Com a popularização (e profissionalização) dos vídeos da internet, a TV, muitas vezes, tentou emular o formato. O contrário também já aconteceu: há experiências na internet que se inspiram em formatos televisivos. Neste contexto, a chegada do streaming (e até da pandemia) fez tais experiências ganharem mais força. Já falamos aqui que o Globoplay tem feito boas experiências de programas remotos para a plataforma. E, agora, o UOL entrou na onda.

Não é de hoje que o portal UOL tenta aumentar a oferta de produção audiovisual. E agora, com este novo cenário criado pela pandemia, incluindo aí a popularização das lives, começam a surgir formatos híbridos e criados para serem veiculados nesta plataforma. Otalab, estreia de ontem, 16, do portal, surge nesta esteira. É Otaviano Costa mostrando a tal inquietação que ele sempre se referiu na ocasião em que deixou a Globo, onde comandava o game Tá Brincando

Otalab parece mesmo um programa de TV feito para a internet. Uma atração de variedades, no qual cabem todos os assuntos. O apresentador surge simpático num estúdio intimista, no qual divide a cena apenas com uma banda. Como em todos os programas de TV da atualidade, no Otalab os convidados surgem por videochamadas. Na estreia, o apresentador comandou boas entrevistas com Xuxa Meneghel, Paulo Ricardo, e outros convidados.

O diferencial é que o Otalab conta com o “material humano” do UOL. A promessa é que o apresentador receba colunistas do portal para debater assuntos do dia. Reinaldo Azevedo e Chico Barney participaram da estreia. Assim, o Otalab se mostrou como uma “salada”, misturando informação e entretenimento. É praticamente um programa de auditório de fim de semana da TV aberta, mas sem auditório presencial. Cabe de tudo.

Foi uma boa estreia. A atração leva a produção audiovisual do UOL para um novo lugar, neste momento em que o portal tem investido em nomes populares da TV (além de Otaviano, Zeca Camargo lançou um programa na plataforma recentemente). E ficou a cara de Otaviano Costa. Otalab deixou claro qual era a tal “inquietação” de Otaviano: ele queria um programa mais autoral. Um espaço dele, onde ele pudesse fazer o que quiser.

E a TV convencional, como já dissemos aqui em posts anteriores, tem cada vez menos espaço para isso. Programas autorais têm perdido a vez para formatos de temporada, e os comunicadores estão se tornando meros mestres de cerimônias. Otaviano nunca escondeu que queria um programa dele. Como não conseguiu na TV, resolveu explorar um novo terreno. O resultado não apenas convence, como abre um precedente interessante. Mostra que trocar a visibilidade de uma TV aberta para um espaço autoral na internet pode não significar um “rebaixamento”, pelo contrário: pode ser uma reinvenção possível. E muito agradável. 

Otalab é exibido toda quinta-feira, às 15 horas, ao vivo, nas plataformas do UOL. Para quem não viu, o primeiro programa pode ser assistido abaixo:


André Santana