"Agora é comigo!"

A Record ainda não anunciou oficialmente, mas Ricardo Feltrin, do UOL, cravou como certo o acordo entre Record e Adriane Galisteu. A loira será a nova apresentadora do Power Couple, reality que confina casais para provas e premia o mais bem-sucedido. A atração está no ar desde 2016, e já teve Roberto Justus e Gugu Liberato na condução. Adriane, então, “herda” a atração de Gugu, após a trágica morte do apresentador no final do ano passado.

Foi uma boa escolha da emissora. Embora já houvesse a informação de que a emissora buscava alguém no mercado (ou até na concorrência) para assumir os formatos anteriormente destinados a Gugu, ainda parecia que a solução mais óbvia seria a caseira. E Marcos Mion, extremamente subaproveitado dando as caras apenas em A Fazenda, poderia acumular a função sem maiores problemas. Pelo contrário. Sem dúvidas, faria muito bem.

Mas a chegada de Adriane Galisteu é uma boa notícia. Primeiro, porque devolve à TV aberta uma de suas apresentadoras mais interessantes, mas de trajetória instável. Ótima no vídeo, esperta e muito bem articulada, Adriane não deu sorte com os formatos e emissoras que esteve nos últimos 20 anos. Da estreia escondida na CNT e MTV, Adriane chamou a atenção quando se tornou a principal estrela da RedeTV, onde estreou à frente do Superpop. Menos de um ano depois, já estava na Record, onde comandou o É Show, possivelmente o principal programa de sua carreira.

Ali, teve uma trajetória bem-sucedida. Mas não resistiu aos acenos de Silvio Santos. Sonhando ser líder de audiência, Adriane acreditava que o SBT lhe daria mais visibilidade, afinal, era a segunda maior emissora do país. Porém, este foi seu passo em falso: ela trocou Record pelo SBT justamente em um dos momentos mais conturbados da emissora de Silvio Santos, que começava a entrar numa crise financeira e de audiência. E a Record, em contrapartida, começava seu ambicioso projeto “a caminho da liderança”, investindo pesado em programação e novas contratações. Ou seja, ela escolheu o momento errado para se aventurar. E pagou o preço.

No SBT, comandou o Charme, que teve um sem-número de horários e formatos. Ali passou quatro anos, na qual sua insatisfação ganhava os jornais, revistas e sites. Tanto que recusou uma renovação, partindo para a Band ao final de seu contrato. Mas na TV do Morumbi, também não deu sorte. Ganhou o semanal Toda Sexta, que era inexpressivo toda vida. Depois, passou a apresentar formatos, como o ótimo Projeto Fashion e o divertidamente tosco Quem Quer Casar com Meu Filho?, mas nenhum emplacou. Neste meio tempo, esteve também à frente do vespertino de fofocas Muito +, que tinha seu charme (ops), mas teve vida curta. Sem emplacar nenhum projeto, Adriane saiu dali, retornando vez ou outra para vários canais, praticamente como freelancer. Ensaiou um retorno em grande estilo, quando esteve na Dança dos Famosos e no elenco de O Tempo Não Para, na Globo. Mas, contratada por obra, não seguiu no canal.

Agora, à frente do Power Couple, Adriane tem a chance de fazer as pazes com a TV aberta, e na função que mais gosta, que é a de apresentadora. É bom para ela voltar a ter uma vitrine. E é bom também para o programa, que pode ganhar um gás com a nova anfitriã. Aliás, o mais interessante da novidade é que, pela primeira vez, um reality de confinamento na TV aberta será comandado por uma mulher. Trata-se de um olhar diferenciado, que pode agregar bastante ao Power Couple. Em suma, tem tudo para funcionar.

PS: será que teremos a chance de ver Xuxa e Adriane Galisteu no mesmo palco, no Família Record em dezembro?

André Santana