"O nome é horrível,
mas o programa é legal!"

2018 pode ser considerado o ano em que os musicais voltaram com força na TV aberta brasileira. Depois de anos relegados a uma entre tantas atrações nos programas de auditório, os musicais voltaram a ter espaço na TV reservado para eles. E são vários os motivos para este retorno “triunfal”. Os vários ídolos da música brasileira que apareceram nos últimos tempos, somados a questões comerciais e financeiras dos canais, que voltaram a considerar a música um bom negócio, são diretamente responsáveis pelo bom momento do gênero.

A questão financeira foi, com certeza, o principal motivo para que a Band apostasse no filão. Ao criar a faixa Música na Band, que exibe shows musicais nas noites de sexta-feira, o canal conseguiu criar uma solução barata para o “buraco” do horário, que ficou desfalcado com o fim do Pânico na Band. Afinal, ao exibir shows prontos, a emissora economiza e, de quebra, traz um público para sua linha de shows. E deu certo! Música na Band é o programa mais bem-sucedido da atual linha de shows da emissora (fora o MasterChef, claro!). Além de Música na Band, as atrações musicais também são a âncora do dominical Agora É com Datena... ou Agora É Domingo... ou Brasil da Gente... ou sabe-se lá qual o nome do programa esta semana!

Depois disso, a Globo surpreendeu ao anunciar o lançamento de um novo programa musical nas tardes de sábado. SóTocaTop estreou no sábado passado, dia 14, resgatando as paradas de sucesso no melhor estilo Globo de Ouro, um clássico da emissora. O novo programa reúne os artistas mais tocados nas mais diversas plataformas, separados por gêneros, regiões e outros recortes. Luan Santana e Fernanda Souza comandam a nova aposta da Globo, que estreou registrando bons índices de audiência, jogando por terra a máxima repetida pelas TV’s nos últimos anos, de que música não dava mais Ibope.

O programa é bem-feito, com uma plateia agitada e que recria o ambiente de um show musical. Fernanda Souza e Luan Santana não são geniais em cena, mas são corretos e têm carisma. Mas o resgate de um programa essencialmente musical na Globo também está ligado às questões comerciais. A emissora percebeu que o cenário atual favorece a comercialização de um programa musical e se deu bem: SóTocaTop entrou no ar com vários patrocinadores, entre eles uma marca de celular e um aplicativo para ouvir música, que têm tudo a ver com a proposta do programa. Ouvem-se sons de máquina registradora!

Soma-se a isso os musicais com ares de reality show, os famosos talent shows, que foram quem ditaram a música na TV aberta nos últimos anos. Até eles ganharam mais espaço nos canais em 2018. The Voice Brasil, lançando sua sétima temporada, agora tem dois episódios semanais, às terças e quintas, na Globo. O programa teve uma boa estreia esta semana, mostrando que ainda tem força.

E o espectador não ficará órfão na quarta-feira, já que a Record entrou em cena com o Canta Comigo, com apresentação de Gugu Liberato. O formato não difere muito do The Voice, mas sua mecânica consegue manter a tensão em alta ao colocar o candidato diante de um “paredão” com nada menos que 100 jurados. Apesar das conversas “fake” entre eles, é divertido ver o candidato na expectativa para fazer levantar e cantar com ele o maior número possível de jurados. Na estreia, a mecânica funcionou e divertiu. Apenas Gugu parece um tanto apagado em cena. Curiosamente, ele esteve melhor no Power Couple. Vamos ver se ele fica mais à vontade nos próximos episódios, afinal, comandar musicais sempre foi uma de suas especialidades.

Ou seja, a música está mesmo em alta na TV brasileira. Seja em forma de show, de parada musical ou de disputa, o gênero que fez parte da história da TV desde a sua origem ressurgiu com força. E com todos os indicativos de que ainda vai ocupar mais espaço.

André Santana