No dia 24 de março de 2012, um dia após a exibição do último capítulo de Fina Estampa, este blog publicou uma análise sobre a obra de Aguinaldo Silva. Infelizmente, como o UOL excluiu da internet os arquivos dos antigos blogs Zip.Net, não é possível mais acessá-lo, mas relembro aqui alguns dos principais pontos abordados, procurando evitar “spoilers”. Segue:

“Na realidade, o último capítulo foi um resumão do que foi Fina Estampa em todos os seus capítulos: uma trama frouxa, carregada de clichês, sem propósito, com personagens desnecessários e enredo sem pé nem cabeça. Aguinaldo Silva tomou para si a missão de reerguer a faixa das nove, e fez uma novela à prova de erros. Apostou em duas protagonistas fortes e populares e em tramas paralelas que em nada acrescentaram à obra, criando uma salada de situações tragicômicas sem grandes pretensões. Fina Estampa apostou forte no non sense, no pior sentido da palavra, e foi sustentada mais por personagens do que situações”.

O texto seguiu analisando as trajetórias de Griselda (Lília Cabral) e Tereza Cristina (Christiane Torloni), reforçando que Pereirão foi um tipo bem construído pela atriz, mas que vai se tornando uma “chata de galochas” no decorrer da história. Já Tereza Cristina começa como uma boa vilã, mas logo cai num histerismo sem propósito, e começa a se dedicar a planos malucos que não fazem sentido. Depois, o texto analisa a trama de Danielle Fraser (Renata Sorrah), elogiando os desdobramentos deste núcleo, que tinha um drama mais sério, em contraponto ao non sense da história principal.

Em seguida, começa a análise sobre as outras tramas de Fina Estampa. Veja: “Outras tramas paralelas de Fina Estampa não tinham qualquer razão de ser. Pra que, afinal, servia a pousada de Álvaro (Wolf Maya) e Zambeze (Totia Meirelles), dois neohippies chatonildos que aplaudiam o por-do-sol? Alguém realmente ficou empolgado com o romance entre Letícia (Tania Khalil) e Juan Guilherme (Carlos Casagrande)? Daniel (Guilherme Boury) realmente precisava da ajuda de dona Vilma (Arlete Salles) para colocar um vídeo na internet? Por que raios Mandrake (Sandro Pedroso) precisava aparecer nos cantos das cenas fazendo truques bizarros? E Luana (Joana Lerner)? Ela realmente precisava nos contar o que ia acontecer na novela antes? Pra que?”.

Veja que várias destas tramas desnecessárias apontadas pela análise estão passando em brancas nuvens na atual versão de Fina Estampa, exibida pela Globo nesta “pausa” de Amor de Mãe. Até aqui, os personagens mais “picotados” são os habitantes do Recanto da Zambeze, que ocupavam muito espaço nos capítulos originais, em tramas que serviam apenas para encher linguiça. Repare que, na versão atual, o Recanto nem apareceu nos primeiros capítulos, virando um cenário mais presente apenas agora, quando Antenor (Caio Castro) passou a morar ali. Os personagens da rede de vôlei, ou a trama de Leandro (Rodrigo Simas) também foram esvaziadas nesta versão. Alguém se lembra que Gigante (Eri Johnson) tinha uma esposa e toda uma trama de traição? Pois é... Havia ainda muitas cenas de personagens tomando banho (Dagmar, de Cris Vianna, adorava um banho de mangueira), que foram enxugadas agora (sem trocadilhos).

Ou seja, um dos vários problemas da novela de Aguinaldo Silva era o excesso de núcleos decorativos, formado por personagens desnecessários que pouco acrescentavam ao enredo. E eles foram praticamente eliminados na “edição especial”, o que deixou a trama bem mais ágil. A edição tem sido feliz nesta remontagem, mantendo apenas as tramas que colaboram para o andamento do enredo. Agora “enxuta”, Fina Estampa parece até melhor do que foi realmente.

André Santana