Não se pode acusar a Band de nunca ter tentado um lugar ao sol no segmento da teledramaturgia. A emissora teve várias novelas em sua história, algumas marcantes como Os Imigrantes e a primeira versão de Meu Pé de Laranja Lima, e outras lembradas por uns e outros, como Serras Azuis, Perdidos de Amor e Paixões Proibidas. Também já investiu em novelas infantis e infanto-juvenis, como Floribella e Dance Dance Dance. Mas o canal já teve uma fase em que tentou ser uma alternativa aos folhetins, buscando um “jeitinho brasileiro” de fazer comédias de situação, as famosas sitcoms, sucesso na TV americana.

Para isso, uniu-se à Columbia TriStar International Television (Sony), que vinha produzindo versões de comédias estadunidenses em vários lugares do mundo. Band e Sony, assim, se uniram para investir em duas comédias baseadas nas séries Married… with Children e Who's the Boss?, com elenco e produção nacional. As duas séries eram rodadas nos estúdios do Polo de Cinema e Vídeo, no Rio de Janeiro, e foram lançadas no ano de 1999, com os nomes de A Guerra dos Pintos e Santo de Casa, respectivamente.

A Guerra dos Pintos era a mais fraca. A começar pelo título de gosto duvidoso, passando pelo texto recheado de piadas sem graça, a comédia não tinha o mesmo charme da versão dos EUA, que foi um estrondoso sucesso. Os nomes mais conhecidos do elenco era o de Henrique Stroeter (do Castelo Rá-Tim-Bum e da versão nacional de Carrossel), que vivia Zé Pinto, o protagonista, e Felipe Rocha (das novelas Torre de Babel e Laços de Família), que encarnava Aderbal, colega de Zé.

Santo de Casa foi mais feliz, tanto em roteiro quanto elenco. As piadas não eram nenhuma maravilha, mas arrancavam risadas pelo inusitado da situação: Kiko, um ex-jogador de futebol, fica viúvo e sem ter onde morar com a filha adolescente. Assim, ele vai trabalhar como “empregado doméstico” na casa de Laura, uma executiva sempre ocupada. O elenco era de qualidade e bastante entrosado: Kiko era vivido por Daniel Boaventura, enquanto Laura era Regina Remencius, ótimos e com muita química. Mas o grande destaque do elenco era Ana Lúcia Torre, que vivia Gigi, a mãe de Laura.

A ideia da Band era investir cada vez mais em sitcoms. A Guerra dos Pintos e Santo de Casa eram apenas o começo de uma grande leva de adaptações, cujos planos previam até mesmo uma versão nacional de Friends. Com novas produções na agulha, o canal pretendia exibir duas sitcoms por dia, no horário da novela da Globo, como uma teledramaturgia alternativa. Na prática, era mesmo lançar um novo formato, com cenários fixos e risadas de claque, tal qual as comédias dos EUA. Mas o formato não funcionou, as duas séries não corresponderam às expectativas de audiência, e os dois programas saíram do ar no final daquele ano, fazendo os planos da Band caírem por terra.

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André Santana