Não há dúvidas de que Angélica é uma grande estrela da TV. Apresentadora desde criança, a talentosa loira cresceu diante das câmeras, formou uma legião de fãs mirins por conta de seus programas infantis e discos, e fez uma bem-sucedida transição para o público jovem e adulto. Entretanto, não é de hoje que seus fãs reclamam do pouco espaço que a apresentadora ocupa, há anos, na televisão. Escondida nas tardes de sábado com o programa de entrevistas Estrelas, que nunca gozou de grande prestígio na Globo (tanto que só passou a ser exibido em rede nacional nove anos depois de sua estreia), Angélica sempre teve seu potencial pouco aproveitado.

Por isso mesmo, a notícia de que o Estrelas sairá do ar em meados do ano que vem e Angélica ganhará um novo programa, encheu de esperança o coração dos seus fãs. Com a decisão da Globo, a apresentadora terá a chance de comandar um programa que tenha mais a sua cara. Porque, vamos combinar, o Estrelas nunca teve. A atração é boa, tem momentos divertidos e tals, mas, como o TELE-VISÃO já cansou de afirmar, Angélica é animadora de auditório. Colocá-la num programa de entrevistas intimista sempre pareceu um desperdício. É como se cortasse a asa de um pássaro para adequá-lo a uma condição ao qual ele não pertence.

No entanto, tanto a Globo quanto Angélica pareciam acomodadas com o Estrelas. Um programa barato, que fatura e, no geral, registra uma boa audiência, realmente não parecia haver grandes motivos para se mexer em time que está ganhando. Afinal, desde sua estreia, o Estrelas pareceu ter sido criado apenas para que Angélica tivesse um programa para chamar de seu, uma reivindicação da loira, que havia abandonado os infantis e se dedicado ao Vídeo Show e ao Fama. Só o fato de ele ter sido exibido por anos em faixa local, e ter sido o último programa da linha de shows da Globo a ganhar um site oficial (!) já indicava o pouco cuidado que a emissora tinha com o produto.

Ao que tudo indica, a coisa mudou de figura quando a Globo promoveu Boninho e Ricardo Waddington a Diretores de Entretenimento, sendo que o primeiro responderia pelos diários matinais e vespertinos, e o segundo pelos noturnos e programas de final de semana. Assim, Estrelas, que foi criado sob o guarda-chuva de Boninho, passou às mãos de Waddington, que tratou de buscar mexer na atração. Logo de cara, conseguiu finalmente colocá-lo numa faixa nacional. Depois, mexeu na edição e testou formatos, como nos episódios em que Angélica recebia todos os convidados do dia num único ambiente, amarrando a atração, ao invés de fazer um bloco totalmente independente do outro, como sempre foi. Por fim, neste ano, veio a ideia de apostar em temporadas temáticas, com o Estrelas Solidárias e, agora, o Estrelas do Brasil.

A atual temporada fez os índices de audiência de Angélica subirem. Ou seja, novamente, não havia motivos para mexer no programa. No entanto, segundo o UOL, Ricardo Waddington nunca se mostrou plenamente satisfeito com o programa, sempre cobrando mudanças no roteiro e a proposta de novas ideias à equipe do semanal. Sendo assim, parece, o diretor cansou de dar murro em ponta de faca e, finalmente, atenderá aos fãs de Angélica, formatando um programa mais interessante para a estrela. Fica agora a torcida para que a nova atração coloque Angélica diante de um auditório, pois é assim que ela aparece realmente plena e iluminada. A esta altura, sair da zona de conforto parece a sacudida que tanto Angélica quanto as tardes de sábado da Globo estão merecendo há tempos.

O Estrelas, como dito anteriormente, não é um programa ruim, e Angélica o comanda com muita competência. Mas já deu o que tinha que dar. É preciso dar um passo além.

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André Santana