Foto: divulgação SBT

Na semana passada, o Programa Silvio Santos, do SBT, voltou a repercutir junto ao seu público após mais de um ano sem maiores arroubos, em razão das reprises. Por conta da pandemia, a atração do “dono do Baú” vinha reapresentando edições relativamente recentes. Com isso, fatalmente, audiência e repercussão perderam força. Mas a coisa mudou quando optaram por programas mais “antigos”.

O especial recorreu a programas do início da década de 1990, com programas clássicos e convidados de apelo. Foram reapresentadas as participações de Xuxa no Show de Calouros, da dupla Sandy e Jr na Porta da Esperança, de Ratinho no Em Nome do Amor, do elenco da Casa dos Artistas no Show do Milhão e da trupe do Pânico na TV, no auge de seu sucesso, no Qual É a Música.

A reação foi imediata. Nas redes sociais, o público comemorou a decisão da direção do Programa Silvio Santos de exibir momentos clássicos. Num ataque de nostalgia dos mais gostosos, a audiência relembrou o quanto o SBT já foi uma emissora vibrante, popular no melhor sentido da palavra, e que sabia como ninguém emocionar o público diante de um bom programa de auditório.

Chega até a ser triste comparar com os dias de hoje. E quando digo “dias de hoje”, nem estou falando destes tempos de pandemia, mas de ainda antes, quando tudo estava “normal”. O SBT já havia perdido a mão dos programas de auditório há tempos. Domingo Legal e Eliana, por exemplo, nem ao menos lembram a efervescência das atrações vistas no último Programa Silvio Santos. Havia um calor ali que se perdeu com o tempo.

Ou seja, o SBT tem um acervo rico de bons momentos, ao mesmo tempo em que ostenta uma programação atual apática e pouco inspirada. Tanto que o melhor da última semana foi uma edição de imagens emboloradas e clássicas de programas do “patrão”. É uma delícia rever estas imagens, sem dúvidas, mas também fica a vontade de ver este “velho SBT” de volta. De novo: não estou falando das dificuldades impostas pela pandemia. O problema do SBT antecede a crise sanitária.

Neste momento em que programas clássicos chamam a atenção e programas modernos passam em brancas nuvens, o SBT reafirma sua vocação de ser o Viva na TV aberta. A comoção causada pela edição especial do Programa Silvio Santos não foi nada diferente do frisson que o canal pago consegue gerar a partir do anúncio de uma reprise de novela querida, por exemplo. É a força de um acervo poderoso.

Neste domingo, o SBT vai recorrer a novas pérolas para o Programa Silvio Santos. É uma boa ideia. Será uma boa opção para o público saudoso, e também uma injeção de ânimo na pálida produção atual da emissora. Quem sabe alguém do canal não se inspira assistindo e resolve sair da zona de conforto?

André Santana

05/06/2021