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| Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves) em Avenida Brasil (divulgação) |
Quando a Globo anunciou o retorno de Avenida Brasil (2012) para o Vale a Pena Ver de Novo, a reação geral do mercado e dos noveleiros foi de que a emissora estava jogando em modo seguro. Afinal, a saga de Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Débora Falabella) é considerada por muitos a novela mais marcante do século 21.
No entanto, os números na tela mostram uma realidade cruel: o fenômeno de 2012 simplesmente não aconteceu nesta nova reexibição.Com uma média parcial amarga de 13,8 pontos, o folhetim de João Emanuel Carneiro penou para sair da casa dos 13 pontos nas suas primeiras dez semanas.
Para uma produção que parou o país duas vezes, o desempenho atual é considerado nos bastidores um verdadeiro balde de água fria. O que deu errado com o clássico do Divino?
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Desgaste precoce
A primeira e mais evidente razão para o desinteresse do público é a falta de distanciamento histórico. A primeira reprise de Avenida Brasil, exibida entre o final de 2019 e o início de 2020, foi um sucesso retumbante, que chegou a registrar médias na casa dos 20 pontos no auge da pandemia.Trazer a mesma história de volta apenas seis anos depois esbarra na saturação.
O telespectador de TV aberta ainda tem a trama muito fresca na memória. Diferente de clássicos atemporais como Alma Gêmea (2005) e A Viagem (1994), que descansaram por muito mais tempo antes de voltarem a explodir no Ibope em 2024 e 2025, a vingança de Nina ainda não tinha acumulado a "saudade" necessária para mobilizar o público.
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Herança maldita
Vale considerar ainda que Avenida Brasil retornou num contexto ruim para a faixa das 17h da Globo. A reprise anterior, Rainha da Sucata (1990), fechou sua trajetória com uma média desastrosa de 12,9 pontos, derrubando drasticamente os ótimos índices deixados por A Viagem.
A trama de Maria do Carmo (Regina Duarte) e Laurinha Figueroa (Gloria Menezes) afugentou o público do final de tarde. Avenida Brasil estreou na ingrata posição de ter que reconstruir o hábito do telespectador do zero. Embora tenha estancado a queda livre e subido ligeiramente a média para 13,8, a novela acabou virando refém do teto baixo herdado de sua antecessora.
Olhar para o histórico recente das reprises da tarde ajuda a entender o tamanho do problema. A parcial de Avenida Brasil flerta perigosamente com os piores momentos da faixa nos últimos anos. Até aqui, a história de Nina está à frente apenas de Rainha da Sucata e do repeteco de Paraíso Tropical (2007), que também afundou o horário há alguns anos.
A trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares acumulou média de 13,1 pontos no Kantar Ibope. Depois da história das gêmeas Paula e Taís (vividas por Alessandra Negrini), Alma Gêmea elevou a audiência para 16,8. Depois veio Tieta, com média geral de 15,8, e A Viagem, que anotou 16,8.
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Filhos do Divino
O fraco desempenho de Avenida Brasil acende uma luz vermelha na alta cúpula da Globo por um motivo corporativo muito mais sério: o futuro da faixa das nove. A emissora já trabalha a todo vapor na pré-produção de Filhos do Divino, a badalada continuação da novela original, desenhada para ser a grande aposta de audiência e faturamento da Globo para 2027.
O plano estratégico era perfeito no papel: usar a reprise de 2026 para reaquecer o amor do público pelo universo do Divino, apresentar os personagens marcantes para as novas gerações e entregar o bastão para a sequência inédita com o público já engajado.Porém, com uma recepção tão morna e apagada da reprise, a estratégia corre o risco de dar o efeito inverso.
Se o público atual demonstra cansaço da estética e do universo suburbano de João Emanuel Carneiro às 17h, qual o tamanho do risco de saturar o mercado antes mesmo da estreia da continuação no horário nobre?
A Globo ainda tem chão pela frente até o término planejado para novembro. Mas, se Carminha não conseguir usar sua icônica virada de mesa para chacoalhar o Ibope nos próximos meses, a emissora pode ser obrigada a recalcular a rota antes que os Filhos do Divino fiquem órfãos de público.
André Santana
07/06/2026

1 Comentários
Olá, tudo bem? A TV aberta brasileira vive um outro momento... Não dá para compararmos os índices de 2026 com 2019...A reprise entra no contexto da continuação de Avenida Brasil que não deveria ser produzida.... Abs, Fabio blogfabiotv.blogspot.com.br
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