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Sucesso ou fiasco? Avenida Brasil 2 cria armadilha para a Globo

Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Débora Falabella) em Avenida Brasil
Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Débora Falabella) em Avenida Brasil (reprodução)

A confirmação de Avenida Brasil 2 pela Globo coloca o mercado de teledramaturgia em alerta máximo. Ao ressuscitar seu maior fenômeno recente de audiência e repercussão, João Emanuel Carneiro assume uma missão de altíssimo risco. As primeiras informações da sinopse deixam evidente que o dramaturgo busca costurar em sua trama mais famosa recursos que consagraram outras de suas obras marcantes na TV.

O enredo sinaliza um flerte claro com o mistério moral de A Favorita (2008). A dualidade em torno de Carminha (Adriana Esteves), cuja real índole e motivações na nova fase permanecem nebulosas, resgata a constante dúvida entre quem é vítima ou vilã. Carminha voltará redimida, mas ficará no ar a dúvida sobre a veracidade desta redenção. Assim, a ex-megera pode seguir os passos de Flora (Patrícia Pillar), que parecia a mocinha, mas se revelou a vilã no decorrer de A Favorita.

Além disso, a “nova” Carminha será uma referência em obras assistenciais, tal qual Romero Rômulo (Alexandre Nero) em A Regra do Jogo. O protagonista da trama de 2015 era um reconhecido benfeitor, mas usava seu trabalho social como fachada para viabilizar os crimes de uma facção criminosa. Aliás, Renan Vitória (Thomás Aquino), novo personagem que surgirá em Avenida Brasil 2, também traz fortes ecos de Romero Rômulo, inserindo uma figura ambígua e ligada ao crime organizado para disputar o poder com Carminha no bairro do Divino.

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Sem final feliz

No entanto, essa tentativa de expansão do universo da novela passa por um preço alto: a desconstrução dos desfechos felizes da obra original de 2012. A revelação de que Monalisa (personagem de Heloísa Périssé, ainda não confirmada na produção) começará a história morta ou morrerá logo nos primeiros capítulos escancara um vício narrativo incômodo das sequências na emissora.

O público já presenciou esse recurso com resultados bastante questionáveis. Em Verdades Secretas 2 (2021) e na recente Êta Mundo Melhor!, a necessidade de gerar novos conflitos levou ao trágico desmonte dos finais consagrados das produções originais. A sensação de que conquistas e superações do passado foram sumariamente apagadas gera decepção em parte considerável do público.

Outro sinal de alerta acendeu-se no departamento de programação da própria emissora. A reprise atual de Avenida Brasil no Vale a Pena Ver de Novo não atinge os números avassaladores da exibição original nem do repeteco de 2019. O desempenho morno na faixa vespertina levanta uma dúvida legítima: haverá interesse do telespectador em consumir mais uma longa jornada no Divino em pleno horário nobre?

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A “maldição” de JEC

Essa dependência do passado revela o tamanho do fardo que a obra-prima de 2012 tornou-se para seu próprio criador. Avenida Brasil consagrou João Emanuel Carneiro como um dos maiores nomes da televisão brasileira, mas transformou-se em sua maldição. Desde o fenômeno da saga de Nina (Débora Falabella) e Carminha, o autor travou lutas constantes para atingir o mesmo patamar no Ibope e na boca do povo.

Suas produções posteriores no horário das 21h enfrentaram turbulências e rejeições. A única obra amplamente aclamada do autor na última década foi Todas as Flores (2022), mas seu alcance permaneceu restrito devido ao lançamento inicial focado no catálogo do Globoplay. Já a recente Mania de Você (2024) amargou sérios problemas de aceitação e audiência, escancarando a crise de formato da faixa.

Fica a incômoda indagação se o autor só conseguirá reconquistar a unanimidade das grandes audiências apelando para a nostalgia de seu maior triunfo. Voltar a um universo já conhecido soa tanto como uma busca de abrigo seguro quanto como um atestado da dificuldade de emplacar novas narrativas originais no principal horário da televisão brasileira.

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Precisamos de continuações de novelas?

Mais do que o destino de Carminha, o desempenho de Avenida Brasil 2 ditará os rumos estratégicos de toda a dramaturgia da Globo para os próximos anos. Trata-se do maior teste para a tendência de sequências e revisitações de clássicos promovida pela atual gestão de conteúdo da emissora.

Se a nova novela fracassar nos índices e na repercussão, a emissora será praticamente forçada a recalcular sua rota. Um fiasco pode sepultar a onda de reciclagem de marcas consagradas, exigindo que a direção finalmente volte a investir com coragem em histórias 100% inéditas e originais.

Por outro lado, caso a continuação converta-se em um estrondoso sucesso, o caminho para a exploração de franquias e sequências estará escancarado. Vale lembrar que a cúpula do canal avaliou como exitosa a experiência de Êta Mundo Melhor!, continuação do sucesso de Walcyr Carrasco.

Assim, um resultado positivo no horário das nove dará ainda mais respaldo para o canal seguir apostando no filão das continuações e derivados. O destino do folhetim das 21h nos próximos anos depende diretamente da resposta que o público dará a este retorno ao bairro do Divino.

André Santana

20/09/2026

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1 Comentários

  1. Olá, tudo bem? Funcionou na faixa das seis com um intervalo menor entre a trama original e a continuação. O hiato de 14 anos é enorme.... Abs, Fabio http://blogfabiotv.blogspot.com.br

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