sábado, 26 de setembro de 2020

"A Força do Querer" traz novidades ao estilo de Gloria Perez

 

A dificuldade de produzir novelas neste período de pandemia obrigou a Globo a apostar numa segunda reprise no horário nobre. A escolhida foi A Força do Querer, um grande sucesso de público e crítica em 2017. Na época, a novela chamou a atenção pelo fato de a autora Gloria Perez ter apostado em algumas novidades, buscando se modernizar dentro de seu próprio estilo de “novelão” tão característico.

Na época da estreia, o TELE-VISÃO apontou as “novidades” que a novelista imprimia em sua mais nova história. E ressaltava que A Força do Querer havia estreado muito bem. Confira abaixo a primeira análise do blog à trama, publicada em 08 de abril de 2017:

Estreou bem a nova investida da autora Gloria Perez no horário nobre, A Força do Querer. A trama entrou no ar sem pressa, mas não desinteressante. Teve um primeiro capítulo que fugiu do didatismo chato da apresentação dos personagens, e foi desenrolando sua trama principal aos poucos, revelando a conexão entre as histórias de maneira bastante harmônica. Soma-se a isso o ótimo elenco e uma direção criativa, mas sem pirotecnias desnecessárias, de Rogério Gomes. Tudo isso fez da primeira semana de A Força do Querer um entretenimento saboroso, que traz a veterana novelista apresentando algumas novidades em seu estilo já tão conhecido.

Desta vez, Gloria Perez não centrou toda a sua história numa única heroína, como fez com Morena (Nanda Costa), Maya (Juliana Paes), Sol (Deborah Secco), Jade (Giovanna Antonnelli) e Dara (Tereza Seiblitz), protagonistas de Salve Jorge, Caminho das Índias, América, O Clone e Explode Coração, respectivamente. Ao invés disso, trouxe diferentes tramas entrelaçadas por três personagens centrais, Ritinha (Isis Valverde), Bibi (Juliana Paes) e Jeiza (Paolla Oliveira). E até mesmo para apresentar seu trio central, a autora não teve pressa, já que o primeiro capítulo focou num prólogo envolvendo dois dos mocinhos, Zeca (Marco Pigossi) e Ruy (Fiuk).

A partir deles nasce a relação entre duas grandes famílias, encabeçadas por Eugênio (Dan Stulbach) e Eurico (Humberto Martins), de onde se ramificam as tramas principais e paralelas. Ligado a eles está Caio (Rodrigo Lombardi), que tem uma história de amor com Bibi (Juliana Paes), uma das donas do primeiro capítulo. No final do primeiro episódio surge Ritinha, namorada de Zeca, mas que se envolverá com Ruy. A policial Jeiza surgiu apenas capítulos depois, ao abordar o caminhão de Zeca na estrada.

Além de não centrar sua trama numa única grande heroína, Gloria Perez também imprimiu outra novidade no enredo. Ao contrário de suas últimas novelas, que tinham o elenco tão inchado que vários personagens sumiam e apareciam ao sabor do vento, desta vez, em A Força do Querer, são poucos núcleos e personagens. Toda a trama está bastante concentrada nas duas famílias centrais, e é a partir das personagens que as compõem que a autora propõem os temas que pretende discutir, como o vício em jogo de Silvana (Lilia Cabral), esposa de Eurico, ou a transexualidade de Ivana (Caroline Duarte), filha de Joyce (Maria Fernanda Cândido) e Eugênio.

A terceira novidade no enredo de Gloria Perez é a falta da “ponte aérea” entre o Rio de Janeiro e qualquer outra parte do mundo, como a Turquia, Marrocos, Índia ou Estados Unidos. Desta vez, o núcleo “quase estrangeiro” da história está no estado do Pará, no Brasil mesmo, dando a chance de o público “viajar” com as personagens além do eixo Rio-São Paulo, explorando uma cultura tipicamente nacional, mas não tão conhecida aqui pelos lados do Sudeste. Assim, A Força do Querer tem o ritmo e o colorido do Carimbó, do artesanato de inspiração indígena e das lendas da região amazônica, como a do Boto. A locação proporciona um espetáculo visual que dá à A Força do Querer um charme especial.

E mesmo trazendo algumas novidades, Gloria Perez continua ainda sendo Gloria Perez e carrega muito do seu DNA. Assim, A Força do Querer não esconde que pretende ser um novelão, com muitas reviravoltas e amores impossíveis. Ou seja, é um folhetim rasgado, do qual a autora é especialista. Além disso, pode-se observar alguns enredos que remetem a outras de suas histórias, como a relação entre Eurico e Eugênio, que parece um remake dos irmãos Cadore de Caminho das Índias (incluindo aí a presença de Humberto Martins nas duas histórias).

À Eugênio caberá se envolver com uma vilã interesseira, neste caso Irene (Débora Falabella), tal e qual Raul Cadore (Alexandre Borges) e a psicopata Yvone (Letícia Sabatella). Yvone, aliás, que também lembra muito a Alicinha (Cristiana Oliveira), de O Clone. Já Eurico e Silvana também remetem a Glauco (Edson Celulari) e Haydée (Christiane Torloni), de América. Duas mulheres elegantes que sofrem em segredo diante de uma dificuldade: Haydée era cleptomaníaca, enquanto Silvana, como já foi dito, é viciada em jogo.

Ou seja, Gloria Perez retornou ao horário nobre inspirada, e A Força do Querer, ao menos nesta primeira semana, parece oferecer bastante vigor à faixa. Há bons personagens, situações interessantes e belos cenários prontos para fazer o horário das nove da Globo retornar às boas diante do público. As expectativas são as melhores.

André Santana

Silvia Abravanel perde "Bom Dia & Cia"

Nesta sexta-feira, 25, o Notícias da TV informou algo que já era esperado: Silvia Abravanel está fora do Bom Dia & Cia definitivamente. Fora do ar desde o início da pandemia, a filha de Silvio Santos não voltará mais ao comando dos jogos por telefone que servem como “elo” entre um desenho e outro no infantil do SBT. O programa seguirá como está, ou seja, uma faixa de exibição de desenhos animados, sem a intervenção de um apresentador.

Sim, era algo esperado. Isso porque o SBT já havia cogitado, em várias ocasiões, transformar seu mais tradicional infantil num mero apanhado de desenhos. No entanto, a emissora sempre acabava desistindo da ideia, pelos mais variados motivos. Mas agora, neste momento em que o canal vem fazendo cortes para tentar amenizar os prejuízos, não houve como “salvar” a produção.

Jackeline Petkovic, segunda apresentadora da história do Bom Dia & Cia, já deu várias entrevistas afirmando que o SBT, por mais de uma vez, ameaçou transformar a atração numa faixa de desenhos. A loira afirmou que foram várias as ocasiões em que recebia um telefonema da direção a avisando que o programa tinha acabado. E, depois, outro telefonema a convocando a voltar às gravações.

Isso acontecia porque, desde aquela época, a direção do SBT sabia que a força da atração estava nos desenhos. As aparições de Jackeline serviam para criar uma identidade junto ao público, e até oferecer algo a mais ao espectador. Mas, na prática, os resultados efetivos de audiência sempre foram dos desenhos. Por isso mesmo, sempre tinha alguém no SBT fazendo as contas dos custos de produção e apontando que não havia necessidade de um apresentador. Por que gastar com uma produção, se o que chama a atenção do público são os desenhos?

A resposta vinha do departamento comercial. Por mais que os desenhos ditassem a audiência do programa, era mais fácil viabilizar a comercialização de um programa se houvesse uma produção capaz de “unificar” e dar personalidade à atração. A figura da âncora, no caso Jackeline, ajudava o programa a se vender. E, naquela época, havia ainda a opção de merchandising, no qual a própria Jackeline falava sobre um produto. Ou seja, o Bom Dia & Cia precisava de uma apresentadora porque ela aumentava o poder de faturamento da atração.

Em 2003, o SBT mergulhou numa crise financeira. Mais uma vez, cogitaram tirar Jackeline. Não tiraram, mas o Bom Dia & Cia foi reduzido ao mínimo. Diminuíram o cenário, os bonecos, o roteiro, o elenco... Era apenas Jacky chamando desenhos. Até que resolveram cortar ainda mais: trocaram Jackeline, que tinha um salário mais alto, por Jéssica e Kauê, que ganhavam bem menos.

De lá para cá, o SBT manteve o Bom Dia & Cia operando ao mínimo do mínimo, sempre apostando em apresentadores-mirins. Apenas a partir de 2007, já com Yudi e Priscila, o programa voltou a ganhar investimentos, quando passou a ser exibido ao vivo e apostando em jogos por telefone. Mesmo assim, anos depois, a restrição à publicidade infantil voltou a inviabilizar a produção. Silvia Abravanel assumiu o comando do programa em 2015, mas já não havia muita justificativa para ela estar ali. Tanto que, quando o Mundo Disney estreou e o Bom Dia foi reduzido, Silvia se despediu do público avisando que o infantil não teria mais apresentadores. Mas ela ficou apenas um dia fora do ar. Acabou voltando sem maiores explicações. 

Desde então, sempre que Silvia tirava férias ou se afastava, o Bom Dia & Cia já era exibido apenas com desenhos. E já demonstrava que um âncora não fazia falta. A pandemia foi a última prova necessária. Bom Dia & Cia está sem apresentador há seis meses, e nada mudou.

Por isso mesmo, a despedida definitiva de Silvia Abravanel já era esperada. Com a necessidade de reduzir custos, e sem qualquer motivo que justificasse a presença de um apresentador à frente do Bom Dia & Cia, a eliminação da produção era algo inevitável. Claro, é uma pena que o programa que revelou Eliana tenha um destino tão melancólico. Mas, neste período de crise, a solução parece óbvia. Na verdade, até que demorou para isso acontecer.

André Santana

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Band encontra a melhor solução para Edu Guedes e Mariana Godoy

A Band fez um bololô danado com a contratação de Mariana Godoy. A jornalista foi contratada para assumir um matinal que substituiria o Aqui na Band, tornou-se a apresentadora da primeira grande aposta de Zeca Camargo como diretor criativo do canal e enfrentou um sem-número de pilotos. Até live ela participou com Zeca, anunciando as novidades. Enquanto isso, o matinal foi sendo adiado indefinidamente.

Até que o Notícias da TV revelou a insegurança da direção da Band com relação à nova atração. Não se sabe exatamente o que aconteceu, mas não é difícil deduzir que a ideia inicial era de um programa com um conteúdo diverso, e até com um verniz um tanto mais bem acabado. Ou seja, era um programa caro! E, sabe-se, faz 20 anos que a Band busca um matinal que garanta audiência e faturamento, e vem falhando miseravelmente na missão.

Mais uma vez, a Band daria um passo maior que a perna, como já deu várias outras vezes. Fazer uma nova aposta cara e sem maiores garantias, ainda mais neste momento de pandemia e instabilidade econômica, não era uma atitude lá muito responsável. Mariana é ótima, Zeca é um cara criativo, e o novo matinal poderia ser, sim, um bom programa. Mas a Band tem um teto de audiência pelas manhãs que dificilmente seria ultrapassado. Por que, então, insistir em ter um matinal badalado, se a audiência matinal, de maneira geral, é bem baixa?

Aí apareceu a oportunidade de contratar Edu Guedes, que deixou a RedeTV e já chegou à Band com um programa pronto, produzido por ele mesmo, e com anunciantes garantidos. The Chef estreou na última segunda-feira, 21, e mostrou a que veio. É simples, comandado por um chef que tem alta aceitação junto às donas de casa, e que ainda resgata a tradição em programa de culinária matinal na Band. Não seria exagero dizer que as manhãs da Band são instáveis desde o fim da Cozinha Maravilhosa da Ofélia. Daniel Bork tentou sucedê-la e passou uns bons anos ali, mas vamos combinar que a coisa nunca decolou. Agora é a hora de Edu, e os resultados desta primeira semana são animadores.

Enquanto isso, Mariana Godoy foi realocada para a noite. A jornalista vinha muito bem em seu Mariana Godoy Entrevista nas noites de sexta da RedeTV. Deste modo, ela merecia seguir neste filão, na qual se encaixou bem. Seu Melhor Agora, que ocupa as noites de segunda-feira da Band, é uma versão mais “entretenimento” de seu talk show. Não trouxe nada de novo, é verdade, mas traz um diferencial à linha de shows da emissora.

Em suma: Edu Guedes pela manhã, e Mariana Godoy à noite, foi a melhor decisão que a direção da Band poderia tomar. Trouxe novidades à programação, mas correu menos riscos. 

André Santana

sábado, 19 de setembro de 2020

TV brasileira chega aos 70 anos celebrando o passado e se preparando para o futuro

 

Neste dia 18 de setembro de 2020, a televisão brasileira completa 70 anos. Foi neste dia, no ano de 1950, que a TV Tupi de São Paulo fez a sua primeira transmissão. Daquela cerimônia em que Lolita Rodrigues cantou o (horrível) Hino da TV até os dias de hoje, muita coisa mudou. O que não mudou foi a capacidade de encantar, entreter e informar o público, missão que a TV ainda cumpre e há de cumprir por muito tempo ainda.

Nesta semana, várias ações marcaram as comemorações. Record e Band exibiram séries de reportagens em seus telejornais. A Cultura vem fazendo entrevistas especiais no Roda Viva desde o início do mês, e exibiu na quinta, 17, a primeira parte do documentário Os Campeões de Audiência. A Globo tem feito entrevistas temáticas no Conversa com Bial e exibiu ontem, 18, a primeira parte de um Globo Repórter sobre a história da TV.

São boas maneiras de não deixar esta efeméride passar em branco. Afinal, os 70 anos da televisão brasileira estão sendo comemorados em plena pandemia, num momento em que emissoras precisaram se reinventar para continuar produzindo. Desde o início, o avanço constante da tecnologia provocou as grandes revoluções da TV: o videotape, a TV em cores, a alta definição, a TV digital, o streaming. Pois é esta mesma tecnologia que vem mantendo a TV ativa, buscando driblar com criatividade todos os impedimentos da pandemia.

E a principal realidade desta revolução tecnológica é a vitória do simples, por mais antagônico que isso possa parecer. Afinal, é a tecnologia que permite que pequenos equipamentos, como câmeras portáteis e celulares, sejam fundamentais para a produção remota, que se tornou uma das grandes realidades da televisão em tempos de pandemia. Sem toda essa tecnologia, como Pedro Bial, Cátia Fonseca ou Serginho Groisman conseguiriam fazer seus programas de suas respectivas casas?

Ao mesmo tempo, o formato foi simplificado para caber nesta realidade. Bial continua impecável no comando de suas entrevistas, mas desta vez sem cenário suntuoso, sem plateia presencial e sem uma banda para lhe dar suporte. Aumenta-se a tecnologia, diminue-se a parafernália. E a coisa funciona. Os programas continuam existindo, produzindo e mantendo sua relevância.

Esta vitória do simples é, também, a vitória do material humano. A produção remota expôs, aos olhos do público, que são as pessoas que estão ali dentro que fazem a mágica acontecer. Reunir duas pessoas que têm o que dizer numa chamada de vídeo é tão magnético quanto assistir a um espetáculo cheio de luzes e cores. TV é gente, afinal!

E onde vamos parar com toda essa tecnologia? O futuro já está sendo desenhado. A TV digital e o streaming já mexeram com o hábito do público. Boa parte já se acostumou a fazer seus próprios horários, sem mais ficar refém de uma grade rígida de uma emissora de TV. A facilidade de acesso a conteúdo de qualidade sem precisar assinar um pacote caro e pouco útil da TV paga também mostra que são muitas as transformações que estão por vir.

Assim como, no passado, a TV não matou o rádio, a tecnologia não deve matar a TV. Mas, sem dúvidas, ela seguirá se transformando. A TV aberta e a TV paga vão, aos poucos, se adequando a esta nova realidade, que ainda está em processo de construção. E o streaming, apesar de parecer forte e imbatível agora, também não deve escapar de uma transformação, tendo em vista que as inúmeras opções que começam a aparecer vão, novamente, mexer com os hábitos do espectador.

Mas, enquanto houver material humano e criatividade, a televisão vai continuar existindo. A transformação é um processo natural e o futuro é feito dia a dia. Assim, seguiremos nos encantando com tudo o que a “máquina de fazer doido” ainda há de nos oferecer, seja em qual tela for. E estaremos por aqui, comemorando os 80, 90... e os 100 anos da TV brasileira. Duvida?

André Santana

Além da trama frouxa, "Fina Estampa" envelheceu mal

 

Já falamos aqui neste período, e também em 2012, que Fina Estampa tem uma trama central bastante problemática. A rivalidade entre Griselda (Lília Cabral) e Tereza Cristina (Christiane Torloni) começa interessante, já que Pereirão é uma ótima personagem, e a megera é uma vilã bem divertida.

No entanto, a trama degringola depois que Griselda ganha na loteria. A personagem perde originalidade, já que o “jeito Pereirão de ser” vai sendo diluído ao longo dos capítulos, e perde o protagonismo, já que Tereza Cristina passa mais tempo tentando proteger um segredo furado do que agindo contra a rival. Com isso, a trama central perde foco e se torna um “gato e rato” despropositado e pouco criativo.

Mas a falta de trama não é o único problema de Fina Estampa. A “edição especial” promovida pela Globo, que terminou ontem, 18, também mostrou que a novela envelheceu muito mal. Há uma despretensão natural de não se levar a sério, e isso fica bem claro. A proposta da novela é mesmo o non sense, bem entendido. Porém, mesmo o non sense precisa de um mínimo de responsabilidade. O que não se viu nesta novela.

O canal Coisas de TV, do YouTube, comandado por Fabio Garcia e Larissa Martins, publicou um vídeo bastante interessante esta semana, e eu preciso fazer coro a eles. Fina Estampa, mesmo em meio à sua despretensão, tentou tocar em assuntos sérios, e falhou miseravelmente em vários deles. Pior: os tratou de uma maneira tão irresponsável que acabou promovendo um desserviço. Veja o vídeo clicando AQUI (veja mesmo, é bem legal!).

A violência contra a mulher, por exemplo. Baltazar (Alexandre Nero) era um marido violento, que bateu em Celeste (Dira Paes) várias vezes. Mas, ao formar uma dupla cômica de gosto duvidoso com Crô (Marcelo Serrado), o personagem caiu nas graças da audiência. E acabou perdoado. Tanto que, na reta final, ele volta a bater em Celeste. Ela revida e o expulsa de casa. Ele entra em choque, toma uma chuva na cabeça e é consolado por Crô. O mordomo, então, pede a Celeste que o aceite de volta. E ela aceita, com a condição de que ele terá que reconquistá-la. Como tratar um tema tão sério como a violência contra a mulher desse jeito?

Outro tema apontado pelo Coisas de TV foi o racismo do personagem Albertinho (André Garolli). Ele passou boa parte da trama tratando Dagmar (Cris Vianna) muito mal. Capítulos depois, ele revelou que sua ex-mulher era negra e o trocou por outro, e é esse o motivo de ele tratá-la mal. Ou seja, a novela “justificou” porcamente uma atitude que não é somente condenável do ponto de vista ético, mas é também um crime. Racismo não tem justificativa.

A trama do professor Alexandre (Rodrigo Hilbert) também é um horror. O rapaz é um assediador de alunas. E os alunos da faculdade onde Antenor (Caio Castro) estuda tratam de preparar uma armadilha para pegá-lo em flagrante. E conseguem um vídeo que confirma que Alex assedia suas alunas. Mas não o denunciam. Simplesmente pedem para que ele não faça mais isso, ou mostrariam o vídeo à reitoria. Bizarro!

Isso sem falar no caso de Fabrícia (Luciana Paes), uma mulher trans que trabalha como “marida de aluguel”. Assim que descobre que a jovem é trans, Quinzé (Malvino Salvador) trata de expô-la diante de toda a empresa de Griselda. Claro que, em 2011, o debate sobre transexualidade ainda não ocupava tanto espaço quanto hoje. Mesmo assim, tratar o tema em tom de piada já não era aceitável naquela época. Hoje em dia, então, é algo condenável.

Por essas e outras, Fina Estampa figura como uma das novelas mais controversas da carreira de Aguinaldo Silva. O autor, que costumava usar de um humor ácido e muita crítica política e social em suas principais obras, desta vez nivelou por baixo. Há um claro apelo popular ali, o que justifica o seu sucesso. Mas o tom rasteiro com que levou toda a novela a coloca como um folhetim bastante equivocado.

André Santana

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Num ano sem novidades, futebol agita o SBT


Quando o ano do SBT parecia completamente perdido, eis que interesse pelo esporte ressurge no canal de Silvio Santos. A estreia da emissora na transmissão da Libertadores ontem, 16, a livrou do marasmo total e absoluto que a assolava, e que foi agravado com a pandemia.

Com programas reprisados, estrelas em quarentena e as ligações estapafúrdias de Silvio Santos, com ordens mais estapafúrdias ainda (que, aliás, o Notícias da TV informou hoje que são influência de Richard Vaun… interditem esse homem!), o SBT acabou caindo num buraco negro que parecia sem fundo.

Mas a emissora entrou nas negociações pela Copa Libertadores, depois que a Globo recuou na tentativa de baixar o preço dos direitos. E acabou levando! Isso deu uma injeção de ânimo no canal que o fez muito bem. O SBT se mexeu para montar uma equipe esportiva, realizou contratações e até já planeja aumentar o espaço do esporte na grade.

Segundo vários veículos, o canal tem cogitado comprar outros torneios de futebol, e até mesmo outras modalidades esportivas. A Fórmula 1, que vai deixar a programação da Globo no ano que vem, até já estaria nos planos. Além disso, há a ideia de lançar um novo programa esportivo, que seria apresentado aos sábados, depois do Programa Raul Gil.

A audiência da estreia da Libertadores deixou o SBT em terceiro, é verdade, mas houve um aumento do público no horário, o que é um bom sinal. E o esporte sempre atrai bons anunciantes. Ou seja, a emissora tem feito um investimento que parece inteligente neste momento. E, mais do que isso, a manobra a colocou de volta aos holofotes. Voltamos a falar do SBT, e não é para repercutir mais uma loucura de Silvio Santos (ou do Richard Vaun...). Que bom!

André Santana

domingo, 13 de setembro de 2020

"Amor e Sorte" faz simpática estreia

Mais um “produto de quarentena”, a estreia de Amor e Sorte na Globo passou longe de qualquer cara de produção caseira. Com todo o talento da família de Fernanda Montenegro em ação, atuando em todas as frentes da produção, a série mostrou uma excelência que em nada deve às produções “tradicionais”.

Mas o trunfo do episódio de estreia foi a reunião em cena de Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. As duas atrizes, dotadas de um carisma absurdo e despidas de qualquer vaidade, entregaram uma relação honesta e terna, que foi a força do episódio.

O roteiro simples, mas bem resolvido, ajudou a extrair o melhor das atrizes. A trama da mãe libertária Gilda e da filha workaholic Lúcia explorou a difícil relação familiar e o conflito geracional tão reconhecíveis pela maioria das famílias. É um enredo que encanta pela sua simplicidade e pela capacidade de provocar reflexão.

De quebra, Amor e Sorte injetou uma ponta de esperança na audiência. Não apenas por ter adiantado a vacina da covid, mas também por propor a possibilidade de conviver com as diferenças. Gilda e Lúcia representam uma polarização que emula bem o atual contexto social brasileiro. Com dificuldade, elas conseguiram se entender. Recado dado!

O primeiro episódio de Amor e Sorte deixou a melhor das impressões. É interessante notar como vão sendo descobertos caminhos para que a produção audiovisual se mantenha ativa, mesmo num momento em que isso parecia impossível.

Os demais episódios de Amor e Sorte contarão com casais quarentenados em casa, e sem toda uma família profissional da área por trás. Mesmo assim, a qualidade do roteiro de Jorge Furtado e o conhecido talento dos profissionais envolvidos são bons indicativos sobre o que está por vir.

André Santana

Globo confirma a estreia do novo programa de Angélica

Nesta semana, a Globo confirmou oficialmente a estreia do novo programa de Angélica. Simples Assim será exibido nas tardes de sábado da emissora a partir do dia 10 de outubro, antes do Caldeirão do Huck. A primeira temporada da atração terá 12 episódios, com exibição garantida até o final do ano.

Segundo a comunicação da Globo, no Simples Assim, “que tem direção-geral de Geninho Simonetti, Angélica convida o público a refletir sobre temas universais, dividindo e contando boas histórias de pessoas anônimas e famosas, sempre através de um olhar empático, bem-humorado e sem julgamentos. É nesse ambiente, tratando de questionamentos mais atuais do que nunca em tempos de distanciamento social, que a apresentadora vai reencontrar seu público, e fazer das tardes de sábado, na TV Globo, um momento de conexão”.

“A cada episódio, um tema – felicidade, fé, trabalho, família, solidariedade, diversidade, autocuidado e amor são alguns dos assuntos que irão permear a temporada. E para cada tema, diferentes percepções e maneiras de contar essas histórias, que virão dos personagens, através de esquetes de humor, ou das dinâmicas com convidados que Angélica vai receber no palco do programa”, explicou o comunicado da emissora.

Como já dito por aqui anteriormente, trata-se de algo bem diferente de tudo o que Angélica já fez na TV. Antes identificada com programas de puro entretenimento, como games e musicais, a apresentadora agora se aventura num programa temático, onde terá a chance de falar de assuntos relevantes. É uma ideia alinhada ao que a apresentadora já vem fazendo em suas redes sociais, e também no GNT, onde apresentou o especial Cartas Para Eva em maio.

Depois de tantos adiamentos, agora é a hora de a estrela voltar ao ar num programa para chamar de seu. Só resta saber se a ideia vai funcionar. Afinal, trata-se de um programa bem pretensioso, que propõe conversas mais, digamos, “sérias”. Esse papo “cabeça” combina com as tardes de sábado da TV aberta? Descobriremos quando Simples Assim estrear.

André Santana

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Afinal, "Mais Você" volta ou não volta?


Nesta semana, Ana Maria Braga anunciou a volta do Mais Você. A apresentadora avisou que seu programa volta ao ar no dia 05 de outubro, a partir das 11h30. E que, inicialmente, será apresentado da própria casa da apresentadora. Enquanto isso, os estúdios da Globo em São Paulo seriam preparados para acomodar novamente a atração.

No entanto, a Globo não confirmou a informação. E, logo em seguida, o anúncio de Ana Maria, que foi feito no site da apresentadora, saiu do ar. Hoje, 10, o Notícias da TV informou que as decisões sobre o futuro do Mais Você ainda não foram tomadas, e que Ana se precipitou ao anunciar o retorno. O jornalista Daniel Castro afirmou que nem ao menos a mudança para São Paulo está totalmente sacramentada.

Ou seja, voltamos à estaca zero. E se trata de uma situação bastante ridícula. Afinal, na prática, o Mais Você já voltou ao ar faz tempo. O quadro Receitas Especiais da Ana Maria dentro do Encontro deixou de ser um segmento com dez minutos de reprises para se tornar algo maior e mais variado. Além de exibir receitas antigas, Ana também apresenta reportagens de comportamento, conversa com Louro José e deixa suas tradicionais mensagens. O quadro até ganhou um quadro (?) novo, com Ana ensinando novas receitas em alusão a novelas e conversando com atores.

Este espaço de meia hora de Ana Maria Braga ocupa a parte final do Encontro com Fátima Bernardes. Fátima chama Ana, as duas interagem nos dias em que o quadro é apresentado ao vivo, mas logo Ana assume de vez e toma conta do programa. Fátima reaparece apenas no final, se despedindo e encerrando o Encontro.

Em suma, a parte final do Encontro já não é o Encontro. É o programa da Ana Maria, numa versão “compacta”. Sendo assim, não custava nada a Globo encerrar o Encontro às 11h30, entregando à Ana Maria, que voltaria a usar o título Mais Você. E pronto, Ana teria seu programa de volta, numa versão menor e feita da casa dela. O quadro de Ana já é um programa. Basta a Globo resolver trazer o título Mais Você de volta. É tão difícil assim?

André Santana

sábado, 5 de setembro de 2020

"Flor do Caribe" volta ao ar com a mesma missão de sua primeira exibição

Em março de 2013, a Globo encerrava uma de suas mais belas novelas das seis já exibidas, Lado a Lado. Mas a trama histórica registrou uma das mais baixas audiências do horário. Com isso, para substituí-la, a emissora optou pelo sentido oposto, trocando o excesso de roupas e o tom solene por uma trama praiana, contemporânea, com belas paisagens e atores com pouca roupa: Flor do Caribe.

Em 2020, com a necessidade de suspender suas novelas, a Globo sacou de seus arquivos Novo Mundo, trama que fez sucesso em 2017, mas cuja reprise não repetiu o bom desempenho. Assim, para “refrescar” a faixa, novamente a aposta foi em Flor do Caribe, e pelos mesmos motivos: depois de uma trama histórica e soturna, entra em cena um romance açucarado, cheio de sol e belos atores com pouca roupa.

Com Flor do Caribe, o autor Walther Negrão voltava ao horário das seis e à temática tropical que conhece tão bem. O objetivo era claro: resgatar o sucesso de Tropicaliente, trama assinada por ele que fez um bom barulho, principalmente no mercado internacional. Feita para vender, Flor do Caribe abusa das belas imagens naturais proporcionadas por seu cenário deslumbrante.

Dirigida por Jayme Monjardim, reconhecido por sua assinatura que valoriza a fotografia, Flor do Caribe ganha ainda mais cor e viço. Paisagens grandiosas somadas a um elenco que parece saído de um catálogo de modelos, todos donos de belos corpos prontamente explorados pelo figurino mínimo. A contemplação que acompanha as paisagens de Monjardim desde Pantanal surge com força e, não raro, causa certa sonolência.

Com tanto deslumbre, o enredo mais parece uma desculpa para se explorar ao máximo toda essa beleza. Flor do Caribe tem uma das espinhas dorsais mais básicas da teledramaturgia: uma mocinha disputada pelo mocinho e pelo vilão. Ester (Grazi Massafera) e Cassiano (Henri Castelli) vivem um amor adocicado. Na outra ponta do triângulo, o malvado Alberto (Igor Rickli) se faz de amigo do mocinho, mas arma para roubar-lhe a namorada. Tudo é muito bem definido: Ester e Cassiano são exemplos de seres humanos, dotados de qualidades, enquanto Alberto é do mal, e não há dúvidas disso.

A primeira semana da novela lembra bastante o mote inicial de Vila Madalena, novela das sete escrita pelo mesmo Walther Negrão no final dos anos 1990. Nesta história, o vilão Arthur (Herson Capri) era apaixonado pela mocinha Eugênia (Maitê Proença) e armou para que o mocinho Solano (Edson Celulari) fosse preso injustamente. Solano passa sete anos na prisão e, quando sai, encontra Eugênia casada com o algoz. Em Flor do Caribe, Alberto armou algo parecido, e já se sabe que, daqui sete anos, Ester estará casada com Alberto enquanto Cassiano tentará retomar sua vida.

O elenco traz uma Grazi Massafera em processo de amadurecimento. Como Ester, a atriz começava a mostrar uma evolução considerável, que se consagraria em definitivo em seu trabalho seguinte, Verdades Secretas. Enquanto isso, a grande aposta era Igor Rickli, que estreava na TV já como o vilão da história. Rickli se mostra inseguro neste início, mas segura bem no decorrer da obra. Porém, não o suficiente para colocá-lo na lista de galãs da emissora, já que, depois, ele emplacou apenas uma participação em Alto Astral, seguindo para a Record em seguida.

Os grandes destaques do elenco de Flor do Caribe neste início foram mesmo os veteranos. Juca de Oliveira emocionou vivendo Samuel, combatente na Segunda Guerra Mundial e atormentado pelas lembranças do passado. E Sergio Mamberti finalmente surge com um grande personagem numa novela global e dá show como Dionísio, milionário bandido e mau-caráter. Os dois personagens são opostos dentro de uma trama que aborda o nazismo, que pode ganhar novo contexto nesta reexibição, dado nosso atual cenário político.

No mais, Flor do Caribe traz de volta ao horário das seis a velha receitinha de uma porção de água com muita, muita glicose. Um enredo que sempre agradou ao público do horário das seis. Em sua exibição original, a trama foi bem-aceita pelo público, registrando índices de audiência satisfatórios. Na reprise, deve conseguir segurar a atenção do público, além de servir como boa sala de espera à Nos Tempos do Imperador.

André Santana

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Band pode trocar Mariana Godoy por desenhos, diz site


A estreia de Mariana Godoy nas manhãs da Band virou um grande mistério. A atração, que já teve chamadas no ar e datas de estreias anunciadas e “desanunciadas”, agora corre o risco de nem ir ao ar. Ao menos é a informação que o site Notícias da TV traz nesta sexta-feira, 04, o que seria uma reviravolta e tanto ao aguardado projeto da jornalista, criado com Zeca Camargo.

Segundo a matéria do Notícias da TV, há uma ala na cúpula da Band que defende o engavetamento da nova atração. Esta ala considera que a manhã tem uma audiência baixa demais para tentar emplacar um programa relativamente caro e que, provavelmente, terá dificuldades em se pagar. Os baixos desempenhos de Superpoderosas e Aqui na Band, as últimas apostas do horário, são usados como exemplo.

Assim, a ideia seria que, ao invés de apostar num grande programa matinal, a faixa seja dividida entre um novo programa com Edu Guedes e desenhos animados. Edu, que está com os dois pés na emissora, comanda um programa de culinária, ou seja, tem um custo de produção baixo. E, de quebra, o cozinheiro atrai anunciantes, ou seja, a emissora operaria no azul. Enquanto isso, desenhos têm uma boa relação custo-benefício: não faturam, mas também não dão prejuízo. E podem dar audiência.

Realmente, numa análise fria dos fatos, estas ideias fazem sentido. Afinal, Aqui na Band e Superpoderosas são exemplos mais recentes, mas é fato que TODOS os matinais que a emissora lançou nos últimos 20 anos (no mínimo) não aconteceram. O canal já lançou trocentas versões do Dia Dia (que foram apresentadas por Olga Bongiovanni, Vivianne Romanelli, Lorena Calábria, Patrícia Maldonado, Silvia Poppovic e Daniel Bork), e nenhuma delas funcionou. Superpoderosas e Aqui na Band, a gente já sabe o que aconteceu.

O maior problema deste “plano B” da Band é o desenho da grade. Isso porque os jornais matinais têm resultados minimamente satisfatórios. Encaixar desenhos entre os noticiáios e Edu Guedes, fatalmente, ocasionará numa “quebra” de público. Sempre defendi desenhos na Band, já que eles costumam dar boa audiência e trazer um público carente de programas infantis matinais. Mas é preciso pensar no todo. 

Se a faixa de desenhos for exibida entre jornais e Edu Guedes, haverá quebra. Caso Edu fique colado nos jornais e entregar para os desenhos, o prejuízo de audiência pode ser menor, já que o Jogo Aberto tem público cativo, que não seria afetado pela entrega dos desenhos. Mas será que compensa esconder Edu no início das manhãs? Enfim, são questões que a Band terá que responder.

Enquanto isso, se Mariana Godoy realmente perder o matinal que nem ao menos estreou, seria a chance para entregar a ela uma nova versão do Mariana Godoy Entrevista. Acho uma boa saída.

André Santana

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Globo planeja (de novo) remake de "Pantanal"


Há informações na TV que são cíclicas. De tempos em tempos, sai uma informação, que depois não acontece. Mas logo ela volta, mas aí é adiada… e a coisa vai passando. Tipo o retorno de Aqui Agora ou das novelas adultas no SBT, ou o remake de Pantanal na Globo. Há uns 15 anos, a emissora planejava refazer a obra da Manchete. Uma novela chamada Amor Pantaneiro, nos mesmos moldes, foi cogitada. Depois foi retomada, mas o SBT reprisou Pantanal, e aí foi esquecida de novo.

Eis que o projeto voltou ao radar da Globo. De acordo com Patrícia Kogut, de O Globo, nesta quarta-feira, 02, deve acontecer uma reunião entre Benedito Ruy Barbosa e uma equipe da Globo para tratar do projeto. Segundo a colunista, a ideia é manter a trama original, apenas atualizando o enredo. Benedito atuará como supervisor, enquanto o texto será entregue a Bruno Luperi, seu neto. Para tocar o projeto, Bruno e Edmara Barbosa devem paralisar os trabalhos de Arroz de Palma, a novela das seis que nunca sai da fila das “próximas”.

Kogut disse ainda que Benedito tem uma atriz dos sonhos para viver a nova Juma Marruá. Mas, por enquanto, ele não revela qual é. Enquanto isso, os espectadores já estão em polvorosa, indicando nomes de atrizes para viver o papel que consagrou Cristiana Oliveira. Quem será a nova Juma?

Ainda não se sabe ao certo em que momento esta nova Pantanal será produzida. Mas Duh Secco, colunista do RD1, informou esta semana que há a possibilidade de o projeto “furar a fila” das novelas das nove. Neste caso, Pantanal seria a substituta de Um Lugar ao Sol, trama de Lícia Manzo que entrará após Amor de Mãe, no ano que vem. Se confirmarem a mudança, as próximas novelas de João Emanuel Carneiro e Gloria Perez seriam empurradas para mais tarde. 

Este contexto lembra muito o da ocasião da produção de Velho Chico, última novela de Benedito, Bruno e Edmara Barbosa. A trama era um antigo projeto da família Barbosa, mas estava engavetada havia uns anos. Mas, em 2015, os baixos desempenho de Babilônia e A Regra do Jogo fizeram com que a direção da Globo buscasse um respiro de novelas urbanas, desengavetando a história rural. Com isso, Velho Chico furou a fila e empurrou A Lei do Amor, que originalmente substituiria A Regra do Jogo, para depois.

Será que agora vai acontecer o mesmo? E, principalmente: uma trama como Pantanal será bem recebida hoje em dia? A novela original é um clássico incontestável, mas tem um ritmo devagar quase parando, além de ter enfrentado uma bela de uma barriga, algo bastante comum nas obras de Benedito Ruy Barbosa. Que mudanças serão propostas para que a novela dialogue com o público de hoje, mas sem perder sua essência? É um baita desafio.

André Santana