A teledramaturgia da Band já teve várias fases. Em comum, todas faziam parte de diferentes estratégias de emplacar faixa de novelas (e até de seriados), que acabavam sendo deixadas de lado em razão de um fiasco ou outro. No entanto, desde que passou a exibir novelas da Turquia, com Mil e Uma Noites, a emissora parecia ter, finalmente, encontrado sua vocação. Trouxe novelas estrangeiras feitas fora da América Latina, tornando-se um diferencial, e conseguiu manter uma faixa contínua de exibição, sempre no mesmo horário e com títulos inéditos.

Mil e Uma Noites deu excelente audiência para os padrões da emissora, mais do que triplicando a audiência da faixa das 20h20. Com isso, animou a direção da Band a seguir apostando no filão, trazendo Fatmagul, Sila – Prisioneira do Amor e Ezel. A audiência oscilou, como acontece com qualquer faixa de novela de qualquer canal, mas nenhuma das produções registrou audiência desprezível.

Ou seja, depois de tantas tentativas, finalmente a Band conseguia consolidar um horário de novelas. De 2015 até agora, exibiu uma série de produções inéditas, mantendo o hábito do público. E novela é isso: hábito. A possibilidade de fazer a faixa continuar agregando público era grande. E importante, num momento em que o canal vive uma fase meio caída, com grade sucateada e poucas produções. No entanto, a emissora vai jogar por terra os resultados alcançados até aqui, já que programou uma reprise de Mil e Uma Noites para suceder Ezel.

Programar uma reprise, por mais que seja de uma novela de sucesso, é um erro, pois interrompe a trajetória linear do horário. O público já conquistado pela Band, com certeza, ansiava por assistir a uma nova história, e não rever algo. Se a ideia era reprisar Mil e Uma Noites, a emissora poderia ter escolhido um outro horário para isso, ao invés de “matar” seu principal (e único) horário de novelas.

Para piorar a situação, o colunista Flavio Ricco, do UOL, veio com uma “novidade” desanimadora. A reprise de Mil e Uma Noites, que começará no dia 19 de julho, durará apenas dois meses, ou seja, virá totalmente retalhada. E a trama será substituída não por uma novela, e sim por um reality show. Segundo Ricco, a nova atração é um reality gravado por uma produtora turca na República Dominicana. Ou seja, a emissora está mesmo disposta a perder todo o público conquistado nos últimos dois anos. Uma pena.

O TELE-VISÃO virou livro! Compre agora! CLIQUE AQUI: http://bit.ly/2aaDH4h


André Santana