"E os biscoitinhos?"
Belíssima, novela de Silvio de Abreu exibida entre o final de 2005 e meados de 2006, será a próxima atração do Vale a Pena Ver de Novo, nas tardes da Globo. A trama é um típico folhetim do novelista, mesclando melodrama, humor e trama policial. Gloria Pires, Tony Ramos e Fernanda Montenegro foram os protagonistas, sendo que esta última viveu a inesquecível vilã Bia Falcão.

Em Belíssima, Gloria Pires é Júlia Assumpção, uma empresária de sucesso, que toca uma fábrica de lingeries. Ela é filha de um ícone da beleza, mas não herdou o glamour da falecida mãe. Por conta disso, é sempre reprimida por sua avó, a poderosa Bia Falcão (Fernanda Montenegro), uma ricaça que faz de tudo para se manter por cima. A vida de Júlia muda quando ela conhece o charmoso André Santana (não eu, o Marcello Antony), por quem se apaixona. Paralelamente, acompanhamos também a saga da mocinha Vitória (Claudia Abreu), uma ex-menina de rua que se casou com Pedro (Henri Castelli), irmão de Júlia, e se mudou para a Grécia. Quando seu marido morre, Vitória se vê obrigada a voltar ao Brasil e encarar Bia Falcão, que nunca a aceitou. Ela retorna ao lado do amigo Nikos Petrakis (Tony Ramos), que se apaixona por Júlia.

Belíssima chamou a atenção pela estrutura de sua narrativa, que não entregou, de cara, que se tratava de uma trama policial. Inicialmente, a história é centrada no triângulo amoroso envolvendo Júlia, Nikos e André, com as armações de Bia para tentar fazer de Júlia a mulher que ela acha que deve, ao mesmo tempo em que a vilã tenta destruir Vitória para ficar com a bisneta, a pequena Sabina (Marina Ruy Barbosa). Aos poucos, no entanto, André vai se mostrando um homem de caráter dúbio, que age como um peão de um vilão oculto que acaba por roubar a Belíssima de Júlia. A identidade desta figura só é revelada no último capítulo. Outros mistérios também acontecem, como a morte de Valdete (Leona Cavalli) e da própria Bia Falcão.

Além disso, a trama tinha muito humor, uma marca de Silvio de Abreu. Entre os tipos mais marcantes estava o engraçado mecânico Pascoal (Reynaldo Gianecchinni), que vive uma relação de amor e ódio com Safira (Claudia Raia), uma mulher sensual que já se casou quatro vezes. Outro núcleo que rende muitas risadas é o das ex-vedetes Mary Montilla (Carmen Verônica) e Guida Guevara (Iris Bruzzi), que aprontam todas enquanto tentam montar um espetáculo dirigido por Gigi (Pedro Paulo Rangel), irmão de Bia. Bia, aliás, apesar de ser uma vilã pérfida, tem seus momentos engraçados, como a cena em que brada que “pobreza pega”. A frase se tornou um hit da internet, sendo lembrada até hoje.

Belíssima é uma ótima novela, e que registrou bons índices de audiência quando foi exibida. A escolha da trama para o Vale a Pena Ver de Novo demonstra que a direção da Globo não desistiu de reapresentar tramas mais, digamos, “antigas”, já que Belíssima foi exibida pouco mais de um ano depois do fim de Celebridade, atual reprise da tarde. Mesmo com os resultados abaixo do esperado com a saga de Maria Clara Diniz (Malu Mader), o canal segue na intenção de resgatar tramas das nove com mais de dez anos de idade, o que é uma coisa boa. O fato de a classificação indicativa não ser mais vinculada a horários também ajuda, já que Belíssima já havia sido cogitada para retornar em outros momentos, mas esbarrava justamente na classificação. Agora vai!

André Santana