sábado, 27 de fevereiro de 2021

Reprise de "Flor do Caribe" revelou-se um acerto da Globo

Quando foi exibida originalmente, em 2013, Flor do Caribe registrou uma audiência satisfatória. Mas não foi uma trama arrebatadora, daquelas que conquistam corações. Por isso, pensar numa reprise da novela de Walther Negrão parecia algo improvável. Tanto que não foi uma escolha óbvia neste contexto em que a Globo tem reapresentado novelas em razão da pandemia.

No entanto, seu retorno acabou fazendo sentido neste momento. Apesar de não ser um clássico, a reprise de Flor do Caribe aconteceu no timing certo. A trama voltou ao ar num momento em que pôde ser apreciada por um novo público e mostrou que é a melhor dentre as últimas novelas assinadas por Negrão.

Nos últimos 20 anos, o veterano brindou seu conhecido público das seis com novelas sem grande expressão, como Como Uma Onda (2004), Desejo Proibido (2007, e que eu, particularmente, gosto muito!), Araguaia (2010) ou Sol Nascente (2015). Por isso, Flor do Caribe se colocou como uma novela mais bem resolvida em meio a esta galeria.

Na novela, o autor revisita vários de seus enredos clássicos, como o vilão apaixonado pela mocinha, ou o mocinho que fica longe por sete anos. Também repete as paisagens praianas que fizeram história em seus folhetins mais antológicos, como Tropicaliente (1994). Com isso, conseguiu temperar sua história com um romance eficiente e belas paisagens.

Além disso, Flor do Caribe apresentou uma agilidade narrativa que não era muito comum nas tramas anteriores do autor. Os reveses de Cassiano (Henri Castelli), Alberto (Igor Rickli) e Ester (Grazi Massafera) eram desenrolados com rapidez, dando espaço a novas situações. Isso fez a novela andar em alta temperatura por muitos capítulos.

Porém, tal agilidade também teve um efeito colateral, que foi a resolução de tramas importantes ainda antes do fim da história. Em suas semanas finais, havia pouco o que se resolver dentro do enredo, e sequências sem grande importância ocuparam um tempo de tela desnecessário.

Outro mérito de Flor do Caribe foi a abordagem do nazismo. A rivalidade entre Samuel (Juca de Oliveira) e Dionísio (Sergio Mamberti) deu algum aprofundamento à trama, sempre dentro dos limites impostos para uma novela das seis. Mesmo assim, foi possível se compadecer da dor de Samuel, compreender a sana do vilão Dionísio e buscar um resgate histórico importante.

Tudo isso com um tempero leve, com tramas bem armadas e imagens deslumbrantes, que foram realçadas pela mão de Jayme Monjardim, um craque em fazer de suas cenas grandes obras de arte. Por isso, Flor do Caribe não era uma novela que necessariamente queríamos ver de novo... mas ver de novo acabou se revelando uma boa experiência.

André Santana

Matinal com Patrícia Abravanel tem cheiro de fiasco

O SBT sempre teve planos de investir num matinal de variedades, reivindicação antiga do departamento comercial da emissora. Uma ideia que faz sentido neste ponto de vista, comercial, já que o formato costuma atrair anunciantes e trazer dinheiro ao caixa da emissora, coisa que o Bom Dia & Cia não traz. Mas o projeto sempre esbarrou justamente na tradição do canal de exibir desenhos, que não lucra, porém tem boa audiência.

Provavelmente, a atual crise fez Silvio Santos mudar de ideia e aprovar o projeto de Vem pra Cá, revista eletrônica que deve estrear em março na emissora. Mas o dono do canal vetou as contratações de Ticiana Villas Boas e Ivan Moré, apresentadores que gravaram o piloto, e escalou Patrícia Abravanel e Gabriel Cartolano para a missão. A substituição é uma medida de economia, já que Patrícia e Gabriel já são contratados do canal, e a filha número pim está atualmente sem projeto.

Toda esta movimentação faz com que Vem pra Cá já nasça com jeitão de fiasco. Só o fato de o SBT investir numa revista eletrônica já é algo a se contestar, tendo em vista que não é o tipo de atração que o público da emissora quer. Tentativas já foram feitas, com o Falando Francamente e o Olha Você, que não emplacaram. Este último, aliás, foi um grande fiasco.

Ou seja, mesmo que seja algo muito bem produzido, são grandes as chances de o programa não conquistar uma boa audiência e derrubar os números do SBT em seu horário de exibição. E a coisa pode piorar se levarmos em consideração que Patrícia Abravanel não tem qualquer experiência num programa ao vivo nestes moldes. Pode causar uma estranheza muito grande.

Ticiana Villas Boas parecia uma aposta mais segura. Não apenas porque ela tem experiência no ao vivo, já que veio do jornalismo, mas também porque a apresentadora, por razões óbvias, já vem com anunciantes de peso garantidos. Ou seja, se a ideia era faturar, Ticiana seria uma excelente solução. Vamos ver o que acontece.

André Santana


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Globo anuncia temporada de "No Limite" com ex-BBB's

A Globo surpreendeu a “internet” ao divulgar em suas redes sociais o seu mais novo reality show. Trata-se de uma nova temporada de No Limite, reality de aventura que fez muito sucesso no início da década de 2000. A novidade da vez é que a emissora pretende colocar ex-participantes do Big Brother Brasil na competição que exige preparo físico e mental.

O anúncio já está rolando nas redes oficiais da Globo, mas ainda não há outras informações sobre o projeto. Mas a notícia vai ao encontro das informações de bastidores que diziam que Marcos Mion estava prestes a assinar com o canal justamente para assumir o revival de No Limite. Se o revival acaba de ser confirmado, deve ser questão de tempo para que Mion também seja anunciado no comando.

A ideia é bem interessante. Colocar ex-BBB's em No Limite pode engajar os fãs do reality de confinamento. Além disso, voltar com o No Limite sempre gera expectativas, já que é um ótimo programa, mas que acabou abandonado em razão da rápida perda de interesse do público. E o formato parece combinar bem com Marcos Mion, que, se confirmado, será uma excelente aquisição para a Globo. Enfim, tem tudo para dar certo!

No Limite foi o primeiro reality show da TV aberta no Brasil. Versão brasileira de Survivor, a atração teve três primeiras temporadas exibidas entre 2000 e 2001, apresentadas por Zeca Camargo, com episódios que iam ao ar aos domingos, após o Fantástico. No programa, os participantes eram deixados num lugar ermo, onde participavam de provas radicais que valiam comida e outros prêmios. Ou seja, a comida era pouca e o perrengue era muito. No início do jogo, os participantes eram divididos em dois times e participavam de competições. O time perdedor tinha que participar de uma votação e eliminar um membro, que deixava o programa.

A primeira temporada foi um verdadeiro fenômeno de audiência e repercussão. Já a segunda temporada teve recepção mais morna. E a terceira temporada bateu de frente com a primeira leva de Casa dos Artistas, do SBT, o que a fez passar quase despercebida.

Houve uma tentativa de retomar o No Limite em 2009, quando foi ao ar a quarta temporada. Foi uma temporada diferente, já que a direção da Globo entendeu que, após anos de BBB, o público não aceitaria um reality no qual não pudesse votar em quem fica e quem sai. Nas edições anteriores do No Limite, o público não interagia, e eram os próprios participantes que votavam em quem devia sair. Assim, nesta quarta temporada, a competição foi ao ar em tempo real, com Zeca Camargo entrando ao vivo para que o público definisse os eliminados. Outra diferença é que este novo No Limite ia ao ar duas vezes por semana, às quintas e aos domingos.

Esta edição não chegou a ser um fiasco, mas não repetiu o mesmo sucesso da primeira. E colocar o público para escolher quem sai pareceu injusto, já que o No Limite, antes, testava o desempenho do participante. Já o público tem critérios variados, e não necessariamente vota no melhor, e sim no mais carismático. Isso não parece fazer muito sentido dentro de um reality que busca testar a sobrevivência.

Mesmo com o desempenho mediano, a Globo chegou a confirmar uma quinta temporada de No Limite em 2010. Porém, depois voltou atrás e preferiu apostar numa nova temporada de Hipertensão. Apresentado por Glenda Koslowiski, Hipertensão "juntava" No Limite com BBB, já que colocava seus competidores em provas "radicais" e grande esforço físico, mas também explorava a convivência entre eles, que dividiam uma casa. O resultado também foi mediano e o canal abandonou o formato.

É pouco provável que no novo No Limite a emissora abra mão de promover a interação do público, já que engajamento é a palavra da vez. Vamos ver como será.

André Santana

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Ana Maria Braga relança seu "Mais Você"

Praticamente um ano depois de apresentar o último Mais Você da “Casa de Cristal”, nos Estúdios Globo no Rio de Janeiro, Ana Maria Braga voltará aos estúdios da emissora. Mas, desta vez, em São Paulo, onde gravou de 1999 a 2007. O matinal ganha um novo cenário a partir desta segunda-feira, 22. E, pelas fotos que vazaram nas redes sociais, ficou um espaço muito bonito.

O Mais Você deixou o Rio de Janeiro com o início da pandemia, quando os diários de entretenimento da Globo foram suspensos. Quando retornou, inicialmente como quadro do Encontro, passou a ser apresentado direto da casa de Ana Maria. Mais adiante, voltou a ser um programa solo. Neste meio tempo, Ana perdeu o companheiro Tom Veiga, e precisou reinventar seu programa de várias maneiras.

Com criatividade e a ajuda da tecnologia, Ana Maria Braga conseguiu fazer um Mais Você interessante, mesmo com as limitações de gravar em sua casa, e não num estúdio mais equipado. A loira abusou das entrevistas remotas, fez bom uso de seu imenso arquivo de receitas e, ainda, lançou novos quadros, também gravados remotamente.

O grande desafio neste período do Mais Você foi redefinir a dinâmica da atração. Isso porque o programa era todo feito na base da conversa, num bate-bola intenso entre Ana Maria e Louro José. Com a ausência do personagem, Ana ficou meio perdida. A solução foi encontrar diversos partners no comando de quadros, como Ju Massaoka, que comanda o quadro Feed da Ana.

Mas agora, neste momento em que o programa voltará aos estúdios, novidades deverão pintar. Segundo Cristina Padiglione, do Agora SP, a apresentadora tem, sim, interesse em lançar um novo partner. E, nas fotos que vazaram do novo cenário, vê-se que há um balcão para um fantoche, como Louro José utilizava. Ou seja, há a expectativa que, nesta segunda, com a estreia do novo cenário, um novo companheiro para Ana seja apresentado. Será que vai dar certo?

Aliás, uma curiosidade: repararam que o Bem Estar, exibido no Encontro e no É de Casa, ganhou um cenário muito mais simples, com um telão e uma tapadeira? Pois isso já era um sinal de que o novo cenário do Mais Você estava em construção. Afinal, o quadro sobre saúde é gravado no mesmo estúdio que abrigou o Mais Você em seus primeiros anos e, agora, abrigará novamente a atração. Com isso, o Bem Estar precisou de um cenário mais simples para facilitar o “monta e desmonta” dos programas. Na prática, a tapadeira que compõe o cenário do Bem Estar serve para “tapar” o cenário do Mais Você, compartilhando apenas o mesmo telão. É mais ou menos o que acontecia quando o Encontro e o Vídeo Show compartilhavam o mesmo espaço, lembra?

Nova cozinha do Mais Você, com espaço para um fantoche. Vem aí o sucessor do Louro?


André Santana

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

História da TV: Em 2013, SBT voltou a investir em infantis, mas do jeito errado


Apesar de ser um personagem estadunidense, o palhaço Bozo tem importante participação na história da TV brasileira. Na década de 1980, quando Silvio Santos conseguiu a sonhada concessão do SBT e precisava preencher sua programação, foi o palhaço quem ocupou boa parte da grade e ditou as regras da programação infantil daquele período. Foi a partir do sucesso de Bozo que a fórmula “auditório-crianças-brincadeiras-música-desenho” se consagrou.

Mesmo quando Bozo saiu do ar, no início da década de 1990, o formato seguiu em praticamente todas as emissoras, com apresentadores e apresentadoras aos baldes. Mas, anos depois, o auditório infantil foi perdendo força, dando espaço a programas mais didáticos e dramaturgia. Ou seja, o programa do Bozo se tornou um formato datado.

Mas Silvio Santos e a direção do SBT não pensaram nisso e trataram de resgatar o formato em 2013. Talvez empolgado com o sucesso da dupla de palhaços Patati Patatá, o dono do Baú achou que seria um bom momento para trazer de volta o famoso palhaço, que tantas alegrias deu ao SBT 30 anos antes. Com isso, não apenas trouxe o programa Bozo de volta, como injetou algum investimento no programa comandado por Patati Patatá.

Naquele ano, Patati Patatá estavam consolidados no comando do Carrossel Animado, programa que assumiram em 2011, que era exibido diariamente, entre 7h e 9h, antes do Bom Dia & Cia. O formato era praticamente o mesmo do programa com Priscila e Yudi: os palhaços atendiam ligações e comandavam jogos por telefone, além de chamar desenhos. Também protagonizavam alguns esquetes cômicos.

Mas, em 2013, Carrossel Animado ganhou investimentos. O programa abandonou o formato de brincadeiras por telefone e ganhou um novo cenário, que retratava uma vila onde os palhaços moravam. Com isso, ganhou um elenco de apoio e passou a apostar em dramaturgia, na qual Patati e Patatá protagonizavam historinhas diariamente.

Enquanto isso, Bozo reestreou nas manhãs de sábado, com o mesmíssimo formato de 1980. Ao lado de Papai Papudo, Vovó Mafalda e o professor Salci Fufu, Bozo comandava uma plateia de crianças e promovia brincadeiras. Mas era evidente que aquele formato já não tinha a ver com o ano de 2013. A cara das crianças participando das gincanas evidenciava que elas não estavam felizes ali. Resultado: o programa não emplacou e saiu do ar pouco tempo depois.

E a investida em infantis no SBT acabou de uma vez, já que o novo Carrossel Animado também foi cancelado na mesma leva. Com isso, o elenco de Bozo e Patati Patatá passaram a apresentar o Bom Dia & Cia, num esquema de revezamento no qual também participavam Priscila Alcântara, Maisa Silva e parte do elenco da novela Carrossel. O “troca-troca” acabou pouco tempo depois, quando Matheus Ueta e Ana Vitória Zimmermann foram efetivados no infantil.

André Santana


sábado, 13 de fevereiro de 2021

Sem ter para onde correr, SBT aposta em franquias do "Fofocalizando"

Com a vacinação contra a covid-19 ainda engatinhando, o SBT se mantém sem maiores trabalhos. Seus apresentadores do grupo de risco, como Carlos Alberto de Nóbrega, Raul Gil e o próprio Silvio Santos, aguardam o avanço da vacinação para poderem voltar ao trabalho. Assim como o setor de novelas, também em compasso de espera. Por isso, o canal segue parado.

Só não está 100% parado porque Silvio Santos elegeu a produção do Fofocalizando o seu brinquedo preferido em 2020, e segue apostando nele em 2021. Após idas e vindas de nomes, formatos e apresentadores, Silvio Santos acabou criando uma verdadeira franquia, que já conta com três programas na grade. Com isso, cria a falsa sensação de que está fazendo coisas distintas, quando na verdade é mais do mesmo.

Fofocalizando virou Triturando no ano passado. Tentando aumentar os índices de audiência da atração, a emissora transformou um dos quadros do programa de fofocas num programa independente. Neste contexto, também trocou o comando do programa, dispensando Leão Lobo, Lívia Andrade e Mamma Bruschetta, e “convocando” Flor e Ana Paula Renault.

Porém, por um dia, a emissora testou transformar outro quadro do Fofocalizando em programa, o Notícias Impressionantes. Mas a substituição de Triturando pelo Notícias Impressionantes na grade diária durou apenas um dia. O Triturando retornou, mas o Notícias Impressionantes ganhou sobrevida nas madrugadas e manhãs de domingo, onde está até hoje.

E, nesta semana, o Fofocalizando retornou. Chris Flores, Gabriel Cartolano, Flor e Ana Paula Renault pararam de triturar coisas para voltar a comentar sobre a vida alheia. Mas a emissora avisou: Triturando não acabou. O programa que gasta o arsenal de títulos com gerúndio do SBT seguirá aos sábados, após o Raul Gil, onde está desde que o Programa da Maisa chegou ao fim.

Ou seja, esta pausa do Fofocalizando serviu para a criação de dois “filhotes”, que seguem na grade mesmo com a volta do programa de fofoca. No fundo, é o mesmo programa, apenas com temáticas distintas. É a mesma equipe que produz todo este conteúdo. Ou seja, a turma que faz o Fofocalizando é uma das poucas equipes do SBT que se mantém a todo o vapor e coloca algum conteúdo inédito na grade da emissora.

Sim, é compreensível a dificuldade do SBT de produzir no meio da pandemia. Mas é triste notar que uma das maiores emissoras do país não consegue produzir nada além de Fofocalizando e seus derivados. O jeito é torcer para que a vacinação avance, nos proteja e, ainda, ofereça condições ao SBT de voltar a produzir.

André Santana


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Record reformula "Fala Brasil" e manda Celso Zucatelli de volta para o entretenimento

Nova contratação na área: depois de uma passagem relâmpago e pouco produtiva na Band, Mariana Godoy agora é da Record. Parecia que a jornalista estava fugindo do jornalismo “hard news”, mas, desta vez, seu retorno à bancada está confirmado, já que ela deve assumir o comando do matinal Fala Brasil.

Segundo Flavio Ricco, do R7, o Fala Brasil passará por uma reformulação. E, para marcar a nova fase, o jornal ganhará uma nova dupla de apresentadores. Sergio Aguiar, que já está na casa, fará dupla com Mariana. Sem dúvidas, dois bons profissionais. Ficamos na torcida para que o Fala Brasil resgate o tom mais leve e descontraído de um bom jornal matinal São dois âncoras que sabem fazê-lo com muita leveza.

Enquanto isso, Celso Zucatelli, que vinha apresentando o Fala Brasil com Roberta Piza e Salcy Lima, deixará o noticioso para retornar para o entretenimento da emissora. Atualmente, o jornalista substitui César Filho, que está afastado do Hoje Em Dia. Depois disso, ele ficará à disposição para novos projetos no canal.

Com isso, Celso Zucatelli está repetindo exatamente a mesma trajetória de sua primeira passagem pela emissora. Quando chegou à Record, Zucatelli foi repórter, correspondente internacional e apresentador de noticiários, até chegar ao Hoje Em Dia como substituto oficial de Britto Jr. Com a saída de Britto rumo à A Fazenda, ele se tornou titular do matinal, ficando ali até a chegada de César Filho. Depois disso, Zuca passou pela RedeTV e pela Gazeta, até voltar ao jornalismo da Record. Inicialmente no Balanço Geral Manhã, depois no Fala Brasil.

A volta de Zucatelli ao entretenimento da Record virá num momento oportuno. Afinal, a emissora perdeu muitos apresentadores nos últimos anos, e vários dos seus programas de temporada se encontram sem âncora. Celso, então, pode ser um nome a assumir programas como Power Couple, A Ilha (ou Ilhados, não sei como se chama esse programa essa semana), ou até mesmo A Fazenda. Vamos ver pra onde vai Zuca.

André Santana

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

SBT volta com "Fofocalizando", mas não resgata elenco

Trancado em casa e entediado por conta da pandemia, Silvio Santos dedicou seu ano de 2020 a trocar nome e elenco de seu programa vespertino. Do nada, o Fofocalizando virou Triturando. A princípio, o elenco se manteve, mas logo houve uma troca. 

Saíram Leão Lobo, Mamma Bruschetta (afastados inicialmente por conta da pandemia), Lívia Andrade e Mara Maravilha (afastadas sem maiores motivos mesmo). Entraram Flor e Ana Paula Renault. Permaneceram Chris Flores e Gabriel Cartolano. Vale lembrar que Décio Piccinini já havia sido afastado, antes da pandemia. E Triturando seguiu sua vidinha. Mesmo sem grandes resultados, ganhou vários horários na grade e virou o tapa-buracos preferido do “patrão”, que não conta mais com os serviços de Chaves.

Neste meio-tempo, ainda no ano passado, a emissora chegou a anunciar o retorno do Fofocalizando, com uma chamada estrelada por Lívia Andrade. Mas não aconteceu, e o “elenco original” seguiu encostado. Até que o SBT anunciou a dispensa oficial de Lívia, Leão Lobo e Mamma Bruschetta. Todos emplacaram projetos depois: Lívia apresentou reality sertanejo na TV paga, Leão voltou a frequentar programas da Gazeta, e Mamma tem feito participações no Melhor da Tarde, da Band.

Na época, falaram até que a dispensa era temporária. E que o SBT esperava recontratar o elenco num momento em que a pandemia arrefecesse e o Fofocalizando pudesse voltar ao ar. Porém, sem maiores explicações, o SBT simplesmente declarou a volta do programa de fofocas, com o mesmo elenco que já vinha dando expediente em suas tardes. Simples assim (embora não tenha nada a ver com Angélica).

Esse troca-troca de nomes do programa vespertino do SBT parece apenas um artifício da emissora de passar a impressão de novidade. Afinal, a emissora é a que menos tem tentado buscar alternativas às dificuldades impostas pela pandemia. Já que não consegue lançar nada de novo, prefere apenas dar uma “maquiada” na grade de programação.

Para piorar, a emissora escalou as séries Lassie e Rin-Tin-Tin para fazer “sala de espera” ao Fofocalizando. Duas séries antigas, que não têm qualquer apelo junto ao público de hoje. Obviamente, as produções “vintage” não seguraram a audiência de Sam e Cat, que ia ao ar no horário até a semana passada, e derrubaram a estreia de Fofocalizando. Dá pra entender?

André Santana


sábado, 6 de fevereiro de 2021

Record investe pesado em "Gênesis" na tentativa de reviver fenômeno "Os Dez Mandamentos"

Os Dez Mandamentos foi a “glória” e a “cruz” da Record. Foi a glória, porque foi um fenômeno incontestável. Um sucesso que incomodou a Globo e fez a emissora abraçar a dramaturgia bíblica, dando uma identidade ao seu setor de novelas que o canal buscava há tempos. Mas foi também uma “cruz”, já que ficou no ar a obrigação de repetir tal fenômeno. Coisa que a emissora não conseguiu até aqui.

Para tentar reviver os áureos tempos de Os Dez Mandamentos, a Record fez de tudo. Apostou em tramas “semelhantes”, como A Terra Prometida, e também em tramas “diferentes”, como Apocalipse. Apelou até mesmo para Jesus, a história mais conhecida e contada da Bíblia. Também voltou a apostar em minisséries, como Lia e Jezabel. Algumas funcionaram, outras não, mas nenhuma foi uma “nova” Os Dez Mandamentos.

Por isso, Gênesis estreou com ar de “arrasa quarteirão”. A emissora não economizou na produção e na divulgação da mesma, optando por produzir uma “mega saga” composta por sete fases, cada uma delas com cenários e elencos próprios. “Apenas” Deus (Flavio Galvão) e Lúcifer (Igor Rickli) costuram todas as fases da história, que narra Éden, Dilúvio, Torre de Babel, Ur dos Caldeus, Abraão, Jacó e José do Egito.

Ou seja, na prática, Gênesis é uma junção de sete minisséries bíblicas. Que, até aqui, tem funcionado bem. As tramas contam com produção caprichada, bons atores e, principalmente, importantes pontos de virada que ajudam a segurar o público. Isso, somado ao fato de Gênesis ser a única novela inédita em exibição, tem feito a trama atingir excelentes índices de audiência. Assim, até aqui, a aposta se mostrou acertada e pode ser a tal “nova” Os Dez Mandamentos que a emissora tanto busca.

No entanto, Gênesis também pode significar o esgotamento da fórmula. Afinal, ela conta sete histórias de uma vez. E finalizará em José do Egito, trama que já teve uma versão na Record, como uma minissérie muito bem-sucedida. Que histórias bíblicas de maior apelo poderão virar novela depois, se as principais já foram contadas? A emissora investirá em remakes?

Já se sabe que a trama que substituirá Gênesis será Rei Davi. História que já foi contada em outra minissérie bem-sucedida da Record, há nove anos. Ou seja, a emissora já começará a fazer regravações. E o que virá depois? Sabemos que a Bíblia ainda tem várias outras histórias, mas são poucas as que são conhecidas por um público mais amplo e menos iniciado em estudos religiosos. 

Ou seja, Gênesis poderá significar o apogeu e a queda das produções bíblicas da Record. O que virá depois desta “superprodução” é uma incógnita. Que, provavelmente, a própria Record ainda não sabe bem como responder.

André Santana

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Agora vai? Globo anuncia "Ti Ti Ti" no "Vale a Pena Ver de Novo"

Que a segunda versão de Ti Ti Ti, escrita por Maria Adelaide Amaral e baseada na obra original e em Plumas e Paetês, de Cassiano Gabus Mendes, é uma ótima e divertida novela, todos concordamos. Mas a força dos fãs deste folhetim nas redes sociais é algo que impressiona. Basta um horário de reprise vagar na Globo para levantar uma torcida organizada para pedir o retorno da trama, exibida originalmente em 2010.

Depois de ser cotada em vários momentos, mas sempre preterida, parece que desta vez vai acontecer. As redes sociais da Globo anunciaram o retorno de Ti Ti Ti para março, ocupando a vaga de Laços de Família no Vale a Pena Ver de Novo. E eu preciso fazer coro aos fãs e concordar que foi uma escolha muito acertada.

Afinal, Ti Ti Ti tem qualidades que a credenciam para uma reprise a qualquer momento. Maria Adelaide Amaral foi muito feliz ao misturar tramas de Cassiano Gabus Mendes, entrelaçando várias histórias de maneira engenhosa e promovendo uma verdadeira homenagem às novelas das sete clássicas, com inúmeras referências a outras obras e personagens.

Esta versão também acerta em cheio ao apostar em duas tramas principais que correm paralelamente. Os fãs da comédia se deliciam com a rivalidade entre Victor Valentim (Murilo Benício) e Jacques LeClair (Alexandre Borges), que aqui ganha um terceiro elemento: a sensacional Jaqueline Maldonado (Claudia Raia), praticamente dona e proprietária da novela. O non sense impera, o escracho domina e a trama arranca muitas, muitas risadas.

Mas os fãs do folhetim tradicional também são contemplados com a história de amor entre Marcela (Isis Valverde) e Edgar (Caio Castro). Os dois pombinhos não podem ficar juntos, já que Bruna (Giulia Gam), a mãe do mocinho, acredita que a jovem está grávida de seu outro filho, Osmar (Gustavo Leão), que morre no início da trama. Ela não sabe que Osmar, na verdade, era gay e casado com Julinho (André Arteche), e a família esconde isso dela. Além disso, Luísa (Guilhermina Guinle), ex do mocinho, também atrapalha o romance, bem como Renato (Guilherme Winter), o ex da mocinha.

Ou seja, Ti Ti Ti é uma novela que agrada boa parte dos fãs de um novelão das sete bem feito. E será uma boa pedida para o fim da tarde, depois do dramalhão (também delicioso, diga-se) de Laços de Família. Vai ser bom reencontrar estes personagens quase 11 anos depois.

André Santana 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Record precisa de novos apresentadores

A Record sempre teve programas de auditório. E, por isso, sempre teve muitos apresentadores e animadores. Nomes como Ana Maria Braga, Adriane Galisteu, Gilberto Barros, Márcio Garcia, Tom Cavalcante, Raul Gil, Netinho de Paula, Eliana e Otaviano Costa, entre tantos outros, já comandaram programas de variedades por lá.

Mas, atualmente, o cast encontra-se um tanto esvaziado. Pra se ter uma ideia, no último ano e meio, a emissora perdeu três grandes estrelas: Gugu Liberato, Xuxa Meneghel e Marcos Mion. Ou seja, nomes que seguravam os vários formatos que se revezam na linha de shows da Record.

“Sobraram” Geraldo Luís, à frente do A Noite É Nossa, e Rodrigo Faro, comandando Hora do Faro. Há também Sabrina Sato, aguardando novo chamado após o término da primeira temporada de Game dos Clones. Muito pouco, se considerarmos os inúmeros formatos que a emissora exibe ou pretende exibir. 

Até aqui, a emissora “resolveu” apenas o Canta Comigo, que foi entregue a Rodrigo Faro e se tornará um quadro de seu programa dominical. Também há a expectativa que Sabrina assuma a vaga de Xuxa no Dancing Brasil. Dizem que Geraldo Luís poderia ser uma solução caseira, caso não encontrem outro nome para A Fazenda. Não se sabe ainda quem ficará com o Power Couple, ou com o novo A Ilha (ou Ilhados, ainda não entendi qual será o nome do novo reality).

Ou seja, a Record precisa “ir às compras”. A emissora tem pouquíssimos bons apresentadores com os quais pode contar. Há a urgente necessidade de buscar alguém na concorrência, ou prestar atenção a nomes que estão disponíveis no mercado. O que não pode é manter um banco com tantos produtos, mas nenhum bom nome à disposição.

Adriane Galisteu segue como favorita para comandar o Power Couple. Sem dúvidas, seria uma excelente aquisição neste momento em que faltam apresentadores na emissora. Mas é pouco. O canal precisa anunciar, logo, uma grande contratação. Há muito espaço pra pouca estrela.

André Santana