com Elizabeth Jhin no ano de 2004, e Três Irmãs, de 2009, foram consideradas fiascos de público e crítica. E a série Na Forma da Lei, seu último trabalho como autor em televisão, também não convenceu muito. Situação complicada para um autor com boas produções no currículo.

Segundo o site Notícias da TV, Barba Azul teria tido sua sinopse aprovada pela Direção de Teledramaturgia Diária da Globo (leia-se Silvio de Abreu), mas seu desenvolvimento nos primeiros capítulos teria desagradado, daí seu cancelamento. Com isso, uma história de Izabel de Oliveira e Paula Amaral, chamada provisoriamente de Anos Incríveis, que substituiria Barba Azul, acabou tendo sua produção adiantada, e agora entrará no lugar de Pega Ladrão, que será a sucessora de Rock Story. E isso, parece, está se tornando uma prática cada vez mais comum desde que Silvio de Abreu passou a responder pelas novelas da emissora.

Vale recapitular: na faixa das nove, os parcos desempenhos de Babilônia e A Regra do Jogo levou o diretor a adiar A Lei do Amor e “promover” Velho Chico, inicialmente pensada para o horário das seis. Recentemente, O Homem Errado, que marcaria a estreia de Duca Rachid e Thelma Guedes no horário das nove, também acabou cancelada e, com isso, Walcyr Carrasco foi escalado para a fila dos autores da faixa. No horário das onze também houve mudanças: Jogo da Memória, de Licia Manzo, acabou remanejada com formato de minissérie para 2018 e, em seu lugar, entrou Os Dias Eram Assim, de Angela Chaves e Alessandra Poggi, que anteriormente seria uma novela das seis, a entrar depois de Novo Mundo que, por sua vez, substituirá Sol Nascente. Com a saída de Os Dias Eram Assim da fila das seis, a novela Amor e Morte, de Alcides Nogueira, teve sua produção adiantada. E ainda propuseram um desafio ao autor: como Amor e Morte se passaria em época semelhante à Novo Mundo, Nogueira terá de passar sua trama para os anos 1920, o que acarretará uma série de mudanças.

No ano passado, o TELE-VISÃO chegou a publicar um texto comentando a organização das filas de novelas da Globo, todas com tramas enfileiradas até 2019. No entanto, passado um tempo, percebe-se que tal fila não era assim tão segura, e, pelo jeito, ainda está sujeita a muitas mudanças. O lado bom é que esta estrutura tão antecipada permite com que trocas, cancelamentos e adiamentos se tornem possíveis, de acordo com a estratégia do canal. Mas a impressão que tantas notícias de mudanças causam é de indecisão, como se estivessem “chutando” uma grade. Mas vale lembrar sempre que, por mais que o horário das nove esteja passando por uma de suas piores crises, nos demais horários a emissora vem acertando com muita regularidade, incluindo aí Malhação.

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André Santana