sexta-feira, 29 de maio de 2020

Reinaldo Gottino volta para a Record


A Record anunciou hoje, 29, o retorno de Reinaldo Gottino. O apresentador, que era um dos principais nomes do jornalismo do canal, deixou a emissora no ano passado rumo à nova CNN Brasil. A transferência se deu em razão da demora do canal de Edir Macedo de propor a renovação de seu contrato. Sentindo-se desvalorizado, o apresentador do Balanço Geral SP partiu para o mais novo canal de notícias brasileiro, onde comandava, desde março deste ano, os jornais CNN Novo Dia e CNN 360º. Agora, voltará ao Balanço Geral com status de estrela, na tentativa de reerguer os números do noticioso, que anda em baixa.

Esse vai-e-vem mostra que a Record percebeu a mancada que fez ao deixar Gottino partir. Afinal, o apresentador tinha muitos méritos no sucesso do Balanço Geral, tendo em vista que foi sob seu comando que o jornalístico viu seus índices crescerem. A boa química entre ele, Fabíola Reipert e Renato Lombardi no quadro A Hora da Venenosa, principal sucesso do programa, sempre foi apontada como um dos êxitos da atração. E, mesmo com todo este sucesso, a Record não se esforçou para segurá-lo, e ainda o “enrolou” no momento da renovação.

Como resultado, viu Gottino deixando o canal rumo à CNN, onde teve status melhor. Foi um dos rostos da inauguração do canal, e era o único âncora a aparecer em dois noticiários diários, um pela manhã e outro à tarde. Mas se viu em maus lençóis quando interrompeu e interferiu, erroneamente, na fala de Gabriela Priolli, então uma das debatedoras do quadro O Grande Debate, exibido no CNN Novo Dia. O episódio rendeu muitas críticas ao âncora e culminou com a saída de Gabriela do programa. Mesmo assim, ele seguiu firme no canal, pediu desculpas publicamente e continuou o seu trabalho.

Entretanto, parecia que o espaço de Gottino na CNN iria mesmo diminuir. Isso porque o canal de notícias anunciou a contratação de Rafael Colombo, ex-âncora do Band Notícias. O destino de Colombo era justamente um dos jornais de Gottino. O que não parecia uma ideia ruim, já que não fazia sentido Gottino acumular dois longos jornais e se tornar onipresente na grade da CNN. Mas, agora, não estará em nenhum dos dois, e voltará à casa que o consagrou.

Vale lembrar que a saída de Gottino na Record também expôs a falta de âncoras da emissora. A Record, hoje, é muito dependente destes jornais populares, com apresentadores que são praticamente “showmen”, que seguram horas ao vivo mesmo sem muita informação nova. Assim, quando Gottino saiu, a emissora não tinha quem substituí-lo, e teve que recorrer a Geraldo Luís, que já havia saído do jornalístico e se tornado um animador de auditório. Ao mesmo tempo, teve que recontratar Celso Zucatelli, pois as experiências com novos âncoras pela manhã não deram muito certo.

Ou seja, a Record precisa aprender duas lições: a primeira é valorizar o seu pessoal que dá resultado. Gottino saiu por pura incompetência da emissora. E a segunda é a necessidade de formar novos âncoras para jornais populares. Afinal, não é qualquer um que segura um jornal como esse, e a Record, como dito acima, é bastante dependente do formato.

Geraldo Luís

A Record anunciou o retorno de Reinaldo Gottino numa nota divulgada hoje, 29. Na mesma nota, a emissora avisa que Geraldo Luís, atual titular do Balanço Geral, está afastado por pertencer ao grupo de risco do coronavírus, mas que ganhará um novo projeto. Segundo a nota, a ideia é entregar um novo programa, noturno, a Geraldo, assim que for possível que ele volte ao trabalho.

Vale lembrar que, há alguns anos, a emissora cogitou formatar um programa diário noturno para Geraldo, na tentativa de concorrer com o Programa do Ratinho. Seria essa a ideia da emissora? Ou Geraldo voltará a contar suas “histórias emocionantes” num semanal? Ou esta promessa servirá apenas para “cozinhá-lo”, já que seu contrato termina no fim do ano? Aguardemos.

André Santana

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Zeca Camargo deixa a Globo e Fernanda Gentil assume "É de Casa"

Além das mudanças na programação provocadas pelo coronavírus, a Globo também segue com sua política de enxugamento de gastos, com a dispensa de apresentadores veteranos. Zeca Camargo engrossa a lista dos dispensados do canal nos últimos tempos, uma bola cantada já há algum tempo. Recentemente, informações de que o apresentador não estava satisfeito com uma redução salarial, e que poderia até se transferir para a Record e comandar o Domingo Espetacular, circularam. 

Não se sabe se Zeca vai para a Record, mas o apresentador está de saída da Globo, onde comandava o É de Casa há cinco anos. A emissora divulgou, em nota oficial, que Zeca está deixando o canal “em comum acordo”, e que as portas estão abertas para qualquer novo projeto nas plataformas do grupo. Ou seja, Zeca está saindo do É de Casa e encerrando um contrato fixo, mas pode voltar ao grupo com contrato por obra, caso surja algum novo projeto, como aconteceu recentemente com Otaviano Costa e Angélica.

A dispensa não chega a surpreender. Zeca estava subaproveitado na Globo desde que assumiu o É de Casa, um programa que explorava pouco o repertório do apresentador. Especialista em música e um jornalista cultural de carreira, Zeca é um profissional estofado, mas sem espaço para mostrar isso. Ele chegou à Globo em 1996, vindo da MTV, justamente para trazer projetos voltados ao público jovem, uma fatia de audiência que a emissora encontrava dificuldades em dialogar naquela época.

Assim, Zeca chegou ao Fantástico com a missão de testar novos formatos e novas abordagens sobre assuntos gerais. Seu momento mais bem-sucedido nesta fase foi o Altos Papos, um quadro no qual levava temas diversos para serem debatidos por adolescentes. Na época, diziam que o quadro era um teste para que Zeca emplacasse um programa jovem diário no canal carioca, numa tentativa da Globo de fazer algo próximo do Programa Livre.

Além do Fantástico, Zeca se tornou curinga na grade, assumindo projetos especiais. O mais marcante deles foi o No Limite, primeiro reality show brasileiro da TV aberta, que se tornou um fenômeno de audiência no ano 2000. Ele também comandou outros realities, como Hipertensão e O Jogo, até assumir a apresentação do Fantástico, quando Pedro Bial deixou o posto. De lá, foi parar no Vídeo Show, naquele malfadado formato tipo talk show que Ricardo Waddington tentou emplacar. E foi ali que ele se perdeu. Com o fim daquela versão do vespertino, Zeca acabou ganhando o É de Casa como prêmio de consolação, num palco que dividiu com outros cinco apresentadores sem projeto na Globo. Zeca nunca combinou muito com a atração. Por isso, sua dispensa neste momento em que a Globo não tem mais segurado artistas faz sentido.

Mais surpreendente é a escalação de Fernanda Gentil para o programa das manhãs de sábado. Fora do ar desde a “suspensão” do Se Joga, a loira volta ao ar apresentando dicas para a quarentena. A novidade foi lançada como um quadro, mas, na prática, Fernanda deve revezar no comando das atrações do É de Casa com Ana Furtado, Patrícia Poeta e André Marques. Ou seja, Fernanda é a substituta de Zeca Camargo. Mas a Globo ainda não assume isso, já que isso significaria admitir que o Se Joga realmente chegou ao fim. Porém, parece bastante claro que, se Fernanda se sair bem ali, é ali mesmo que ela vai ficar.

E vale lembrar que o É de Casa faz parte do núcleo de Mariano Boni, o diretor de variedades da Globo que foi o responsável por tirar Fernanda Gentil do esporte e passá-la para o entretenimento. Tudo se encaixa.

André Santana

sábado, 23 de maio de 2020

Feito em casa, "Conversa com Bial" ganha agradável tom íntimo


O programa de entrevistas sempre fez parte da história da TV. E neste momento de isolamento social, acompanhar uma boa conversa se tornou um programa ainda mais necessário. Por isso, a direção da Globo acertou em cheio ao retomar o Conversa com Bial, feito da casa do apresentador e baseado em videoconferências. Com a mudança, a atração de Pedro Bial valorizou a entrevista e o entrevistado, dando protagonismo à conversa de fato e retomando a raiz do talk show, feito com uma cadeira e um entrevistado que tem o que dizer.

Desde a sua estreia, em 2017, o Conversa com Bial sempre se mostrou uma alternativa aos night shows. Ao substituir Jô Soares, um showman que fazia suas entrevistas baseadas no humor, Bial deu um tom mais jornalístico à sua arena de perguntas. No entanto, não fugiu de alguns elementos que pareciam imprescindíveis para o formato, como a plateia, a banda ao vivo e até a caneca (ou copo) com bebida. Assim, a atração veio com a proposta de valorização da entrevista e do entrevistado, mas tendo ao seu redor outros elementos que garantiam o tom de show.

Agora, não. Totalmente centrado na videoconferência, Conversa com Bial perdeu todo o lado de “show” e se tornou um programa de entrevistas “raiz”. Esta nova temporada resgatou um formato clássico, com entrevistador e entrevistado “frente a frente” (neste caso, de frente, mas à distância), num tipo de talk show que consagrou grandes jornalistas, como Ferreira Netto e Marília Gabriela. E funcionou muito bem, já que reúne convidados que têm o que dizer com um apresentador que sabe perguntar.

Além disso, a nova versão do Conversa com Bial conta com um aparato muito menos suntuoso. E isso se reflete nas entrevistas. Com o convidado em sua própria casa, falando apenas diante de uma pequena câmera, a conversa ganha um tom mais íntimo. O convidado não parece se sentir num programa de TV, já que está na sua casa, sem cameraman, holofotes ou plateia. Ou seja, ele literalmente está em casa. Com isso, fica claro que o entrevistado fica mais à vontade, totalmente desarmado, dando declarações que nunca deu. Isso faz a entrevista render ainda mais.

Foi assim na estreia, quando Pedro Bial comandou uma conversa riquíssima, interessante e muito emocionante com Gloria Maria. Ao conversar com o ator Paulo Gustavo, Bial mostrou o quanto a vida cotidiana do ator não é diferente de qualquer outra. Anitta, normalmente mais “mascarada” em entrevistas, também se mostrou mais “humana”. E o que dizer da entrevista com Lima Duarte? Cheia de conteúdo e emoção. Fechando a semana, a conversa com Xuxa foi bonita, franca e muito divertida. Em suma, uma excelente semana de estreia.

Fora isso, Conversa com Bial mostra que é possível fazer uma televisão simples e eficaz. Num momento em que se exige criatividade e até soluções improvisadas para seguir produzindo, o programa perdeu qualquer pudor com uma possível falta de recursos, passando o recado claro que qualquer dificuldade técnica pode ser relevada quando há um bom conteúdo sendo exibido. Numa videoconferência, nem sempre som e imagens são da melhor qualidade. Mas isso perde importância diante de um bom papo. E realizar uma série de entrevistas sobre os 70 anos da TV brasileira também parece uma excelente ideia, neste contexto de reinvenção da própria maneira de se fazer TV. Conversa com Bial retornou promissor.

André Santana

Xuxa pode voltar à Globo?


Depois de um rompimento cheio de mágoas e alfinetadas de todos os lados, Xuxa e Globo parecem ter voltado às boas. Os fãs da Rainha dos Baixinhos foram ao delírio quando a loira foi lembrada num recente especial do Domingão do Faustão, que resgatou vários clássicos da música infantil. Pouco tempo depois, a apresentadora apareceu novamente na antiga casa, numa boa participação no Conversa com Bial. A relação entre a artista e sua antiga casa parece tão boa, que muitos já desconfiam que pode rolar um retorno. Será?

As desconfianças não são à toa. Quando deixou a Globo rumo à Record, em 2015, Xuxa se tornou um nome meio proibido em sua antiga casa. Isso ficou claro quando a apresentadora surgiu num desfile de carnaval e foi mostrada rapidamente na cobertura da Globo, com pouco destaque. Com o ocorrido, Xuxa chegou a desabafar, numa coluna à Contigo!, que se sentiu triste ao notar as câmeras da emissora deixando de focá-la durante sua passagem na avenida.

Porém, não é de hoje que a Globo tem sido bem mais flexível nas citações à concorrência. Assim, o fato de falar de Xuxa não ser mais um tabu não chega a ser uma surpresa neste momento. Ou seja, o resgate da participação de Xuxa no Faustão não foi nada muito significativo, sob este ponto de vista. Mas a participação no Conversa com Bial, sim! A Globo exibiu um programa inteiro com a participação de sua ex-estrela!  O programa de Pedro Bial foi 100% voltado a reverenciar a história de Xuxa, tendo como mote as comemorações dos 70 anos da televisão brasileira, tema de uma série de entrevistas que Bial pretende fazer nesta temporada. Não é qualquer coisa.

Assim, se as relações entre Xuxa e Globo estão tranquilas, um retorno seria considerado? Inicialmente, não é algo que se pode cravar. Isso porque a emissora, há tempos, já conta com pouco espaço para programas mais, digamos, “autorais”. O entretenimento do canal, hoje, é muito voltado para formatos, programas temáticos e de temporadas. Exemplo claro disso é o caso de Angélica, que deve voltar ao ar com um programa temático, de temporada e com contrato por obra. Um programa protagonizado por um apresentador, como Caldeirão do Huck e Domingão do Faustão, é cada vez mais raro. Ou seja, Xuxa não voltaria com o status de estrela que tinha em sua passagem anterior, quando fez vários programas infantis e de variedades que levavam seu nome.

E Xuxa parece consciente disso. Vale lembrar que, numa entrevista a Leo Dias, a apresentadora confessou que se sentiu desvalorizada na antiga casa, e que errou ao exigir coisas que a emissora já não podia mais dar. Não ficou claro, mas parece que era justamente disso que ela estava falando. Não havia mais espaço na Globo para um programa com Xuxa, sobre Xuxa e feito para a Xuxa, como era o TV Xuxa, por exemplo. E a loira, inicialmente, se sentiu desprestigiada por isso. Depois, segundo ela mesma disse, compreendeu que não se tratava de uma desvalorização, e sim de que os tempos na TV eram outros e ela ainda não estava adaptada a esta nova realidade.

E isso aconteceu justamente na Record! A nova emissora deu à Xuxa o espaço autoral que ela buscava, mas não deu certo. Assim, Xuxa se submeteu aos formatos, comandando programas que não eram sobre ela e nem para ela. Ou seja, ela aceitou perder o status de grande estrela que sempre tentou manter, justamente para se adaptar a esta nova realidade que ela mesma apontou na entrevista a Leo Dias. E essa “nova Xuxa”, mais disposta a outros postos de trabalho, poderia até ter espaço na Globo. Cabe na atual estrutura da emissora uma atração com Xuxa, de temporada, com uma proposta diferente do que a apresentadora fez antes. Talvez até um novo formato. Conclusão: uma volta de Xuxa à Globo ainda me parece pouco provável. Mas não é impossível. E vale lembrar que o contrato dela com a Record vence no fim do ano. Tempo ao tempo.

André Santana

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Quarentena de Silvio Santos está afundando o SBT

Ninguém entendeu nada quando a coluna do Leo Dias, no UOL, antecipou que o SBT programou uma reprise do Primeiro Impacto na hora do almoço. E entendeu menos ainda quando a tal reprise entrou no ar não na segunda, 18, como previsto, e sim na terça, 19. E foi muito, muito esquisito, ver no ar uma reprise de jornal na hora do almoço, repleto de notícias velhas e desinformação.

Mas aconteceu. Entre terça e quarta-feira, 20, o SBT pegou o mesmo Primeiro Impacto exibido pela manhã e o reexibiu na hora do almoço, entre meio-dia e 15 horas. Assim, foram ao ar entradas ao vivo que não eram ao vivo, informação de um trânsito que já não mais existia e uma Márcia Dantas repetindo que eram “nove e pouco” quando já passava da uma da tarde. Foi bizarro, foi muito bizarro!

Trata-se de mais um episódio que mostra a “paixão” que Silvio Santos tem pelo Primeiro Impacto. O dono do SBT tanto fez que até conseguiu fazer o noticiário interminável, exibido das 4h às 10h30 diariamente, registrasse bons índices de audiência em sua faixa original. Porém, Silvio Santos quer porque quer que seu produto, já que tem apresentadores controversos e muito conteúdo reciclado, seja uma resposta de seu canal ao Balanço Geral, da Record. E quando o patrão cisma com uma coisa… sai de baixo!

Ou alguém se esqueceu que, há uns três anos, Silvio Santos exigiu que o Primeiro Impacto deixasse as manhãs do SBT e fosse exibido ao meio-dia? Sim, essa mudança já aconteceu. E afundou o SBT! Afinal, a emissora tem tradição em programação infantil neste horário, e nenhuma tradição em jornalismo na faixa. Assim, o espectador que busca informação não vai procurar o SBT neste horário. Vai procurar na Globo e na Record, que exibem noticiários no horário há anos. E noticiários de tradição e com investimentos, ao contrário do Primeiro Impacto, que sempre operou precariamente. Isso ficou tão claro que o Primeiro Impacto da hora do almoço não durou uma semana. Logo, os desenhos do Bom Dia & Cia voltaram.

Mas desta vez, a coisa foi pior. Tentar conter um jornalismo fortalecido da concorrência com uma reprise é o cúmulo do amadorismo e do mau gosto. Durou dois dias apenas, e foi muito! Isso jamais deveria ter acontecido. Porém, Silvio Santos na quarentena não parece disposto a deixar de brincar com seu brinquedo preferido, que é o SBT. Vem mais loucuras por aí! Aliás, dizem que ele voltou a cismar com um jornal policial na faixa das 18 horas. Cantaram até a bola da volta do Aqui Agora. Mas vale lembrar que o Aqui Agora já voltou, em 2008, e durou um mês. Outros noticiosos foram exibidos ali, como o Boletim de Ocorrências e o SBT Notícias com Neila Medeiros (a única capaz de bater no Datena etc). Nada deu certo. E não vai dar. Afinal, o SBT não tem nem estrutura para abastecer um novo jornal. E não vai investir. Desgaste desnecessário.

André Santana

sábado, 16 de maio de 2020

Com reprises desde janeiro, SBT paga pela falta de estratégia


O SBT foi o canal aberto mais prejudicado com a pandemia de coronavírus. A emissora, que praticamente fecha entre os meses de janeiro e março, estava retomando suas produções quando foi obrigada a interrompê-las novamente, por conta da necessidade de isolamento social. Com isso, o canal de Silvio Santos está há praticamente cinco meses sem produção inédita de entretenimento.

Com exceção do Fofocalizando, agora chamado de Triturando, que seguiu ao vivo ao longo de todo este período, os demais programas de entretenimento do SBT pararam. Programa do Ratinho, Roda a Roda, The Noite, Operação Mesquita, Programa da Maisa, A Praça É Nossa, Programa Raul Gil, Topa ou não Topa, Domingo Legal, Eliana e Programa Silvio Santos entraram em férias no mês de janeiro. Até o carnaval, o que se viu destes programas foi uma enxurrada de “melhores momentos”. Em seguida, as produções foram retomadas, e algum conteúdo inédito foi exibido. Mas por pouquíssimo tempo.

 Assim que foram anunciadas as medidas protetivas em razão da pandemia, o SBT fechou novamente. E, assim, a emissora voltou a recorrer às reprises. Claro, esta forte pandemia era imprevisível. No entanto, a emissora estaria numa posição minimamente mais confortável se planejasse melhor as suas férias. Viver de reprises no início do ano nunca foi um bom negócio. E, com a necessidade de parar de vez, o SBT se viu encurralado. Emendou reprise em mais reprise.

Porém, o SBT tem seus trunfos. É da emissora a única novela nacional inédita em exibição, As Aventuras de Poliana. A trama infantil se viu em vantagem por conta de sua frente bastante grande de exibição. Mas a primeira fase da novela de Íris Abravanel acabará em breve, e a emissora perderá este trunfo.

Há ainda tentativas interessantes de recauchutar conteúdo, caso do Bake Off – A Cereja do Bolo, exibido nas noites de sábado, que traz os melhores momentos do reality costurados por conteúdo inédito, com segredos de bastidores e reencontros de participantes. A emissora também ensaia voltar com o Programa do Ratinho nos próximos dias, com o formato adaptado à nova realidade. Domingo Legal e The Noite também devem voltar. A emissora vai apostar em programas de auditório mais enxutos, com pouca gente e um “auditório virtual” (na verdade, uma arquibancada com monitores com imagens de espectadores).

Mas é pouco. Enquanto os outros canais se desdobram para realizar programas da casa de seus apresentadores, e abusam das lives para oferecer entrevistas inéditas, o SBT parece parado no tempo. Esta pausa forçada deveria fazer a emissora repensar sua grade de férias, pra que não precise passar tanto tempo assim vivendo de reprises. Mas, conhecendo o histórico da emissora, isso não vai acontecer.

André Santana

sexta-feira, 15 de maio de 2020

"Caldeirão do Huck" e o futuro dos programas de auditório

Estava este pequeno jornalista ouvindo o podcast UOL Vê TV, no qual os jornalistas Mauricio Stycer, Débora Miranda, Flavio Ricco e Chico Barney comentam os assuntos da semana na telinha, quando me deparei com um debate muito interessante sobre o futuro dos programas de auditório. Em tempo de pandemia e distanciamento social, fica inviável reunir um grande número de pessoas dentro de um estúdio de TV. Assim, enquanto não houver vacina contra a covid-19, os programas de auditório não poderão ter auditório. É uma mudança e tanto, se levarmos em consideração que programas de auditório sempre formaram um dos pilares de sustentação da TV brasileira.

No entanto, este debate tem outras variáveis consideráveis. A principal delas é o fato de os programas de auditório estarem em franca fase de extinção. O que se vê na TV hoje, no geral, são programas COM auditório. Ou seja, programas gravados com uma plateia, mas que a plateia não serve para nada além de compor o ambiente. Resumindo, fazem parte do cenário. Todos os “novos” programas de auditório são assim. São, na verdade, colchas de retalhos com auditório.

Caldeirão do Huck é o expoente máximo deste “novo gênero”. Luciano Huck faz um programa cheio de quadros, sendo que boa parte dele acontece em externas ou em outros estúdios que não o estúdio principal do Caldeirão. No cenário principal, ele apenas faz merchans e “costura” os demais quadros. Atualmente, o cenário principal da atração vem servindo de palco para o quadro Pequenos Gênios, gravado antes da pandemia. Ou seja, é um raro momento em que o estúdio principal serve para alguma coisa. No geral, não serve para nada.

Há outros quadros com auditório, como Quem Quer Ser um Milionário? e The Wall, este último atualmente em exibição. Os dois gravados em outro estúdio, mas com presença de plateia. Porém, a plateia também serve como decoração. Se não tivesse plateia, ou se ela fosse reduzida, não faria diferença. Além disso, recentemente, Luciano comandou um Gonga La Gonga de casa, com convidados e jurados interagindo por videoconferência. Funcionou. A plateia não fez falta.

Eliana, no SBT, e Hora do Faro, na Record, também surfam nesta onda. Os dois programas têm plateia, mas se não tivessem não faria diferença. Tanto que a plateia de Eliana sempre foi super reduzida. Se sumisse de vez, ninguém sentiria falta. Neste contexto, apenas Silvio Santos comanda um programa no qual realmente o auditório faz diferença. Ratinho também interage bastante com a plateia, mas já está gravando seu programa sem ela, ou seja, é possível fazer sem auditório.

Sendo assim, minha contribuição com esse debate é: os programas de auditório não passarão por grande reinvenção. Apenas assumirão que, na prática, nunca foram programas de auditório. Luciano Huck e seus colegas poderão, perfeitamente, seguir tocando seus programas (claro, dentro de todas as medidas protetivas e de segurança), sem plateia e sem maiores modificações. Vai continuar funcionando.

André Santana

terça-feira, 12 de maio de 2020

Com "Cartas Para Eva", Angélica mostra que seu lugar é o GNT


Como parte da programação especial de Dia das Mães, o GNT exibiu, no último domingo, 10, o programa Cartas Para Eva. Na atração, a apresentadora Angélica aparece escrevendo uma carta sobre feminismo para sua filha caçula, ao mesmo tempo em que faz entrevistas sobre a força feminina, debatendo os desafios da maternidade na pandemia com figuras como Ivete Sangalo e Luiza Helena Trajano. A atração, de roteiro delicado e execução simples e certeira, mostrou o que este blog tem insistido há tempos: Angélica é a cara do GNT!

Cartas Para Eva mostrou que Angélica está mesmo buscando uma reinvenção na TV. Isso porque sua carreira, até aqui, ficou marcada por programas sem grandes pretensões. Animadora de mão cheia, Angélica comandou games, musicais e entrevistas rasas. Pouco se viu a apresentadora, em cena, debatendo assuntos relevantes, ou trazendo informações e até levantando bandeiras. Ela sempre foi puro entretenimento.

No entanto, algo mudou na apresentadora. Desde o acidente de avião que sofreu com sua família, há alguns anos, Angélica tem dado entrevistas falando sobre a transformação interior que passou por conta do ocorrido. A estrela revelou que ioga e meditação foram fundamentais para que ela se livrasse do pânico. Em suas redes sociais, Angélica tem, cada vez mais, compartilhado conteúdo sobre vida simples e positividade. Nas últimas semanas, ela até vem realizando lives com entrevistas sobre fé e saúde mental.

E vale lembrar que esta também é a intenção de seu novo projeto na Globo, o programa Simples Assim. A atração, que deveria ter estreado no mês passado, foi interrompida em razão da pandemia. A ideia do novo programa, como o próprio título sugere, é falar sobre assuntos que colaboram para uma vida simples, plena e feliz. Bem em sintonia com o discurso da apresentadora em entrevistas e nas redes sociais. O fato de ela ter apresentado um especial sobre feminismo no GNT é mais uma prova de que a apresentadora, depois de anos fazendo entretenimento, quer fazer algo mais relevante. Que passe alguma mensagem e acrescente algo ao público.

Vida simples, maternidade, positividade, feminismo... esta “nova” Angélica é ou não é a cara do GNT? A apresentadora quer abordar novos assuntos. No entanto, os assuntos aos quais ela se propõe esmiuçar parecem mais próximos da TV paga do que da TV aberta. Simples Assim, só pela descrição e pelo título, já não parece algo que o GNT exibiria? E Cartas Para Eva não reforçou esta impressão de que o atual discurso da apresentadora está alinhado à proposta do próprio canal? Angélica pode querer seguir na TV aberta, já que “nasceu” e cresceu ali. Mas, talvez sem perceber, ela caminha para outros rumos. Tanto o GNT quanto a internet parecem caminhos mais naturais para suprir os anseios que a apresentadora claramente demonstra. E o fato de agora ela trabalhar como “freelancer” para a Globo pode fazê-la encontrar outras maneiras de fazer reverberar o seu atual discurso.

André Santana

sábado, 9 de maio de 2020

Silvio Santos lança "Triturando", que poderia se chamar "Torturando"


Silvio Santos, em quarentena, segue praticando de sua casa o seu esporte preferido: lançar mudanças estapafúrdias na programação do SBT. Do nada, tratou de mudar o nome do programa Fofocalizando (de novo), que agora se chama Triturando. A “estreia” aconteceu nesta sexta-feira, 08, o que deixou a coisa ainda mais bizarra. E como “novidade” pouca é bobagem, a atração ainda dobrou seu tempo no ar, ocupando o horário do Casos de Família. O que vai acontecer com o programa de Christina Rocha? Vai-se saber!

O curioso desta história toda é como e por que a mudança aconteceu. Segundo o site Notícias da TV e informações de Ricardo Feltrin, do UOL, Silvio Santos vinha acompanhando o Fofocalizando há tempos, e propondo mudanças quase diárias na atração. Foi ele, por exemplo, quem inventou que o quadro Tritura ou Não Tritura deveria analisar músicas antigas, fazendo com que o vespertino se tornasse uma espécie de rádio dos anos 1960. Nada contra as canções clássicas (pelo contrário), mas deixar músicas tocando no ar com uma foto do artista por mais de um minuto num programa vespertino é pedir para o público trocar de canal.

E por que Silvio Santos vinha dispensando tanta atenção ao Tritura ou Não Tritura? Porque, segundo estas mesmas fontes, o dono do SBT se diverte muito com o Fofobyte, o robozinho que a apresentadora Chris Flores usa para “triturar” as fotos de artistas no quadro. E, justamente por proporcionar momentos tão descontraídos ao dono, que não pode sair de casa, veio a ideia de fazer o quadro se tornar o programa. Por isso, Fofocalizando virou Triturando, já que os apresentadores agora passam a tarde dando opiniões sobre fatos do dia e “triturando” aquilo que não concordam.

Na prática, não mudou nada. Fofocalizando já não era um programa de fofocas há um bom tempo. Depois da saída de Leo Dias e da passagem relâmpago de Fábia Oliveira, o programa ficou sem notícias exclusivas sobre celebridades. Assim, Chris Flores, Mara Maravilha, Gabriel Cartolano e Lívia Andrade passavam a tarde comentando sobre notícias já dadas nos demais programas, sites e jornais especializados. Ou seja, ao trocar o titulo Fofocalizando para Triturando, o SBT assume que o programa não tem conteúdo exclusivo, e sim usa de conteúdo de terceiros para tecer opiniões e “triturar” notícias controversas.

Nesta “estreia”, chamou a atenção o fato de os apresentadores estarem bem à vontade para expressarem suas opiniões. Chris Flores roubou a cena ao fazer uma crítica bastante contundente (e sem perder a elegância de sempre, diga-se) à Regina Duarte, por conta de sua desastrosa entrevista à CNN Brasil. “Eu quero te agradecer por esta entrevista. Porque finalmente eu conheci quem é Regina Duarte”, disparou. Numa emissora assumidamente pró-governo, uma opinião como esta causa surpresa. A fala de Chris vem repercutindo bastante.

Porém, no geral, Triturando é um programa sonolento. Deixar seus apresentadores mais de duas horas no ar jogando conversa fora, e “julgando” notícias requentadas e músicas antigas, parece um tiro no pé do SBT. Do jeito que está, o programa não tem fôlego e nem conteúdo para ficar no ar por tanto tempo. É praticamente uma tortura. Triturando mais parece Torturando.

Ao que tudo indica, Fofocando/Fofocalizando/Triturando está a um passo do cadafalso. Quando mudanças sem sentido começam a se tornar constantes, é sinal de que Silvio Santos está “fritando” (olha aí outro nome bom para a atração) o programa que criou. Até chama a atenção a quantidade de chances que o dono do SBT tem dado ao vespertino, que já passou por inúmeras modificações desde 2016, quando estreou chamado de Fofocando. São quatro anos aos trancos e barrancos. Quanto tempo mais o vespertino resistirá?

André Santana

"Conversa com Bial" retorna com entrevistas à distância


O bom desempenho do Encontro com Fátima Bernardes, matinal que vem fazendo uso de videoconferências para manter suas entrevistas em tempo de pandemia, deve ter animado a direção da Globo a seguir apostando em entrevistas remotas. O Conversa com Bial, talk show que estava suspenso durante o período da quarentena, voltará ao ar no próximo dia 16 de maio, também com o formato adaptado.

O programa de Pedro Bial, neste momento crítico da quarentena, será feito também por meio de lives. O apresentador comandará entrevistas de sua casa, com o convidado do dia sendo entrevistado da casa dele, por meio de videoconferência. Nesta nova fase, Conversa com Bial será um pouco menor, com meia hora de duração, mas deve manter a sua principal característica, que é oferecer uma boa entrevista no fim de noite da Globo.

Neste momento em que as produções de entretenimento são escassas, qualquer tentativa de fazer algo novo, adaptado ao período, vale a pena. Conversa com Bial é um programa de produção caprichada, com cenários, banda e plateia compondo um ambiente agradável para um bate-papo. Mas a sua grande atração é mesmo o convidado e a entrevista feita por Bial. E isso pode ser feito à distância. Ou seja, o programa não perderá sua essência. E, arrisco dizer, pode se tornar ainda mais interessante, já que não haverá qualquer “distração” para a conversa.

O fato de o Encontro com Fátima Bernardes estar funcionando bem com este formato atual mostra que é sim, possível, fazer um entretenimento de qualidade, mesmo com as limitações atuais. Os recursos tecnológicos e a criatividade dos diretores e produtores de TV estão aí mesmo para serem usadas e abusadas. Aliás, outro programa que fez um bom uso de entrevistas remotas recentemente foi o Caldeirão do Huck. Até aqui, o programa de Luciano Huck era o menos afetado das produções da Globo, já que tinha (e ainda tem) muito material de gaveta. Mesmo assim, a atração apostou numa versão “online” do quadro Gonga La Gonga, com Luciano em casa, cada jurado em sua casa e o competidor na casa dele. E funcionou. A Globo podia se animar e pensar em formatos remotos para serem implantados também no Altas Horas e Domingão do Faustão.

E vale lembrar que outras emissoras já vinham apostando nos skypes da vida antes da Globo aderir. A Band, há mais de um mês, realiza o Melhor da Tarde com Cátia Fonseca de sua casa, conversando com seus convidados por videochamadas. Luciana Gimenez, da RedeTV, também já vinha apostando em entrevistas por meio de seu telão nos programas que comanda. São saídas interessantes para manter o interesse do público num momento em que entretenimento em casa nunca foi tão necessário.

André Santana

terça-feira, 5 de maio de 2020

Band anuncia reprise de "Floribella" e outras novidades


Com suas produções paradas, os canais abertos estão recorrendo às reprises de novela para preencher a grade de programação. Faz sentido. Mas mesmo quem não produz sua própria dramaturgia vai entrar na onda, aproveitado esta onda nostálgica provocada pela pandemia de coronavírus. É o caso da Band, que estava engatilhando a novela portuguesa Valor da Vida para substituir Ouro Verde. A emissora mudou de ideia e resolveu tirar o pó de Floribella, trama infantil de sucesso exibida entre 2005 e 2006.

Claro, mesmo que o canal não esteja produzindo suas novelas, se trata de uma medida econômica, já que não haverá custos com a importação do folhetim e sua dublagem. Mas o fator nostalgia também deve ter pesado, já que os fãs vinham pedindo uma reprise comemorativa, afinal, lá se vão 15 anos da estreia de Floribella. E é uma reprise oportuna, já que a novela tem fãs adultos saudosos, que poderão apresentá-la à nova geração. Fora que é uma produção bastante simpática e muito divertida! Vai ser bom cantar novamente a música que formou uma nova geração de comunistas: “não tenho nada, e tenho tenho tudo! Sou rico em sonhos, e pobre pobre em ouro! O que me importa, se todo esse dinheiro não compra amigos, estrelas, o amor verdadeiro!”. Piadoca.

Mas ainda vai demorar um tempo para Floribella retornar, já que a estreia está prevista para julho. Até lá, o SBT também deve atacar com uma reprise de novela infantil, já que a primeira fase de As Aventuras de Poliana está na reta final, e as gravações da segunda leva foram adiadas para 2021, em razão da pandemia. Segundo a imprensa especializada, Carrossel e Carinha de Anjo são as cotadas para a vaga. Sobre isso... Carrossel de novo não, né?

Voltando à Band, o canal também programou outras novidades já para o mês de maio. A emissora vai reprisar a primeira temporada de MasterChef Profissionais a partir de hoje, 05. A ideia é manter o MasterChef às terças, mesmo com a impossibilidade de se gravar uma nova leva de episódios. Bom, o momento pede, mas... tem graça rever um reality show, já sabendo de seu desfecho? Sei não...

Além disso, o canal segue apostando em enlatados. A Band vai exibir a primeira temporada de Largados e Pelados, sucesso do Discovery. Na atração, um casal precisa sobreviver num lugar ermo sem abrigo, comida ou.. roupas. A ótima série Law & Order: Special Victims Unit também estreia na emissora em maio.

André Santana

sábado, 2 de maio de 2020

Fracasso do "The Four" atesta: Record precisa rever programação


Na última quarta-feira, 29, a Record exibiu o último episódio da segunda temporada de The Four Brasil. Para driblar as dificuldades impostas pela pandemia de coronavírus, a emissora optou por exibir a semifinal, gravada com plateia reduzida num momento em que o isolamento social ainda estava mais frouxo, seguida de uma final improvisada ao vivo, com Xuxa, jurados e finalistas interagindo por uma videochamada. O resultado foi uma final chocha, inclusive na audiência: com baixíssimos índices, o segundo The Four foi um fiasco.

A queda do The Four tem a ver com uma série de erros, que foram agravados pela pandemia. Erros estes já apontados aqui em outras oportunidades. O principal deles: a infeliz ideia de se exibir o talent show no início das noites de domingo. The Four inaugurava um novo planejamento da emissora, que pretendia exibir todos os seus talent shows aos domingos, depois de Hora do Faro. Era uma das medidas para tentar reerguer o domingo da emissora, que vinha penando há meses, quando se tornou freguês do SBT, que ganhou fôlego com Domingo Legal e Eliana.

Está aí o erro. Se a ideia era fortalecer o domingo, não fazia muito sentido apostar numa linha de talent shows que nunca apresentou resultados satisfatórios nem mesmo nas noites de quarta-feira. Como se sabe, quarta-feira é um dia mais “fácil” de se emplacar entretenimento, já que a linha de shows dos demais canais concorre com o futebol da Globo. As demais emissoras sabem que “sobra” um público formado por mulheres e jovens, que buscam alternativas.

Foi justamente por isso que a Record exibia estes programas às quartas. The Four estreou no ano passado, mas desde 2018 a emissora já vinha apostando em Dancing Brasil, Canta Comigo, Batalha dos Confeiteiros e outros títulos nesta faixa, promovendo um revezamento de formatos que atravessava o ano. Uns eram mais bem-sucedidos que outros, naturalmente, mas nenhum deles explodiu. Estas atrações sempre apresentaram dificuldades ao concorrer com o Programa do Ratinho, do SBT.

Com este histórico morno, beirou a ingenuidade acreditar que qualquer um destes formatos poderia fortalecer o domingo. Se na quarta, com uma concorrência mais “tranquila”, eles não aconteceram, o que dirá o domingo, quando só estão em cena pesos-pesados? Na faixa das 18 horas, a Record encontrou uma Eliana cheia de fôlego e um Domingão do Faustão recebendo em alta do futebol. Ou seja, foi uma manobra que tinha tudo para dar errado.

E arrisco dizer que o fiasco nem foi tão grande quanto se supunha. Quando estreou aos domingos, The Four ficou bem longe do SBT, é verdade, mas ainda mostrou resultados semelhantes aos da primeira temporada. Ou seja, não serviu para elevar os índices de audiência, o que era esperado, mas mostrou que tinha, ao menos, um público cativo. Mas, claro, a direção da emissora se mostrou insatisfeita com os resultados (estavam esperando um milagre) e voltou com o The Four para quarta. Neste momento, as atenções do público já estavam voltadas às notícias sobre o novo coronavírus, e a mudança afundou o programa de vez.

Ou seja, The Four enfrentou mudanças intempestivas, impaciência da direção da Record e até o novo coronavírus. Soma-se a isso o fato de o formato ser até divertido, mas com pouco apelo, e o resultado foi um fiasco um tanto barulhento. E isso só prova o que já batemos na tecla aqui várias vezes: a Record tem trocentos formatos, todos muito parecidos uns com os outros, e nenhum capaz de se tornar um grande sucesso. É um mistério os motivos de a emissora continuar insistindo neles.

Com a pandemia, os demais formatos estão cancelados este ano. A emissora poderia aproveitar este hiato para repensá-los. Não faz muito sentido insistir em programas que, claramente, o público da emissora não se interessa. É hora de renovar a linha de shows.

André Santana

sexta-feira, 1 de maio de 2020

História da TV: Relembre "Zapping", o "Vídeo Show" da Record


Em 1999, a Record começava a chamar a atenção no Ibope com uma programação popular. Tendo José Paulo Vallone como diretor de programação, a emissora investiu numa grade calcada em novelas, programas de auditório e humorísticos, que começaram a render bons resultados. São desta leva atrações como Amigos e Sucessos, Fabio Jr – Sem Limites pra Sonhar, Quarta Total, Escolinha do Barulho e a novela Louca Paixão. E, neste tempo bastante produtivo, surgiu a ideia de um programa que explorasse os bastidores da TV: nascia o Zapping.

Antes de ser titulo de programa da Record News, Zapping dava nome a uma atração semanal apresentada por Virgínia Nowick. O programa era exibido aos sábados, na faixa das 21 horas, e trazia Virgínia Nowick sem cenário fixo, passeando por locais, sets de gravação e casa de famosos, trazendo reportagens variadas. A apresentadora mostrava os bastidores dos programas da Record, imagens do rico arquivo da emissora, dicas culturais e matérias sobre o canal. O ator Matheus Carrieri, que vivia Pedrão em Louca Paixão, participava do Zapping como repórter.

Zapping não era apenas um programa sobre a Record. A atração também tinha ares de Vitrine, da TV Cultura, com reportagens sobre artes e espetáculos. Além disso, tinha elementos de Estrelas, da Globo, já que cada edição do programa era costurado por uma grande entrevista, com um famoso mostrando sua casa ou num passeio com Virgínia, enquanto contava curiosidades sobre sua vida e carreira. Havia também o Ops, um quadro que mostrava os erros de gravação da Record.

Ou seja, Zapping era uma espécie de Vídeo Show da Record. E era bem interessante. Naquela época, a Record vivia uma fase bastante produtiva, e o Zapping era uma boa fonte de informações sobre a emissora. E o programa surfou na boa recepção da programação do canal naquele tempo, numa fase em que toda a linha de shows da Record apresentava bons resultados de audiência para os padrões do canal na época. Assim, Zapping também teve uma boa recepção, e mesmo exibido num horário difícil, a noite de sábado, conseguiu resultados expressivos de audiência. Chegou a ser um dos programas mais vistos da emissora na época.

Mas, como se sabe, a Record sempre dá um jeito de estragar um sucesso. Aos poucos, a emissora foi jogando o Zapping para cada vez mais tarde, fazendo o programa perder espaço e relevância. Mas a coisa degringolou de vez quando o canal mudou o dia de exibição, encaixando o Zapping tarde da noite de sexta-feira. Ali, o programa sumiu de vez, agonizando até sair do ar. Zapping foi exibido de 17 de abril de 1999, até 18 de novembro de 2000.

Antes de migrar para a Record News e assumir novo formato, Zapping teve uma tentativa de retorno na própria Record. Foi em 2003, numa edição diária e vespertina apresentada por Renata Fan. Com um formato bem mais simples (Renata apenas chamava cenas de outras produções da Record), teve vida curtíssima e passou despercebido (se durou uma semana foi muito). Mais tarde, em 2007, é que o título foi retomado na Record News, adotando o formato de revista de celebridades.

Virgínia Novick

Virgínia era uma profissional de TV bastante famosa na década de 1990. Atuou como apresentadora e atriz em diversas atrações. Começou no SBT, vivendo Vivian na série Alô Doçura (1990), na qual dividia a cena com César Filho. No ano seguinte, apresentou o programa Musidisc (1991), no mesmo canal. Chegou à Globo em 1994, como repórter do Vídeo Show. Na “Vênus platinada”, foi vista também como atriz, em Decadência (1995), como repórter do Você Decide (1995), e novamente atriz em Vira-Lata (1996). Em 1998, passou pela Manchete, onde dividia o comando do Domingo Total com Sergio Mallandro e Otávio Mesquita. Em seguida chegou à Record, onde participou da primeira versão da série A História de Ester (1998) e apresentou o Fala Brasil (1998). Na época, o matinal tinha formato de revista eletrônica, e Virgínia o dividia com outros quatro comandantes. Dali é que foi credenciada para assumir o Zapping.

Com o fim da atração, Virgínia foi vista depois como atriz, na novela Roda da Vida (2001) e participando de um episódio de Linha Direta Justiça (2004), na Globo. Aí, ficou anos afastada da TV, até retornar em Chiquititas, no SBT, em 2013. No folhetim, viveu a perua Eduarda. Ah, vale lembrar que em seu auge na telinha, Virgínia foi garota-propaganda das Lojas Marisa, tornando-se o rosto da loja. Tanto que muitos a chamam de Marisa até hoje, tamanho o sucesso das campanhas estreladas por ela

André Santana

terça-feira, 28 de abril de 2020

Vitória de Thelma consagra um grande "BBB"!

Quando pensei num título para este texto, considerei classificar este “o melhor BBB de todos os tempos”. Mas preferi “um grande BBB”, e explico o motivo. Quem está aqui desde os tempos do Zip.net, deve se lembrar que eu nunca fui grande fã do reality show da Globo. Por isso, não acompanhei todos como deveria. E, por isso, seria leviano eleger um melhor que o outro, sendo que, para mim, várias edições passaram em brancas nuvens.

Também aviso que este texto será todo assim, em tom mais pessoal. Porque acho que, hoje, quem está aqui é o André público, o André espectador, e o ser humano, com suas vivências e visões de mundo. E é neste tom pessoal que eu explico: quando digo que nunca fui fã de BBB, não quero me colocar acima de ninguém, e muito menos engrossar o coro (graças a Deus, já vencido) de que é melhor ler um livro do que ver BBB, yadda yadda yadda… Por Zeus, não! Não sou desses!

O motivo de eu nunca ter me envolvido com BBB está no fato de eu não conseguir enxergá-lo como um jogo. Muitos defendem o participante tal porque ele agita a casa e gera entretenimento. Eu não consigo. Se o jogador tal é chato, mal educado, falastrão e até mau caráter, eu não vou defendê-lo em nome do entretenimento. Sendo assim, eu sempre simpatizei com participantes mais tranquilos, que não necessariamente acrescentam ao jogo, mas que trazem posturas com as quais me identifico. Por isso, dos BBB's que acompanhei, sempre vi meus preferidos saindo logo, enquanto a grande maioria dos vencedores eu não era lá muito simpático. Por isso não costumava acompanhar… porque me dava raiva ver meus preferidos saindo e ver outros que não simpatizava vencendo!

Este BBB eu comecei a acompanhar por razões profissionais. Não sei se todos sabem, mas sou redator de um site especializado, o Observatório da TV, no qual escrevo críticas diárias. E escrever sobre BBB é sempre uma obrigação neste nicho. Pois muito que bem. Comecei a ver e, de cara, simpatizei com Thelma Assis. Mulher linda, médica bem-sucedida, com uma história de vida fascinante. E que falava muito bem, sabia se colocar sem perder a ternura, mas, ao mesmo tempo, com sangue nas veias. Que briga sim, quando necessário, mas que tem a sabedoria de escolher qual briga comprar. E que se mostrou extremamente ética, leal e consciente de seu papel social. Levantou várias bandeiras, sem precisar se diminuir. Pelo contrário. Foi grande. E se manteve nesta linearidade ao longo de todo o jogo. 

Assim, com este meu histórico de ver meus preferidos saindo, fiquei só esperando o dia em que Thelma seria eliminada. Mas ela foi ficando. Foi ficando. E crescendo no jogo. Inicialmente mais “escondida”, quando era coadjuvante no time de Marcela e Gizelly, ela cresce muito quando se aliou a Rafa e Manu, outras personagens com as quais simpatizei demais. Em seu último paredão, quando Babu foi eliminado, eu esperava que fosse Thelma quem saísse, dada a força que o ator demonstrou ao longo do jogo (aliás, outro jogador fascinante). Me preparei psicologicamente para vê-la deixar a casa e… ela ficou! Surpresa! E foi só ali que fiquei convencido de que ela poderia sair vencedora. Não tinha certeza, claro, afinal Manu e Rafa têm seguidores aos baldes. Mas uma esperança nasceu.

E ela ganhou! E me vi feliz! Nunca fui de torcer em reality show, nem comemorar vitórias. Mas me vi comemorando quando Tiago Leifert anunciou que Thelma era a vencedora! Vibrei no sofá! Porque eu vi, diante dos meus olhos, uma vencedora que defendeu, em cena, tudo aquilo que eu acredito. E pode parecer bobagem, mas isso me deixou esperançoso. Quando um grande público como o do BBB elege um perfil como Thelma uma vencedora em meio a tantos personagens interessantes, há um recado muito claro sendo passado aí. E isso não é pouca coisa. Parabéns, Thelma! Vitória não apenas merecida. Mas necessária.

André Santana

sábado, 25 de abril de 2020

"Avenida Brasil" bomba no "Vale a Pena Ver de Novo" e repete sucesso


Mesmo num contexto distinto do de 2012, quando a economia do país ia bem e os personagens de João Emanuel Carneiro encontravam ecos na realidade, Avenida Brasil mostrou que tem mesmo força. A reprise do Vale a Pena Ver de Novo vem chamando a atenção do público, novamente, e ganhou ainda mais impulso com o isolamento social. E, na reta final, quando a trama ganha um ritmo alucinante, a reprise tem mostrado grande desempenho. Por isso, com a reprise em seus últimos capítulos, o TELE-VISÃO resgata a crítica da novela, publicada originalmente em 20 de outubro de 2012. Acompanhe:

Novelas, já vimos aos baldes. Enormes sucessos, já não tantos. Porém, todos bastante enraizados na memória afetiva do telespectador. Ao que tudo indica, Avenida Brasil será dessas novelas que lembraremos sempre, tamanha a comoção que os personagens criados por João Emanuel Carneiro provocou na internética audiência. A repercussão da trama das nove, mais do que seus números de audiência, chamaram a atenção desde o primeiro capítulo, quando as redes sociais foram tomadas por espectadores compadecidos do sofrimento da pobre Rita (Mel Maia). De lá para cá, o debate em torno de Avenida Brasil só aqueceu.

Não havia dúvidas: estávamos diante de uma novela cult, daquelas que até aquele intelectual engomadinho que odeia folhetins arrisca uma espiada. Curioso, se levarmos em consideração que o texto de João pende para o popular, no melhor sentido da palavra. Mas o autor parece mesmo ser o craque em agradar do noveleiro ao esnobe. Novela anterior com o mesmo status cult foi A Favorita, do mesmo autor. Trata-se, sem dúvidas, de um feito notável que, por si só, já coloca suas duas obras num capítulo vip da história das telenovelas.

Para falar de Avenida Brasil sem ser injusto, é preciso enxergá-la como duas novelas distintas. A primeira engloba do primeiro capítulo, quando somos apresentados à Rita e Carminha (Adriana Esteves) e testemunhamos todas as maldades da madrasta diante da enteada sofrida; e a segunda, que ocupou mais ou menos as duas últimas semanas do enredo, quando a vilã é finalmente desmascarada pela família Tufão e entra em declínio. Tal separação se dá pelo imenso peso que a rivalidade entre Carminha e Rita, que cresceu e se tornou Nina (Débora Falabella), tinha na obra. Quando Carminha é escorraçada da mansão, este peso diminuiu e outras tramas tomaram conta da história até o seu desfecho.

Com a rivalidade entre Nina e Carminha, João Emanuel Carneiro criou um interessante jogo de espelhos, no qual suas protagonistas se revezavam no papel de vítima e de algoz. Nina era dona de um passado sofrido, vítima de uma série de desgraças desencadeadas pela madrasta. Por isso, era alimentada por um ódio legítimo, que justificou várias de suas ações não muito ortodoxas, na tentativa de se vingar da vilã. Já Carminha era uma bandida que só queria se dar bem. Roubava e enganava, mas estava longe de ser uma psicopata maluca. Ao contrário de Nina, que o público conheceu toda a sua história, o passado de Carminha era uma incógnita. E, cada vez que um detalhe dele vinha à tona, suas ações também passaram a se justificar. Não que isso amenizasse as maldades da megera, mas as justificavam de tal maneira que, não raro, o público passou a compreendê-la. Com isso, João Emanuel Carneiro levantou questionamentos sobre o caráter de suas personagens, e levou tal questionamento ao longo da novela toda. Em A Favorita, o autor também brincou disso, mas não levou a dubiedade de suas Donatela (Claudia Raia) e Flora (Patricia Pillar) até o fim.

No entanto, quando Carminha sai de cena, Avenida Brasil se torna uma nova novela. Santiago (Juca de Oliveira), o pai da vilã que surgiu no meio da saga e parecia inofensivo, revelou-se um mau caráter de primeira categoria e passou a levar a novela nas costas. Com isso, Carminha se apagou. De megera de pose triunfante, a vilã passou a ser vista como um bicho acuado. Santiago passou a guiá-la, e ela, a contragosto, passou a obedecê-lo, sempre questionando seus planos. Do outro lado do “espelho”, Nina passou de protagonista a figurante de luxo. O passado obscuro dos moradores do lixão tomou conta da trama principal, e Nina, como pouco tinha a ver com aquilo, ficou sem função. Aí veio o assassinato misterioso de Max (Marcello Novaes) que, como se comprovou no último capítulo, não era lá tão importante para a conclusão da obra. [Oculto aqui a frase que revela o assassino para não dar “spoiler].

A fase final serviu para que João Emanuel Carneiro criasse uma possibilidade de redenção a Carminha. E foi justamente o que ele fez. O mundo criado por Carminha se desfez diante dela, e já não havia mais nada a fazer além de aceitar que ela estava arruinada. Com tempo de sobra e acuada pelo pai, Carminha teve a chance de refletir e concluir que nada que ela fizesse poderia consertar tal situação. [Aqui, mais revelações do último capítulo].

Avenida Brasil ditou moda. Frases e situações vistas na novela, em pouco tempo, se tornaram hits nas redes sociais. Desde o impagável “hi-hi-hi” de Nilo (José de Abreu), passando pelo “me serve, vadia!” de Nina, até chegar ao fabuloso “eu quero ver tu me chamar de amendoim!”, de Zezé (Cacau Protássio), Avenida Brasil mediu sua força na rede. A hashtag #Oioioi dominava o Twitter enquanto a trama estava no ar. Todo mundo “congelou”, recriando o efeito visual que encerrava os capítulos da novela em seus avatares. Há quanto tempo uma novela das nove não mexia tanto com o comportamento do público?

Coadjuvantes eficientes ajudaram a construir Avenida Brasil. Juliano Cazarré, que já havia conhecido o sabor da popularidade em Insensato Coração, se consagra em definitivo ao defender o abobalhado Adauto. Cacau Protássio roubou a cena na cozinha da mansão dos Tufão com sua Zezé. Claudia Missura, grande atriz, imprimiu humanidade à sua Janaína. Murilo Benício criou mais um tipo interessante, dando vida a um personagem que tinha tudo para não agradar. Tufão foi grande! Também merecem menção Marcello Novaes (Max), Isis Valverde (Suellen), Daniel Rocha Azevedo (Roni), Fabíula Nascimento (Olenka), Luana Martau (Beverly), Leticia Isnard (Ivana) e Nathalia Dill (Débora). Os veteranos Marcos Caruso (Leleco), Eliane Giardini (Muricy), Vera Holtz (Lucinda), José de Abreu (Nilo) e Juca de Oliveira (Santiago) tiveram grandes momentos. O núcleo de Cadinho (Alexandre Borges), tão criticado por alguns, rendeu momentos de humor non sense saborosíssimos, que se ampliaram quando todos se mudaram para o Divino. Débora Bloch (Verônica), Camila Morgado (Noêmia), Carolina Ferraz (Alexia) e Betty Faria (Pilar) brilharam. E se é para falar de talento, não se pode deixar de citar as protagonistas. Débora Falabella defendeu dignamente uma personagem complicadíssima que foi Nina. E Adriana Esteves fez simplesmente o melhor trabalho de sua carreira. Avenida Brasil era a novela da Carminha!

Avenida Brasil também merece destaque pela sua competente direção. Ricardo Waddington tem se mostrado craque em dramas densos, ao imprimir um estilo noir que ajuda a contar a história. A trama foi dona de uma fotografia vitoriosa, belíssima, sobretudo na primeira fase. Amora Mautner foi quem imprimiu o estilo informal das cenas da mansão de Tufão, com todos os personagens em cena falando ao mesmo tempo. A bagunça organizada era facilmente identificável e foi um grande acerto.

Claro que nem tudo foram flores. O fato de Nina não ter salvo as fotos que provavam a traição de Carminha num pen drive provocou ruído na narrativa. Ficou estranho. [A reprise mostrou que havia um pen drive junto às fotos “físicas”, mas não adiantou nada esta precaução se foi para deixá-las juntas num único envelope]. Além disso, a história teve alguns momentos de barriga entre uma virada e outra. Mas o saldo geral foi positivo. Avenida Brasil fez história e deixará saudades. #Oioioi

André Santana

História da TV: Quando Gilberto Braga e Aguinaldo Silva disputaram Gloria Pires


Já imaginou Pereirão, de Fina Estampa, com a cara de Gloria Pires? Pois a atriz foi o primeiro nome pensado por Aguinaldo Silva para viver a personagem, quando a novela ainda era um projeto chamado de Marido de Aluguel. Na época em que a sinopse da produção foi aprovada pela direção da Globo, Aguinaldo Silva mantinha um blog muito badalado na Globo.com, onde costumava escrever tudo o que lhe vinha à cabeça e adiantar suas ideias e atividades.

Foi em seu blog que Aguinaldo Silva anunciou a criação de sua “master class”, um curso de roteiro ministrado por ele para orientar aspirantes a novelistas. Foi ali que ele abriu inscrições, recebeu textos de interessados e formou a primeira das turmas de seu curso, que daria dor de cabeça a ele e a Globo anos depois, no caso O Sétimo Guardião. No entanto, naquele momento, a coisa fluiu, e a sinopse de Marido de Aluguel foi aceita pela emissora, que chegou a contratar alguns alunos do curso para atuarem como colaboradores.

Naquele período, Aguinaldo Silva declarou ao site O Fuxico que pensava em Gloria Pires e Letícia Spiller para os papéis centrais. À Gloria caberia a então personagem-título, enquanto Letícia viveria a vilã Tereza Cristina. As duas disputariam o personagem de Dalton Vigh, adiantou o autor. Dalton, como se sabe, foi o protagonista da novela anterior de Silva, Duas Caras, e caiu nas graças do novelista. No entanto, nas notícias seguintes sobre a produção da trama, o nome de Letícia Spiller foi esquecido. Alguns sites noticiaram que Lília Cabral estava cotada para a vilã.

Mas Gloria Pires estaria confirmadíssima como Griselda. Ou quase. Isso porque a atriz estava acertada com Gilberto Braga e Ricardo Linhares para a próxima novela da dupla. A ela caberia o papel de Norma, a grande protagonista da trama que vinha sendo chamada de Lado a Lado (depois, teve o nome trocado para Insensato Coração). E a trama seria justamente a antecessora de Marido de Aluguel. Foi aí que a disputa começou.

Inicialmente, a imprensa especializada noticiou que Gloria faria as duas novelas. Isso porque estava previsto que Norma morreria antes do fim de Insensato Coração, o que liberaria a atriz para atuar em Marido de Aluguel. Isso foi dado como certo, até que Gilberto Braga veio a público. Ele disse que a informação não procedia, e que contava com Gloria em sua novela inteira. O que de fato aconteceu. Norma morre assassinada, mas apenas na última semana de Insensato Coração. E não faria sentido morrer antes, já que, como dito acima, era ela a grande protagonista da novela.

Assim, sem Gloria, Lília Cabral foi confirmada no posto de protagonista da novela, aí já chamada de Fina Estampa. Enquanto isso, Christiane Torloni assumiu o papel da vilã Tereza Cristina. E Fina Estampa foi um grande sucesso, recuperando a audiência da Globo no horário, que vinha de uma série de novelas medianas: Insensato Coração teve recepção morna, assim como suas antecessoras Passione e Viver a Vida.

Ah, outra curiosidade: o nome definitivo, Fina Estampa, foi tirado da própria novela. Isso porque Marido de Aluguel não estava disponível para registro, o que obrigou a Globo a mudar o nome da novela. E Aguinaldo Silva tirou Fina Estampa da trama, já que, inicialmente, era esse o nome da grife de Esther (Julia Lemmertz). Assim, Fina Estampa virou o nome da novela, enquanto a grife passou a ser chamada de Fio Carioca.

André Santana

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Silvia Poppovic é dispensada da Band


Com os inevitáveis cortes de gastos que as emissoras devem enfrentar neste período crítico, Silvia Poppovic se viu como uma das primeiras vítimas. Segundo o colunista Flavio Ricco, a apresentadora foi dispensada da Band, onde comandava o matinal Aqui na Band. Desde o início do isolamento social, a apresentadora vinha participando da atração de sua casa, por pertencer ao grupo de risco do Covid-19. Mas, agora, não volta mais.

É uma pena. Silvia Poppovic é uma das mais experientes e competentes apresentadoras da nossa TV. Com ampla experiência em televisão, e com repertório que a permite circular pelos mais diversos formatos, Silvia dava ao Aqui na Band um necessário contraponto à postura de Luís Ernesto Lacombe. Em cena, a dupla funcionava como complementares. Até mesmo ideologicamente, já que os dois tinham visões diferentes sobre praticamente todos os assuntos tratados na revista. Assim, o programa conseguia passar pontos de vista distintos, o que é sempre rico.

Além disso, Silvia imprimia mais humanidade ao Aqui na Band. Porque, convenhamos, Lacombe não é um poço de carisma, muito pelo contrário. Sisudo e meio blasé, o jornalista não combina muito com o clima descontraído que uma revista eletrônica matinal pede. Sozinho em cena, deve transformar o Aqui na Band praticamente num noticiário.

E Silvia, mais uma vez, é dispensada da Band sem maiores pudores. Basta lembrar que, na década de 1990, a jornalista era uma das principais apresentadoras da casa, comandando o vespertino Programa Silvia Poppovic. O programa de debates foi o carro-chefe das tardes da emissora por cerca de uma década, mas não resistiu a uma política de popularização de grade implantada em 2001. Foi recontratada quase 10 anos depois, quando comandou o programa de debates Boa Tarde e o matinal Dia Dia, ambos de vida curta. Foi demitida de novo.

Ou seja, Silvia Poppovic foi dispensada pela Band pela terceira vez. Já pode pedir música no Fantástico? Brincadeiras a parte, fato é que a Band, mais uma vez, abre mão de uma profissional e tanto. Triste.

André Santana