sábado, 22 de fevereiro de 2020

Com "Alerta Nacional", RedeTV dá vários passos para trás

"Já fumou sua maconha hoje?"

Alerta Nacional é, até aqui, a grande aposta da RedeTV para 2020. No ar há quase um mês, o “jornal” policial só teve um único mérito até aqui: mostrar para todo o Brasil a grande inspiração de Jorge Bevilacqua (Welder Rodrigues), o afetado (e divertido) apresentador do Jardim Urgente, quadro do Tá no Ar, da Globo. Sikera Jr. e o personagem se confundem, tamanha a semelhança. É de um jeito atabalhoado e falastrão que o apresentador comanda um jornal policial, resultando numa estranha mistura entre violência e humor.

Alerta Nacional é a versão para todo o país do Alerta Amazonas, atração que Sikera comanda, com sucesso, em Manaus (AM). É um tipo de formato que encontra muita força em emissoras regionais, já que leva para a tela situações e personagens próximos de quem os assiste. No entanto, parece um formato ultrapassado em um programa de proporções nacionais. Um apresentador que exibe matérias policiais e profere discursos demagogos não rende mais atenção como um dia já rendeu.

Alerta Nacional bebe da fonte do Cadeia, de Alborghetti, uma referência no segmento. Depois dele, foi Ratinho quem deu continuidade ao formato, no lendário 190 Urgente. José Luiz Datena é outro “herdeiro” do ramo, imprimindo este estilo ao Cidade Alerta, da Record e, posteriormente, ao Brasil Urgente, da Band. A própria RedeTV já teve um similar, Repórter Cidadão, que foi apresentado pelo próprio Datena, além de Marcelo Rezende.

Porém, Sikera Jr. representa o que há de pior neste formato. É como se a RedeTV desse vários passos para trás, ao trazer de volta um estilo narrativo que parecia morto e enterrado, ao menos em emissoras de rede nacional. Sikera trata as notícias policiais com um humor que não cabe, repetindo velhas máximas conservadoras que amplificam comentários preconceituosos. Ou seja, ao mesmo tempo em que o apresentador defende a polícia cegamente, defende que “bandido bom é bandido morto” e julga e condena qualquer pessoa baseado apenas no que vê nas matérias, ele também faz piadinhas de cunho sexista, machista e homofóbico. Isso sem falar na insistência em falar que tudo é “maconha”, num discurso que evidencia a sua total ignorância. Porém, trata-se de um discurso que parece bastante alinhado ao atual governo, o que explica o seu espaço nacionalmente pela RedeTV.

Porém, a história mostra que se trata de um formato de vida curta. Os programas remanescentes do segmento, Cidade Alerta e Brasil Urgente, tiveram que se adaptar para sobreviverem. Hoje, o Cidade Alerta se mantém graças aos casos policiais que acompanha, que transformaram o programa numa “novelinha” (e que também rende momentos controversos, como no caso exibido nesta semana, no qual uma mãe soube da morte de sua filha no ar, ao vivo. Lamentável...). Já o Brasil Urgente se pauta na prestação de serviço, com assuntos que interessam aos moradores de São Paulo e garantem a audiência da capital paulista.

Neste contexto, Alerta Nacional tenta resgatar o “espírito” de Alborghetti e companhia. Porém, Sikera Jr não tem um décimo do carisma do pioneiro e seus seguidores mais famosos. Ele só chama alguma atenção justamente pelos seus gracejos no estilo “tiozão do pavê”, com micagens feitas para repercutir nas redes sociais. Algo que pode até funcionar inicialmente, afinal, não deixa de ser uma novidade inusitada. Porém, a tendência é que o estilo vá perdendo força. No momento, Alerta Nacional aumentou a audiência em seu horário de exibição, o que era até previsível, afinal, ele sucedeu o inexpressivo Tricotando. Mas não deve ir muito além disso. Basta lembrar do Denúncia Urgente, do “Eddie Zap”, que começou bem, mas logo perdeu fôlego. Alerta Nacional tem um formato com data de validade. Felizmente.

André Santana

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Um dos principais programas da RedeTV, "A Tarde É Sua" vive crise, diz site

"É roda da fofoca ou roleta russa?"

A Tarde É Sua sempre foi um programa de destaque da RedeTV. O programa de Sonia Abrão está no ar há 14 anos, sempre registrando bons índices de audiência para os padrões da emissora. Se considerarmos que a atração é “ensanduichada” por duas faixas vendidas para igrejas, A Tarde É Sua pode ser considerado um fenômeno. Afinal, pegar do traço e fazer o programa se tornar a maior audiência diária da RedeTV é um feito e tanto.

Mas o programa não escapou de uma crise que pode ter sérias consequências. Há alguns dias, os bastidores do programa de fofocas se tornaram a própria fofoca, pautando os sites especializados. Uma reunião falando sobre os atrasos nos pagamentos dos profissionais envolvidos cujo conteúdo foi vazado, seguido por uma briga pública entre dois colaboradores da atração, levaram o A Tarde É Sua ao olho do furacão. Com isso, apesar da estabilidade no Ibope, o programa pode ter seu futuro ameaçado, informou o site Notícias da TV.

Segundo matéria de Daniel Castro, a RedeTV pode estar considerando tirar o programa do ar. Isso porque a atração, feita em sociedade com a produtora Câmera 5, não rende tanto faturamento à emissora. Na matéria, o NTV comparou os rendimentos do A Tarde É Sua com o Tricotando, e afirmou que o programa de Lígia Mendes e Franklin David é muito mais rentável comercialmente. Faz sentido, afinal, o Tricotando sobreviveu às mudanças na grade de programação que o ameaçou de uma extinção. Não dançou porque fatura, embora a audiência não seja lá essas coisas.

Isso posto, Daniel Castro noticiou que a direção da RedeTV considera substituir o A Tarde É Sua pelo Tricotando. Castro também afirmou que Leo Dias poderia criar um novo programa de fofocas para a tarde da emissora. Seria uma reviravolta e tanto, tendo em vista que Leo Dias e Elias Abrão, diretor do A Tarde É Sua, são desafetos declarados. Porém, a Câmera 5 divulgou nota afirmando que tais informações não procedem, e a parceria com a RedeTV continua.

É bem difícil imaginar as tardes da RedeTV sem Sonia Abrão, que está estável ali há tantos anos. Por outro lado, sempre pareceu estranho Sonia não ter mais despertado o interesse de outras emissoras, dado o seu potencial de audiência (se na RedeTV, em meio a igrejas, o programa pontua bem, imagina num canal de maior teto de público?). Seria essa a deixa para Sonia trocar de canal? Vale lembrar que seu Sonia e Você, que a jornalista comandou na Record entre 2004 e 2006, pontuava bem. Ela voltaria para lá? Ou iria para outro canal? Ou deixaria os programas diários, se aposentando depois de 20 anos ininterruptos de vespertinos? Aguardemos os próximos capítulos.

André Santana

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Silvia Abravanel perde a linha e estraga "Bom Dia & Cia"

Como disse o amigo Fabio Garcia:
"até o boneco ficou constrangido!"
Muito se falou sobre o comportamento de Silvia Abravanel na manhã de ontem, 19. A apresentadora usou seu espaço no Bom Dia & Cia para responder a um site de fofocas, que a acusou de ter faltado ao trabalho sem avisar sua equipe na última segunda, 17. Para responder, ela reuniu alguns funcionários da produção da atração e os perguntou se ela havia ou não avisado de sua ausência. Foi um momento bastante constrangedor.

Muitos sites falara sobre o assunto. As redes sociais, claro, também criticaram Silvia duramente. No ar, ficou parecendo que a apresentadora praticou assédio moral, ao expor e constranger sua equipe. A própria Silvia se defendeu, dizendo que sua equipe é bastante unida, e é normal que eles brinquem uns com os outros. Sob sua ótica, não houve constrangimento. E vida que segue.

Obviamente, assédio moral é algo grave. E a equipe do Bom Dia & Cia, caso se sentisse mesmo coagida, não teria forças para assumir isso, afinal, a apresentadora é a filha do dono do SBT. No entanto, vamos considerar que a justificativa de Silvia tenha algum fundamento. A equipe estava à vontade e não se sentiu constrangida. Ok. Mesmo assim, a postura da apresentadora está errada. E pouco se falou sobre um ponto muito importante desta situação: ela está à frente de um programa infantil!

Quando Fausto Silvia reclama no ar de sua produção, o público dá risada. Quando Ratinho manda tudo às favas, a plateia acha engraçado. Mas o público deles é diferente. Silvia fala diretamente à criança. Criança esta que está interessada, principalmente, em assistir os seus desenhos em paz. Claro, há aquelas que podem gostar da Silvia e sonham em entrar ao vivo para ganhar os prêmios do programa. Ainda assim, são crianças. Que não estão interessadas em saber de fofocas de bastidores, se Silvia é querida ou não, ou se ela avisou que faltaria ou não.

Silvia pode se defender, caso tenha sido acusada injustamente. É um direito dela. Mas deveria usar suas redes sociais para isso, ou emitir uma nota via assessoria de imprensa. Usar seu espaço ao vivo dentro de um programa assistido por crianças é o lugar mais inadequado para se dar uma resposta neste sentido. É uma grosseria junto ao público da atração, que tem uma história de quase 30 anos. Uma pena que o pequeno espectador, já tão carente de boas opções na TV, tenha que se submeter a esta situação tão surreal.

André Santana

sábado, 15 de fevereiro de 2020

"Fora de Hora" melhora, mas tem cara de figurinha repetida

"Boa noite!"

Fora de Hora, novo humorístico da Globo, estreou há um mês sem causar boa impressão. O programa que imita um telejornal perdeu muito tempo brincando com as particularidades do formato, reproduzindo piadas batidas e pouco eficientes. Na estreia, só se salvou parte do texto lido pelos apresentadores, Paulo Vieira e Renata Gaspar, quando fizeram comentários ácidos sobre as notícias da atualidade.

No mais, foi tudo uma grande brincadeira com a postura de apresentadores e repórteres. Foram feitas piadas com repórteres perdidos, que não têm muito a dizer, aqueles que aumentam uma situação claramente simples apenas para parecer relevante... Coisas que vemos normalmente nos noticiosos, e que até nos divertem. Mas é isso. O programa apenas reproduziu pérolas do telejornalismo que costumam se tornar memes na “vida real”.

Talvez a própria redação do programa tenha percebido isso e, aos poucos, o Fora de Hora foi trazendo novidades nas semanas seguintes. O que se viu nos segundo, terceiro e quarto episódios foi um aumento considerável de menções à atualidade, com sátiras muito mais inspiradas. Neste contexto, um novo “personagem” despontou como destaque da atração: o ministro Sérgio Moro de Marcelo Adnet. Com uma imitação irretocável, o humorista fez rir numa entrevista no qual Moro apenas respondeu a perguntas irrelevantes, como a opinião dele sobre Amor de Mãe e BBB. Na semana passada, Moro retornou como comentarista do Oscar. Bingo!

O quarto episódio também teve uma divertida esquete com Luciana Paes, vivendo a ministra Damares. A sátira levou a personagem a se tornar MC Damares e protagonizar um clipe de funk, no qual defendia (ou não) a abstinência sexual. Num contexto político repleto de absurdos que mais parecem piada, o humor tem um prato cheio para mostrar, sem filtros, o ridículo da realidade. Este tipo de sátira, somado aos comentários dos apresentadores em quadros como Notícias Tristes da Semana, fazem Fora de Hora ganhar substância. Esse é o caminho.

No entanto, por mais qualidades que o Fora de Hora tenha ganhado ao longo do primeiro mês, não se pode deixar de mencionar que o humor da Globo está tomando um rumo questionável. O que se viu nos últimos anos, sobretudo a partir do lançamento do Tá no Ar, foi que os humorísticos do canal estão ficando todos meio parecidos. Não há dúvidas de que o Tá no Ar foi um divisor de águas, e com todos os méritos, já que era mesmo um programa muito bom. Mas o canal deveria agir no sentido de marcar mais as diferenças entre os programas de humor. Tá no Ar, Zorra e Fora de Hora têm mais semelhanças que diferenças.

Aliás, só o fato de o Fora de Hora imitar o formato de um jornal já o coloca numa prateleira muito próxima ao do Tá no Ar. Enquanto o extinto programa brincava com todos os formatos televisivos, o Fora de Hora brinca com apenas um, o telejornal, mas explora todas as suas variações (afinal, há jornais e jornais). Ou seja, na prática, as propostas são muito semelhantes. O fato de o elenco dos dois programas repetir diversos nomes ajuda a aumentar a sensação de que o Fora de Hora é uma espécie de Tá no Ar “disfarçado”.

Justamente por isso, Fora de Hora não deve se tornar um programa marcante como o Tá no Ar. As comparações serão sempre inevitáveis, e o “jornal” sai perdendo ao ser colocado lado a lado com as emissoras malucas de Adnet e Marcius Melhem. A intenção do atual núcleo de humor é boa: fazer do humor do canal mais relevante e se colocar como instrumento de reflexão. Porém, mais cuidado para fugir da repetição não seria de todo ruim. Fora de Hora está melhorando, deve divertir mais até o fim da temporada, mas não deve se tornar mais um clássico, como Tá no Ar se tornou.

André Santana

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Reprise de humorísticos nos sábados da Globo já cansou

"Além de domingo,
agora tem aula no sábado!"

Desde 2015, a Globo reserva parte de sua tarde de sábado para reprises de programas de humor. O “Vale a Pena Ver de Novo de humorísticos”, chamado de Sessão Comédia, foi inaugurado com o repeteco de Os Caras de Pau. Depois, o canal tirou de seus arquivos o clássico Sai de Baixo, que foi tão bem-sucedido que transformou a faixa num horário nacional (antes, a reprise era exibida apenas por algumas emissoras da Rede Globo). E, desde o final do ano passado, é a nova Escolinha do Professor Raimundo que ocupa a vaga. Toma Lá Dá Cá deve ser a próxima atração.

Reprises de programas de humor, normalmente, são bem aceitas pelo público. Está aí Chaves, reprisado à exaustão desde a década de 1980, que não nos deixa mentir. Na Globo, além dos programas de sábado, o recurso também foi usado na grade diária, quando o Vídeo Show saiu do ar. A reprise O Álbum da Grande Família registrou ótimos índices de audiência entre janeiro e outubro do ano passado, com resultados de fazer inveja ao Se Joga.

Porém, apesar da boa audiência, é sempre inevitável pensar que as tardes de sábado mereciam conteúdo inédito. Afinal, o sábado à tarde já é uma faixa de programação com parcas opções para os espectadores da TV aberta. Com exceção do SBT e seu Programa da Maisa (que, apesar das atuais reprises e da fórmula ter cansado um pouco, ainda é uma boa opção), não há, no início da tarde, nada muito interessante para se ver. Band e Record não produzem nada para o horário. RedeTV, muito menos.

Aí, quando se liga na Globo, está lá uma reprise de um programa que nem sequer despertou saudade. Sim, porque a nova Escolinha do Professor Raimundo ainda está em produção, e deve ter nova temporada em 2020. Não há motivos para uma reprise tão precoce. A expectativa é que Toma Lá Dá Cá ocupe o espaço em algumas semanas. Um programa divertido também, claro, mas já está em cartaz no Viva. A verdade é que conteúdo de arquivo cairia muito melhor como uma opção para o Globoplay do que um espaço cativo num horário importante da grade.

Falta à Globo um pouco de ousadia neste espaço. Num passado remoto, a emissora apostava no trio Angélica, Xuxa e Luciano Huck à tarde toda. Estrelas ia ao ar depois do Jornal Hoje, seguido do TV Xuxa, e o Caldeirão do Huck encerrava. Hoje, há uma reprise, seguido de um SóTocaTop (que já deu o que tinha que dar há tempos). É um horário que poderia, perfeitamente, ser ocupado por algo mais variado, inédito e interessante.

André Santana

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Contrariando expectativas, Globo acerta com "BBB 20"

"Tá melhor que o playstation!"
Desde o final do ano passado, corriam boatos de que a Globo estava convidado digital influencers para participar do Big Brother Brasil. Aí, não faltaram críticas. Afinal, o diagnóstico do fracasso do BBB 19 apontava justamente a falta de participantes realmente interessados em se expor. O que se viu no ano passado foram pessoas evitando polêmicas, na tentativa de conquistarem seguidores e se tornarem influencers. Ou seja, se aspirantes a influencer já minaram a dinâmica, imagina o que aconteceria com influencers de verdade, que teriam muito a perder? Eles se deixariam expor, correndo o risco de perderem seus seguidores?

Entretanto, até aqui, a coisa tem acontecido. O BBB 20 estreou com influencers, sim, mas também outros tipos de “famoso”, como o ator Babu Santana e o surfista Lucas Chumbo. Eles, ao lado de gente famosa no YouTube e no Instagram, como Pyong Lee e Bianca Boca Rosa, formaram o time “camarote”, ou seja, o lado dos convidados do BBB. Do outro lado, seguiram os participantes “tradicionais”, que passaram pela peneira da atração, chamados de “pipoca”. Os times entraram em cena separados por um muro e não concorreram um com o outro na primeira semana, numa tentativa de nivelar o, digamos, “grau de fama”, dos participantes.

E assim, a estranha mistura que tinha tudo para dar errado, surpreendentemente deu certo! O time vem rendendo situações que fizeram o BBB 20 empolgar logo de cara. A união de homens da casa, num time formado por Petrix, Hadson, Lucas, Felipe e Guilherme, fez com que planos mirabolantes fossem armados, como se não existissem câmeras na casa. Bolaram de fazer um teste de fidelidade, na tentativa de “queimar” as moças comprometidas junto ao público. Erraram feio. O time ganhou a antipatia do público, que respondeu eliminando Petrix com votação expressiva já no segundo paredão.

A descoberta do plano fez a casa se dividir. De um lado, as mulheres e seus simpatizantes, liderados pela sensata Marcela. Do outro, um time de machistas que passou a negar que este plano existiu. Isso despertou a dúvida de muitos lá dentro. Mas o time não contava que mais dois participantes, da casa de vidro, entrariam na casa e trariam mais informação de fora, confirmando aos competidores que o público simpatizava com as moças e condenava o plano dos meninos. Ou seja, o BBB traiu uma de suas regras, o de não utilizar informação de fora, para fazer a casa ficar ainda mais agitada. Ou, como Tiago Leifert gosta de dizer, de jogar “fogo no parquinho”.

O sucesso do BBB 20 até aqui tem a ver com o que este blog sempre diz: é um bom elenco que faz o sucesso de um reality de confinamento. E, para isso, não há uma regra muito clara. No ano passado, houve a ideia de misturar conservadores e “liberais”, e eles ficaram amigos, ao invés de brigar. Já neste ano, a mistura deu certo, e a rotina da casa passou a ser narrada como um folhetim, com heróis e vilões digladiando. Porém, como as coisas têm acontecido meio rápido, fica a dúvida sobre até quando esta tensão se sustentará. Mas, por enquanto, a atual edição está mexendo com o público. Funcionou.

O mais interessante é que o BBB tem sabido fazer uma narrativa envolvente baseado em questões muito atuais. Quando os “vilões” fizeram uso de seu machismo para agir, deu-se início a uma discussão bem interessante. O BBB, sempre acusado de ser fútil, conseguiu pautar um bom debate sobre assuntos urgentes, como sexismo, misoginia e assédio, junto aos espectadores. Quem diria, hein?

Vamos ver agora se os conflitos vão durar ou se transformar. Já há uma torcida crescente a favor de Hadson, que vem posando como o arrependido que foi isolado pela casa. Anteriormente apontado como um dos vilões, Hadson pode gerar um plot twist digno de um novelão. Será que as meninas e seus simpatizantes conseguirão manter a união? São questões que mostram que o atual BBB realmente “pegou”.

André Santana

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

História da TV: Quando Leonor Corrêa assumiu, às pressas, o "A Casa É Sua"

"Quarta-feira era dia de banca cheia!"
No início de 2002, a apresentadora e jornalista Sonia Abrão colhia os frutos do bom desempenho do vespertino A Casa É Sua, da RedeTV. Ao trocar os tradicionais quadros de culinária e artesanato dos programas femininos pela leitura de revistas, reportagens e entrevistas, Sonia criaria uma fórmula que seria repetida pelos diversos vespertinos da época. Isso despertou o interesse do SBT, que levou o programa para seus domínios, desfalcando a RedeTV. A emissora, então,  se viu tendo pouquíssimo tempo para reformular o A Casa É Sua, apostando no carisma de Leonor Corrêa para a missão.

Na época, Leonor era mais conhecida por quem acompanhava os bastidores da TV, já que ela atuava como produtora, diretora e redatora de programas importantes, como o Domingão do Faustão, apresentado pelo seu irmão Fausto Silva. Porém, não era uma figura muito conhecida no vídeo, embora tenha tido experiências em frente às câmeras. Seu trabalho como apresentadora mais conhecido, até então, era o Vitrine, tradicional atração da TV Cultura que ela comandou em 1991. Em 1992, teve uma experiência na extinta OM (atual CNT), no comando do Coçando o Sábado.

Eis que, dez anos depois, Leonor voltaria a ter um programa para chamar de seu. E foi tudo às pressas, já que Sonia Abrão era a produtora do A Casa É Sua (gerado pela Câmera 5) e levou toda a estrutura para o SBT, onde lançaria o Falando Francamente pouco tempo depois. Ou seja, a RedeTV teve que montar uma nova equipe e um novo cenário em pouquíssimo tempo para suprir a ausência de Sonia e da Câmera 5. Tanto que, quando entrou no ar, o novo A Casa É Sua tinha um cenário simples e um conteúdo ainda indefinido. Leonor entrou em cena entrevistando convidados, sem ainda um formato lá muito certo.

Porém, logo ela foi se adaptando no sentido de dar sequência ao "legado" de Sonia Abrão. Ela aprendeu a ler revistas no ar, comentar novelas e falar sobre a vida dos famosos. Passou a ter a companhia de Nelson Rubens e do repórter Gustavo Baena como co-apresentadores, dividindo com ela a missão de comentar as notícias do dia. No ar, Leonor ficava à vontade mesmo fazendo piadas, como seu irmão Faustão, e comentando as novelas da Globo. Todos os dias, ela comentava com seus companheiros de cena os desdobramentos de tramas como O Clone (2002) e Mulheres Apaixonadas (2003). Ela sempre repetia o ódio que tinha de Alicinha, a personagem de Cristiana Oliveira que praticava maldades na novela de Gloria Perez.

Mas Leonor não estava totalmente à vontade no A Casa É Sua. Ela expôs suas dificuldades numa entrevista bastante sincera (leia AQUI), concedida quando completou seis meses à frente do programa. “Há coisas que não me deixam à vontade, às vezes não me sinto bem. E isso fica claro no ar. Mas, como profissional, minha função é apresentá-lo da melhor maneira possível. Minha intenção era voltar ao vídeo. Este agora é o meu emprego”, afirmou. Perguntada se ela estava frustrada com a atração, Leonor respondeu francamente. “Não, porque não fui enganada. Quando eu vim para a Rede TV, o programa já existia (...) e eu sabia o que a direção queria dele, qual o perfil que a emissora queria. Tive que me adaptar”, revelou. A expectativa da apresentadora era conquistar um espaço mais autoral na emissora, algo que nunca aconteceu. “Daqui a um ano, quem sabe, eu emplaco o meu projeto, que teria externas, entrevistas e muito humor. Sou uma pessoa muito bem-humorada e queria mostrar isso para o público”, disse.

Não se sabe exatamente o motivo, mas Leonor Correa e a RedeTV acabaram por rescindir o contrato cerca de um ano e meio depois da estreia desta versão do A Casa É Sua. Provavelmente, emissora e apresentadora chegaram num consenso, já que notas na época diziam que a RedeTV estava insatisfeita com a audiência do programa, ao mesmo tempo em que Leonor não se identificava com a proposta. Assim, em outubro de 2003, Leonor deixou o programa e foi substituída por Clodovil Hernandes, que comandou a fase mais lembrada do vespertino.

Depois disso, Leonor Corrêa voltou aos bastidores, assumindo a direção de programas na Band, como o Boa Noite Brasil e o Band Folia. Voltou ao vídeo em 2005, assumindo o Melhor da Tarde no lugar de Astrid Fontenelle. Mas ficou poucos meses na função, já que o programa saiu do ar em agosto do mesmo ano, dando espaço ao Pra Valer, de Claudete Troiano. Assim, Leonor migrou para a Record, onde dirigiu O Melhor do Brasil. Aí foi pro SBT, onde dirigiu o Eliana e, mais adiante, tornou-se roteirista. Na função, assinou a novela Carinha de Anjo como autora principal, e fez parte dos trabalhos de texto da série Z4. Agora, ela deve assinar a adaptação da novela mexicana Patinho Feio, atração cotada para substituir As Aventuras de Poliana em 2021.

André Santana

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

"Novidade" na Record é reality show

"Esse ano não vai
faltar trabalho pra mim!"
No último domingo, a Record veiculou, no Domingo Espetacular, o seu “chamadão” contando as novidades de 2020 na programação. E o que foi visto foi uma sacolada de reality shows. Diversos formatos importados foram adquiridos para “turbinar” os programas de variedades da rede. Assim, o que não vai faltar no canal são competições, dos mais variados estilos.

Dos programas tradicionais da emissora, dois ganham reforços de realities/games. Um deles é o Hoje Em Dia, que terá como principal aposta Hair – O Reality de Cabelos. Trata-se de uma competição envolvendo cabeleireiros que será apresentado por Ana Hickmann. Já o Hora do Faro também virá com um game suntuoso, que é pretensioso até no nome. Game dos Games é um jogo que ostenta uma mega estrutura, que será gravado em Buenos Aires, na Argentina. Além de fazer parte do dominical de Rodrigo Faro, o quadro terá exibições no canal pago TNT.

Outra aposta da emissora é o Domingo Show com Sabrina Sato, que estreará em 8 de março, antes do Faro. A atração contará com vários quadros, sendo que o carro-chefe será Made in Japão. Este também terá uma estrutura bem grandiosa para mostrar famosos confinados e competindo em provas que fazem referência à cultura oriental. Dhomini, campeão do BBB 3 (e que namorou Sabrina no confinamento), e Silvana Oliveira, mãe da cantora Ludmilla, são alguns dos participantes da atração.

Além de quadros, os realities/games/talent shows também seguem como programas de grade. A principal novidade será A Ilha, formato que a emissora anuncia como criação própria. Segundo o Notícias da TV, a atração vai confinar famosos numa ilha, e eles terão que passar por provas. Ou seja, um A Fazenda na ilha. Aliás, cabe registrar a falta de imaginação da Record no batismo destes realities: A Fazenda, A Casa, A Ilha… se um dia resolverem fazer um reality no banheiro, será O Banheiro? Sorte do Top Chef, que escapou de se chamar A Cozinha!

Por fim, outra novidade será Canta Comigo Teen, uma versão do Canta Comigo para crianças e adolescentes. No mais, mais Top Chef, mais Dancing Brasil e mais The Four, além de Power Couple, Troca de Esposas, A Fazenda e o Canta Comigo tradicional. Vale lembrar que a emissora ainda não definiu quem apresentará Canta Comigo, Canta Comigo Teen, A Ilha e Power Couple. Tá bom de reality ou tá pouco?

André Santana

sábado, 1 de fevereiro de 2020

"Salve-se Quem Puder" devolve pastelão infantil ao horário das sete

CORRAO!

Daniel Ortiz foi um dos principais lançamentos da Globo no horário das sete dos últimos anos. O autor emplaca sua terceira obra na faixa deixando claro que tem estilo. Mesmo tendo desenvolvido ideias que não eram necessariamente sua em suas tramas anteriores (Alto Astral foi baseado em sinopse de Andrea Maltarolli e Haja Coração era um remake reinventado de Sassaricando), o autor deixou uma impressão digital muito forte, e que vai ao encontro do que o público do horário espera. Tal estilo pode ser constatado em Salve-se Quem Puder, sua nova incursão na faixa e sua primeira obra 100% original.

Na nova novela, a ordem é carregar nas tintas. Ortiz é dono de um texto direto, sem muita sutileza, e com um humor ingênuo e quase infantil. Trata-se de uma fórmula que funciona muito bem no horário, tendo em vista que a faixa abrigou vários sucessos que bebiam desta fonte. Além das novelas anteriores do autor, o estilo também foi visto recentemente em Pega Pega, de Claudia Souto, também adepta da fórmula. Além, claro, das novelas das sete de Walcyr Carrasco, como Caras & Bocas e Morde & Assopra, que foram grandes sucessos do horário na década passada.

Salve-se Quem Puder estreou com jeitão de superprodução. Para unir as três protagonistas da obra, Luna (Juliana Paiva), Alexia (Deborah Secco) e Kyra (Vitória Strada), a trama já começou com um furacão em Cancun, no México (e a emissora volta a produzir início de novelas fora do país, prática que andava abandonada... a retomada, então, mostra que o canal aposta alto na história). Sem dúvidas, foi uma sequência muito bem produzida e cheia de emoção e reviravoltas. As três jovens se conhecem num hotel do lugar, testemunham o assassinato de um importante juiz e se veem tendo que fugir da perseguição da grande vilã Dominique (Guilhermina Guinle).

Porém, para apresentar suas protagonistas e sua história, o autor não deu margem a sutilezas e nem dúvidas. Sobretudo na apresentação de Alexia e Kyra, duas heroínas puxadas para o humor, o tom “over” impregnou as cenas. Assim, Alexia foi vista como uma “devoradora”. Já Kyra apareceu tão atrapalhada que passou do ponto. Apenas Luna teve uma apresentação menos carregada nas tintas. O que deixou claro que é ela a heroína romântica do enredo. Ou seja, Ortiz aposta no pastelão, ressaltado pelo tom teatral das interpretações e da direção de Fred Mayrink, um “pupilo” de Jorge Fernando.

Salve-se Quem Puder tem uma boa premissa em mãos. Na história, depois de testemunharem um assassinato, as três heroínas serão incluídas num programa de proteção à testemunha e são obrigadas a abandonarem suas vidas. Elas, então, mudam de identidade e vão morar numa fazenda. Ali, deverão passar por uma série de situações cômicas, tentando se adaptar a uma nova realidade, até que decidirão retornar às vidas anteriores. É uma premissa que tem boas possibilidades de comédia, que é o que busca o autor. E, vale constar, ela lembra bastante Pé na Jaca (2006), trama de Carlos Lombardi na qual o personagem de Murilo Benício, Arthur Fortuna, se vê falido e é obrigado a trocar sua vida urbana por uma fazenda caindo aos pedaços no interior de São Paulo.

Aliás, em entrevistas, Daniel Ortiz definiu sua trama como um resgate da novela das sete clássica. Bebendo da fonte de nomes como Cassiano Gabus Mendes, Carlos Lombardi e Silvio de Abreu, de quem é discípulo, o novelista prometeu uma trama recheada de ação e comédia. Porém, no que foi visto até aqui, sua novela está mais para Walcyr Carrasco, novelista conhecido pelo excesso de didatismo, do que de suas demais “inspirações”. Afinal, os outros autores também apostavam no pastelão, mas vinham com uma comédia um tanto mais sofisticada. Já Salve-se Quem Puder aposta numa trama mais simples, repetindo os principais clichês do gênero.

Porém, o grande acerto de Salve-se Quem Puder, que pode fazer a novela render, é seu elenco bem escalado. Deborah Secco, experiente, dá credibilidade a uma personagem que poderia cair no ridículo. Já Vitória Strada mostrou um surpreendente timing cômico. Ela dá graciosidade à Kyra. Enquanto isso, Juliana Paiva emplaca mais uma mocinha, tipo que lhe cai bem. Tudo isso como embalagem de uma trama leve e de fácil digestão. Ou seja, Salve-se Quem Puder tem tudo para agradar a audiência do horário.

André Santana

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

"Betty em NY": SBT só não está morto porque tem "Novelas da Tarde"

"Eu sou assim!"
Enquanto praticamente todos os programas de entretenimento do SBT estão tocando suas vidinhas com reprises intermináveis, o “setor de novas aquisições” da emissora a “salvou” de ser o único canal aberto a não lançar nada em janeiro. Na última segunda-feira, 27, a emissora lançou Betty, a Feia em NY, uma nova versão da clássica novela de Fernando Gaitán. Sim, é uma “nova velha novidade”, mas a trama tem suas qualidades e veio num ótimo momento.

Betty em NY traz de volta os personagens já conhecidos de quem viu a versão original, novela colombiana que foi exibida por aqui em 2002 na RedeTV. Agora, Betty (a ótima Elyfer Torres) é filha de imigrantes latinos em Nova York, onde estudou e tem um currículo invejável. Porém, sua aparência fora dos padrões faz com que ela não consiga se colocar no mercado de trabalho. Por isso, acaba aceitando um cargo abaixo de sua qualificação, se tornando secretária de Armando (Erick Elías), presidente de uma grande empresa do mundo da moda. Assim, Betty se verá num contraste entre o mundo de aparências e de seus reais valores. Além disso, se torna parceira de Armando, numa relação que se tornará amor.

Betty em NY é uma produção da estadunidense Telemundo, emissora voltada ao público latino que vive nos EUA. Trata-se de um remake de Betty, a Feia, mas é um remake muito bem-feito e atualizado. A nova versão não apenas transporta a ação para NY, como o título sugere, mas também traz a abordagem da temática com um olhar mais antenado com a contemporaneidade. Aqui, Armando aparece mais humanizado e menos “canalha”. Enquanto isso, Betty aparece mais natural, sem aquela forçada na barra em seu visual e, consequentemente, em sua transformação no decorrer da obra. No mais, a história ainda abusa do humor, numa comédia romântica bastante divertida e com sacadas inteligentes.

Interessante notar que, apesar de Betty, a Feia já ter sido vista e revista por aqui, sua história é sempre magnética e atrai a audiência. Por aqui já vimos a original colombiana, além das versões mexicana (A Feia Mais Bela), estadunidense (a série Ugly Betty) e a brasileira (Bela, a Feia, coprodução Record e Televisa, que foi reprisada recentemente, e com sucesso). Todas registraram bons índices de audiência. Betty em NY parece ir no mesmo caminho, elevando o público da faixa Novelas da Tarde e se tornando uma interessante alavanca para a programação noturna da emissora.

Além disso, Betty em NY imprime um ar de novidade às Novelas da Tarde do SBT. A faixa vinha sendo tomada por reprises e tramas pouco expressivas da Televisa. Agora, vem com uma produção mais moderna (o capricho visual de Betty em NY chama a atenção) e divertida. Pode ser a chance de o SBT perceber que há outros parceiros possíveis para a compra de novelas, já que a Televisa não emplaca um fenômeno por aqui há tempos. A Telemundo tem um pacote de novelas que vem se destacando mundo afora. Quem sabe as relações entre ela e o SBT se estreitam a partir de um possível sucesso de Betty em NY?

André Santana

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Nova grade dominical da Record pode ser um tiro no pé

"Não veja Chaves, veja eu!"
Recentemente, a Record anunciou que The Four Brasil, de Xuxa Meneghel, passaria a ser apresentado nas noites de sexta, e não mais às quartas, como aconteceu no ano passado. Porém, poucos dias depois do anúncio, a emissora veio com outra novidade. Tratou de reservar aos seus realities semanais as noites de domingo, na faixa das 18 horas, depois de Hora do Faro. Será neste horário que exibirão The Four, Dancing Brasil e Canta Comigo em 2020. O pacote de novidades também inclui uma edição dominical do Hoje Em Dia.

As mudanças vêm embaladas pela estreia do novo Domingo Show. Sabrina Sato assume a faixa que era de Geraldo Luís a partir do dia 8 de março, numa atração que será exibida das 11h às 14h. Antes dela, César Filho, Ana Hickmann, Renata Alves e Ticiane Pinheiro se revezarão num “plantão” do Hoje Em Dia, que será exibido das 9h às 11h. Mais tarde, Hora do Faro muda de horário, e passa a ir ao ar das 14h às 18h, entregando para o The Four. Depois de Xuxa, segue o Domingo Espetacular, a partir das 19h45.

Trata-se de uma estratégia de guerrilha da emissora. Depois de nadar de braçadas com seus Domingo Show e Hora do Faro há alguns anos, a Record viu a vice-liderança dominical passar para o SBT. Isso aconteceu quando a emissora enxugou o Domingo Show e, pouco tempo depois, o SBT turbinou o Domingo Legal, com mais tempo e novos quadros no programa de Celso Portiolli. Assim, Domingo Legal viu seus índices crescerem, aumentando também a entrega para o Eliana, que conseguiu passar Rodrigo Faro. Ou seja, as mudanças são um contra-ataque da Record.

No entanto, trata-se de uma estratégia de alto risco. Primeiro, porque vão mexer no horário do Faro, que é praticamente o mesmo desde a estreia. Segundo, porque vão novamente apostar no Hoje Em Dia aos domingos. Num passado distante, o matinal tinha edições aos finais de semana, e contava até com um “time B” de apresentadores para os sábados e os domingos. Mas não deu certo. E neste horário, vale lembrar, o SBT exibe o bom e velho Chaves, um adversário peso-pesado e difícil de derrubar.

Como se não bastasse tudo isso, a emissora vai jogar para os domingos, numa concorrência direta com o Domingão do Faustão, realities que nunca apresentaram grandes resultados. The Four, Canta Comigo e Dancing Brasil tiveram desempenho apenas OK nas noites de quarta. Acreditar que estes formatos poderão reagir aos domingos me parece ingenuidade. Fora que a emissora promoverá um embate de competições de dança, já que o Dancing Brasil deve bater de frente com a Dança dos Famosos. A verdade é que os formatos de Xuxa, assim como o Canta Comigo (que ainda não tem novo apresentador definido e terá uma edição teen este ano, além da tradicional), não devem ter fôlego diante de Eliana e Fausto Silva. A Record, provavelmente, vai queimar cartucho com a manobra.

André Santana

sábado, 25 de janeiro de 2020

"Bom Sucesso" mostra que é possível ser popular com inteligência

Todo carnaval tem seu fim

Bom Sucesso terminou ontem, 24, como começou. A história de Paulo Halm e Rosane Svartman conseguiu agradar público e critica com uma história simples, mas que pegou pela emoção. A mistura entre vida, morte e literatura revelou-se acertada, sobretudo no trato sensível e emocionante dado ao tema, encarnado por uma dupla de protagonistas encantadora e que funcionou desde o início. Paloma (Grazi Massafera) e Alberto (Antonio Fagundes), por meio de uma amizade improvável, trouxeram belas lições ao público. E isso fugindo da pieguice e do chororô gratuito.

Bom Sucesso foi toda construída em torno de um tema difícil. Com seus protagonistas, a novela tratou da efemeridade da vida, e como os bons momentos são fundamentais para uma vida plena e feliz. Pode parecer piegas, mas esta temática foi trabalhada de maneira tão delicada e terna, que se tornou irresistível. A alegre Paloma e o rabugento Alberto, o livreiro com os dias contados, formaram uma dupla adorável, que funcionou divinamente. Não somente o texto os uniu de maneira eficiente, como a boa química entre Grazi e Fagundes fez a dupla funcionar.

Obviamente, Bom Sucesso não abriu mão dos indispensáveis clichês. Paloma, apesar de parecer de “carne e osso”, foi a típica mocinha, envolvida num infalível triângulo amoroso. A relação da heroína com Marcos (Romulo Estrela) e Ramon (David Junior) teve seus percalços e ganhou a torcida da audiência. Mais uma vez, a dupla de autores foi feliz na construção dos protagonistas, já que tanto Marcos quanto Ramon tinham suas inseguranças e imaturidades, mas foram transformados por Paloma.

A leveza característica de Bom Sucesso fez parte do público estranhar quando a novela das sete aumentou a dose de violência. Inicialmente, crimes e tiros se tornaram mais constantes quando foi iniciado o plot de Elias (Marcelo Faria). O ex-marido de Paloma retornou dos mortos para infernizar a heroína e seus filhos, cometendo muitas barbaridades. A sequência teve direito a perseguições e trocas de tiros, culminando com a morte de Elias.

O problema deste momento de Bom Sucesso foi a falta de sintonia com a obra. A história caminhava por caminhos menos tortuosos, sendo levada por personagens tridimensionais. No entanto, quando Elias surgiu, a trama se tornou sombria e maniqueísta, como numa novela à parte. Ficou claro que a história, embora prevista, surgiu apenas para fazer a novela durar mais. Não convenceu.

O plot envolvendo Elias aconteceu num momento em que Diogo (Armando Babaioff), o “vilão oficial” da novela, desapareceu por alguns capítulos. O sumiço serviu para que ele retornasse poderoso, instalando um clima de vingança no ar. Mais uma vez, parte do público reprovou a condução da história. No entanto, neste caso, o plot não pareceu desconexo. Diogo sempre foi um vilão com um pé na caricatura. Sendo assim, pareceu natural o processo de “enlouquecimento” do malvado. Sim, é um clichê folhetinesco o vilão enlouquecer na reta final da novela, mas Bom Sucesso nunca tentou fugir de clichês. Apenas buscou utilizá-los ao seu favor. Foi o caso. Diogo foi um ótimo vilão e Armando Babaioff fez um trabalho excepcional.

Bom Sucesso também ficará marcada na carreira de outros atores. Grazi Massafera fez, aqui, seu trabalho mais consistente, já que é bem mais difícil convencer como uma mulher comum. Antonio Fagundes, depois de vários trabalhos no piloto automático, entregou aqui um trabalho de composição irretocável. Tanto que a dupla funcionou e foi o grande trunfo da novela.

No entanto, há mais trabalhos para destacar. Romulo Estrela, David Junior, Fabiula Nascimento (Nana), Lúcio Mauro Filho (Mário), Sheron Menezzes (Gisele), Helena Fernandes (Eugênia) e Carla Cristina Cardoso (Lulu) merecem menção. Ingrid Guimarães (Silvana Nolasco) repetiu um tipo que costuma fazer sempre, mas vamos combinar que é um tipo que ela faz muito bem. Foi divertida. Participações luxuosas, como as de Marisa Orth (Isadora), Jonas Bloch (Eric Feitosa), Lavínia Vlasak (Natasha) e Suzana Pires (Virgínia), também foram acertos. Além, claro, da dupla mirim: Valentina Vieira (Sofia) e João Bravo (Peter) emocionaram.

Tantos acertos só poderiam resultar num sucesso incontestável. Em tempos um tanto estranhos como o que vivemos, é sempre um alento constatar que uma obra que valorizou a cultura e os bons sentimentos tenha tido uma receptividade tão boa. Bom Sucesso mostrou que uma novela pode arrebatar com simplicidade, emoção, clichês bem trabalhados e, sobretudo, que qualquer tema pode render uma boa história, se trabalhado com Inteligência. Além disso, provou que uma boa novela pode ser popular sem cair no popularesco, e que se pode falar de cultura para as massas de maneira acessível, sem parecer pedante. Foi um grande acerto, em todos os sentidos. Que bom!

André Santana

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

RedeTV dispensa Olga Bongiovanni e monta grade estranha

É o fim...
A RedeTV finalmente divulgou sua nova grade de programação que passa a valer a partir da semana que vem, quando estreia o famigerado programa de Sikera Jr. na faixa das 18 horas. Sabia-se que algum programa poderia ser extinto nessa “brincadeira”: sobrou para o Olga, de Olga Bongiovanni. A apresentadora fica no ar até segunda-feira, 27, e, depois, cede a faixa do meio-dia para o Tricotando, que muda de horário. O site Observatório da TV adiantou as novidades em primeira mão, que depois foram confirmadas pela assessoria da emissora.

Inicialmente, acreditava-se que era o esportivo Papo de Bola que seria extinto, enquanto Tricotando dividiria as manhãs com o Você na TV e Edu Guedes e Você. No entanto, a direção da emissora considerou que o Papo de Bola tinha um retorno comercial interessante, ao contrário do Olga, que não empolgou o mercado publicitário. Sendo assim, a RedeTV optou por exibir o Papo de Bola nas manhãs, passar Lígia Mendes e Franklin David para a hora do almoço e dispensar Olga Bongiovanni.

Assim, Olga Bongiovanni deixa a RedeTV nove meses depois de seu retorno à emissora. Um retorno que foi celebrado por este blog, em razão do talento e da credibilidade de Olga, uma baita profissional de TV. Mas, como dissemos aqui na lista dos destaques positivos de 2019, Olga voltou num programa muito aquém de sua capacidade. Uma atração curta, sem criatividade e cheia de merchandising, que interrompia os assuntos a toda hora. Não por acaso, o programa Olga era o menos visto dentre os programas produzidos pela emissora. Olga Bongiovanni foi muito mais feliz no Bom Dia Mulher, atração que comandou em sua primeira passagem pelo canal. Uma pena. Uma pena mesmo.

Sem Olga, as manhãs da RedeTV vão ficar estranhas. Papo de Bola ganha mais tempo no ar, das 8h30 às 9h45. Você na TV entra na sequência, das 9h45 às 10h45. Edu Guedes e Você permanece onde está, seguido do Tricotando, das 12h às 13h. É realmente algo inusitado uma rede de TV aberta apostar num programa esportivo tão cedo. O mais lógico seria encaixá-lo às 12h. Mas o canal pode ter considerado ser uma alternativa, ao invés de ser mais um a ter programa esportivo na hora do almoço. De repente…

Enquanto isso, Sikera Jr. apresentará seu Alerta Nacional a partir de terça-feira, 28, das 18h às 19h30. O programa, que será produzido em Manaus pela TV A Crítica, terá a missão de alavancar o RedeTV News, que até hoje não emplacou na faixa das 19h30. O canal já tentou de tudo no horário, de fofoca a desenho, de policial a esportivo. Agora vai de sensacionalismo mesmo. Sikêra bomba no Amazonas. Será que repetirá o sucesso no país todo? Medo…

André Santana

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Tiago Leifert ou Rodrigo Faro podem substituir Huck na Globo, diz revista

"Quem quer ser presidente? E quem
quer um programa no sábado à tarde?"
Enquanto Luciano Huck não resolve se vai pra política ou não, seguem as especulações sobre o que acontecerá com seu programa na Globo. Afinal, o apresentador já foi avisado que, se resolver sair candidato, terá que deixar o comando do Caldeirão do Huck. Segundo consta, Huck tem interesse em concorrer à Presidência da República em 2022. Sendo assim, a direção da Globo tem alguns poucos anos para resolver como tapar o buraco que pode vir a ser deixado por Luciano, que comemora 20 anos à frente do Caldeirão do Huck em abril deste ano.

Ainda há algum tempo e, sendo assim, muita água pode rolar por debaixo desta ponte. No entanto, segundo o site da revista Veja, dois nomes despontam como favoritos ao posto: Tiago Leifert e Rodrigo Faro. O primeiro sinalizaria uma solução caseira, tendo em vista que Leifert é, hoje, um dos principais apresentadores da Globo. Já Faro significaria que a emissora pode buscar um nome do mercado, e consideraria o sucesso comercial do apresentador da Record.

Se optasse por Tiago Leifert, a emissora criaria mais problemas para ela. Apesar de ser uma escolha natural, tendo em vista o status que o jovem tem hoje na casa, a chegada de Tiago Leifert às tardes de sábado significaria que o jornalista teria que deixar suas demais atrações. Ou seja, a Globo teria nada menos que três programas sem apresentador se Tiago fosse o escolhido. Claro, o Zero1 é um espaço autoral, que poderia ser extinto, ou até absorvido pelo novo programa. Mas Big Brother Brasil e The Voice Brasil não devem deixar a programação da Globo tão cedo, e a emissora teria que buscar novos apresentadores para eles.

Já Rodrigo Faro parece ser o nome mais cotado no que se refere à questão comercial. O apresentador é (ou, ao menos, era) muito bem quisto no mercado, o que agregaria prestígio ao possível novo programa de sábado da Globo. No entanto, Faro não vive seu melhor momento junto ao público e ao Ibope. Seu Hora do Faro vem se posicionando atrás do Eliana, do SBT, e atitudes do apresentador, como perguntar sobre o Ibope enquanto homenageava Gugu, ajudou a desgastar sua imagem junto ao público. Ou seja, a não ser que este cenário mude, neste momento o nome de Faro me parece pouco provável.

O caso é que a Globo terá um problema grande em mãos se Luciano Huck realmente deixar a emissora. Caldeirão do Huck é o programa de sábado mais bem-sucedido da Globo desde o Cassino do Chacrinha, nos anos 1980. Ou seja, não é pouca coisa. E, verdade seja dita, solução caseira não caberia aqui. A emissora conta com apresentadores que parecem não combinar com o espaço, como André Marques ou Marcio Garcia (que até poderia ser um nome, mas parecia meio desanimado em seus últimos programas). E fora dali, há poucos nomes de destaque nos auditórios, que parece um formato próximo da extinção. Duh Secco, colunista do RD1, sugeriu em sua coluna o nome de Celso Portiolli, que realmente vive uma ótima fase no SBT. Além dele, apenas Eliana parece adequada para a vaga, já que costuma apostar em atrações semelhantes às do Caldeirão em seu programa. No entanto, ambos têm a imagem muito associada ao SBT. Será? 

André Santana

sábado, 18 de janeiro de 2020

"Chacrinha" foi boa produção, mas formato começa a cansar

"Alô Terezinha!"

No começo do ano da Globo nunca faltam um novo BBB e, ao menos, uma minissérie oriunda de um filme. 2020 não começou diferente. Na última semana, enquanto o canal não inicia a 20ª edição do reality, a atração foi Chacrinha – A Minissérie, produção em quatro capítulos que é, na verdade, uma versão “vitaminada” e fatiada do filme Chacrinha – O Velho Guerreiro, lançado em 2018 nos cinemas, com direção de Andrucha Waddington.

Boa produção, a minissérie contou uma história envolvente. Mostrou Chacrinha de uma maneira interessante, ressaltando sua genialidade diante das câmeras, mas seu temperamento muito difícil nos bastidores. A série começa num momento tenso da carreira do apresentador. Logo em suas primeiras cenas, Chacrinha (Stepan Nercessian), aparece irritado com Boni (Thelmo Fernandes), então o “todo-poderoso” da Globo. Após uma discussão calorosa, o apresentador pede demissão da emissora e anuncia sua transferência para a Tupi. A partir daí, a série volta no tempo e conta a história do jovem Abelardo (Eduardo Sterblitch), sua chegada ao Rio de Janeiro e seu início no rádio.

A partir daí, a minissérie conta a trajetória do comunicador em ordem cronológica, mostrando sua estreia na televisão, sua troca de canais e as polêmicas nas quais se envolveu nos bastidores. A série até narrou, mesmo que de maneira superficial, algumas polêmicas aos quais Chacrinha se envolveu, como as acusações de cobrar “jabá” aos artistas que participavam de seus projetos, ou um possível romance com a cantora Clara Nunes (Laila Garin). Chacrinha também retratou a difícil relação do animador com sua família.

Chacrinha, então, foi uma série eficiente sobre um personagem importante da história da TV brasileira. Mais do que isso, trouxe um recorte do início da televisão brasileira, uma história que sempre encanta. Além disso, contou com um elenco interessante. Stepan Nercessian parece ter nascido para viver Chacrinha, tamanha sua semelhança. Enquanto isso, Eduardo Sterblitch surpreendeu como o jovem Abelardo. O ator e humorista parece se apagar por completo, dando espaço ao personagem com absoluto vigor.

O único problema de Chacrinha – A Minissérie é que ela repete o formato de séries/filmes anteriores mostrados pela Globo. Mais uma vez, para fazer render o material do filme, a solução foi inserir material documental, com imagens verdadeiras dos programas de Chacrinha e depoimentos de figuras importantes que passaram pela história do artista, como o próprio Boni. Em meio a tudo isso, uma entrevista ficcional do próprio Chacrinha, vivido por Eduardo Sterblitch. Ou seja, trata-se da mesmíssima solução que a emissora utilizou em Elis – Viver É Melhor que Sonhar, do ano passado, que trouxe a narrativa do filme costurada por uma entrevista fake com Andreia Horta, intérprete da protagonista.

Neste sentido, Hebe, por enquanto relegada ao GloboPlay, é um case de sucesso. A minissérie não só utiliza material do longa dos cinemas, como vai além, com muito conteúdo inédito, o que a torna bem melhor que o filme. Hebe poderia servir de referência às próximas séries oriundas de filmes, para que a fórmula não fique cada vez mais batida e previsível.

André Santana

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Record cria novo reality, adia Sabrina e joga “The Four” no lixo

"Quarta não, sexta!"
A Record finalizou 2019 avisando da renovação de seus principais reality shows. A emissora confirmou novas temporadas de Troca de Esposas, The Four, Power Couple, Top Chef, Dancing Brasil, A Fazenda e Canta Comigo. Por isso, a expectativa era a de que não haveria mudanças na linha de shows da emissora. Porém, as informações que correm neste início de 2020 é que o canal vai, sim, trazer novidades. Umas interessantes, outras nem tanto.

Hoje, 16, o Notícias da TV informou que a Record apostará num reality show novo, de formato criado por ela própria. Com o nome provisório de A Ilha do Tesouro, a atração confinará famosos numa ilha, onde passarão por diversas provas. Segundo a matéria, trata-se de uma ideia concebida por Marcelo Silva, vice-presidente artístico e de programação da Record, e que será implantada por Rodrigo Carelli, diretor do núcleo de realities da emissora. O NTV informou também que não se trata de um reality de sobrevivência, e sim uma competição com provas (ou seja, um "Big Brother na ilha"). A Ilha do Tesouro deverá ser diária, exibida no intervalo entre o final de Power Couple e o início de A Fazenda, ou seja, entre julho e setembro.

Além de um novo reality diário, a emissora também parece disposta a mudar a exibição dos realities semanais. Troca de Esposas, atualmente em reprise, terá uma nova temporada lançada em 05 de fevereiro. E ocupará as noites de quarta-feira, considerado a “faixa nobre” dos realities da Record. No ano passado, Troca de Esposas era exibida às quintas-feiras, enquanto a noite de quarta pertencia ao The Four, de Xuxa Meneghel. No entanto, neste ano, o The Four passará para as noites de sexta-feira. A estreia está marcada para 14 de fevereiro.

A mudança favorece o Troca de Esposas, um bom reality que tem bastante potencial para atrair mais público. Na quarta, ele estará mais visível, concorrerá com o futebol (algo que sempre favorece os programas de variedades) e fugirá do confronto com A Praça É Nossa, nome forte da linha de shows do SBT. Mas, ao mesmo tempo em que a mudança ajuda o programa de Ticiane Pinheiro, vai afundar o The Four. Afinal, sexta é dia de share baixo. Nada do que a Record tenta emplacar ali dá certo. A última tentativa foi o Legendários, que teve um fim melancólico ao trocar a noite de sábado pela sexta. Se o The Four não foi um estouro de audiência nem às quartas, imagine às sextas, dia de share baixo?

E como reality show pouco é bobagem, a Record vai abusar do formato até no novo programa de Sabrina Sato. O novo Domingo Show será um programa de variedades com diversos quadros, que apostarão basicamente no arroz-com-feijão dos auditórios: games, entrevistas e musicais. O carro-chefe será Made in Japan, uma mistura de game e reality no qual participantes famosos se enfrentarão em provas malucas que fazem menção à cultura japonesa. Ou seja, será mais um formato que a emissora usará para reciclar seus participantes de realities. Em tempo: previsto para fevereiro, o novo Domingo Show vai estrear em 8 de março. Ao menos apostará no entretenimento e na diversão, e não nos chororôs habituais.

André Santana

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Aguinaldo Silva e os novos rumos da dramaturgia da Globo

"Fui!"

Um dos assuntos que mais rendeu neste início de 2020 na TV foi a saída de Aguinaldo Silva da Globo, depois de 40 anos de bons serviços prestados. O novelista terá seu contrato encerrado no final de fevereiro e o acordo não será renovado. Com isso, o autor de sucessos antológicos, como Roque Santeiro, Vale Tudo, Tieta, A Indomada e Senhora do Destino, encerra um ciclo de muitos sucessos e alguns fiascos.

Muito já se falou sobre isso. Os principais críticos de TV analisaram a situação, que é pouco comum dentro da trajetória da Globo. Houve autores que deixaram a casa, ou se aposentaram. Há uns poucos casos de não-renovação por falta de perspectiva, como Antonio Calmon. Porém, dos veteranos do prime-time, até aqui, só aconteceram “afastamentos”, como Manoel Carlos, Gilberto Braga e Benedito Ruy Barbosa. Nunca uma dispensa, como aconteceu agora. Por isso, muitos apontaram o fato como consequência do fracasso de O Sétimo Guardião, última novela de Silva da Globo, que amargou baixa audiência, críticas pesadas e bastidores conturbados.

Entre tantas análises, uma das que me chamou a atenção foi a de Mauricio Stycer. O crítico do UOL lembrou que a Globo, de maneira geral, vive uma fase de transformações e corte de custos. E Aguinaldo Silva, veterano que é, tinha um alto salário. E, como se diz, a “era dos altos salários” na emissora já está acabando. Ou seja, a dispensa de Silva passa, também, por uma questão econômica. A emissora vem lançando novos autores, que são mais baratos, e começa a dispensar os veteranos, que já estão caros.

Porém, como explicar que Manoel Carlos (por exemplo) está “encostado”, enquanto Silva foi demitido? Afinal, ambos são do prime-time, com um histórico de sucessos incontestáveis, e que não foram felizes em suas últimas produções. Das duas, uma: ou Maneco e seus companheiros “das antigas” também devem ser dispensados ao final de seus contratos, ou o fracasso de O Sétimo Guardião pode ter pesado, sim, na decisão da emissora. Não o fracasso em si, já que todo autor tem seus erros. Mas a maneira como Silva lidou com ele, reclamando publicamente da direção e se recusando a mudar os rumos de sua história. Há quem diga que a relação entre autor e direção de dramaturgia (leia-se Silvio de Abreu) tenha se desgastado.

No entanto, ainda concordo com Stycer. Não é de hoje que a Globo tem dispensado figuras consideradas intocadas. Nos últimos anos, a emissora não renovou com vários atores, jornalistas, diretores e apresentadores. O corte, então, chega às novelas. Assim, acredito que mais novelistas veteranos sejam dispensados em breve. Uma pena, afinal, são profissionais extremamente bem-sucedidos, que em muito contribuíram na consolidação das novelas brasileiras. Mas, ao mesmo tempo, trata-se de uma renovação natural do mercado. Há novos profissionais chegando, e alguns mais velhos não escondem o cansaço e a vontade de parar.

André Santana

sábado, 11 de janeiro de 2020

TV aberta não consegue se livrar das reprises de início de ano

"Só sei que foi assim"

Não tem jeito: entra ano e sai ano e as TV’s abertas brasileiras mostram que não sabem lidar com o período de férias. Basta janeiro entrar em cena para os canais usarem e abusarem dos tais “melhores momentos”, enfiando goela abaixo do espectador uma enxurrada de reprises de seus programas. Houve, num passado não muito distante, o cuidado de se deixar programas gravados para o período de férias, ou a substituição de programas de grade por atrações de temporada. Mas isso não existe mais. Em maior ou menor grau, todos os canais recorrem aos repetecos para suprirem suas grades de programação.

A Globo é a que mais investe em estreias no início do ano. Para janeiro, estão previstas as estreias da nova temporada do Big Brother Brasil, do humorístico Fora de Hora e da novela Salve-se Quem Puder. No entanto, até mesmo a “poderosa” não consegue resistir a uma repetição. Há tentativas de “disfarce” como o Lady Night, que é inédito na TV aberta, mas se trata de uma temporada já exibida no Multishow. Ao menos, é inédita para parte da audiência da Globo. Há também a minissérie Chacrinha, que é inédita na TV, mas se trata do filme sobre o apresentador, fatiado em quatro capítulos.

Mas, curiosamente, a emissora não resistiu a uma reprise logo na primeira semana de 2020. A Globo preteriu Hebe, minissérie cotada para abrir o ano, e optou por exibir O Auto da Compadecida, clássica microssérie exibida em 1999, e que foi editada para se tornar um longa-metragem em 2000, resultando numa das maiores bilheterias do cinema nacional. A Globo tratou o evento como uma comemoração aos 20 anos da série. Porém, em 2020, a minissérie completou não 20, mas 21 anos.

O repeteco de O Auto da Compadecida não chega a incomodar, afinal foi exibida há mais de 20 anos. Há uma geração que conhece apenas o filme, e nem sequer sabia que a produção era, na verdade, uma série de TV reeditada. Em razão da importância da obra, sua reprise anos depois foi oportuna, afinal, a qualidade da produção fala por si. E o público reagiu bem, e O Auto da Compadecida praticamente repetiu o sucesso de sua primeira exibição. Mas não deixa de mostrar que até a Globo não está imune às reprises de início de ano.

Na Record, a coisa também não é das melhores. A emissora reservou estreias em sua linha de shows para fevereiro e, assim, vai levando janeiro com reprises e tapas-buracos. Neste contexto, tratou de embalar conteúdo do Domingo Espetacular e criou o especial Mitos e Verdades, que vem sendo exibido às quintas-feiras. Às quartas, enquanto a nova temporada do Troca de Esposas não começa, o canal vem exibindo episódios da temporada de 2019, como um “esquenta”. Vale lembrar que a Record já havia reprisado o Troca de Esposas aos sábados no ano passado. Ou seja, é a reprise da reprise.

Mas, mudando de canal, a tendência é piorar. A RedeTV, que tem uma grade de programas de fofoca ao vivo, vira um “óasis” de reciclagem de conteúdo. É bem ruim assistir às fofocas repetidas de programas como A Tarde É Sua, Tricotando e TV Fama. A emissora costuma dar férias coletivas às suas produções entre o final de dezembro e início de janeiro, e o resultado é uma grade sucateada. Complicado.

E o SBT não fica atrás. TODOS os seus programas de entretenimento, com exceção do Fofocalizando, estão em fase de reprises. Dá-lhe repetecos de Programa do Ratinho, The Noite, A Praça É Nossa, Programa da Maisa, Programa Raul Gil, Domingo Legal, Eliana e Programa Silvio Santos. Há reprises também do Esquadrão da Moda e do Fábrica de Casamentos nas noites de sábado. E até o Topa ou Não Topa, que retornou há poucos meses, já faz uso do expediente de “melhores momentos”. Triste!

Ou seja, o espectador que está de férias e quer aproveitar a folga para assistir mais televisão, melhor desistir da ideia. Melhor recorrer ao cinema, ao streaming, ou ler um bom livro na praia mesmo. Porque assistir televisão é um teste de paciência.

André Santana