sábado, 17 de outubro de 2020

"Vou te Contar": RedeTV aposta em programa velho e feito para vender

 

Na década de 1990, o programa Mulheres, da Gazeta, e o Note e Anote, da Record, fizeram proliferar um formato que virou história na TV brasileira: os programas femininos baseados em merchandising e culinária. Ana Maria Braga se tornou o expoente máximo do formato, quando chegou a ocupar cerca de seis horas da grade diária da Record ensinando a espectadora a cozinhar e realizar peças de artesanato. Entre uma dica e outra, vendia de tudo: de cartilagem de tubarão a iorgurteira.

No entanto, este formato foi se modificando ao longo das décadas de 2000 e de 2010. Entre 2000 e 2020, ascenderam os programas de fofoca e as revistas eletrônicas, que tomaram todo o espaço do antigo “feminino tradicional”. Ana Maria Braga, que nesta época já havia emplacado o seu Mais Você na Globo, sobreviveu ao apostar em entrevistas, jornalismo e reality shows, aperfeiçoando a fórmula. Os antigos programas ditos “femininos” não chegaram a morrer de vez, mas ficaram relegados aos canais menores.

Neste novo contexto, outro expoente dos programas femininos se reinventou para permanecer no ar: Claudete Troiano. A veterana, que cresceu no Mulheres e apresentou femininos também na Manchete, Record, Band e SBT, acabou encontrando na TV Aparecida um espaço para um formato que parecia próximo da extinção. Ali, ela voltou a emplacar o formato que a consagrou no Santa Receita, vespertino no qual comandava pautas de saúde, prestação de serviço e culinária. E, claro, vendia muito. Tornou-se um dos grandes sucessos do pequeno canal, que começava a se destacar no ranking da audiência.

Mas a pandemia e mudanças de rumo da TV Aparecida fizeram Claudete se afastar do programa que criou. Porém, a apresentadora ficou pouco tempo afastada do vídeo, já que um patrocinador bancou sua contratação pela RedeTV. O que se revelou um negócio interessante para o canal, que havia acabado de perder Edu Guedes, um de seus grandes “vendedores” matinais. A força comercial de Claudete Troiano fez com que ela se tornasse a substituta ideal do chef, que agora bate ponto nas manhãs da Band.

Foi assim que nasceu o Vou te Contar, no ar há duas semanas. O novo matinal é um “compacto” de tudo o que Claudete Troiano já fez e refez na TV brasileira: pautas de saúde, prestação de serviço e culinária, tudo costurado por inúmeras ações de merchandising. E é esse o problema: Claudete volta a fazer o que sempre fez, mas num contexto em que este tipo de formato já parece completamente ultrapassado. No ar, a sensação de “mais do mesmo” explodiu, como se tudo fosse feito no mais batido piloto automático. Aliás, até mesmo o cenário da atração já é uma reciclagem das atrações matinais anteriores da emissora: Edu Guedes e Você, Olga e Melhor pra Você. A sensação de produção envelhecida incomoda.

Além disso, a RedeTV repete com Claudete Troiano o mesmo erro que cometeu quando promoveu a volta de Olga Bongiovanni: pouco tempo para muito merchan. O programa Olga também não fugia da mesma fórmula, só que sem culinária. Porém, tinha apenas uma hora de duração e muita propaganda, o que atravancava a atração. Vou te Contar tem 15 minutos a mais, mas ainda assim não consegue fazer uma pauta fluir, já que são inúmeras as interrupções para vender.

Ou seja, além de já nascer com cara de velho, Vou te Contar ainda enfrenta um grave problema de ritmo. Assim, não há programa que resista. Prova disso é a péssima audiência destas duas primeiras semanas do programa, que tem dificuldades em sair do traço absoluto. Quanto tempo o patrocínio de Sidney Oliveira resistirá a esta falta de público?

É uma pena que a RedeTV esteja refém de sua grade matinal completamente equivocada. A emissora insiste em João Kleber e seu Você na TV, que também não é nenhum estouro de audiência. Já que o canal tem em mãos uma apresentadora experiente como Claudete, que ainda trouxe um bom patrocinador, poderia entregar a ela sua manhã toda, e com um programa mais moderno e menos “cansado” que o Vou te Contar. Algo nos moldes do extinto Melhor pra Você, que, em seus primeiros momentos, tinha um conteúdo variado e interessante. 

Mas isso é esperar muito da RedeTV, uma emissora que alardeia tecnologia, mas é incapaz de criar um conteúdo minimamente criativo. Uma das mais jovens emissoras brasileiras, o canal insiste em colocar no ar uma programação que parece empoeirada de tão antiquada. É uma pena.

André Santana

Efeito pandemia: Globo "enxuga" programação 2021

 

Como era esperado, a pandemia vem afetando todas as emissoras brasileiras. As consequências da crise mais expostas ao público são a vistas no SBT, que vem promovendo uma verdadeira debandada de profissionais. Band, na contramão, realizou contratações, mas vem investindo com parcimônia. RedeTV também realizou contratações, mas reduziu salários e enxugou custos. Record cancelou produções e também vem investindo com mais cautela.

Neste cenário, a Globo consegue mostrar mais vigor graças ao seu “excesso de gordura”. No entanto, até ela verá sua programação sentir os efeitos da crise. Nas últimas semanas, notícias sobre a grade de 2021 mostram que o canal também está cortando na própria carne para se manter no jogo.

A primeira notícia que surpreendeu foi o cancelamento de Malhação – Transformação. A emissora decidiu que não produzirá uma nova temporada de Malhação em 2021. A ideia é reapresentar mais uma leva da trama adolescente após Viva a Diferença no ano que vem. A trama só voltará com conteúdo inédito em 2022. Ou seja, a Globo vai economizar algo como uma novela inteira no ano que vem. Será o grande corte na dramaturgia, que deve voltar a ter novelas inéditas às seis, sete e nove em 2021.

O humor também passará por um grande corte. Nesta semana, a emissora anunciou o fim de seus atuais humorísticos. Zorra, Escolinha do Professor Raimundo e Fora de Hora não terão novas temporadas em 2021. O anunciou pegou todo mundo de surpresa, já que, uma semana antes, já havia a confirmação do retorno do Fora de Hora, por exemplo. A ideia da emissora é lançar um novo programa de humor no ano que vem, reunindo esforços numa única produção, que deve apostar em diferentes estilos e talentos. O novo programa marcará o fim da “era Marcius Melhem” no humor da emissora. O ator e roteirista deixou a Globo recentemente.

Enquanto isso, a linha de shows da emissora deve continuar apostando em reality shows, que são programas de grande retorno comercial. Quanto às séries, o mais provável é que os esforços sejam concentrados no Globoplay, com produções que podem vir a ser exibidas na Globo depois. E, claro, a emissora deve continuar promovendo “intercâmbio” de produções com seus canais pagos, como Lady Night e Que História É Essa, Porchat?. Enfim, é tempo de “apertar o cinto”.

André Santana

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Apesar de bem realizado, "Simples Assim" é aposta arriscada da Globo

As inúmeras definições de Simples Assim, novo programa de Angélica na Globo, eram de nos deixar desconfiado. Um programa que se propunha a falar sobre felicidade parecia ser algo piegas demais, ou que apelasse demais à emoção barata. Felizmente, a estreia apagou esta impressão ruim. Simples Assim é um programa simpático e muito bem-feito.

Angélica volta ao ar como se não tivesse ficado dois anos sem programa próprio. A apresentadora, que cresceu diante das câmeras, tem uma intimidade única com a lente e parece à vontade falando com o espectador. Em Simples Assim, ela deixou claro porque é, sim, um dos grandes nomes da televisão brasileira, mesmo tendo passado anos numa zona de conforto. Voltou tinindo.

E o programa surpreendeu positivamente por levar sua mensagem por meio de várias linguagens e abordagens. O roteiro, redondo e cheio de informações interessantes, foi desdobrado por meio de bate-papos com anônimos, esquetes de humor e ilustrações de extremo bom gosto. A cenografia é linda, a produção é competente e tudo funciona direitinho.

Muitos criticaram o programa por ser escapista demais. Realmente, os “problemas” apontados ali parecem pequenos diante de situações muito mais periclitantes por que passa boa parte da população brasileira. Mas não acho que isso desmereça o Simples Assim. O programa vem para reafirmar sentimentos positivos, e isso não me parece ruim. 

Mas concordo que é uma mensagem que parece segmentada. Simples Assim, apesar de apostar na emoção, um ingrediente básico da TV aberta, o faz com uma linguagem que parece não alcançar o amplo e variado público da tarde de sábado da Globo. A emissora sempre exibiu entretenimento puro ali, como Música Boa, Só Toca Top ou Tá Brincando, além do próprio Estrelas, programa anterior de Angélica. Há uma mudança radical de proposta. É uma proposta mais cabeça e reflexiva.

Ou seja, o TELE-VISÂO vai, novamente, repetir: a proposta de Angélica parece muito mais adequada para a TV paga do que para a TV aberta. Simples Assim tem o DNA do GNT. Ao tentar emplacar um programa nestes moldes num horário de público tão heterogêneo, a Globo se arrisca. É interessante ver Angélica num programa completamente diferente do que ela já vez em seus tantos anos de TV, mas sua nova proposta, apesar de ser repleta de boas intenções, parece estar no lugar errado.

André Santana

sábado, 10 de outubro de 2020

Fenômeno, "Totalmente Demais" repete sucesso em reprise

 

A “edição especial” de Totalmente Demais chegou ao fim com resultados impressionantes. A trama de Rosane Svartman e Paulo Halm conseguiu o feito de mobilizar o público novamente diante do triângulo amoroso formado por Eliza (Marina Ruy Barbosa), Jonatas (Felipe Simas) e Arthur (Fabio Assunção). Mesmo já sabendo o final, as torcidas foram novamente formadas, garantindo a excelente audiência desta reprise.

Em maio de 2016, na ocasião do fim da novela, o TELE-VISÃO publicou o seu tradicional balanço de fim de novela. Acompanhe:

Num momento em que muitos afirmam que o espectador sentia saudades de uma novela mais tradicional, Totalmente Demais veio suprir este nicho. Trouxe uma espinha dorsal básica, clássica e com ares de contos de fada. A trama de Eliza, livremente inspirada em My Fair Lady, bebe da boa e velha fórmula da transformação, vista e revista em contos como Cinderella e O Patinho Feio. Uma trama que costuma conquistar a audiência, vide sucessos como Betty, a Feia, ou Fina Estampa. O mote da transformação não rodeou apenas a mocinha, mas também todos aqueles que a rodeavam, tornando os personagens possíveis e facilmente identificáveis pela audiência, outro fato que explica o sucesso da trama.

A transformação de Eliza é a mais óbvia, mas não menos envolvente. Criada num ambiente hostil, a mocinha tornou-se quase selvagem para se defender das dificuldades e, principalmente, do assédio do padrasto. Quando decide deixar tal ambiente e se aventurar na cidade grande, vive novas situações que a fazem mudar, mas sem perder sua essência. Conhece o amor, entra numa disputa de modelos para tentar mudar de vida e aceita aprender a ser mais sociável em busca da vitória no concurso. O treinamento a deixa menos agressiva, mas suas relações pessoais e sociais a transformam numa mulher forte e amadurecida. Eliza desabrochou.

Jonatas (Felipe Simas), o amor que a ajuda, também mudou. Vendedor ambulante que vive num cinema abandonado, o jovem de bom coração também se transforma quando seu caminho cruza o de Eliza. Enquanto tenta ganhar a vida e merecer o amor da mocinha, Jonatas vai, aos poucos, conquistando novas oportunidades e fazendo reconhecer o seu valor. Termina a obra como um profissional respeitado e ao lado de seu amor.

Arthur (Fabio Assunção), o dono da agência que toma para si a missão de transformar Eliza numa modelo, também se transforma enquanto se dedica à tarefa. Vivendo uma amizade colorida com Carolina (Juliana Paes) e com dificuldades em ingressar numa relação séria, Arthur se vê envolvido pelo encanto de Eliza. Ele se apaixona e se transforma a partir disso, tornando-se um homem melhor e um pai mais dedicado. Não conseguiu ficar com Eliza, mas saiu desta relação pronto para, finalmente, assumir algo mais sério com Carolina, que sempre o amou.

Falando nela, o quarto vértice deste “quadrado amoroso” foi o que mais se transformou. Carolina entra em cena apaixonada por Arthur e disposta a ter um filho com o homem que ama. Diante da recusa dele e de seu encantamento por Eliza, Carolina passa a considerar a jovem sua rival e a sabota de todas as maneiras possíveis. Mas os desdobramentos do concurso, a relação conturbada com Arthur, sua amizade com a irmã Dorinha (Samantha Schmutz) e, principalmente, a descoberta de que não pode ter filhos, a fazem mudar. Quando parte para a adoção e se dedica à criação de uma criança soropositiva, Carolina torna-se uma pessoa melhor. E reencontra Arthur também transformado. Agora sim, juntos, podem viver uma relação mais séria e madura.

Este foi o grande trunfo de Totalmente Demais. Trouxe personagens tridimensionais, colocou-os em situações de transformações e mostrou que todos são passíveis de mudanças, mas sem perder sua essência. Foi realmente um grande trabalho dos autores, que conseguiram fazer, mesmo dentro da fórmula do folhetim clássico, algo que fugisse do estereótipo extremamente maniqueísta. Resultado: o público embarcou nestes conflitos, apaixonou-se pelos personagens e torceu por eles. Há quanto tempo não víamos uma mocinha que não fosse uma chata? Eliza foi uma heroína e tanto! E há quanto tempo estamos reféns de vilãs psicopatas malucas, que nem sempre têm motivos fortes para agir? Carolina fugiu deste arquétipo e movimentou toda a trama sem precisar, necessariamente, ser uma bandidona. E sua redenção foi tão possível que ela mereceu seu final feliz.

Totalmente Demais também foi feliz quando se permitiu aprofundar temas mais pesados, mesmo dentro de uma trama tão leve e solar. A novela falou com propriedade de questões como assédio sexual e homofobia, sempre sem ser excessivamente panfletária, ou desfigurar a obra. Tudo bem encaixado. O texto também teve o trunfo de ser inteligente, cheio de referências clássicas e pop (que passava pela literatura e cinema, e também às redes sociais e “memes”) e bastante envolvente. Uma direção correta de Luiz Henrique Rios e um elenco afinado, com destaque total ao quarteto protagonista, também explicam seu sucesso. Vale destacar também os trabalhos de Vivianne Pasmanter (Lili), sempre ótima; Pablo Sanábio (Max); Juliana Paiva (Cassandra); e, claro, os veteranos Gloria Menezes (Stelinha) e Reginaldo Faria (Maurice), as cerejas do bolo no entrecho da transformação de Eliza.

Há quem tenha achado toda a fase do concurso Garota Totalmente Demais, que movimentou mais da metade da trama, meio repetitiva; ou que a volta da falecida Sofia (Priscila Steinman) tenha destoado além da conta. Mas nada disso tira o brilho de Totalmente Demais, novela que até devolveu ao público o prazer de torcer por um casal romântico. Valeu!

André Santana

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Prestes a estrear "Simples Assim", Angélica também estreava novo programa há 20 anos

Neste sábado, 10, Angélica estreia Simples Assim, seu novo programa na Globo. Trata-se do 14º programa comandado pela loira, que estreou como apresentadora no infantil Nave da Fantasia, na extinta Manchete, em 1987. Curiosamente, o último programa infantil de Angélica está completando 20 anos justamente nesta semana. Bambuluá, que ocupou as manhãs da Globo entre 2000 e 2001, estreou no dia 09 de outubro de 2000.

Bambuluá era um projeto ambicioso da Globo, que queria reformular completamente a sua programação infantil. O projeto, capitaneado por Roberto Talma, teve diversas ideias, formas e formatos, até chegar à atração que estreava naquela semana. O TELE-VISÃO chegou a revelar como a ideia inicial da Globo, que era fazer uma faixa infantil chamada Globinho, se transformou em Bambuluá. Clique AQUI para descobrir.

Já que já falamos sobre como Bambuluá nasceu, agora falaremos sobre como ele estreou e se desenvolveu. O formato da atração era algo bem diferente, já que Bambuluá era composto por vários segmentos. O título do programa dava nome a uma novelinha, que contava a história da cidade dos sonhos, um lugar constantemente ameaçado pelo vilão Senhor Dumal, líder de Magush, a “cidade das sombras”, vizinha à Bambuluá.

Na trama, Angélica vive ela mesma. Ela chega à cidade de Bambuluá para fazer um show na inauguração da Lona Cultural Passarinho, mas descobre que seu destino estava ligado ao lugar. Isso porque ela carregava um medalhão que continha uma lasca do Cristal de Bambuluá, uma pedra mágica que protegia a cidade. Ela estava destinada a ajudar os Cavaleiros do Futuro, um grupo de crianças que ganharam poderes do cristal, e que o protegem do mal. Porém, ela acaba se apaixonando por Bruck (Pedro Vasconcellos), um replicante que é o braço direito do Senhor Dumal.

No decorrer da trama, os mistérios que envolvem Bambuluá vão se desvendando. Descobre-se que Dumal foi uma criação do Mago Tchilin, que também criou Dubem, um ser virtual que ajuda as crianças. Também se descobre que, no passado, Bambuluá e Magush eram um lugar só, o Vale da Luz. Bruck descobre que era um ser de luz, que foi dominado por Dumal, e Angélica passa a trama tentando trazê-lo de volta para o lado do bem. No elenco, a trama tinha nomes como Antonio Pedro (Vovô), Anderson Muller (Serapião), Dill Costa (Augusta), Iris Bustamante (Stela), Cosme dos Santos (Teobaldo) e Juliana Knust (Amanda). 

Em Bambuluá, também ficava a TV Globinho, uma emissora de TV comandada por crianças. Era a TV Globinho que ocupava a maior parte do programa, mostrando quadros que faziam parte da programação da emissora, além de desenhos animados. Havia o Jornal Globinho, no qual os apresentadores Matraca, Xereta, Prego, Jujuba, Minhoca, Escova e Pipoca traziam informações às crianças. A TV Globinho também exibia sátiras de programas da Globo e quadros com bonecos, animações e atores, como Iscavoka-Iscavoka, Irmãos em Ação, Garrafinha, As Aventuras de Zeca e Juca e Turma da Mônica na TV.

Angélica também participava da programação da TV Globinho, em quadros como Caverna Moderna, na qual vivia uma mulher da idade da pedra que comandava um programa feminino; Superstar, um talk show apresentado por uma heroína superpoderosa; e Conexão Bambuluá, no qual lia mensagens que os espectadores mandavam por carta ou e-mail. 

Ou seja, era uma superprodução, que atirava para todos os lados. E que, talvez justamente por conta disso, não garantiu a liderança absoluta para a Globo, embora tenha tido bons resultados ao exibir desenhos como Digimon e Dragon Ball Z. A falta de foco e de unidade era um problema para o programa. Mas, verdade seja dita, apesar de algumas tosqueiras, a trama da novelinha principal era bem escrita e cheia de reviravoltas interessantes. Era um infantil ousado, que tinha grifes no seu time de autores, como as atuais e festejadas novelistas Claudia Souto e Manuela Dias. 

Outro problema era a própria Angélica, que estava claramente insatisfeita ali. A apresentadora tinha pouco espaço no programa, e já não combinava com aquele clima infantil. Ela havia amadurecido, e parecia destoar do público-alvo. Tanto que, na mesma época, ela solicitava à direção da Globo o comando de um programa para jovens. Ela já não se identificava mais com programas infantis. Acabou ganhando o Vídeo Game, quadro do Vídeo Show, que estreou em dezembro de 2001, há poucas semanas do fim de Bambuluá.

Em janeiro de 2002, a TV Globinho deixou de ser um quadro e se tornou um programa independente. Ficou no ar até 2015, quando era exibido apenas aos sábados, e deu espaço ao É de Casa. A TV Globinho foi o último infantil da Globo.

André Santana

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Em crise, SBT dispensa estrelas e segue com reprises

Maisa Silva decidiu não renovar com o SBT. Uma perda para o canal, já que a jovem, apesar de comandar um programa bem chato, era uma das esperanças de renovação da emissora e, mais do que isso, uma estrela que atraía anunciantes. Ou seja, sua saída representa mais uma perda financeira para a emissora de Silvio Santos, que já vem dispensando estrelas, enxugando custos e lotando a grade de reprises.

Nesta semana, a emissora anunciou o desligamento de Leão Lobo, Mamma Bruschetta e Lívia Andrade. Sem uma previsão de um retorno num futuro breve do Fofocalizando, o time do vespertino acabou dispensado, com a promessa de retornarem quando as coisas melhorarem. O mesmo aconteceu com o elenco de Poliana Moça. Sem perspectiva de retomar as gravações da trama, a emissora dispensou os atores, também na esperança de os recontratarem quando a situação melhorar.

Todas estas estrelas se juntam a Rachel Sheherazade e Roberto Cabrini, dois dos poucos expoentes do jornalismo do SBT, e que também não tiveram seus acordos renovados recentemente. Isabella Fiorentino e Arlindo Grund, do Esquadrão da Moda, perdem status de apresentadores contratados e passarão a trabalhar por obra. Além de estrelas, o SBT vem desmanchando equipes de produção, como a do Bom Dia & Cia, Programa Raul Gil e Topa ou Não Topa. Enquanto isso, nomes como o próprio Raul, além de Carlos Alberto de Nóbrega, Christina Rocha e Silvio Santos não gravam há meses, por pertencerem ao grupo de risco da Covid-19.

Segundo a imprensa especializada, mais cortes devem acontecer. Carlinhos Aguiar também foi demitido. O que leva a crer que outros participantes do Jogo dos Pontinhos, como Hellen Ganzarolli, também podem estar na lista das dispensas. Curiosamente, Mara Maravilha foi poupada, mesmo estando sem fazer nada na emissora há um bom tempo. Talvez Silvio Santos tenha algum plano para ela, vai-se saber…

Lembro que o SBT passou por uma crise semelhante em 2003. Na época, a emissora dispensou medalhões, como Marília Gabriela, e acabou com programas, como Curtindo uma Viagem e Disney Cruj, que passaram a ser reprisados. Apenas Hebe, Ratinho, Gugu e Silvio Santos seguiam gravando programas de auditório. Gravações de novelas foram suspensas e a grade foi tomada por filmes, desenhos e séries, oriundos dos belos acordos que o SBT mantinha com Warner, Disney e outros gigantes do entretenimento. E, naquela época, ainda era possível contar com Chaves, que “salvava” qualquer horário.

Hoje, a emissora não tem este pacote de enlatados. Por isso, vem preenchendo a grade com reprises de Casos de Família, Raul Gil, Máquina da Fama, Duelo de Mães, A Praça É Nossa, Silvio Santos… De inéditos, há Domingo Legal, Eliana, The Noite, Ratinho e Bake Off, além de “tampões” a la Silvio Santos, como Triturando e Notícias Impressionantes. É pouco.

A crise afeta todos os canais, mas no SBT a coisa parece estar pior. O que é uma pena. Fica a torcida, então, para que o investimento em esporte traga algum retorno ao canal. Ideias que vem sendo ventiladas, como entregar o jornalismo da casa à CNN, numa parceria inédita de exibição de conteúdo, pode atrair anunciantes, o que também seria importante neste momento. Mais do que nunca, o SBT precisa de uma programação minimamente capaz de atrair o público, e que se pague. É hora de repensar toda a estratégia de programação, e com urgência. 

André Santana

sábado, 3 de outubro de 2020

Um ano depois da estreia, "Se Joga" desaparece sem deixar rastros

 

No último dia de setembro do ano passado, a Globo lançou Se Joga, seu novo programa vespertino de variedades. Cercado de expectativas, o programa comandado por Fernanda Gentil, Fabiana Karla e Érico Brás surgiu com a missão de suceder o Vídeo Show, extinto no início de 2019. No entanto, a atração não foi capaz de garantir a liderança de audiência para a Globo, e se mostrou um dos programas mais equivocados da história da emissora.

A estreia de Se Joga foi caótica. Na tentativa de fazer um programa popular, a Globo colocou no ar um programa poluído, cheio de vinhetas sonoras irritantes e “emojis” que pulavam na tela o tempo todo. O formato, uma tentativa de parecer “moderno”, virou até piada no Isso a Globo Não Mostra, quadro do Fantástico. Além de toda a poluição visual e sonora, os apresentadores surgiram afobados e as atrações não disseram a que vieram.

Em meio a tantos problemas, o principal deles foi a concepção: Se Joga tentou abraçar todo o tipo de entretenimento, sem se focar em nada. Assim, o programa englobava game show, entrevistas chapa-branca, fofocas, quadros de humor, quadros de esoterismo, saúde, moda, aula de inglês... Era uma colcha de retalhos mal costurada, na qual as peças não dialogavam entre si e pareciam uma grande bagunça.

E tudo isso embalado num programa com pouco tempo para tanta informação e que, de quebra, tinha três apresentadores tentando dizer algo. Ou seja, foram vários os erros que fizeram do Se Joga um programa esquizofrênico, incapaz de fazer o público se envolver e se sentar para prestar atenção. Era tudo rápido, barulhento e “jogado”, como se quisesse atirar para todos os lados, sem se preocupar com o público-alvo. Aliás, a impressão que o programa passava era de que não havia público-alvo.

Tantos erros juntos fizeram o Se Joga um fiasco de grandes proporções. O programa não conseguiu elevar os índices de audiência da Globo, foi alvo de todo o tipo de crítica, e nem ao menos conseguiu se moldar no ar. Pelo contrário, as poucas mudanças impressas em seu curto período no ar se mostraram igualmente equivocadas.

A falha do programa respingou em Fernanda Gentil, que era a aposta da Globo no entretenimento no ano passado. Ao anunciar sua saída do jornalismo esportivo, a apresentadora seguia o caminho de outros jornalistas da casa, com a promessa de ser um dos grandes nomes do entretenimento do canal. E condições para isso ela tinha! Simpática, rápida e muito bem-humorada, Fernanda tem uma personalidade interessante no vídeo. Tanto que, com o Se Joga fora do ar, ela passou a cobrir folgas de Fátima Bernardes no Encontro e tem se saído muito bem na missão. Bem melhor que Patrícia Poeta, por exemplo. Porém, a má impressão do Se Joga arranhou a imagem da apresentadora.

Sem saber o que fazer com o desastre do Se Joga, a direção da Globo se aproveitou das mudanças na grade em razão da pandemia para tentar fingir que ele nunca existiu. Inicialmente, Se Joga foi suspenso junto com os outros programas de entretenimento diários da emissora, Mais Você e Encontro. Mais adiante, a emissora foi retomando as produções. Encontro voltou ao ar, Ana Maria Braga passou a apresentar um quadro nele e, nesta segunda, 05, o Mais Você finalmente retornará.

Ou seja, se todos os programas suspensos já voltaram, não haveria motivo para o Se Joga não voltar também, né? No entanto, não há qualquer movimentação neste sentido. A emissora não confirma o fim do vespertino, mas também não sabe dizer quando ele volta. O recado parece claro: o programa não volta, e pronto. Mas, ao invés de admitir isso de uma vez por todas, o canal prefere simplesmente fingir que a atração nunca existiu.

Talvez seja mesmo a melhor solução. Neste meio-tempo, o canal terá a chance de repensar, novamente, sua programação vespertina. E buscar uma nova grade, que não precise de um Se Joga. Enquanto isso, Érico Brás e Fabiana Karla podem voltar à dramaturgia da emissora. E Fernanda, que, como dito acima, tem ido muito bem no Encontro, merecia uma nova oportunidade. Mas Se Joga... vamos todos fingir que foi um delírio coletivo.

André Santana

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Xuxa sai ou não sai da Record?

Em entrevista recente ao jornal O Globo, Xuxa admitiu o que muitos já especulavam: ela não deve renovar seu contrato com a Record. A apresentadora elogiou a casa atual, enalteceu o Dancing Brasil (que considerou, ao lado de Xou da Xuxa, seu programa mais bonito), mas confirmou que o acordo não deve continuar.

Isso deu margem a novos comentários de que ela poderia voltar à Globo. Não se sabe se isso vai acontecer, mas que é evidente que a antiga casa está vivendo um “paz e amor” com a loira, isso é. Sua entrevista no Conversa com Bial, há alguns meses, deu o que falar. Na semana que vem, Xuxa pisará novamente nos Estúdios Globo, já que vai gravar entrevista para o Lady Night.

Curiosamente, a apresentadora também vem sendo acionada por sua casa atual. Xuxa deve gravar participação em A Fazenda em breve, e também comandará um dos especiais de fim de ano da emissora. Ela deve tocar Canta Comigo All Stars, uma versão da competição musical que reunirá vencedores de diversos talent shows já exibidos na TV brasileira. Uma ideia simpática, tendo em vista que Xuxa já declarou ter tido “inveja” de Gugu quando ele assumiu o Canta Comigo. Ela admitiu que gostou do formato. Agora, terá a chance de comandá-lo por uma edição.

Porém, enquanto isso, o Canta Comigo Teen, que parecia perfeito para Xuxa, foi entregue a Rodrigo Faro. A atração será um quadro do Hora do Faro, com estreia marcada para este domingo, 04. O fato de Rodrigo, e não Xuxa, ter sido escolhido para suceder Gugu, foi entendido por muitos como um recado de que a Record já não conta mais com ela. Mas, agora que ela fará o especial, ficou claro que não é bem assim.

Há quem diga que a Record ainda pode tentar um acordo para mantê-la em seu cast. Mas vale lembrar que o contrato de Xuxa com a emissora prevê que uma das partes deve avisar, com três meses de antecedência, se há ou não interesse de renovação. E como faltam exatamente três meses, e Xuxa já disse ao jornal que não renova, então… ela deve estar fora mesmo. Neste caso, o convite para o especial de fim de ano pode ser uma sinalização de que está tudo bem entre as partes. E, quem sabe, preparar o terreno para um contrato por obra, para a próxima edição do Dancing Brasil, caso a loira fique disponível no mercado. Vamos ver.

André Santana

"Opinião no Ar" é o cúmulo da irresponsabilidade


Sem capacidade para fazer uma programação minimamente qualificada e criativa, a RedeTV começa a mostrar sua nova estratégia para chamar a atenção: fazer programas onde se dizem os maiores impropérios e, consequentemente, rendem compartilhamentos e repercussão. É o famoso “falem mal, mas falem de mim” na versão 2.0. 

Opinião no Ar é o exemplo máximo disso. A emissora contratou Luis Ernesto Lacombe, mais novo expoente “tiozão do zap” (alcunha criada por Chico Barney, colunista do UOL, que me pareceu bastante adequada) para fazer um programa travestido de jornalismo, mas que é, na verdade, um espaço para a disseminação do obscurantismo.

Isso porque o programa foi vendido como um programa de debates “plural”. Mas não é. Ele segue a linha negacionista do próprio Lacombe, exercitada no famigerado Aqui na Band, e que conta com outros “ícones do segmento”, como Silvio Navarro. Na estreia, até Sikera Jr. apareceu, o que pareceu bastante adequado para o momento. Numa bancada, eles discutem os mais variados temas, mas sempre sob este viés conservador, no pior sentido da palavra.

Vou repetir o que já disse antes aqui: nada contra conservadorismo. O problema é que Opinião no Ar é mais um programa que apresenta impropérios travestidos de “opinião”. Navarro já disse que não acredita em pesquisas. Um convidado do primeiro programa também ignorou estatísticas. Ou seja, toda a opinião apresentada ali não é baseada em fatos, pelo contrário: eles negam os fatos e arrotam “achismos”. Para se ter uma ideia, a máxima insuportável “o mundo está muito chato” foi proferida várias vezes num debate sobre “politicamente correto”. Lacombe chegou a afirmar que a luta (legítima) pelos direitos das minorias são “contraproducentes porque 'segregam'”. Claramente, opinião de um privilegiado que não faz a menor ideia do que seja sentir o preconceito na pele.

Ah, para fingir pluralidade, colocaram Amanda Klein no meio desta bagunça inconsequente. Um oásis de sensatez, a jornalista rebatou vários destes impropérios, e foi a única a utilizar dados científicos e pesquisas para embasar suas opiniões (que é o básico que se espera de alguém que participa de um debate). No entanto, era a única ali em meio a todo aquele preconceito vomitado de forma vertiginosa. E, claro, foi constantemente interrompida e desacreditada pelos homens da bancada. Aqueles que acham que o preconceito não existe praticando o machismo de maneira clara, mas não são minimamente capazes de perceber isso.

Opinião no Ar não é jornalismo opinativo. É um programa que se propõe a dar voz à desinformação. Triste, lamentável, o fundo do poço. Mas nada de novo para uma emissora que já exibe Alerta Nacional, outro programa com o mesmo viés pouco inteligente. Não almoce assistindo a RedeTV, já que a indigestão é inevitável. 

André Santana

sábado, 26 de setembro de 2020

"A Força do Querer" traz novidades ao estilo de Gloria Perez

 

A dificuldade de produzir novelas neste período de pandemia obrigou a Globo a apostar numa segunda reprise no horário nobre. A escolhida foi A Força do Querer, um grande sucesso de público e crítica em 2017. Na época, a novela chamou a atenção pelo fato de a autora Gloria Perez ter apostado em algumas novidades, buscando se modernizar dentro de seu próprio estilo de “novelão” tão característico.

Na época da estreia, o TELE-VISÃO apontou as “novidades” que a novelista imprimia em sua mais nova história. E ressaltava que A Força do Querer havia estreado muito bem. Confira abaixo a primeira análise do blog à trama, publicada em 08 de abril de 2017:

Estreou bem a nova investida da autora Gloria Perez no horário nobre, A Força do Querer. A trama entrou no ar sem pressa, mas não desinteressante. Teve um primeiro capítulo que fugiu do didatismo chato da apresentação dos personagens, e foi desenrolando sua trama principal aos poucos, revelando a conexão entre as histórias de maneira bastante harmônica. Soma-se a isso o ótimo elenco e uma direção criativa, mas sem pirotecnias desnecessárias, de Rogério Gomes. Tudo isso fez da primeira semana de A Força do Querer um entretenimento saboroso, que traz a veterana novelista apresentando algumas novidades em seu estilo já tão conhecido.

Desta vez, Gloria Perez não centrou toda a sua história numa única heroína, como fez com Morena (Nanda Costa), Maya (Juliana Paes), Sol (Deborah Secco), Jade (Giovanna Antonnelli) e Dara (Tereza Seiblitz), protagonistas de Salve Jorge, Caminho das Índias, América, O Clone e Explode Coração, respectivamente. Ao invés disso, trouxe diferentes tramas entrelaçadas por três personagens centrais, Ritinha (Isis Valverde), Bibi (Juliana Paes) e Jeiza (Paolla Oliveira). E até mesmo para apresentar seu trio central, a autora não teve pressa, já que o primeiro capítulo focou num prólogo envolvendo dois dos mocinhos, Zeca (Marco Pigossi) e Ruy (Fiuk).

A partir deles nasce a relação entre duas grandes famílias, encabeçadas por Eugênio (Dan Stulbach) e Eurico (Humberto Martins), de onde se ramificam as tramas principais e paralelas. Ligado a eles está Caio (Rodrigo Lombardi), que tem uma história de amor com Bibi (Juliana Paes), uma das donas do primeiro capítulo. No final do primeiro episódio surge Ritinha, namorada de Zeca, mas que se envolverá com Ruy. A policial Jeiza surgiu apenas capítulos depois, ao abordar o caminhão de Zeca na estrada.

Além de não centrar sua trama numa única grande heroína, Gloria Perez também imprimiu outra novidade no enredo. Ao contrário de suas últimas novelas, que tinham o elenco tão inchado que vários personagens sumiam e apareciam ao sabor do vento, desta vez, em A Força do Querer, são poucos núcleos e personagens. Toda a trama está bastante concentrada nas duas famílias centrais, e é a partir das personagens que as compõem que a autora propõem os temas que pretende discutir, como o vício em jogo de Silvana (Lilia Cabral), esposa de Eurico, ou a transexualidade de Ivana (Caroline Duarte), filha de Joyce (Maria Fernanda Cândido) e Eugênio.

A terceira novidade no enredo de Gloria Perez é a falta da “ponte aérea” entre o Rio de Janeiro e qualquer outra parte do mundo, como a Turquia, Marrocos, Índia ou Estados Unidos. Desta vez, o núcleo “quase estrangeiro” da história está no estado do Pará, no Brasil mesmo, dando a chance de o público “viajar” com as personagens além do eixo Rio-São Paulo, explorando uma cultura tipicamente nacional, mas não tão conhecida aqui pelos lados do Sudeste. Assim, A Força do Querer tem o ritmo e o colorido do Carimbó, do artesanato de inspiração indígena e das lendas da região amazônica, como a do Boto. A locação proporciona um espetáculo visual que dá à A Força do Querer um charme especial.

E mesmo trazendo algumas novidades, Gloria Perez continua ainda sendo Gloria Perez e carrega muito do seu DNA. Assim, A Força do Querer não esconde que pretende ser um novelão, com muitas reviravoltas e amores impossíveis. Ou seja, é um folhetim rasgado, do qual a autora é especialista. Além disso, pode-se observar alguns enredos que remetem a outras de suas histórias, como a relação entre Eurico e Eugênio, que parece um remake dos irmãos Cadore de Caminho das Índias (incluindo aí a presença de Humberto Martins nas duas histórias).

À Eugênio caberá se envolver com uma vilã interesseira, neste caso Irene (Débora Falabella), tal e qual Raul Cadore (Alexandre Borges) e a psicopata Yvone (Letícia Sabatella). Yvone, aliás, que também lembra muito a Alicinha (Cristiana Oliveira), de O Clone. Já Eurico e Silvana também remetem a Glauco (Edson Celulari) e Haydée (Christiane Torloni), de América. Duas mulheres elegantes que sofrem em segredo diante de uma dificuldade: Haydée era cleptomaníaca, enquanto Silvana, como já foi dito, é viciada em jogo.

Ou seja, Gloria Perez retornou ao horário nobre inspirada, e A Força do Querer, ao menos nesta primeira semana, parece oferecer bastante vigor à faixa. Há bons personagens, situações interessantes e belos cenários prontos para fazer o horário das nove da Globo retornar às boas diante do público. As expectativas são as melhores.

André Santana

Silvia Abravanel perde "Bom Dia & Cia"

Nesta sexta-feira, 25, o Notícias da TV informou algo que já era esperado: Silvia Abravanel está fora do Bom Dia & Cia definitivamente. Fora do ar desde o início da pandemia, a filha de Silvio Santos não voltará mais ao comando dos jogos por telefone que servem como “elo” entre um desenho e outro no infantil do SBT. O programa seguirá como está, ou seja, uma faixa de exibição de desenhos animados, sem a intervenção de um apresentador.

Sim, era algo esperado. Isso porque o SBT já havia cogitado, em várias ocasiões, transformar seu mais tradicional infantil num mero apanhado de desenhos. No entanto, a emissora sempre acabava desistindo da ideia, pelos mais variados motivos. Mas agora, neste momento em que o canal vem fazendo cortes para tentar amenizar os prejuízos, não houve como “salvar” a produção.

Jackeline Petkovic, segunda apresentadora da história do Bom Dia & Cia, já deu várias entrevistas afirmando que o SBT, por mais de uma vez, ameaçou transformar a atração numa faixa de desenhos. A loira afirmou que foram várias as ocasiões em que recebia um telefonema da direção a avisando que o programa tinha acabado. E, depois, outro telefonema a convocando a voltar às gravações.

Isso acontecia porque, desde aquela época, a direção do SBT sabia que a força da atração estava nos desenhos. As aparições de Jackeline serviam para criar uma identidade junto ao público, e até oferecer algo a mais ao espectador. Mas, na prática, os resultados efetivos de audiência sempre foram dos desenhos. Por isso mesmo, sempre tinha alguém no SBT fazendo as contas dos custos de produção e apontando que não havia necessidade de um apresentador. Por que gastar com uma produção, se o que chama a atenção do público são os desenhos?

A resposta vinha do departamento comercial. Por mais que os desenhos ditassem a audiência do programa, era mais fácil viabilizar a comercialização de um programa se houvesse uma produção capaz de “unificar” e dar personalidade à atração. A figura da âncora, no caso Jackeline, ajudava o programa a se vender. E, naquela época, havia ainda a opção de merchandising, no qual a própria Jackeline falava sobre um produto. Ou seja, o Bom Dia & Cia precisava de uma apresentadora porque ela aumentava o poder de faturamento da atração.

Em 2003, o SBT mergulhou numa crise financeira. Mais uma vez, cogitaram tirar Jackeline. Não tiraram, mas o Bom Dia & Cia foi reduzido ao mínimo. Diminuíram o cenário, os bonecos, o roteiro, o elenco... Era apenas Jacky chamando desenhos. Até que resolveram cortar ainda mais: trocaram Jackeline, que tinha um salário mais alto, por Jéssica e Kauê, que ganhavam bem menos.

De lá para cá, o SBT manteve o Bom Dia & Cia operando ao mínimo do mínimo, sempre apostando em apresentadores-mirins. Apenas a partir de 2007, já com Yudi e Priscila, o programa voltou a ganhar investimentos, quando passou a ser exibido ao vivo e apostando em jogos por telefone. Mesmo assim, anos depois, a restrição à publicidade infantil voltou a inviabilizar a produção. Silvia Abravanel assumiu o comando do programa em 2015, mas já não havia muita justificativa para ela estar ali. Tanto que, quando o Mundo Disney estreou e o Bom Dia foi reduzido, Silvia se despediu do público avisando que o infantil não teria mais apresentadores. Mas ela ficou apenas um dia fora do ar. Acabou voltando sem maiores explicações. 

Desde então, sempre que Silvia tirava férias ou se afastava, o Bom Dia & Cia já era exibido apenas com desenhos. E já demonstrava que um âncora não fazia falta. A pandemia foi a última prova necessária. Bom Dia & Cia está sem apresentador há seis meses, e nada mudou.

Por isso mesmo, a despedida definitiva de Silvia Abravanel já era esperada. Com a necessidade de reduzir custos, e sem qualquer motivo que justificasse a presença de um apresentador à frente do Bom Dia & Cia, a eliminação da produção era algo inevitável. Claro, é uma pena que o programa que revelou Eliana tenha um destino tão melancólico. Mas, neste período de crise, a solução parece óbvia. Na verdade, até que demorou para isso acontecer.

André Santana

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Band encontra a melhor solução para Edu Guedes e Mariana Godoy

A Band fez um bololô danado com a contratação de Mariana Godoy. A jornalista foi contratada para assumir um matinal que substituiria o Aqui na Band, tornou-se a apresentadora da primeira grande aposta de Zeca Camargo como diretor criativo do canal e enfrentou um sem-número de pilotos. Até live ela participou com Zeca, anunciando as novidades. Enquanto isso, o matinal foi sendo adiado indefinidamente.

Até que o Notícias da TV revelou a insegurança da direção da Band com relação à nova atração. Não se sabe exatamente o que aconteceu, mas não é difícil deduzir que a ideia inicial era de um programa com um conteúdo diverso, e até com um verniz um tanto mais bem acabado. Ou seja, era um programa caro! E, sabe-se, faz 20 anos que a Band busca um matinal que garanta audiência e faturamento, e vem falhando miseravelmente na missão.

Mais uma vez, a Band daria um passo maior que a perna, como já deu várias outras vezes. Fazer uma nova aposta cara e sem maiores garantias, ainda mais neste momento de pandemia e instabilidade econômica, não era uma atitude lá muito responsável. Mariana é ótima, Zeca é um cara criativo, e o novo matinal poderia ser, sim, um bom programa. Mas a Band tem um teto de audiência pelas manhãs que dificilmente seria ultrapassado. Por que, então, insistir em ter um matinal badalado, se a audiência matinal, de maneira geral, é bem baixa?

Aí apareceu a oportunidade de contratar Edu Guedes, que deixou a RedeTV e já chegou à Band com um programa pronto, produzido por ele mesmo, e com anunciantes garantidos. The Chef estreou na última segunda-feira, 21, e mostrou a que veio. É simples, comandado por um chef que tem alta aceitação junto às donas de casa, e que ainda resgata a tradição em programa de culinária matinal na Band. Não seria exagero dizer que as manhãs da Band são instáveis desde o fim da Cozinha Maravilhosa da Ofélia. Daniel Bork tentou sucedê-la e passou uns bons anos ali, mas vamos combinar que a coisa nunca decolou. Agora é a hora de Edu, e os resultados desta primeira semana são animadores.

Enquanto isso, Mariana Godoy foi realocada para a noite. A jornalista vinha muito bem em seu Mariana Godoy Entrevista nas noites de sexta da RedeTV. Deste modo, ela merecia seguir neste filão, na qual se encaixou bem. Seu Melhor Agora, que ocupa as noites de segunda-feira da Band, é uma versão mais “entretenimento” de seu talk show. Não trouxe nada de novo, é verdade, mas traz um diferencial à linha de shows da emissora.

Em suma: Edu Guedes pela manhã, e Mariana Godoy à noite, foi a melhor decisão que a direção da Band poderia tomar. Trouxe novidades à programação, mas correu menos riscos. 

André Santana

sábado, 19 de setembro de 2020

TV brasileira chega aos 70 anos celebrando o passado e se preparando para o futuro

 

Neste dia 18 de setembro de 2020, a televisão brasileira completa 70 anos. Foi neste dia, no ano de 1950, que a TV Tupi de São Paulo fez a sua primeira transmissão. Daquela cerimônia em que Lolita Rodrigues cantou o (horrível) Hino da TV até os dias de hoje, muita coisa mudou. O que não mudou foi a capacidade de encantar, entreter e informar o público, missão que a TV ainda cumpre e há de cumprir por muito tempo ainda.

Nesta semana, várias ações marcaram as comemorações. Record e Band exibiram séries de reportagens em seus telejornais. A Cultura vem fazendo entrevistas especiais no Roda Viva desde o início do mês, e exibiu na quinta, 17, a primeira parte do documentário Os Campeões de Audiência. A Globo tem feito entrevistas temáticas no Conversa com Bial e exibiu ontem, 18, a primeira parte de um Globo Repórter sobre a história da TV.

São boas maneiras de não deixar esta efeméride passar em branco. Afinal, os 70 anos da televisão brasileira estão sendo comemorados em plena pandemia, num momento em que emissoras precisaram se reinventar para continuar produzindo. Desde o início, o avanço constante da tecnologia provocou as grandes revoluções da TV: o videotape, a TV em cores, a alta definição, a TV digital, o streaming. Pois é esta mesma tecnologia que vem mantendo a TV ativa, buscando driblar com criatividade todos os impedimentos da pandemia.

E a principal realidade desta revolução tecnológica é a vitória do simples, por mais antagônico que isso possa parecer. Afinal, é a tecnologia que permite que pequenos equipamentos, como câmeras portáteis e celulares, sejam fundamentais para a produção remota, que se tornou uma das grandes realidades da televisão em tempos de pandemia. Sem toda essa tecnologia, como Pedro Bial, Cátia Fonseca ou Serginho Groisman conseguiriam fazer seus programas de suas respectivas casas?

Ao mesmo tempo, o formato foi simplificado para caber nesta realidade. Bial continua impecável no comando de suas entrevistas, mas desta vez sem cenário suntuoso, sem plateia presencial e sem uma banda para lhe dar suporte. Aumenta-se a tecnologia, diminue-se a parafernália. E a coisa funciona. Os programas continuam existindo, produzindo e mantendo sua relevância.

Esta vitória do simples é, também, a vitória do material humano. A produção remota expôs, aos olhos do público, que são as pessoas que estão ali dentro que fazem a mágica acontecer. Reunir duas pessoas que têm o que dizer numa chamada de vídeo é tão magnético quanto assistir a um espetáculo cheio de luzes e cores. TV é gente, afinal!

E onde vamos parar com toda essa tecnologia? O futuro já está sendo desenhado. A TV digital e o streaming já mexeram com o hábito do público. Boa parte já se acostumou a fazer seus próprios horários, sem mais ficar refém de uma grade rígida de uma emissora de TV. A facilidade de acesso a conteúdo de qualidade sem precisar assinar um pacote caro e pouco útil da TV paga também mostra que são muitas as transformações que estão por vir.

Assim como, no passado, a TV não matou o rádio, a tecnologia não deve matar a TV. Mas, sem dúvidas, ela seguirá se transformando. A TV aberta e a TV paga vão, aos poucos, se adequando a esta nova realidade, que ainda está em processo de construção. E o streaming, apesar de parecer forte e imbatível agora, também não deve escapar de uma transformação, tendo em vista que as inúmeras opções que começam a aparecer vão, novamente, mexer com os hábitos do espectador.

Mas, enquanto houver material humano e criatividade, a televisão vai continuar existindo. A transformação é um processo natural e o futuro é feito dia a dia. Assim, seguiremos nos encantando com tudo o que a “máquina de fazer doido” ainda há de nos oferecer, seja em qual tela for. E estaremos por aqui, comemorando os 80, 90... e os 100 anos da TV brasileira. Duvida?

André Santana

Além da trama frouxa, "Fina Estampa" envelheceu mal

 

Já falamos aqui neste período, e também em 2012, que Fina Estampa tem uma trama central bastante problemática. A rivalidade entre Griselda (Lília Cabral) e Tereza Cristina (Christiane Torloni) começa interessante, já que Pereirão é uma ótima personagem, e a megera é uma vilã bem divertida.

No entanto, a trama degringola depois que Griselda ganha na loteria. A personagem perde originalidade, já que o “jeito Pereirão de ser” vai sendo diluído ao longo dos capítulos, e perde o protagonismo, já que Tereza Cristina passa mais tempo tentando proteger um segredo furado do que agindo contra a rival. Com isso, a trama central perde foco e se torna um “gato e rato” despropositado e pouco criativo.

Mas a falta de trama não é o único problema de Fina Estampa. A “edição especial” promovida pela Globo, que terminou ontem, 18, também mostrou que a novela envelheceu muito mal. Há uma despretensão natural de não se levar a sério, e isso fica bem claro. A proposta da novela é mesmo o non sense, bem entendido. Porém, mesmo o non sense precisa de um mínimo de responsabilidade. O que não se viu nesta novela.

O canal Coisas de TV, do YouTube, comandado por Fabio Garcia e Larissa Martins, publicou um vídeo bastante interessante esta semana, e eu preciso fazer coro a eles. Fina Estampa, mesmo em meio à sua despretensão, tentou tocar em assuntos sérios, e falhou miseravelmente em vários deles. Pior: os tratou de uma maneira tão irresponsável que acabou promovendo um desserviço. Veja o vídeo clicando AQUI (veja mesmo, é bem legal!).

A violência contra a mulher, por exemplo. Baltazar (Alexandre Nero) era um marido violento, que bateu em Celeste (Dira Paes) várias vezes. Mas, ao formar uma dupla cômica de gosto duvidoso com Crô (Marcelo Serrado), o personagem caiu nas graças da audiência. E acabou perdoado. Tanto que, na reta final, ele volta a bater em Celeste. Ela revida e o expulsa de casa. Ele entra em choque, toma uma chuva na cabeça e é consolado por Crô. O mordomo, então, pede a Celeste que o aceite de volta. E ela aceita, com a condição de que ele terá que reconquistá-la. Como tratar um tema tão sério como a violência contra a mulher desse jeito?

Outro tema apontado pelo Coisas de TV foi o racismo do personagem Albertinho (André Garolli). Ele passou boa parte da trama tratando Dagmar (Cris Vianna) muito mal. Capítulos depois, ele revelou que sua ex-mulher era negra e o trocou por outro, e é esse o motivo de ele tratá-la mal. Ou seja, a novela “justificou” porcamente uma atitude que não é somente condenável do ponto de vista ético, mas é também um crime. Racismo não tem justificativa.

A trama do professor Alexandre (Rodrigo Hilbert) também é um horror. O rapaz é um assediador de alunas. E os alunos da faculdade onde Antenor (Caio Castro) estuda tratam de preparar uma armadilha para pegá-lo em flagrante. E conseguem um vídeo que confirma que Alex assedia suas alunas. Mas não o denunciam. Simplesmente pedem para que ele não faça mais isso, ou mostrariam o vídeo à reitoria. Bizarro!

Isso sem falar no caso de Fabrícia (Luciana Paes), uma mulher trans que trabalha como “marida de aluguel”. Assim que descobre que a jovem é trans, Quinzé (Malvino Salvador) trata de expô-la diante de toda a empresa de Griselda. Claro que, em 2011, o debate sobre transexualidade ainda não ocupava tanto espaço quanto hoje. Mesmo assim, tratar o tema em tom de piada já não era aceitável naquela época. Hoje em dia, então, é algo condenável.

Por essas e outras, Fina Estampa figura como uma das novelas mais controversas da carreira de Aguinaldo Silva. O autor, que costumava usar de um humor ácido e muita crítica política e social em suas principais obras, desta vez nivelou por baixo. Há um claro apelo popular ali, o que justifica o seu sucesso. Mas o tom rasteiro com que levou toda a novela a coloca como um folhetim bastante equivocado.

André Santana

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Num ano sem novidades, futebol agita o SBT


Quando o ano do SBT parecia completamente perdido, eis que interesse pelo esporte ressurge no canal de Silvio Santos. A estreia da emissora na transmissão da Libertadores ontem, 16, a livrou do marasmo total e absoluto que a assolava, e que foi agravado com a pandemia.

Com programas reprisados, estrelas em quarentena e as ligações estapafúrdias de Silvio Santos, com ordens mais estapafúrdias ainda (que, aliás, o Notícias da TV informou hoje que são influência de Richard Vaun… interditem esse homem!), o SBT acabou caindo num buraco negro que parecia sem fundo.

Mas a emissora entrou nas negociações pela Copa Libertadores, depois que a Globo recuou na tentativa de baixar o preço dos direitos. E acabou levando! Isso deu uma injeção de ânimo no canal que o fez muito bem. O SBT se mexeu para montar uma equipe esportiva, realizou contratações e até já planeja aumentar o espaço do esporte na grade.

Segundo vários veículos, o canal tem cogitado comprar outros torneios de futebol, e até mesmo outras modalidades esportivas. A Fórmula 1, que vai deixar a programação da Globo no ano que vem, até já estaria nos planos. Além disso, há a ideia de lançar um novo programa esportivo, que seria apresentado aos sábados, depois do Programa Raul Gil.

A audiência da estreia da Libertadores deixou o SBT em terceiro, é verdade, mas houve um aumento do público no horário, o que é um bom sinal. E o esporte sempre atrai bons anunciantes. Ou seja, a emissora tem feito um investimento que parece inteligente neste momento. E, mais do que isso, a manobra a colocou de volta aos holofotes. Voltamos a falar do SBT, e não é para repercutir mais uma loucura de Silvio Santos (ou do Richard Vaun...). Que bom!

André Santana

domingo, 13 de setembro de 2020

"Amor e Sorte" faz simpática estreia

Mais um “produto de quarentena”, a estreia de Amor e Sorte na Globo passou longe de qualquer cara de produção caseira. Com todo o talento da família de Fernanda Montenegro em ação, atuando em todas as frentes da produção, a série mostrou uma excelência que em nada deve às produções “tradicionais”.

Mas o trunfo do episódio de estreia foi a reunião em cena de Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. As duas atrizes, dotadas de um carisma absurdo e despidas de qualquer vaidade, entregaram uma relação honesta e terna, que foi a força do episódio.

O roteiro simples, mas bem resolvido, ajudou a extrair o melhor das atrizes. A trama da mãe libertária Gilda e da filha workaholic Lúcia explorou a difícil relação familiar e o conflito geracional tão reconhecíveis pela maioria das famílias. É um enredo que encanta pela sua simplicidade e pela capacidade de provocar reflexão.

De quebra, Amor e Sorte injetou uma ponta de esperança na audiência. Não apenas por ter adiantado a vacina da covid, mas também por propor a possibilidade de conviver com as diferenças. Gilda e Lúcia representam uma polarização que emula bem o atual contexto social brasileiro. Com dificuldade, elas conseguiram se entender. Recado dado!

O primeiro episódio de Amor e Sorte deixou a melhor das impressões. É interessante notar como vão sendo descobertos caminhos para que a produção audiovisual se mantenha ativa, mesmo num momento em que isso parecia impossível.

Os demais episódios de Amor e Sorte contarão com casais quarentenados em casa, e sem toda uma família profissional da área por trás. Mesmo assim, a qualidade do roteiro de Jorge Furtado e o conhecido talento dos profissionais envolvidos são bons indicativos sobre o que está por vir.

André Santana

Globo confirma a estreia do novo programa de Angélica

Nesta semana, a Globo confirmou oficialmente a estreia do novo programa de Angélica. Simples Assim será exibido nas tardes de sábado da emissora a partir do dia 10 de outubro, antes do Caldeirão do Huck. A primeira temporada da atração terá 12 episódios, com exibição garantida até o final do ano.

Segundo a comunicação da Globo, no Simples Assim, “que tem direção-geral de Geninho Simonetti, Angélica convida o público a refletir sobre temas universais, dividindo e contando boas histórias de pessoas anônimas e famosas, sempre através de um olhar empático, bem-humorado e sem julgamentos. É nesse ambiente, tratando de questionamentos mais atuais do que nunca em tempos de distanciamento social, que a apresentadora vai reencontrar seu público, e fazer das tardes de sábado, na TV Globo, um momento de conexão”.

“A cada episódio, um tema – felicidade, fé, trabalho, família, solidariedade, diversidade, autocuidado e amor são alguns dos assuntos que irão permear a temporada. E para cada tema, diferentes percepções e maneiras de contar essas histórias, que virão dos personagens, através de esquetes de humor, ou das dinâmicas com convidados que Angélica vai receber no palco do programa”, explicou o comunicado da emissora.

Como já dito por aqui anteriormente, trata-se de algo bem diferente de tudo o que Angélica já fez na TV. Antes identificada com programas de puro entretenimento, como games e musicais, a apresentadora agora se aventura num programa temático, onde terá a chance de falar de assuntos relevantes. É uma ideia alinhada ao que a apresentadora já vem fazendo em suas redes sociais, e também no GNT, onde apresentou o especial Cartas Para Eva em maio.

Depois de tantos adiamentos, agora é a hora de a estrela voltar ao ar num programa para chamar de seu. Só resta saber se a ideia vai funcionar. Afinal, trata-se de um programa bem pretensioso, que propõe conversas mais, digamos, “sérias”. Esse papo “cabeça” combina com as tardes de sábado da TV aberta? Descobriremos quando Simples Assim estrear.

André Santana

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Afinal, "Mais Você" volta ou não volta?


Nesta semana, Ana Maria Braga anunciou a volta do Mais Você. A apresentadora avisou que seu programa volta ao ar no dia 05 de outubro, a partir das 11h30. E que, inicialmente, será apresentado da própria casa da apresentadora. Enquanto isso, os estúdios da Globo em São Paulo seriam preparados para acomodar novamente a atração.

No entanto, a Globo não confirmou a informação. E, logo em seguida, o anúncio de Ana Maria, que foi feito no site da apresentadora, saiu do ar. Hoje, 10, o Notícias da TV informou que as decisões sobre o futuro do Mais Você ainda não foram tomadas, e que Ana se precipitou ao anunciar o retorno. O jornalista Daniel Castro afirmou que nem ao menos a mudança para São Paulo está totalmente sacramentada.

Ou seja, voltamos à estaca zero. E se trata de uma situação bastante ridícula. Afinal, na prática, o Mais Você já voltou ao ar faz tempo. O quadro Receitas Especiais da Ana Maria dentro do Encontro deixou de ser um segmento com dez minutos de reprises para se tornar algo maior e mais variado. Além de exibir receitas antigas, Ana também apresenta reportagens de comportamento, conversa com Louro José e deixa suas tradicionais mensagens. O quadro até ganhou um quadro (?) novo, com Ana ensinando novas receitas em alusão a novelas e conversando com atores.

Este espaço de meia hora de Ana Maria Braga ocupa a parte final do Encontro com Fátima Bernardes. Fátima chama Ana, as duas interagem nos dias em que o quadro é apresentado ao vivo, mas logo Ana assume de vez e toma conta do programa. Fátima reaparece apenas no final, se despedindo e encerrando o Encontro.

Em suma, a parte final do Encontro já não é o Encontro. É o programa da Ana Maria, numa versão “compacta”. Sendo assim, não custava nada a Globo encerrar o Encontro às 11h30, entregando à Ana Maria, que voltaria a usar o título Mais Você. E pronto, Ana teria seu programa de volta, numa versão menor e feita da casa dela. O quadro de Ana já é um programa. Basta a Globo resolver trazer o título Mais Você de volta. É tão difícil assim?

André Santana

sábado, 5 de setembro de 2020

"Flor do Caribe" volta ao ar com a mesma missão de sua primeira exibição

Em março de 2013, a Globo encerrava uma de suas mais belas novelas das seis já exibidas, Lado a Lado. Mas a trama histórica registrou uma das mais baixas audiências do horário. Com isso, para substituí-la, a emissora optou pelo sentido oposto, trocando o excesso de roupas e o tom solene por uma trama praiana, contemporânea, com belas paisagens e atores com pouca roupa: Flor do Caribe.

Em 2020, com a necessidade de suspender suas novelas, a Globo sacou de seus arquivos Novo Mundo, trama que fez sucesso em 2017, mas cuja reprise não repetiu o bom desempenho. Assim, para “refrescar” a faixa, novamente a aposta foi em Flor do Caribe, e pelos mesmos motivos: depois de uma trama histórica e soturna, entra em cena um romance açucarado, cheio de sol e belos atores com pouca roupa.

Com Flor do Caribe, o autor Walther Negrão voltava ao horário das seis e à temática tropical que conhece tão bem. O objetivo era claro: resgatar o sucesso de Tropicaliente, trama assinada por ele que fez um bom barulho, principalmente no mercado internacional. Feita para vender, Flor do Caribe abusa das belas imagens naturais proporcionadas por seu cenário deslumbrante.

Dirigida por Jayme Monjardim, reconhecido por sua assinatura que valoriza a fotografia, Flor do Caribe ganha ainda mais cor e viço. Paisagens grandiosas somadas a um elenco que parece saído de um catálogo de modelos, todos donos de belos corpos prontamente explorados pelo figurino mínimo. A contemplação que acompanha as paisagens de Monjardim desde Pantanal surge com força e, não raro, causa certa sonolência.

Com tanto deslumbre, o enredo mais parece uma desculpa para se explorar ao máximo toda essa beleza. Flor do Caribe tem uma das espinhas dorsais mais básicas da teledramaturgia: uma mocinha disputada pelo mocinho e pelo vilão. Ester (Grazi Massafera) e Cassiano (Henri Castelli) vivem um amor adocicado. Na outra ponta do triângulo, o malvado Alberto (Igor Rickli) se faz de amigo do mocinho, mas arma para roubar-lhe a namorada. Tudo é muito bem definido: Ester e Cassiano são exemplos de seres humanos, dotados de qualidades, enquanto Alberto é do mal, e não há dúvidas disso.

A primeira semana da novela lembra bastante o mote inicial de Vila Madalena, novela das sete escrita pelo mesmo Walther Negrão no final dos anos 1990. Nesta história, o vilão Arthur (Herson Capri) era apaixonado pela mocinha Eugênia (Maitê Proença) e armou para que o mocinho Solano (Edson Celulari) fosse preso injustamente. Solano passa sete anos na prisão e, quando sai, encontra Eugênia casada com o algoz. Em Flor do Caribe, Alberto armou algo parecido, e já se sabe que, daqui sete anos, Ester estará casada com Alberto enquanto Cassiano tentará retomar sua vida.

O elenco traz uma Grazi Massafera em processo de amadurecimento. Como Ester, a atriz começava a mostrar uma evolução considerável, que se consagraria em definitivo em seu trabalho seguinte, Verdades Secretas. Enquanto isso, a grande aposta era Igor Rickli, que estreava na TV já como o vilão da história. Rickli se mostra inseguro neste início, mas segura bem no decorrer da obra. Porém, não o suficiente para colocá-lo na lista de galãs da emissora, já que, depois, ele emplacou apenas uma participação em Alto Astral, seguindo para a Record em seguida.

Os grandes destaques do elenco de Flor do Caribe neste início foram mesmo os veteranos. Juca de Oliveira emocionou vivendo Samuel, combatente na Segunda Guerra Mundial e atormentado pelas lembranças do passado. E Sergio Mamberti finalmente surge com um grande personagem numa novela global e dá show como Dionísio, milionário bandido e mau-caráter. Os dois personagens são opostos dentro de uma trama que aborda o nazismo, que pode ganhar novo contexto nesta reexibição, dado nosso atual cenário político.

No mais, Flor do Caribe traz de volta ao horário das seis a velha receitinha de uma porção de água com muita, muita glicose. Um enredo que sempre agradou ao público do horário das seis. Em sua exibição original, a trama foi bem-aceita pelo público, registrando índices de audiência satisfatórios. Na reprise, deve conseguir segurar a atenção do público, além de servir como boa sala de espera à Nos Tempos do Imperador.

André Santana

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Band pode trocar Mariana Godoy por desenhos, diz site


A estreia de Mariana Godoy nas manhãs da Band virou um grande mistério. A atração, que já teve chamadas no ar e datas de estreias anunciadas e “desanunciadas”, agora corre o risco de nem ir ao ar. Ao menos é a informação que o site Notícias da TV traz nesta sexta-feira, 04, o que seria uma reviravolta e tanto ao aguardado projeto da jornalista, criado com Zeca Camargo.

Segundo a matéria do Notícias da TV, há uma ala na cúpula da Band que defende o engavetamento da nova atração. Esta ala considera que a manhã tem uma audiência baixa demais para tentar emplacar um programa relativamente caro e que, provavelmente, terá dificuldades em se pagar. Os baixos desempenhos de Superpoderosas e Aqui na Band, as últimas apostas do horário, são usados como exemplo.

Assim, a ideia seria que, ao invés de apostar num grande programa matinal, a faixa seja dividida entre um novo programa com Edu Guedes e desenhos animados. Edu, que está com os dois pés na emissora, comanda um programa de culinária, ou seja, tem um custo de produção baixo. E, de quebra, o cozinheiro atrai anunciantes, ou seja, a emissora operaria no azul. Enquanto isso, desenhos têm uma boa relação custo-benefício: não faturam, mas também não dão prejuízo. E podem dar audiência.

Realmente, numa análise fria dos fatos, estas ideias fazem sentido. Afinal, Aqui na Band e Superpoderosas são exemplos mais recentes, mas é fato que TODOS os matinais que a emissora lançou nos últimos 20 anos (no mínimo) não aconteceram. O canal já lançou trocentas versões do Dia Dia (que foram apresentadas por Olga Bongiovanni, Vivianne Romanelli, Lorena Calábria, Patrícia Maldonado, Silvia Poppovic e Daniel Bork), e nenhuma delas funcionou. Superpoderosas e Aqui na Band, a gente já sabe o que aconteceu.

O maior problema deste “plano B” da Band é o desenho da grade. Isso porque os jornais matinais têm resultados minimamente satisfatórios. Encaixar desenhos entre os noticiáios e Edu Guedes, fatalmente, ocasionará numa “quebra” de público. Sempre defendi desenhos na Band, já que eles costumam dar boa audiência e trazer um público carente de programas infantis matinais. Mas é preciso pensar no todo. 

Se a faixa de desenhos for exibida entre jornais e Edu Guedes, haverá quebra. Caso Edu fique colado nos jornais e entregar para os desenhos, o prejuízo de audiência pode ser menor, já que o Jogo Aberto tem público cativo, que não seria afetado pela entrega dos desenhos. Mas será que compensa esconder Edu no início das manhãs? Enfim, são questões que a Band terá que responder.

Enquanto isso, se Mariana Godoy realmente perder o matinal que nem ao menos estreou, seria a chance para entregar a ela uma nova versão do Mariana Godoy Entrevista. Acho uma boa saída.

André Santana