sábado, 26 de dezembro de 2020

Top 10 de 2020: destaques negativos

2020 foi um ano complicado para todos. Para a televisão não foi diferente. A pandemia afetou a programação e limitou as produções. Isso contribuiu para algumas das falhas de 2020 na TV. Mas não só isso. Novidades equivocadas e más escolhas também foram determinantes para esta primeira retrospectiva do ano, dedicada aos destaques negativos de 2020. E vale lembrar que a lista é elaborada baseada na opinião deste que vos escreve e, portanto, é sujeita a injustiças e esquecimentos. A ordem em que aparecem não é importante. Acompanhem:

- “Alerta Nacional”

Já conhecida por apostas de gosto duvidoso, a RedeTV se superou ao lançar Alerta Nacional. Além de fazer a mistura de mau gosto entre sangue e “humor”, o programa de Sikêra Jr. se apresenta como um telejornal, mas se dedica à disseminação de fake news e preconceitos. Travestido de conservador, o programa é, na verdade, uma máquina de ódio irresponsável, sem inteligência e que não deveria ter espaço em televisão nenhuma. Um horror!

- “Opinião no Ar”

Repetimos aqui a mesma argumentação acima. Com a diferença que o programa comandado por Luís Ernesto Lacombe se coloca como um programa de debates. Mas não é. Os “lados” são desequilibrados e não há debate, já que os “debatedores” proferem barbaridades e fake news travestidas de “opinião”. Nem tudo é questão de opinião. Há coisas que são simplesmente mentiras. Mais um programa irresponsável da RedeTV, que se superou em chorume em 2020.

- “Novo domingo” da Record

Com dificuldades em superar o Eliana, do SBT, a Record promoveu uma importante repaginada em sua grade dominical em 2020. No já longínquo mês de março deste ano, a emissora apostou numa edição dominical do Hoje Em Dia, um novo Domingo Show com Sabrina Sato, um Hora do Faro em novo horário e a segunda temporada de The Four no início da noite. Nada funcionou, e a emissora aproveitou as mudanças impostas pela pandemia para implodir a nova grade e voltar tudo a como era antes. Mesmo sem pandemia, já era uma tragédia anunciada.

-  “Fina Estampa” e “Haja Coração”

A pandemia prejudicou demais as produções, e a principal consequência disto foram as paralisações das novelas. Globo, Record e SBT substituíram seus folhetins inéditos por várias reprises. E, na Globo, as reprises mais equivocadas foram Fina Estampa e Haja Coração. Fina Estampa se mostrou um acerto do ponto de vista comercial, já que era uma novela pretensamente leve e que o público aceitou bem, o que a fez um sucesso de novo. Mas a reprise também expôs as inúmeras falhas do texto de Aguinaldo Silva, já que a novela praticamente não tinha enredo e envelheceu mal. Enquanto isso, Haja Coração foi outro equívoco, já que o texto de Daniel Ortiz é bem fraquinho. E, de quebra, ficou claro aos olhos do público as inúmeras semelhanças entre a trama e Salve-se Quem Puder, também de Ortiz, e que deve voltar a ocupar o horário ao fim da reprise. Foi uma escolha equivocada.

- “Apocalipse”

Se a Globo errou com as escolhas de Fina Estampa e Haja Coração, a Record errou ainda mais ao selecionar a reprise de Apocalipse para ocupar a brecha de Amor Sem Igual. A novela é ruim e foi um grande fracasso em sua exibição original. Além disso, apostar numa novela sobre o fim do mundo em plena pandemia é de um mau gosto acima da média. Havia claras intenções doutrinadoras nesta reprise, evidentemente, mas nada justifica esta infeliz decisão.

- “Fofocalizando”, “Triturando”, “Notícias Impressionantes” etc

A programação vespertina do SBT foi, mais uma vez, alvo das inúmeras decisões amalucadas de Silvio Santos. O dono da emissora decidiu, do nada, transformar o programa de fofocas Fofocalizando numa atração de “opiniões sem sentido”, o Triturando. Não satisfeito, “renovou” o elenco da atração. Depois, mudou pra Notícias Impressionantes, cuja versão diária durou um único dia. Voltou Triturando. Aí anunciaram que Fofocalizando voltaria, e até teve chamadas no ar. Mas não voltou. Triturando segue no ar, aguardando a próxima decisão maluca. Enquanto isso, o time de Chris Flores segue analisando pautas “fantásticas”, como “homem que coça o saco merece ser triturado?”.

- “Aqui na Band”

O finado matinal da Band teve um período crítico em 2020, o que culminou com o seu cancelamento. Primeiro, houve a dispensa de Silvia Poppovic, nome que agregava prestígio e, principalmente, equilíbrio ao matinal. Depois, a atração que começou como uma revista eletrônica de variedades, se transformou num palanque político esquisitíssimo. Ao ponto de criar rusgas internas, quando sua direção bateu de frente com a direção de jornalismo do canal. A queda de braço levou ao fim do programa de triste lembrança.

- “Programa da Maisa”

O Programa da Maisa estreou com boas expectativas em 2019, chacoalhando as tediosas tardes de sábado da TV brasileira. Mas o programa logo perdeu fôlego, ao se mostrar excessivamente preso ao roteiro e não ter conseguido explorar toda a espontaneidade de Maisa Silva. Em 2020, a pandemia prejudicou ainda mais o programa, que se viu sem ritmo e com entrevistas protocolares um tanto sem vida. Foi cancelado por decisão da apresentadora, que acertou ao procurar outros rumos para sua carreira.

- “Mestre do Sabor”

Em sua segunda temporada, o talent show culinário da Globo mostrou que é tão sem graça quanto uma salada sem tempero. Não há emoção na competição. O formato não consegue fazer com que o espectador crie um vínculo que seja nos competidores, fazendo com que não haja torcidas ou reviravoltas. É tudo insípido, inodoro e incolor. Uma pena.

- Jornalismo do SBT

A pandemia agravou ainda mais a situação da emissora de Silvio Santos, que já vinha de uma série de decisões equivocadas. O canal desmantelou o seu já parco jornalismo, com a dispensa de todas as suas estrelas, como Carlos Nascimento, Roberto Cabrini e Rachel Sheherazade. Com isso, seus telejornais passaram a ser meros leitores de notícias factuais, sem grandes aprofundamentos e fugindo o quanto pôde do debate político, já que a emissora assume uma postura subserviente ao governo federal. E Marcão do Povo e Dudu Camargo seguem sendo tratados como estrelas do segmento, o que, por si só, já diz muito sobre a atual fase capenga da emissora.

E para você, internauta? Quais foram os destaques negativos de 2020 na TV? Deixe sua opinião nos comentários! Sábado que vem, dia 02, o TELE-VISÃO traz o Top 10 de 2020 – Destaques Positivos. Até lá!

Aqui termina o TELE-VISÃO 2020! Um ano difícil para todos, inclusive para este blog, mas creio que chegamos ao fim deste ciclo de maneira digna. E esperamos que 2021 seja um ano muito melhor pra todos nós e para as nossas tele-visões. Feliz 2021 pra você!

André Santana

sábado, 19 de dezembro de 2020

"A Fazenda 12" termina com missão cumprida

 

Depois de uma temporada 2019 muito fraca, A Fazenda ganhou uma bela injeção de ânimo em 2020. Os equívocos da produção e o tédio que se instalou na reta final não tiraram o mérito da temporada, que sai de cena mostrando que o reality show da Record TV ainda tem lenha para queimar.

O grande trunfo da temporada de A Fazenda foi ter promovido uma espécie de “volta às origens”. Depois de temporadas que cambalearam ao tentar “ressuscitar” ex-BBB’s e outros participantes de reality shows, o programa voltou a apostar num elenco mais variado. Apenas participantes de De Férias com o Ex preencheram a cota ex-reality show este ano, o que se mostrou um acerto. Claro, teve também Mateus Carrieri e Luiza Ambiel, diretamente da Casa dos Artistas. Mas vale lembrar que os dois famosos já eram figuras conhecidas antes do reality de Silvio Santos.

Os demais participantes seguiram esta mesma lógica: já eram “personalidades da mídia” antes de entrarem em A Fazenda. Essa era uma das características iniciais de A Fazenda, que se perdeu com o tempo ao olhar demais para ex-realities.

Afinal, foi justamente esta mistura entre nomes e origens que fez do elenco de A Fazenda 12 o grande acerto da edição. As muitas personalidades renderam momentos engraçados, explosivos, ternos e cheios de intriga. Ingredientes fundamentais para o bom funcionamento de um reality show de confinamento.

Com um elenco tão azeitado, um comandante à altura também se fazia necessário. E Marcos Mion superou qualquer expectativa. Não apenas já está totalmente à vontade em sua terceira edição, como ainda conseguiu imprimir humanidade ao seu trabalho.

Ao chorar em cena e procurar estabelecer uma relação de afeto com os participantes, Mion driblou as amarras do excesso de texto das cabeças e deixou sua marca. Não parecia um robô, como seus antecessores 

Biel, Jojo, Lipe e Stéfani chegaram à final da 12ª edição de A Fazenda. Os dois últimos, claro, entraram como “enfeites de pódio”, já que a disputa estava centrada mesmo nos dois cantores. Jojo e Biel mobilizaram suas torcidas e conseguiram permanecer até o fim.

Neste contexto, a vitória de Jojo foi o melhor dos desfechos. A cantora mostrou que é, verdadeiramente, a mesma cantora irreverente que se mostra aqui fora. Mesmo tendo cansado do jogo e recuado na reta final, Jojo deixou claro que é de verdade. Por isso, mereceu a vitória.

André Santana

Record resgata título de programa de Mara Maravilha para Geraldo Luís

 

Lembra quando falei por aqui que o novo programa de Geraldo Luís na Record se chamaria Boa Noite Brasil? E que este título já havia sido usado pela Band em dois programas diferentes, um com Flavio Cavalcanti e outro com Gilberto Barros? Pois bem, esqueça. Em vez de resgatar um título da Band, a emissora optou por resgatar um título próprio.

Num chamadão com as novidades de janeiro exibido na final de A Fazenda, a Record anunciou que o novo programa de Geraldo Luís se chamará A Noite É Nossa. Poucos se lembram, mas este mesmo título deu nome a um programa noturno apresentado por Mara Maravilha. O programa estreou em 2002 e era exibido nas noites de sábado.

A Noite É Nossa marcou o retorno de Mara à TV, quatro anos depois do fim de seu infantil Mundo Maravilha, exibido na própria Record. A ideia era fazer a transição de público de Mara, que se lançava como uma apresentadora de variedades, e não mais apresentadora infantil. A inspiração era clara: Hebe Camargo.

A Noite É Nossa contava com um cenário em tons escuros, uma grande plateia e um sofá no palco, onde Mara recebia seus convidados. Com os entrevistados posicionados, Mara comandava a conversa, que quase sempre tinha temas. Na estreia, em 7 de setembro de 2002, Mara recebeu Sula Miranda, Claudete Troiano, Rinaldo e Liriel, Jamily e o jogador Ademar, do São Caetano. O assunto da abertura do programa era “mulheres que jogam futebol”.

Na época bastante vinculada ao mundo gospel, Mara Maravilha comandava um programa que era assumidamente evangélico. Com figurino comportadíssimo, a apresentadora disparava um “amém” a cada frase, como uma pastora diante de seu rebanho. As atrações musicais eram, quase sempre, cantores da música gospel. Por conta disso, na época, a imprensa apelidou Mara de “Hebe de Deus”.

Curiosamente, este momento de Mara durou apenas alguns meses. Sem maiores explicações, a apresentadora deixou o comando do A Noite É Nossa, sendo substituída pela apresentadora e cantora gospel Isis Regina. O programa seguiu no ar, mas, aos poucos, foi substituindo os debates por games “herdados” do Quarta Total. Ficou no ar até 2004.

André Santana

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Sem Carlos Nascimento, jornalismo do SBT volta à estaca zero

Com o esperado anúncio da não-renovação de contrato do jornalista Carlos Nascimento no SBT, termina o processo de desmonte que o jornalismo da emissora tem acompanhado há algum tempo. E não se enganem: o coronavírus é uma bela de uma desculpa, mas não é o grande responsável pelo triste cenário. Afinal, o jornalismo do SBT já vem perdendo grifes há vários anos.

O primeiro sinal de que a emissora estava dispensando medalhões para substitui-los por figuras mais controversas e baratas se deu quando Dudu Camargo entrou em cena no Primeiro Impacto. A aposta no garoto, que tinha 18 anos quando assumiu o matinal, significou o fim da trajetória de Joyce Ribeiro e Karin Bravo no canal. 

Para quem não se lembra, Joyce fez parte do processo de reestruturação do jornalismo do SBT, lááá em 2005, quando Silvio Santos contratou Luiz Gonzaga Mineiro como diretor de jornalismo e Ana Paula Padrão como apresentadora. Ao mesmo tempo em que o SBT Brasil de Ana Paula estreou, a emissora reformulou o Jornal do SBT, com Hermano Henning, e relançou o SBT Manhã, justamente com Joyce Ribeiro. Já Karin Bravo veio alguns anos depois, primeiro como repórter especial e, depois, como apresentadora do SBT Brasil, que na época já era comandado por Carlos Nascimento. Ou seja, Joyce Ribeiro e Karin Bravo foram importantes colaboradoras deste processo de reestruturação.

O desmonte ganhou ainda mais evidência quando Hermano Henning foi dispensado. O âncora segurou o jornalismo do SBT nas costas anos a fio, quando era praticamente o único funcionário do setor. Henning participou de praticamente todas as fases do jornalismo do canal, das vacas gordas às magras, e estava presente quando as mimosas voltaram a engordar. Mesmo sendo “prata da casa”, foi dispensado sem dó há alguns anos.

Enquanto isso, Rachel Sheherazade, que se tornou um dos principais rostos do SBT Brasil, se via na corda bamba ainda antes da covid-19. O nome da jornalista já circulava na bolsa de boatos de que não renovaria com a emissora há tempos. Como se sabe, o posicionamento político da apresentadora incomodava o próprio Silvio Santos e alguns de seus anunciantes. Um deles, aliás, chegou a pedir a demissão de Sheherazade publicamente. Apesar de estar na mira do corte há tempos, Rachel não teve seu contrato renovado apenas recentemente, já no contexto da crise da pandemia. 

Ficaram, então, Roberto Cabrini e Carlos Nascimento, os dois últimos grandes nomes do setor no SBT. Cabrini também não teve seu contrato renovado e já está na Record. Ou seja, era uma questão de tempo o anúncio da dispensa de Carlos Nascimento. Sua dispensa apenas reforça o que já se sabia há tempos: Silvio Santos, mais uma vez, cansou do jornalismo. A tendência é deixar o segmento cada vez mais frágil e escondido, apenas para cumprir tabela na grade de programação.

E não é difícil entender o motivo do cansaço. Silvio Santos se mostra cada vez mais apaixonado pelo atual presidente da república. Como as notícias envolvendo o líder da nação quase sempre não são boas, o jornalismo acaba se tornando um desconforto. Assim, quanto mais apático e sem expressão for o jornalismo do SBT, melhor para o dono. Triste, mas é a realidade. 

André Santana

sábado, 12 de dezembro de 2020

Loading entra no ar com ótima proposta e muitos problemas

A grande novidade da semana na televisão brasileira foi a estreia da Loading, novo canal aberto do país. “Herdando” canais e estrutura da antiga e saudosa MTV Brasil, a Loading entrou em cena tentando ser uma espécie de sucessora de seu legado, já que também aposta na segmentação e no público jovem. Se a antiga MTV tinha a música como âncora, a Loading se escora no universo dos games e da cultura pop/geek.

Sem dúvidas, uma ótima proposta e cheia de boas intenções. Com programação 24 horas, a Loading investiu num conteúdo que plateia nerd nenhuma pode colocar defeito. O canal entrou no ar com uma maratona de animações matinais, o MaraToon, que conta com bons títulos, como o anime do Homem de Ferro. Power Rangers também tem espaço na grade. Ou seja, a ideia da emissora é resgatar no jovem adulto de hoje a nostalgia de se assistir desenhos pela manhã, um hábito do passado quando as emissoras abertas exibiam infantis neste horário.

À tarde, a Loading mira no público feminino, com a exibição do divertido Cardcaptor Sakura, anime que marcou as manhãs da Globo no início dos anos 2000. Há também a aposta em produção coreana, com a exibição dos doramas Happy Ending e A Lenda: Um Luxo de Sonhar, dois dramalhões que já foram exibidos por aqui na Rede Brasil.

À noite, ganha espaço a cultura oriental, com muitos animes na grade. Saint Seiya: The Lost Canvas, Overlord, Atack on Titans e Assassination Classroom são os títulos exibidos no horário nobre do canal. Trata-se de produtos com bastante apelo junto ao público que o canal pretende buscar, exibidos em horários bastante atrativos, o que se mostra um grande acerto (aliás, eu não conhecia Assassination Classroom e achei simplesmente genial! Excelente anime!).

A produção própria do canal é pequena, mas conversa bem com este universo. Multiverso, exibido no horário do almoço, é uma revista sobre cultura pop. GameShark, no fim da tarde, desvenda o mundo dos games. E Mais Geek, atração do início das noites, aborda o universo da cultura nipônica, alinhados aos animes exibidos na faixa. São atrações simples, muito baseadas em conversas com os apresentadores, mas que trazem boas informações e promovem uma interação interessante com a audiência. Falta um pouco de capricho nos cenários e na iluminação, mas, no geral, o saldo é positivo.

Mas a Loading entrou no ar já com alguns problemas. Inicialmente, chamou a atenção a falta de chamadas, o que faz o espectador ficar perdido e sem saber o que encontrar. As primeiras informações eram apenas chamadas dos apresentadores falando de suas estreias, nas quais muitas destas peças nem ao mesmo informam o horário de cada programa. Além disso, as produções estrangeiras, que compõem a maior parte da grade, nem ao menos chamadas tinham. Cartelas com os horários das animações só começaram a ser veiculadas nos intervalos no terceiro dia do canal. E, mesmo assim, nem todos os programas ganharam anúncios.

No site da emissora, a grade vem sendo liberada a conta-gotas, e vários dos horários não bate com o que se vê na tela. Fora que os horários variaram ao longo da semana. Sakura, por exemplo, é anunciada para às 14h30, mas teve dias que começou às 14h. Ou seja, o episódio terminou no horário em que devia começar. Isso é um problema grave, já que Loading é TV aberta e, portanto, precisa ter uma grade bem amarrada para conseguir fidelizar o público. Se a audiência “perder a confiança” no canal logo de cara, vai ficar difícil reverter a situação.

No entanto, o grande problema desta primeira semana da Loading é o imbróglio envolvendo o Metagaming, um dos carros-chefe do canal, que ia ao ar no horário mais nobre, às 21h30. A atração era uma espécie de Globo Esporte dos “esports”, ou seja, um programa jornalístico que informava o público sobre as últimas novidades dos esportes eletrônicos. Mas o programa não durou uma semana no ar: ontem, 11, foi anunciada a demissão dos 12 profissionais que compunham a equipe da atração.

Os jornalistas envolvidos alegaram falta de liberdade editorial e censura. A Loading se justificou afirmando que sua intenção é manter uma “agenda positiva” e “entretenimento”. Ou seja, o canal não quer polemizar em sua programação. Já o Metagaming vinha com pautas mais sérias e polêmicas. A gota d’água, segundo o site Notícias da TV, teria sido uma matéria investigativa que criticava um parceiro do canal.

Não dá pra saber o que foi combinado entre equipe e emissora, e o que foi realmente oferecido. No entanto, o Metagaming, com seu tom mais sóbrio, acabou destoando sim dos demais programas da Loading. Cheguei a comentar, numa análise publicada no Observatório da TV sobre o primeiro dia do canal, que a atração estava confundindo seriedade com sisudez (leia AQUI). No ar, ficou estranho. Mesmo assim, este “desalinhamento” é lamentável. É mais um ponto que pode descredibilizar o canal junto ao público e ao mercado publicitário. Está muito cedo para uma crise deste porte.

Fica, então, a torcida para que a direção da Loading consiga driblar este desconforto inicial da melhor maneira possível, já que a ideia do canal em si é muito boa. É sempre louvável quando surge um novo canal aberto, ainda mais quando ele entra em cena com uma proposta positiva (afinal, não precisamos de novas RedeTV ou CNT). O fato de ser um canal segmentado é um ponto positivo, já que terá potencial para atrair anunciantes fortes junto ao nicho que se pretende alcançar. E melhor ainda é que este nicho seja justamente o público jovem adulto, que estava sem nenhuma opção na TV aberta. O começo não foi dos melhores, é verdade. Mas existe potencial para ir além.

André Santana

 

Silvio Santos chega aos 90 anos em plena pausa forçada

 

2020, ano em que a TV brasileira chegou aos 70 anos com o desafio de driblar a pandemia da covid-19, também é marcado por outra efeméride importante em meio a tal contexto: os 90 anos de Silvio Santos. Maior animador da televisão brasileira e dono do SBT, o comunicador celebra esta importante data longe do espaço onde exerce sua melhor performance: o seu auditório.

No ano em que celebra 90 anos de vida, Silvio Santos não foi visto em programas inéditos. Seu Programa Silvio Santos começou 2020 com as tradicionais reprises que marcam as férias do apresentador, que costuma descansar em Orlando entre dezembro e março anualmente. Mas, quando estava prestes a retornar aos estúdios, a pandemia foi declarada. Desde então, Silvio Santos se mantém em sua casa, onde despacha para o SBT e suas outras empresas de maneira remota.

Se não ficou ativo em seu programa dominical, Silvio Santos seguiu intervindo como bem gosta na programação de sua emissora, mesmo de longe. Decisões esdrúxulas, como a substituição do Fofocalizando pelo Triturando, ou as entradas e saídas na programação de Alarma TV e WWE Raw, foram algumas das ordens proferidas pelo “patrão” diretamente de sua mansão.

Ou seja, Silvio Santos não anda em sua melhor fase como diretor de programação. A melhor maneira de celebrar seus 90 anos seria mesmo vê-lo de volta ao seu programa. O Silvio Santos artista, que brinca com seu auditório, joga dinheiro para cima e trata seus convidados como alienígenas faz falta. Sim, Silvio parou no tempo e se recusou a entender que algumas de suas “brincadeiras” não fazem mais sentido nos dias de hoje. Mas isso não tira o brilho de sua incrível trajetória, na qual se acumulam mais de 100 programas memoráveis.

Silvio Santos é o camelô que se tornou um dos maiores empresários do país. E que soube equilibrar, como poucos, sua porção empresário com sua porção artista, que esbanja graça e simpatia num auditório que se confunde com a própria história da TV. Até mesmo o lado controverso do apresentador faz dele quem ele é. Goste-se ou não, é um personagem fundamental do país. É único.

Se 2020 é um ano para ser esquecido, que sirva, ao menos, para que Silvio Santos poupe energias para um 2021 melhor. Que sua chegada ao 90º ano seja um reinício mais auspicioso, tanto para a sua volta aos auditórios, quanto para que melhores decisões sejam tomadas no SBT, que vive uma triste crise próximo de completar 40 anos. No mais, parabéns ao Silvio!

André Santana

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Surpresa! "Se Joga" volta com novo formato

Nesta quarta-feira, 09, a jornalista Cristina Padiglione noticiou, em seu site Telepadi, o retorno do Se Joga. O atabalhoado projeto da Globo para suas tardes diárias, que foi criado para ser o sucessor do Vídeo Show, deve voltar completamente repaginado a partir de março de 2021. A atração comandada por Fernanda Gentil deixará a grade diária e passará a ser semanal, com exibição nas tardes de sábado.

Depois da nota de Padi, os sites NaTelinha e Notícias da TV repercutiram a novidade. E a Globo confirmou ao veículo de Daniel Castro que o Se Joga realmente voltará semanal no ano que vem. A partir daí, algumas notícias divergem, sobretudo no que se refere à apresentação e à duração do novo formato do Se Joga.

Há quem diga que Fernanda Gentil, Érico Brás e Fabiana Karla não estariam confirmados ainda como apresentadores. Mas, particularmente, acredito que se a ideia é trazer a marca Se Joga de volta, significa que ao menos Fernanda deve continuar. Senão, o mais lógico seria criar um novo projeto do zero. Já Érico e Fabiana, como são também atores, podem não retornar e serem realocados nos novos projetos de dramaturgia e humor da casa.

Além disso, o NaTelinha anunciou que o Se Joga voltará em esquema de temporada. A princípio, parece mesmo uma realidade, tendo em vista que as tardes de sábado do canal vêm sendo ocupadas por programas com número de episódios fechados desde 2018, com o fim do Estrelas. Projetos como SóTocaTop, Tá Brincando! e Música Boa passaram por ali. Simples Assim, de Angélica, é o atual cartaz da faixa, mas a primeira temporada do programa termina daqui há poucas semanas.

No entanto, num passado remoto, haviam rumores de que a Globo tinha a intenção de reduzir o espaço de programas de temporada. Vai ao encontro destes rumores a notícia de que o canal prepara um novo programa para Márcio Garcia, que seria uma atração fixa. Ou seja, o Tamanho Família seria um programa de temporada já fadado à extinção, o que pode significar que a rede buscará cessar o revezamento de formatos nas tardes de domingo (o fim da Escolinha do Professor Raimundo é outro indício disso). Neste contexto, parece bastante lógico que o Se Joga seja pensado como um produto fixo para as tardes de sábado, e que o revezamento de programas nas tardes de sábado também acabe. O jeito é esperar para ver o que acontece.

No mais, embora o Se Joga tenha sido um formato controverso, esta anunciada reformulação não parece algo ruim. Isso porque, semanal, o programa pode deixar de atirar para todos os lados e dar mais ênfase aos quadros de entretenimento, como games e humor. Com isso, teria mais foco e poderia funcionar bem como um programa de variedades para as tardes de sábado. De repente, funciona. Vamos ver.

André Santana

sábado, 5 de dezembro de 2020

Novelas ganham espaço em CCXP 2020

Pela primeira vez, a CCXP, grande evento de cultura pop que acontece anualmente em São Paulo, está acontecendo de forma virtual. Isso fez com que este pequeno jornalista nerd, que vive longe da capital paulista, pudesse acompanhar a programação pela primeira vez. Uma programação intensa e muito interessante, com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, que fica até difícil escolher o que ver. É painel de HQ’s, cinema, TV... tudo o que a gente gosta! A CCPX começou ontem, 04, e vai até amanhã, 06.

Apesar de ser a primeira vez que estou acompanhando a programação, sempre acompanhei a cobertura da CCXP pela imprensa. E algo que me chamou a atenção foi o fato de, desde que a Globo passou a promover painéis no evento, o foco maior do canal sempre foi as produções originais Globoplay que a emissora considera de apelo junto ao público jovem. Parecia pouco para um canal cuja obra audiovisual faz parte da cultura brasileira há tanto tempo. Será que a Globo não queria parecer “careta” diante da turma “descolada” que forma a plateia da CCXP?

Acertadamente, este ano as novelas estão tendo um bom espaço na programação do evento. Ontem, 04, no palco principal, a emissora promoveu um painel chamado “Os Vilões que Amamos Odiar”. Com Fabiana Karla, a ação reuniu Claudia Raia, Mariana Ximenes e Alexandre Nero para falar sobre a importância do vilão e relembrar os vilões clássicos da nossa dramaturgia. Mesmo com um elenco duvidoso (todos fizeram vilões ótimos, mas nenhum antológico... ficou faltando uma Renata Sorrah, ou uma Adriana Esteves ali), foi um painel divertido. Um prato cheio para quem gosta do tema.

Logo em seguida, aconteceu outro painel sobre gêmeos na dramaturgia nacional. Christiane Torloni, que viveu papel duplo em Cara & Coroa, esteve ao lado de Tony Ramos, que viveu gêmeos em Baila Comigo, e Cauã Reymond, que foi gêmeo em Dois Irmãos, e será novamente em Um Lugar ao Sol, próxima novela das nove. Mais uma oportunidade divertida e interessante de ressaltar a importância da teledramaturgia nacional.

Fora da Globo, a CCXP também promoveu outro painel que deve ter arrebatado os corações dos fãs saudosos. Trata-se do painel que celebrou os 30 anos da extinta MTV Brasil, com apresentação de Sarah Oliveira. A ex-VJ comandou um bate-papo com a participação de nomes como Luiz Thunderbird, Penélope Nova, Didi Wagner, Marina Person e Marcos Mion, num momento de pura nostalgia. Grande ideia, grande sacada!

É interessante perceber a diversidade de um evento como este, onde cabe o suprassumo da cultura pop, como os quadrinhos, mas também que exalte a TV aberta brasileira e todas as suas caras. Com isso, a CCXP amplia o leque a atrai um público cada vez mais diverso. Que bom!

André Santana

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Volta do "Vídeo Show" é tentadora, mas não parece boa ideia


Como, ao que tudo indica, o Se Joga realmente subiu no telhado, voltam as especulações sobre o futuro das tardes da Globo. E o Vídeo Show voltou à bolsa de apostas da imprensa especializada. Recentemente, o NaTelinha publicou uma matéria na qual informa que o clássico vespertino pode voltar ao ar num formato de temporada para que seja novamente testado.

Segundo o NaTelinha, inicialmente o Vídeo Show retornaria como um programa especial de verão. Ele seria relançado em uma temporada de três meses, e teria Fernanda Gentil como apresentadora. Desta vez, a jornalista tocaria a atração sozinha, diferentemente do Se Joga. Mas, se o programa funcionar, a ideia seria estender a temporada, ou até mesmo fixá-lo na grade.

A ideia de um Vídeo Show de temporadas é boa. Mas colocá-lo novamente de segunda a sexta não parece uma boa ideia. O desgaste das pautas da versão diária é um dos motivos para a atração ter perdido tanto fôlego em seus anos derradeiros. Por que não apostar num Vídeo Show “de temporada” aos sábados, na faixa onde hoje é exibido Simples Assim?

Se a Globo realmente for apostar novamente num diário vespertino, o ideal seria lançar mão de uma ideia nova. Fernanda Gentil mostrou que, num formato adequado, tem muito a oferecer, vide sua participação no Encontro, onde substituiu Fátima Bernardes várias vezes. A moça é boa, mas precisa de um formato mais bem resolvido para deslanchar.

E este formato também não é o Vídeo Show. É injusto entregar a uma apresentadora ainda engatinhando no entretenimento um formato que já faliu nas mãos de apresentadores mais experientes. Se a ideia é apostar novamente em Fernanda, que seja uma aposta de verdade, e não um prêmio de consolação. A Globo poderia apostar num formato novo, informativo e divertido, que não seja nem Vídeo Show e nem Se Joga. Aí sim, Fernanda teria a oportunidade que busca.

André Santana

sábado, 28 de novembro de 2020

As boas experiências na televisão "da pandemia"

 

A pandemia de covid-19 exercitou o lado criativo de muitos diretores de televisão. Não todos, já que há canais insistindo em reprises e culpam a crise sanitária pela apatia. Mas alguns deles conseguiram driblar as dificuldades impostas pela necessidade de distanciamento social e vem fazendo excelentes experiências, deixando a programação mais rica.

Canal que mais tem lenha para queimar, mesmo diante da crise, a Globo foi a que mais ideias novas trouxe à sua programação. Dentre várias experiências, as mais bem-sucedidas são, sem dúvidas, o Conversa com Bial e o Altas Horas. O programa de Pedro Bial ganhou viço com suas entrevistas remotas. O fato de o convidado estar em casa o coloca à vontade diante das perguntas do jornalista. Que, sem precisar dividir a atenção com a plateia e a banda, foca ainda mais no bate-papo. Conversa com Bial teve uma temporada 2020 memorável.

Já o Altas Horas precisou se reinventar totalmente. Único programa de auditório da TV brasileira no qual o auditório é peça fundamental, a atração de Serginho Groisman teve que alterar completamente seu formato para se adaptar às gravações realizadas na casa do próprio apresentador. E a reinvenção funcionou totalmente. De casa, Serginho promove grandes encontros virtuais, com convidados de grife. E, de quebra, usa e abusa de seu acervo, fazendo os convidados revisitarem seus momentos e compararem suas palavras. O resultado é uma grande conversa, sempre divertida e cheia de bons momentos.

Ana Maria Braga também vem conseguindo fazer seu Mais Você de casa. A apresentadora vem passando por um dos momentos mais complicados de sua carreira, já que precisa comandar um programa “caseiro”, sem toda a estrutura de um estúdio da Globo à disposição, e ainda lidar com a ausência de Louro José, cujo intérprete Tom Veiga faleceu recentemente. Pois, mesmo diante de tantas adversidades, a loira vem cumprindo tal missão com muita presteza. Assim como Serginho, Ana usa e abusa de seu rico acervo. Além disso, sua equipe tem se mostrado muito criativa ao criar novos quadros, que são gravados remotamente. É preciso reconhecer que o Mais Você atual não está tão bom quanto nos tempos de antes da pandemia, mas tem oferecido um conteúdo digno e respeitado o seu público.

Além de manter alguns de seus apresentadores em casa, a Globo colocou outros de volta aos estúdios, mas sob novas condições. O Caldeirão do Huck, sempre muito calcado em externas, teve que se virar e lançar novos quadros feitos no palco. E apostou fundo nos game shows, que têm ido muito bem. Tem ou Não Tem e Quem Quer Ser um Milionário? divertem.

Fátima Bernardes também adaptou bem seu Encontro ao novo momento. Com entrevistas remotas, mas com a apresentadora no estúdio, o programa conseguiu manter sua essência e respeitar o distanciamento. Por outro lado, o Domingão do Faustão foi menos feliz na volta ao estúdio. Mais curto e com poucos quadros, o programa de Fausto Silva se debruça sobre a Dança dos Famosos, um formato que parece pouco adequado para o momento. É estranho ver artistas dançando com seus professores de maneira tão próxima no atual contexto.

Entre erros e acertos, a Globo conseguiu mostrar que é possível, sim, produzir entretenimento de qualidade mesmo diante de tantas adversidades. As mudanças implantadas nos programas de variedades mostram é possível fazer uma boa televisão com poucos recursos e algum improviso. O público agradece o empenho dos profissionais envolvidos.

André Santana

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Silvio de Abreu deixa Teledramaturgia da Globo; José Luiz Villamarim assume

A Globo tem promovido importantes mudanças em sua alta cúpula. Na semana passada, foi anunciada a saída de Carlos Henrique Schroder da direção de entretenimento da emissora, e sua substituição por Ricardo Waddington. Agora, é Silvio de Abreu quem vai deixar o posto de Diretor de Teledramaturgia do canal. O veterano novelista será substituído por José Luiz Villamarim, o diretor de Amor de Mãe.

Silvio de Abreu ocupou o cargo de Diretor de Teledramaturgia da Globo por seis anos, na ocasião em que a emissora dividiu seu entretenimento em quatro “super diretorias”, duas delas de dramaturgia (novelas e séries), e duas de variedades (realities e diários, e semanais). Com a criação do cargo, a emissora apostou suas fichas na gestão de um de seus principais e mais experientes novelistas, que já vinha tendo uma importante atuação nos bastidores do canal. Vale lembrar que, há anos, Abreu não apenas se dedicava às suas próprias novelas, mas também se incumbia de revelar novos roteiristas, cujas obras de estreia ele supervisionava. Foi pelas mãos dele que nomes como Maria Adelaide Amaral, João Emanuel Carneiro e Elizabeth Jhin se tornaram novelistas titulares.

Ao assumir a Teledramaturgia, Silvio de Abreu atuou, sobretudo, em duas frentes: organização de filas de autores e horários, e lançamento de novos nomes. Era ele quem lia as sinopses, aprovava e determinava seu lugar na fila das seis, sete, nove e onze. Foi ele também que apostou nos novos autores de novelas, revelando nomes como Alessandro Marson, Thereza Falcão, Angela Chaves, Alessandra Poggi, Manuela Dias, Paulo Halm, Rosane Svartman, Maria Helena Nascimento, Claudia Souto e Daniel Ortiz, todos assinando obras que não decepcionaram no Ibope.

Muitos criticaram a gestão de Silvio de Abreu, visto por muitos como voluntarioso e que protegia “os seus”. Bobagem. O autor entende como poucos da carpintaria do folhetim, mostrando-se alguém bastante apto a avaliar sinopses. Além disso, sua preocupação em renovar o banco de autores revelou-se fundamental para a sedimentação do gênero, que foi criado por veteranos que estão quase todos se aposentando. 

Por fim, muitos reclamam do amplo espaço dado a nomes controversos, como Daniel Ortiz ou Walcyr Carrasco. Mas é fácil entender os motivos disso: Abreu precisava entregar resultados à emissora, e os dois autores são bons de audiência. Na verdade, ele promoveu um rodízio interessante entre textos mais elaborados e queridinhos da crítica (como Rock Story, Bom Sucesso e a própria Amor de Mãe), com outros de pegada mais popular e boas de Ibope, mas ruins de crítica (como Pega Pega, A Dona do Pedaço ou Haja Coração). Claro que houve tropeços neste caminho, como O Sétimo Guardião, mas o saldo é positivo.

Ou seja, numa avaliação geral, a gestão Silvio de Abreu foi muito bem-sucedida. Agora, é esperar para ver o que José Luiz Villamarim trará para o segmento. Capacidade para isso ele tem, já que é um festejado diretor, que vem se dedicando a uma pegada mais autoral em suas últimas produções. Amor de Mãe mesmo é uma novela “diferentona”, apesar de ser puro folhetim. No Twitter, muitos comemoraram a escolha e preveem um salto de qualidade nas novelas da Globo. É possível, mas é preciso lembrar que a emissora cobrará resultados. O diretor terá que, assim como fez Silvio de Abreu, equilibrar produções mais elaboradas com outras mais “farofa”. Não há como fugir disso.

Ah, e vale lembrar que Silvio de Abreu também acumulava as séries e os programas de humor, depois das saídas de Guel Arraes e Marcius Melhem. 

André Santana

Amazon Prime Video anuncia painéis na CCXP Worlds

A CCXP Worlds - a primeira edição virtual do maior festival de cultura pop do planeta - contará com painéis exclusivos do Amazon Prime Video, no Thunder Arena. Famosos por divulgarem notícias exclusivas, trechos inéditos e histórias dos bastidores, os painéis trarão 14 participantes do elenco das séries Originais Amazon, incluindo produções inéditas como ‘Invincible’ e ‘The Wilds’, além da série aclamada pelos fãs, ‘The Expanse’. Em 2020, a CCXP acontece de forma totalmente virtual nos dias 4, 5 e 6 de dezembro.

Para o lançamento da série ‘Invincible’, o painel contará com a presença de Steven Yeun, J.K. Simmons, Zazie Beetz, Gillian Jacobs e Zachary Quinto, além do cocriador de ‘The Walking Dead’, Robert Kirkman. A série de super-heróis de animação para adultos gira em torno do jovem de 17 anos Mark Grayson (Yeun), um garoto como qualquer outro de sua idade - exceto pelo detalhe de que seu pai, Omni-Man (Simmons), é o super-herói mais poderoso do planeta. Conforme Mark desenvolve seus próprios poderes, ele descobre que o legado de seu pai pode não ser tão heroico quanto parece. Com oito episódios, ‘Invincible’ chegará ao Amazon Prime Video, em 2021, em mais de 200 países e territórios. A produção é baseada na história em quadrinhos de mesmo nome escrita por Kirkman, Cory Walker e Ryan Ottley.

O painel da série ‘The Wilds’ será marcado pela presença da criadora e produtora executiva Sarah Streicher (Demolidor) e da showrunner, além da produtora executiva, Amy B. Harris (Sex and the City) e de parte do elenco, como Rachel Griffiths, Reign Edwards e Sarah Pidgeon. Parte drama de sobrevivência, parte festa do pijama distópica, ‘The Wilds’ conta a história de um grupo de garotas adolescentes de diferentes estilos de vida que se unem após a queda de um avião em uma ilha deserta. As garotas brigam e se unem enquanto aprendem mais umas sobre as outras, os segredos que guardam e os traumas que todas enfrentaram: elas não estão nesta ilha por acidente. A primeira temporada de ‘The Wilds’ terá dez episódios e está prevista para estrear exclusivamente no Prime Video em 11 dezembro de 2020 em mais de 200 países e territórios.

Representada na CCXP deste ano por Dominique Tipper, Wes Chatam e Cara Gee, ‘The Expanse’ é ambientada em um sistema solar colonizado e começa com os governos da Terra, Marte e o Cinturão de Asteróides travados em um conflito de longa data. A tripulação do Rocinante - um navio de guerra recuperado ilegalmente - se depara com uma vasta conspiração e uma misteriosa tecnologia alienígena que ameaça alterar o equilíbrio de poder e o destino da humanidade. A série Original Amazon vencedora do Hugo Award - agora em sua 5ª temporada e baseada nos romances de ficção científica extremamente populares de James S.A. Corey - foi desenvolvida e roteirizada pela dupla de escritores indicados ao Oscar, Mark Fergus e Hawk Ostby. Os três primeiros episódios da nova temporada estrearão no Prime Video em 16 de dezembro, com novos episódios disponíveis a cada quarta-feira seguinte, chegando ao final épico da temporada em 3 de fevereiro de 2021.

Os produtores executivos são Naren Shankar, Andrew Kosove, Broderick Johnson, Laura Lancaster, Sharon Hall, Sean Daniel, Jason Brown, Daniel Abraham, Ty Franck e Dan Nowak. Shankar atua como showrunner em todas as temporadas. The Expanse é produzida pelo Alcon Television Group.

Além dos painéis, os fãs do festival terão ainda a oportunidade de jogar um jogo de suas séries favoritas na ativação virtual Amazon Prime Video World. Com duas séries surpresa a cada dia, o público poderá andar pelos estúdios, procurando por Easter eggs e competindo por um lugar no ranking baseado no tempo em que o participante cumprir a tarefa.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Gazeta vai exibir "Jornal do Boris"

É interessante notar os ciclos e caminhos que a TV brasileira e os profissionais que dela fazem parte vão desenhando. Boris Casoy, veteraníssimo jornalista de TV, o profissional que lançou a figura do âncora na televisão brasileira, vem se reinventando de uma maneira bem esperta. Ao se ver fora da TV, tratou de criar seu espaço no Youtube. E este espaço o levou de volta à TV. Olha só!

Com passagens por SBT, Record, Band, JBTV (lembra?) e RedeTV, o apresentador se viu fora do ar com a pandemia. À frente do RedeTV News, Boris foi afastado por pertencer ao grupo de risco e, após um tempo participando do noticioso de sua casa, acabou sendo dispensado pela emissora. Para não ficar parado, lançou seu canal no Youtube e criou o Jornal do Boris, programa que também é transmitido por várias plataformas de áudio e vídeo, além do canal Alpha Channel.

É uma ideia simples, mas interessante. Em meia hora, Boris Casoy promove um passeio pelos principais jornais impressos do país, fazendo comentários diversos sobre as notícias do dia. Ele não lê os jornais, mas usa as manchetes para dar suas análises e impressões acerca dos principais assuntos tratados no noticiário. Parece um programa de rádio filmado. Interessante para se ouvir enquanto se ocupa de outras atividades.

Boris Casoy se fez como um comentarista de notícias na TV, desde os tempos do TJ Brasil. Por isso, encontrou uma atividade interessante na internet, onde tem um espaço livre para dizer o que pensa. Não concordo com boa parte das opiniões de Boris, mas tenho um profundo respeito pela sua trajetória e seu repertório. Gosto de ouvi-lo, mesmo que seja para discordar dele.

E a ideia do Jornal do Boris acabou caindo nas graças de Sidney Oliveira e da TV Gazeta. Com patrocínio da Ultrafarma, o programa passará a ser apresentado, também, pela TV Gazeta, a partir da próxima segunda-feira, 30, às 8h45. Com isso, ganha a Gazeta, que está numa fase fraca e com pouca produção. Jornal do Boris vem para somar. E ganha o próprio Boris Casoy, que reencontra seu espaço e volta a ter uma vitrine na TV aberta. E volta produzindo a si mesmo, num formato simples, mas muito eficaz. Vejo com bons olhos experiências como esta.

André Santana

sábado, 21 de novembro de 2020

Sábado volta a ser um dia irrelevante na TV aberta

O Programa da Maisa saiu do ar no SBT num momento crítico. A atração estreou injetando sangue novo nas tediosas tardes de sábado, mas logo também caiu no tédio e não sustentou a empolgação da estreia. Mas, se o programa vivia uma fase ruim, o sábado na TV aberta, como um todo, vive uma situação ainda pior. O Programa da Maisa estava chato, mas, sem ele, as opções nas tardes de sábado ficam ainda mais escassas.

Sem a adolescente, o SBT jogou seu sábado ao limbo. Claro, a culpa não é apenas da emissora. A pandemia também colaborou para tornar a situação crítica. A crise sanitária inviabilizou as gravações do Programa Raul Gil e Topa ou Não Topa. Assim, a solução foi recorrer a reprises. Máquina da Fama voltou ao ar, ocupando o horário do game de Patrícia Abravanel. Já o auditório do veterano passou todo o ano de 2020 na base do repeteco, desgastando ainda mais um formato que já vinha perdendo força.

Para piorar o cenário, a emissora insiste com o Triturando. O programa, ruim toda vida, não apenas dá as caras na programação diária, como também tem uma edição aos sábados, depois do Raul Gil. É incompreensível a atração de Chris Flores ter tanto espaço na programação do SBT, se nunca caiu nas graças do público e está longe de ser campeão de audiência. Interessante notar que, enquanto as outras emissoras tentaram driblar a pandemia da melhor maneira possível, o SBT simplesmente entregou os pontos.

Já o sábado da Record está jogado há muitos anos. Desde que O Melhor do Brasil foi movido para os domingos e se transformado no Hora do Faro, a emissora simplesmente deixou de investir neste dia. Atualmente, o canal abre espaço a edições longas e cheias de reprises de seus noticiosos populares, como Balanço Geral e Cidade Alerta, e aposta em filmes velhos e ultrarreprisados no Cine Aventura. À noite, mais filme velho. E só 

Enquanto isso, a Band aposta em enlatados, como Encantadores de Pet e séries americanas à noite, e abre espaço para o esporte, colocando-se como uma alternativa. Já a RedeTV aluga praticamente toda a grade, com produção própria apenas à noite. Produção própria e gasta, já que Operação de Risco e Mega Senha já tiveram dias melhores. Fora que os posicionamentos públicos sem qualquer postura ou senso de Marcelo de Carvalho desgastam sua imagem e respingam no game show. Virou persona non grata. Única opção interessante do canal é o Ritmo Brasil, que deve sair do ar, já que Faa Morena anunciou esta semana sua saída da emissora.

Neste contexto, a Globo se destaca não por ter uma programação “maravilhosa”, mas simplesmente por não ter concorrência. Em meio à total falta de opção, a reprise de Toma Lá Dá Cá ao menos diverte. Simples Assim vem melhorando a cada edição ao apostar em boas abordagens de temas interessantes, é preciso reconhecer. Mas o fato de não ter concorrente ajuda bastante o programa de Angélica. E o Caldeirão do Huck vive uma boa fase ao apostar em game shows que divertem. Também não é o melhor momento do programa de Luciano Huck, mas é um entretenimento válido. Aliás, vale ressaltar que o programa soube se reinventar bem neste período de pandemia, já que era uma atração muito dependente de externas. Voltou aos estúdios com bons quadros. E inéditos.

É uma pena que os sábados da TV aberta estejam tão abandonados. Num dia em que boa parte das pessoas está em casa e buscando algo para ver na TV, as opções se mostram muito escassas. Triste.

André Santana

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Com Geraldo Luís, Record "ressuscita" título "Boa Noite Brasil"

Boa Noite Brasil está de volta! Mas, desta vez, não será a Band que vai resgatar o título pela terceira vez. E também não será o retorno de Gilberto Barros, seus games, sua máquina da verdade no De Cara com a Fera e suas pautas dizendo que Yu-Gi-Oh e Dragon Ball Z são demoníacos. O título, na verdade, será resgatado pela Record, que o usará para batizar o novo programa de Geraldo Luís.

Geraldo já está preparando seu retorno à programação da emissora. No novo Boa Noite Brasil, o apresentador deve voltar a fazer o que já fazia no Domingo Show, ou seja, um programa de variedades que com grandes reportagens, humor e entrevistas. A atração estreia em janeiro de 2021 na Record e será exibida nas noites de quarta-feira. A ideia é que seja um programa de temporada, mas a emissora ainda não informou quantos episódios terá a primeira leva. 

Com o Boa Noite Brasil, Geraldo Luís volta a ter um espaço na grade da Record. O apresentador já foi muito prestigiado no canal, sobretudo na fase áurea do Domingo Show, no qual contava histórias quase sempre tristes e cheias de assistencialismo. Mas o formato chororô se desgastou com o tempo, o Domingo Show acabou perdendo força e saiu do ar (depois voltou sob o comando de Sabrina Sato, mas vamos fingir que isso não aconteceu).

Com o fim do dominical, Geraldo foi escalado para retornar ao Balanço Geral, noticioso vespertino que foi o seu primeiro programa na Record. Na época, a Record tinha perdido Reinaldo Gottino para a CNN Brasil, e estava com dificuldades para encontrar um substituto. O programa até chegou a perder audiência. Assim, Geraldo o assumiu e até conseguiu manter os bons resultados, mas a pandemia da covid-19 o afastou da produção, já que ele é diabético. Neste meio-tempo, Gottino retornou à Record e ao Balanço Geral, e Geraldo acabou ficando sem espaço.

Assim, começaram a pipocar que seu contrato não seria renovado, um boato recorrente na trajetória de Geraldo Luís na Record. Mais uma vez, ele entrou na mira do SBT e se tornou um nome forte para assumir o “novo” Aqui Agora, aquele eterno projeto de Silvio Santos que nunca sai do papel. Mas ele renovou com a emissora onde está e, agora, reconquista seu espaço na grade com o Boa Noite Brasil. Será que ele vai gritar: “água na Carol, água!”?

André Santana

Dubladores dos animes mais famosos do mundo estarão em painel da Funimation na CCXP Worlds

Sempre presentes em todas as edições do maior festival de cultura pop do planeta, os animes não poderiam ficar de fora da CCXP Worlds. Por isso, a Funimation reúne em um painel do Thunder Arena os dubladores de dois dos animes mais famosos do mundo, que agora chegam ao país em uma versão totalmente em português. Enquanto Lucas Almeida, Mayara Stefane, Pedro Volpato e Bruno Sangregorio falam sobre ‘Attack on Titan’, Lipe Volpato, Fábio Lucindo, Nestor Chinese e Luisa Horta trazem as novidades sobre ‘My Hero Academia’. Ambos os animes fazem parte da plataforma da Funimation que foi lançada recentemente no Brasil.

Além do painel no Thunder Arena, a Funimation estará na Hollywood Strip onde irá disponibilizar, em primeira mão, quatro episódios de cada anime e conteúdos exclusivos das séries. Em 2020, a CCXP Worlds acontece nos dias 4, 5 e 6 de dezembro de forma totalmente virtual. Para outras informações e o line-up já divulgado, acesse o site www.ccxp.com.br.

As vozes dos artistas já são conhecidas pelo público. Lucas Almeida dublou personagens de 'Magi: Adventure of Sinbad’ e '13 Reasons Why’. Mayara Stefane tem entre seus trabalhos de maior destaque 'Saintia Sho’ e 'World of Warcraft’. Pedro Volpato participou da série ‘Olhos que Condenam’ e do game 'Concrete Genie’. Quem também tem experiência no universo dos videogames é Bruno Sangregório, que atuou em Fifa 18 e 19. Já Lipe Volpato, Fábio Lucindo, Nestor Chiesse e Luísa Horta trabalharam juntos em ‘My Hero Academia’.

A CCXP Worlds já confirmou a participação de artistas como Jim Beaver, Edgar Vivar, Lana Parrilla, Sean Maguire, Kathyrn Newton e Vince Vaughn, que também estarão no Thunder Arena. Já são mais de 30 quadrinistas anunciados, entre eles Dave Gibbons, Jill Thompson, Sara Pichelli, Tom King e Emil Ferris. Este ano, o público poderá sentir a emoção de encontrar seu artista favorito nas áreas do festival transportadas para o ambiente virtual como Thunder Arena, Artists’ Valley, Game Arena e Creators & Cosplay Universe. A área de estúdios ganha sua versão digital, a Hollywood Strip, e as lojinhas viram o Market Place, enquanto o famoso estúdio de vidro marcará presença com a Omelete Stage.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Vem aí Loading, mais novo canal brasileiro

Sete anos depois do fim da MTV Brasil, o canal que a sucederá finalmente começa a ganhar forma. Trata-se da Loading, anunciado como uma start up jovem que vai produzir conteúdo multiplataforma de entretenimento, e com uma programação bastante focado na cultura pop, com destaque para séries, games, e-sports, animes e música. A Loading é uma criação do grupo de investimentos Spring, detentor da Kalunga e Spiral, liderado por José Roberto Garcia e Paulo Sérgio Garcia, e que adquiriu a estrutura e rede de transmissão da antiga MTV (que era da Abril Radiodifusão).

Ainda não há data para a estreia do novo canal, mas a expectativa é de que entre no ar ainda em dezembro. Enquanto não entra no ar, o canal Loading vai montando sua equipe de apresentadores. Fernanda Pineda, que já passou pelo UOL e pelo AdoroCinema, comandará o programa Multiverso, sobre quadrinhos, filmes, séries e desenhos animados. Ao lado dela na empreitada está Fabio Gomes, que já passou pelo Omelete, e Mariana Ayrez, especializada em games.

Outra atração do canal é o Mais Geek, canal do Youtube que ganha um espaço no Loading. Takeshi Oyama, especialista em cultura pop oriental, será o apresentador e editor-chefe, e com ele estarão Anderson Abraços, Thais Matsufugi, Clayton Ferreira e Jefferson Kayo. Há ainda MetaGaming, sobre games e e-sports, com Barbara Gutierrez e Chandy Teixeira. A nova emissora também exibirá séries e animações. O primeiro anime anunciado é The Lost Canvas, série do universo de Cavaleiros do Zodíaco.

Ou seja, a nova emissora há de ser um prato cheio para os nerds de plantão. Comunidade na qual este jornalista se enquadra. Um canal especializado em cultura pop parece algo muito interessante, embora seja segmentado demais. Porém, as produções são bem legais, e o fato de exibirem boas séries e animações também é bastante animador. Na torcida pra que a ideia seja bem recebida no mercado e o canal consiga se manter.

Até aqui, o único empecilho para o canal Loading é que a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) anulou a venda da MTV Brasil pela Abril Radiodifusão S/A para o grupo Spring, informou o site NaTelinha. O site afirma que as empresas e a União foram condenadas por omissão, e devem pagar danos morais coletivos em 10% do valor da transmissão, realizada por R$ 290 milhões. O Ministério das Comunicações, de acordo com a decisão, é obrigada a licitar novamente a concessão do sinal público de TV. O NaTelinha procurou o grupo Spring, que disse que não irá se manifestar. “No momento, não estamos nos pronunciando sobre esse assunto. Assim que tivermos uma posição, encaminharemos”, disse. Mas o grupo mantém a estreia do canal Loading para dezembro. Aguardemos.

André Santana

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Aos 21 anos, RedeTV vive sua pior fase

Neste domingo, 15, a RedeTV completou 21 anos de atividade. E, a cada aniversário, a emissora parece caminhar rumo a um limbo televisivo. O canal já fez muita coisa de caráter duvidoso nestes anos todos, mas o ano de 2020 tem sido particularmente ruim. Mesmo apostando em “novidades”, as “novidades” parecem colaborar para levar a RedeTV para o buraco.

A mais recente estreia, Vou te Contar, desperdiça a habilidade de Claudete Troiano e sua boa entrada junto às donas de casa num programa preguiçoso, que só existe por conta de um patrocinador. Trata-se de uma hora da faixa da programação da emissora na qual Claudete vende produtos e mais produtos. Irrelevante no ibope e com conteúdo zero, Vou te Contar não deve ter vida longa. Aliás, até já saíram notícias de que o patrocinador estaria insatisfeito, já que a RedeTV não teria cumprido o acordo que selaram. Complicado.

Mais complicado ainda é o Opinião no Ar. O programa no qual Luis Ernesto Lacombe e seus convidados disseminam desinformação travestida de debate e opinião só existe para que a RedeTV ganhe pontos com o Governo Federal. Uma escolha equivocada, tendo em vista que, acreditem ou não, governos passam. A emissora pagará a conta mais adiante. E a audiência? Cada vez mais fraca. Na semana passada, por exemplo, chegou ao zero absoluto. 

Outro programa feito para “agradar” parceiros políticos é o Alerta Nacional, de Sikêra Jr. O apresentador também dissemina desinformação, faz graça diante de assuntos sérios e parece mais preocupado em viralizar na internet do que informar o seu público. É um palco de destilação de ódio disfarçado de jornal. Programa pavoroso e irresponsável. Até aumentou a audiência do horário, mas a história da TV mostra que é um tipo de programa que costuma cansar rápido. Aliás, os atuais resultados mostram que já está cansando. Assim como o Opinião no Ar, a emissora ainda pagará uma amarga conta ao apostar em Alerta Nacional. Vai vendo.

Programas “clássicos” da emissora já não rendem mais como antes. A Tarde É Sua se perdeu ao se tornar um programa com tom crítico, mas que não aceita críticas. Sonia Abrão e seus colegas de bancada disparam opiniões aos baldes, mas vociferam ao serem criticados. Já o TV Fama vive a fase mais irrelevante de sua existência. Não repercute, não dá audiência, não reverbera. É como se não existisse. O mesmo vale para Superpop e Luciana By Night, que já tiveram fases melhores, mas atualmente passam em brancas nuvens. Até o Sensacional, que, apesar dos pesares, chegou a oferecer entrevistas interessantes, agora se vê quase inexistente.

Os únicos programas da emissora que ainda atraem o público são os dominicais. Encrenca com seus intermináveis vídeos da internet seguem como o carro-chefe da RedeTV. As pegadinhas armadas do João Kleber Show também têm seu público. E é isso. Só isso.

Não é possível vislumbrar um futuro para a RedeTV. O canal, com seus programas fracos e várias faixas locadas para igrejas e concessionários, periga virar uma “nova” CNT. É uma pena.

André Santana

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Com fim de "Os Mutantes", Record exclui uma faixa de novelas

Quem esperava rever na íntegra a famigerada “trilogia dos Mutantes” da Record ficará a ver navios. Isso porque a emissora não vai exibir Promessas de Amor, a terceira novela baseada no universo das criaturas criadas por Tiago Santiago. Ao final de Os Mutantes – Caminhos do Coração, a emissora extinguirá uma de suas faixas de reprises de novela vespertinas, ocupando o horário com um prolongamento do Balanço Geral e um capítulo maior de Escrava Mãe.

Segundo o site Notícias da TV, a ideia é aproveitar um pouco mais do sucesso de A Hora da Venenosa, que encerra o Balanço Geral. Como o horário político mudou a programação da Globo, fazendo a Sessão da Tarde começar mais cedo, o quadro de fofocas voltou a se destacar na audiência. Assim, a atração ganhará mais uns minutinhos para tentar segurar o público. É uma estratégia válida, embora eu ache estranho o Balanço Geral ser tão enorme.

Porém, o maior acerto na nova estratégia é justamente eliminar uma das novelas da tarde, que sempre se mostrou um exagero. Desde que a emissora pôs fim ao Programa da Tarde e passou a reapresentar novelas, havia a desconfiança de que o acervo da Record não sustentaria as duas faixas por tanto tempo. Tanto que até a escolha de Dona Xepa para abrir um dos horários se mostrou como um sinal de não havia tantos títulos relevantes para reprises, afinal Dona Xepa foi um belo fiasco em sua exibição original (e em sua reprise também).

Mesmo assim, aos poucos, a Record conseguiu manter sua faixa de reprises, algo que sempre tentou, mas poucas vezes funcionou. O retorno de tramas como Prova de Amor, Bela, a Feia e A Escrava Isaura renderam índices de audiência bastante satisfatórios. Além disso, as reprises serviram também para fazer justiça a algumas novelas que andavam esquecidas e mereciam retornar, como Ribeirão do Tempo e Vidas em Jogo

Mas as grandes novelas da fase áurea da Record já foram todas reprisadas. Há ainda algumas produções engavetadas, como Cidadão Brasileiro ou Poder Paralelo. Mas poucas para manter duas faixas vespertinas, ainda mais se levarmos em consideração que a pandemia obrigou o canal a exibir reprises no horário nobre também. A emissora fará um melhor uso de seu acervo ao manter apenas uma novela à tarde. 

Ah, e o canal também acerta ao não reapresentar Promessas de Amor, que foi um grande equívoco. A terceira parte da saga dos mutantes foi uma tentativa completamente equivocada de retomar o folhetim romântico, que foi abandonado em Os Mutantes, que era 100% fantasia tresloucada. Assim, em Promessas de Amor, as criaturas poderosas dividiam espaço com o romance açucarado de Sofia (Renata Dominguez) e Amadeus (Luciano Szafir). Mas Tiago Santiago não soube unir bem o romance com a ficção científica, fazendo uma história um tanto esquizofrênica. Ao ponto de fazer um último capítulo surreal, com um sequestro da mocinha acontecendo, enquanto o mundo estava praticamente acabando com um ataque alienígena. Parecia duas novelas diferentes exibidas simultaneamente. 

André Santana

CCXP Worlds anuncia Édgar Vivar, o Sr. Barriga

Após participar de um painel histórico e emocionante na primeira edição da CCXP em 2014, Édgar Vivar, que interpretou o Sr. Barriga e Nhonho no programa ‘Chaves’, volta ao maior festival de cultura pop do mundo. Os fãs da série podem celebrar a confirmação, já que o icônico ator e comediante mexicano participará de um painel nostálgico sobre ‘Chaves’ no Thunder Arena, com conversas sobre os bastidores do seriado e participações especiais a serem anunciadas em breve. Além disso, ele ainda estará no Meet & Greet, a versão digital das fotos & autógrafos com artistas presentes no festival físico dos anos anteriores e que este ano terá quatro modalidades. Em 2020, a CCXP Worlds acontece nos dias 4, 5 e 6 de dezembro de forma totalmente virtual. Para outras informações e o line-up já divulgado, acesse o site www.ccxp.com.br.

Édgar Vivar foi um dos poucos atores que permaneceu com Roberto Gómez Bolaños, que deu vida ao Chaves, até o fim do ‘Programa Chespirito’, interpretando uma infinidade de personagens na série ‘Chapolin’ e o ex-ladrão Botijão em ‘Los Caquitos’ (‘Chaveco’, no Brasil). Sempre muito ativo, seja na TV, no teatro, no cinema ou na dublagem, Edgar participou de grandes produções como os filmes ‘Bandidas’, ‘O Orfanato’ e ‘Homem ao mar’. O artista também já emprestou sua voz para vários personagens em animações como ‘Ratatouille’, ‘Up! Altas Aventuras’, ‘Meu Malvado Favorito 2’ e ‘Os pinguins de Madagascar’, entre outras.

A CCXP Worlds já confirmou a participação do ator Jim Beaver, que também estará no Thunder Arena e em atividades do Meet & Greet. Já são mais de 20 quadrinistas anunciados, entre eles Neil Gaiman, Dave Gibbons, Jill Thompson, Sara Pichelli, Tom king e Emil Ferris. Este ano, público poderá sentir a emoção de encontrar seu artista favorito nas áreas do festival transportadas para o ambiente virtual como Thunder Arena, Artists’ Valley, Game Arena e Creators & Cosplay Universe. A área de estúdios ganha sua versão digital, a Hollywood Strip, e as lojinhas viram o Market Place, enquanto o famoso estúdio de vidro marcará presença com a Omelete Stage.