sexta-feira, 3 de julho de 2020

História da TV: os 18 anos de "Ilha Rá-Tim-Bum"



Em julho de 2002, a TV Cultura lançou Ilha Rá-Tim-Bum, o terceiro infantil da grife Rá-Tim-Bum. Depois de encantar as crianças com Rá-Tim-Bum e Castelo Rá-Tim-Bum, dois programas de forte cunho didático, a emissora tratou de apostar num projeto mais voltado a crianças mais velhas, deixando de lado o didatismo e apostando numa mensagem ecológica. O resultado foi o mais inexpressivo programa da linha, com baixa audiência e pouca repercussão. O que não quer dizer que o programa não tinha qualidades.

Ilha Rá-Tim-Bum foi um programa que demorou a sair. Inicialmente, a TV Cultura planejava fazer um spin-off do Castelo, aproveitando personagens e cenários do famoso infantil. A diferença é que o novo programa teria sua narrativa deslocada para uma fazenda. Por isso, foi chamado de Fazenda Rá-Tim-Bum. Em dezembro de 1997, a Folha de S. Paulo noticiou que Jorge da Cunha Lima, presidente da Fundação Padre Anchieta, convidou Cao Hamburger, Anna Muylaert e Flávio de Souza para comandar a equipe que produziria o programa.

Ainda segundo o jornal, a emissora havia firmado um acordo com o Sesi a produção de 90 episódios do novo programa, orçado em cerca de R$ 5,6 milhões. Personagens como Nino e Dr. Victor, do Castelo, seriam mantidos na Fazenda e conduziriam as histórias. Além deles, surgiram dois personagens: El Niño, criado para apresentar os fenômenos da natureza às crianças; e um pequeno cientista, que faria experiências em um laboratório de engenharia genética."Nós queremos ensinar as crianças a viver bem no planeta Terra, respeitando a natureza", disse Jorge da Cunha Lima, na época.

Mas, conforme foi passando o tempo, o projeto foi mudando. Manteve-se o mote ecológico, mas novos personagens foram criados e a ação foi transposta para uma ilha, e não mais uma fazenda. Anna Muylaert tocou o novo projeto, mas reviravoltas de produção fizeram a ideia estacionar. De repente, Ilha Rá-Tim-Bum se tornou uma espécie de “lenda urbana”, que ninguém mais sabia exatamante em que pé estava.

O projeto voltou a ganhar a imprensa cerca de três anos depois, em 2000, quando Flavio de Souza assumiu os roteiros. A produção seria mais modesta, e a ideia era uma temporada inicial de 26 episódios. Em junho de 2000, a Folha publicou uma nova matéria sobre a atração. O jornal revelou que, caso o Ilha obtivesse o sucesso esperado, seriam escritos e produzidos episódios para mais três temporadas. O jornal disse ainda: “Souza assumiu o texto em substituição a Anna Muylaert, que já havia escrito 20 episódios. 'Preferi começar do zero e imprimir meu estilo. Coloquei muito humor, não sei trabalhar de outro jeito', diz”.

Foi assim que Ilha Rá-Tim-Bum foi ganhando o formato com o qual foi produzido. Uma parceria entre a Cultura e a Fundação Bradesco injetou mais dinheiro no projeto, e a temporada foi ampliada de 26 para 54 episódios. Com isso, a ideia finalmente deslanchou. Mas ainda sofreu com atrasos. Prevista para 2001, Ilha Rá-Tim-Bum estreou apenas em julho de 2002.

Semana que vem, o TELE-VISÃO relembra a trama, os personagens e a repercussão de Ilha Rá-Tim-Bum. Até lá!

André Santana

4 comentários:

  1. Lembro-me vagamente do Ilha, confesso que não fui fisgado como em outras atrações da franquia. Impressão minha ou na foto está o Paulo Nigro, que fez sucesso na primeira versão de Chiquititas e, posteriormente, Malhação e novelas na Record?

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    1. Siiim, Mister Ed, é o Paulo Nigro! Ele era o Gigante, o "líder" do grupo dos jovens perdidos na ilha.

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  2. Por coincidência nessa época eu estudava na Fundação Bradesco, grande escola !
    Não curti muito esse programa pelo menos não me prendeu ..sei que é de muita qualidade..gostei mais do Castelo e do original em 91
    Aqui é o Caio!

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    1. Oi Caio! Eu também sou da geração Rá-Tim-Bum e Castelo. Na verdade, eu já tinha 18 anos quando Ilha estreou. Mas eu semore gostei de programa infantil, mesmo depois de velho, ahahah!

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