sábado, 31 de agosto de 2019

Band erra com "MasterChef", mas acerta com "Pesadelo na Cozinha"

"Aqui tem tompêro!"

A final do MasterChef Brasil, desde sua primeira temporada na Band, sempre provocou grande mobilização. As torcidas dos finalistas se mostravam engajadas, fazendo da atração uma campeã de repercussão. Porém, isso não aconteceu na temporada 2019. A vitória de Rodrigo na noite do último domingo, 25, não conseguiu repetir o frisson dos anos anteriores. A baixa repercussão é resultado de uma série de equívocos, como o elenco fraco e, principalmente, a infundada mudança de dia da atração.

O título ter sido disputado justamente por Rodrigo e Lorena é uma amostra de que os tempos de frisson do MasterChef ficaram para trás. Não que eles não merecessem, longe disso. Mas, normalmente, o MasterChef trazia para suas finais duas figuras completamente opostas. Havia uma polarização que incitava o público a reagir. Desta vez, os finalistas foram duas personalidades queridas da audiência. Com isso, a torcida arrefeceu. Pareceu menos apaixonada.

Isso se deveu ao elenco mais fraco desta edição. Não houve uma figura que se destacasse, seja pela polêmica, seja pelo carisma natural. Foi um grupo mediano, que acabou rendendo um resultado na média. Deste modo, MasterChef teve uma temporada morna, o que normalmente não acontece no reality de gastronomia da Band. O programa de Ana Paula Padrão, Henrique Fogaça, Paola Carosella e Erick Jacquin já teve dias melhores.

Além disso, há o erro de o programa quebrar o hábito de seu público, acostumado a vê-lo nas noites de terça-feira. No entanto, o canal parece ter aprendido a lição e está tentando recuperar seu público perdido neste dia da semana com a estreia de Pesadelo na Cozinha. O divertido reality com Erick Jacquin voltou para uma segunda temporada na última terça, 27, e já disse a que veio, aumentando consideravelmente a audiência da faixa.

Em Pesadelo na Cozinha, Erick Jacquin é convocado para conhecer restaurantes com problemas e propor soluções para o estabelecimento. Na estreia, o chef francês conheceu o Pé de Fava, um restaurante nordestino cheio de percalços. Para tentar ajudar o negócio, Jacquin acabou batendo de frente com Fabio, o temperamental dono do restaurante. Além disso, precisou driblar a falta de condições do espaço.

Trata-se de um formato bastante atraente ao público. Isso porque o programa aposta em três frentes: o folhetim, a culinária e o empreendedorismo. Do folhetim, Pesadelo na Cozinha tem a narrativa, estabelecida em apresentação, conflito, clímax e conclusão. Já a culinária e o empreendedorismo aparecem unidos nos restaurantes mostrados. O diagnóstico e as soluções propostas por Jacquin não apenas garantem o final feliz (ou não), mas também servem como dicas ao espectador. Sendo assim, Pesadelo na Cozinha é um entretenimento bastante completo.

Porém, Pesadelo na Cozinha não seria tão atraente se não fosse a presença de Erick Jacquin. O jurado do MasterChef é um tipo extremamente carismático. A postura que mescla a doçura e a dureza, somado ao sotaque carregado, fazem de Jacquin um tipo rico. Com isso, ele desperta a atenção de quem assiste. É impossível ficar indiferente às observações certeiras e cheias de “tompêro” do chef.

Ou seja, a Band acertou em cheio, tanto na escolha do formato quanto do apresentador. Pesadelo na Cozinha é tão divertido que se mostra a melhor sala de espera para o MasterChef. Por isso mesmo, é bem difícil compreender porque o programa ficou dois anos fora do ar. Trata-se de uma atração que tem apelo e lenha para queimar.

André Santana

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Mostrando que ainda respira, Band amplia espaço de estrelas do "MasterChef"

Sempre um bom papo

No ano passado, a Band tentou sair do limbo com uma grade de programação popular. Não deu certo e praticamente todos os lançamentos da safra saíram do ar. Porém, para mostrar que ainda tem poder de fogo, a emissora promoveu nesta semana um evento para anunciar as novidades de 2019/2020. Com atraso, já que o canal costumava fazer isso nos primeiros meses do ano. Mas adiantados com relação a 2020.

As novidades que a Band anuncia para a próxima temporada são, basicamente, reality shows e jornalismo. Do primeiro, há algumas ideias interessantes, como Me Poupe, com Natália Arcury, um reality sobre economia; e Planeta Startup, um reality sobre... startups! Mas o que chama a atenção é o espaço que a emissora dará às estrelas do MasterChef . Todos os integrantes do time principal do mais importante programa de entretenimento da emissora terão voo solo.

Erick Jacquin, aliás, já está voando. A Band lançou na última terça-feira, 27, a segunda temporada de Pesadelo na Cozinha, o divertido reality no qual o chef ajuda um restaurante à beira da falência. Nos próximos meses, são seus companheiros de júri quem terão um novo lugar ao sol. Paolla Carosella comandará Lado C, uma espécie de talk show no qual ela conversa com um convidado enquanto cozinha. Seria um novo Pé na Cozinha, saudoso talk show de Astrid Fontenelle na extinta MTV Brasil? Já Henrique Fogaça apresentará Mistérios do Pantanal, uma série na qual o chef viaja pela famosa região do Mato Grosso do Sul mostrando curiosidades. Enquanto isso, Ana Paula Padrão comandará Missão Notícia, um reality envolvendo jornalistas em início de carreira.

Ao que tudo indica, estas novidades devem ficar para o ano que vem. Para este ano, a novidade da emissora é uma nova investida em jornalismo. Cansado de ver sua linha de shows sofrendo para aumentar os índices de audiência herdados do Show da Fé, o canal resolveu, agora, apostar em jornalismo na faixa das 22h. No próximo dia 8 de setembro, a Band lança o Band Notícias, seu mais novo jornal. A nova atração se junta a uma grade na qual o jornalismo já ganhou mais espaço, com o novo Café com Jornal e a estreia do Bora SP recentemente.

Esta deve ser a novidade mais interessante do pacote. Afinal, o jornalismo sempre foi um dos pilares da Band. Não por acaso, o Brasil Urgente ocupa várias horas diárias da grade, enquanto o Jornal da Band segue sendo uma das maiores audiências da emissora. Ou seja, jornalismo sempre foi uma das marcas da emissora. Ao apostar numa grade com mais horas dedicadas ao noticiário, a emissora otimiza os profissionais do Grupo Bandeirantes (que tem uma estrutura de jornalismo considerável) e se torna uma boa alternativa ao espectador. Pode funcionar.

André Santana

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

"Se Joga": novo programa da tarde da Globo ganha forma

Me joguei
Depois dos inúmeros boatos de que ficaria para o ano que vem, o novo programa que a Globo prepara para suas tardes parece que agora está a todo vapor. Nos últimos dias, a própria emissora já vem divulgando detalhes, como nome, logotipo e elenco. A atração, que já tinha confirmado os nomes de Fernanda Gentil e Érico Brás, agora ganhou também a presença de Fabiana Karla. O nome também já foi confirmado: Se Joga.

O formato ainda é um mistério, mas, a julgar pelo elenco, terá um viés bem-humorado forte. Afinal, Érico Brás e Fabiana Karla vêm do humor. Além disso, o programa terá a participação de nomes como Paulo Vieira e Jefferson Schroeder, também humoristas. Em entrevista ao site F5 em maio, Fernanda Gentil deu algumas pistas dos conceitos que vão nortear a atração: humanidade, leveza e alto-astral. "É quase como um carinho no telespectador. Eu bato muito nessa tecla: nós estamos em um ano muito difícil, já aconteceram coisas muito pesadas e tristes. Queremos passar uma mensagem leve, para cima, animada", contou. 

Se Joga estreará cercado de expectativas e responsabilidades. Afinal, é o programa concebido para substituir o lendário Vídeo Show. Além disso, deve bater de frente com A Hora da Venenosa, que segue liderando a audiência em boa parte dos dias. De quebra, ainda há a expectativa em torno do nome de Fernanda Gentil. Ao realocá-la do esporte para o entretenimento, a emissora criou um frisson que pode ser comparado ao da estreia de Fátima Bernardes. Quando a jornalista deixou o Jornal Nacional para assumir o Encontro, Fátima acabou ganhando a aura de “salvadora das manhãs”. E sua estreia problemática mostrou que esta expectativa nunca é boa.

Afinal, quanto maior a expectativa, maior é um possível tombo. A partir do momento que a estreia de Fernanda Gentil passou a ser comentada e cercada de boatos, criou-se uma curiosidade natural. Assim, a estreia há de chamar a atenção, para o bem ou para o mal. E a história da TV deixa claro que nenhum programa nasce pronto: haverá o agito da estreia, as primeiras críticas, as oscilações de audiência e os ajustes naturais. Em suma, é preciso paciência e cuidado com um lançamento deste porte.

Até porque o próprio desenvolvimento do projeto parece fazer crescer as desconfianças. Isso porque o projeto foi anunciado como o programa da Fernanda Gentil. De repente, surgem Érico Brás e Fabiana Karla, que não são apresentadores, fazendo as vezes de apresentadores. Dá a impressão de que a emissora pode repetir os erros do próprio Vídeo Show, que teimava em ter trocentos apresentadores, além da insistência em escalar atores (ou “digital influencers”…) para a ancoragem. Ficamos na torcida, então, para que estes erros não se repitam.

André Santana

sábado, 24 de agosto de 2019

Com "Topa ou Não Topa", SBT tenta chacoalhar seu sábado

"Alô, pai? Me dá um programa?"

Durante muitos anos, o sábado não era considerado um dia nobre pelo SBT. Os esforços da emissora em programação semanal sempre ficaram concentrados no domingo, dia que consagrou o dono Silvio Santos. O sábado, sobretudo a tarde de sábado, sempre ficou relegada a enlatados e tapa-buracos. Houve um tempo que o único programa nacional do SBT aos sábados era A Praça É Nossa, que por anos ocupou as noites do último dia da semana.

Em meio a apostas pontuais, como o Novo Show de Calouros, nos anos 1990, e em versões de Fantasia e Falando Francamente, nos anos 2000, a tarde de sábado era dedicada mesmo aos filmes e séries. Em 2001, por exemplo, o canal apostou numa seleção de séries americanas costuradas por esquetes do Clube do Chaves, tentando pegar carona na popularidade do menino do barril. Não funcionou. As séries foram substituídas pela faixa SábadoBom, que reuniu programas como Programa Livre, Canta e Dança Minha Gente e Curtindo uma Viagem. Também não funcionou.

Anos depois, em 2003, a emissora aproveitou o pacotaço de séries da Warner e recheou a grade com uma seleção anunciada como “o melhor da TV paga na TV aberta”. Era uma maratona que incluía títulos como Lois & Clark, Felicity, Gilmore Girls e Everwood. Mais adiante, em 2004, a aposta era em filmes e distribuição de prêmios, com Celso Portiolli relegado a apresentador de intervalos na Sessão Premiada. Filmes, aliás, sempre foram a saída para as tardes de sábado do canal, em sessões como Cinema em Casa e Festival de Filmes, além da Sessão Premiada. Houve nova tentativa em produção própria com o mesmo Celso Portiolli, que apresentou o Namoro na TV e Etc, um mix de programa de variedades e namoro que ocupou as tardes de sábado ao longo de 2007. Saiu do ar para dar espaço às lutas armadas do WWE – Luta Livre na TV, em uma destas estranhas apostas de Silvio Santos.

A tarde de sábado só começou a ganhar uma atenção mais definitiva do SBT a partir de 2009, quando Daniela Beiruty, filha número 3, assumiu a direção artística da emissora. Nesta época, o canal fez uma série de investimentos na programação. Uma delas foi a contratação de Netinho de Paula, que relançou seu Dia de Princesa no novo Show da Gente, dirigido por nada menos que Marlene Mattos. A atração saiu do ar em 2010, para dar espaço ao Programa Raul Gil, no momento em que o veterano animador deixou a Band e se acertou com o SBT. A atração está no ar até hoje, mas quase perdeu espaço para Celso Portiolli por duas vezes. Conseguiu sobreviver.

Porém, em 2019, o SBT começa a dar claros sinais de que quer turbinar sua tarde de sábado. Uma aposta que faz sentido, se levarmos em consideração que os momentos de inércia do canal neste dia foram justamente em épocas que Globo, Record e até Band investiam pesado no dia. Hoje, apenas a Globo segue no páreo. Ou seja, é um cenário mais propício para chamar atenção da audiência e consolidar uma nova e mais variada grade de programação. O Programa da Maisa, que estreou em março, foi o primeiro sinal da emissora neste sentido.

E o Topa ou Não Topa, que estreou na semana passada, é mais um passo nesta direção. Num momento em que o Caldeirão do Huck, hoje o carro-chefe das tardes de sábado da Globo, investe pesado em game shows, o SBT resolveu contra-atacar na mesma moeda. E numa seara que conhece bem, afinal, games sempre estiveram no cerne do canal de Silvio Santos. Neste contexto, a nova investida do canal é justamente num game que já chamou certa atenção num passado remoto do SBT. Topa ou Não Topa já teve fases com Silvio Santos e Roberto Justus, e agora retorna com Patrícia Abravanel.

Trata-se de um desafio e tanto para a herdeira de Silvio Santos. Isso porque o Topa ou Não Topa tem um formato muito simples, e é a performance do apresentador que acaba ditando o ritmo da atração. Silvio Santos nadou de braçadas ali, com suas tiradas junto aos participantes e aos diálogos inusitados que imprimia com o “banqueiro” ao telefone (“oláááá!”, atendia ele). Já Justus, que não é um grande apresentador, não conseguiu emplacar na função. Patrícia, então, precisa mostrar que é a pessoa certa ali.

Na estreia, Patrícia mostrou segurança. Inspirada nas “maluquices” de Rebeca Abravanel, cada vez mais à vontade no Roda a Roda, Patrícia fez e aconteceu. E, embora não comprometesse, chegou a passar do tom. Ao fazer ginástica junto com a participante, que tem um trabalho social voltado ao esporte, Patrícia logo perdeu o fôlego e ficou afobada. Mas ela deve achar um equilíbrio nos próximos episódios. Além disso, o Topa ou Não Topa voltou “inspirado” na concorrência ao apostar em participantes que vêm ao programa com histórias de vida interessantes e missões específicas para o dinheiro conquistado na disputa. Luciano Huck faz isso à frente do The Wall e Quem Quer Ser um Milionário?.

Com isso, o SBT tem hoje uma tarde de sábado variada, com programas de diferentes gêneros e que falam a diferentes públicos. A emissora acerta ao dar um novo gás a este dia, que anda tão abandonado pelos demais canais. Uma manobra inteligente do canal.

André Santana

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

História da TV: Os 16 anos do "Jornal das Pernas"

"Poxa, que coxa!"

Se tem um setor do SBT que nunca cai na rotina é o jornalismo. Antes de apostar num jornal de seis horas comandado por um menino de 20 anos, ou de castigar âncoras impedindo-os de aparecer às sextas-feiras, a emissora lançou um jornal bem curioso. Em setembro de 2003, o SBT estreou um noticiário que ficou famoso, conhecido até mesmo por quem nunca o assistiu, tamanho o burburinho que causou. Isso porque suas apresentadoras, Cynthia Benini e Analice Nicolau, surgiam lendo as notícias com as pernas à mostra, o que levou o programa a ganhar o apelido de “Jornal das Pernas”. Com o singelo nome de Jornal do SBT – 1ª Edição, a atração era exibida na faixa das 19h30 e marcava o retorno de um telejornal no horário nobre da emissora, algo que não existia desde a extinção do Jornal do SBT/CBS, em 1998.

Muitos devem se lembrar do “Jornal das Pernas” quando o programa se tornou um boletim de notícias na programação, com o nome SBT Notícias Breves, em 2005. Mas a atração estreou dois anos antes, mais precisamente em 1º de setembro de 2003, como Jornal do SBT – 1ª Edição. Na época, a emissora tinha como único jornal o Jornal do SBT, de Hermano Henning, que era exibido no início da madrugada. Silvio Santos, então, resolveu fazer uma nova edição do jornal, em horário nobre e com uma apresentação diferente. Para isso, ele escalou Cynthia Benini e Analice Nicolau, que participaram da segunda edição da Casa dos Artistas, e lançou um novo jornal, na qual as apresentadoras apareciam sempre de saias, atrás de uma bancada transparente, com as pernas à mostra.

O SBT fez mistério sobre o lançamento. Colocou no ar as chamadas do jornal apenas uma semana antes da estreia, e, inicialmente, o novo noticioso era anunciado com o redundante nome Jornal de Notícias. No entanto, ainda antes da estreia, o nome já mudou para Jornal do SBT – 1ª Edição. A atração era realizada sem nenhum investimento, e trazia exatamente as mesmas atrações do jornal de Hermano Henning, apenas com cenários e apresentadores diferentes. Com equipe mínima, as notícias do dia eram dadas em forma de “Frases do Dia”, e o Jornal do SBT exibia quadros enlatados, como Tolerância Zero, sobre a atuação da polícia dos EUA, e Aconteceu no Mundo, com vídeos tipo “isto é incrível”. O jornal também tinha a participação dos comentaristas José Nêumanne Pinto e Denise Campos de Toledo. Semanas depois, Daniela Freitas se juntava ao time com as notícias do esporte.

Na semana seguinte à estreia, o jornal Folha de S. Paulo publicava uma matéria sobre a nova aposta de Silvio Santos. O jornal afirmava que a atração era criticada por muitos em razão do pouco conteúdo noticioso e pelas apresentadoras chamarem mais atenção que as notícias, mas também dizia que o SBT seguia a tendência mundial de fazer uma mistura entre jornalismo e show. No entanto, nem mesmo as pernas das apresentadoras seguraram a atração, que não atraiu anunciantes e nem audiência.

Como não emplacou no horário nobre, o SBT tentou uma inversão com o jornal da madrugada. Assim, Hermano Henning aparecia às 19h30, enquanto Cynthia e Analice davam expediente à 0h. Não funcionou. Então, Hermano voltou para as madrugadas, enquanto Cynthia e Analice passaram para as manhãs, às 6h, e a atração se tornou Jornal do SBT – Manhã em 2004. Ainda este ano, a emissora fez nova tentativa de emplacar o programa num novo horário, na faixa das 17h30, mas o jornal sucumbiu diante da concorrência com Os Cavaleiros do Zodíaco, que a Band exibia no mesmo horário. Acabou retornando para as manhãs.

Em 2005, o jornal continuava matinal, mas ganhou boletins ao longo da programação, de hora em hora, das 16h às 22h. Surgia assim o lembrado SBT Notícias Breves. Entretanto, no mesmo ano, o SBT reformulou sua programação jornalística, contratando o diretor de jornalismo Luiz Gonzaga Mineiro e a apresentadora Ana Paula Padrão. Com uma nova equipe, foi lançado então o SBT Brasil, enquanto o SBT Notícias Breves foi extinto, e as duas edições do Jornal do SBT foram reformuladas. Assim, o Jornal do SBT – Manhã passou a ser apresentado por Joyce Ribeiro.

Com as mudanças, Cynthia Benini e Analice Nicolau migraram para o entretenimento do SBT. Elas apareceram no programa Bailando por um Sonho, de Silvio Santos, e gravaram pilotos de Ver Para Crer, um programa de vídeos incríveis que acabou nas mãos de Celso Portiolli e César Filho. A partir de 2007, porém, o SBT fez nova reformulação no jornalismo, e Cynthia e Analice retornaram, mas sem pernas de fora. Primeiro, foi Cynthia Benini quem voltou, dividindo com Carlos Nascimento o SBT Brasil. Algum tempo depois, Analice Nicolau retornou, dividindo com Hermano Henning o SBT Manhã. Cynthia Benini deixou o canal há alguns anos, enquanto Analice Nicolau seguiu no canal, como uma das apresentadoras do SBT Notícias. Foi dispensada com o fim do jornal, há alguns meses.

E esta foi a trajetória do lendário “Jornal das Pernas” de Cynthia Benini e Analice Nicolau, que durou dois anos, passou por vários horários, teve vários nomes e acabou alimentando algumas lendas urbanas da TV. Por exemplo, há quem acredite, até hoje, que Cynthia e Analice ficavam cruzando as pernas enquanto apresentavam o jornal. Não é verdade. Elas apareciam sentadas com as pernas cruzadas, mas jamais cruzaram as pernas no ar.

Relembre como era o “Jornal das Pernas”:



André Santana

sábado, 17 de agosto de 2019

12º Troféu Santa Clara Tele-Visão aponta o pior da televisão


O Troféu Santa Clara, promovido pelo TELE-VISÃO desde 2008, chega à sua 12ª edição apontando o que há de pior na televisão brasileira. Em alusão ao dia de Santa Clara (11 de agosto), Padroeira da TV, o blog reúne jornalistas e blogueiros especializados em TV para votar nos piores em 15 categorias. Nesta edição, o júri é formado por Duh Secco (RD1), Fábio Costa (Observatório da Televisão e autor do livro “Novela: a Obra Aberta e Seus Problemas”, Fabio Garcia (canal Coisas de TV), Fabio Maksymczuk (FabioTV), Isaac Santos (Posso Contar Contigo?), Jurandir Dalcin (Portal Comenta), Kleber Nunes (Blog de Knunes), Marcus Soares (Vix.com), Rodrigo Albuquerque (Pega Dica) e André Santana (TELE-VISÃO). Abaixo, os “vencedores”:

Pior novela: “O Sétimo Guardião” (9 votos)
 
Fábio Costa - A estreia ocorreu em novembro, mas o “grosso” da história foi ao ar em 2019. No entanto, a decepção com o projeto foi herdada do ano anterior mesmo. Aguinaldo Silva não esteve num bom momento, o elenco era irregular, os personagens indefinidos e a história definitivamente não empolgou. Tanto assim que sua sucessora A Dona do Pedaço, sem ser nenhum primor de realização dramatúrgica, tem chamado bem mais a atenção dos espectadores do horário e aumentou a audiência.

Fabio Garcia - Acho que nem se Aguinaldo Silva quisesse fazer propositalmente uma novela tão terrível ele conseguiria fazer algo pior do que O Sétimo Guardião.

Fabio Maksymczuk  - A novela de Aguinaldo Silva e seus colaboradores aprofundou a crise da mais tradicional faixa horária da TV Globo. A trama girou ao redor dos 30 pontos, sem nenhuma grande expectativa para o telespectador, mesmo com a série de assassinatos dos guardiães que fizeram nenhuma falta. 

Foi lembrada: A Dona do Pedaço (1 voto); Verão 90 (1 voto).

Pior ator: Jesuíta Barbosa, o Jerônimo de “Verão 90”; e Bruno Gagliasso, o Gabriel de “O Sétimo Guardião” (3 votos)
 
Isaac - O Jesuíta Barbosa, que eu gosto muito e considero ótimo ator, não vingou sob a direção do Jorge Fernando, um diretor que abomina interpretação naturalista e aposta mais nos tons acimas. Funciona com alguns, mas jogou contra o Jesuíta, ator naturalmente visceral: tom sobre tom. P.S. Eu até pensei no Paulo Miklos, mas ponderei por ser um tanto injusto colocá-lo na categoria “ator”. 

Jurandir - Não tenho dúvidas do talento do ator, mas seu primeiro personagem em novelas não foi algo muito positivo. Antagonista, ele parecia desconfortável e muitas vezes robótico em cena.

Duh - Bruno Gagliasso. É fato que, embora protagonista, o Gabriel de O Sétimo Guardião estava bem aquém de outros tantos personagens periféricos que Bruno já viveu. Mas a má vontade dele era evidente. Aliás, essa preguiça do Gagliasso com as novelas não é de hoje...

Foram lembrados: José Loretto (2 votos); Bruno Montaleone (1 voto); Luiz Fernando Guimarães (1 voto).

Pior atriz: Yanna Lavigne, a Laura de “O Sétimo Guardião” (3 votos)

André – Típico caso de uma atriz que ainda não está pronta para uma personagem deste quilate. Yanna estava verde para viver a antagonista de O Sétimo Guardião e seu fraco desempenho fez a personagem murchar. Na reta final, quando fez parceria com a ótima Fernanda de Freitas, ficou claro que as personagens estavam invertidas. Yanna poderia fazer Louise, uma personagem “menor”, enquanto a ótima Fernanda arrasaria como a vilãzinha Laura.

Fabio Garcia - Talvez por ter pego uma personagem sem motivação e sentido, Yanna Lavigne ficou bem perdida em O Sétimo Guardião. Igual a gente em casa.

Kleber - Pela atuação robótica da vilã mais sem sal de todas as novelas, a Laura de O Sétimo Guardião.

Foram lembradas: Débora Nascimento (1); Claudia Raia (2); Alice Wegmann (1); Agatha Moreira (1); Marina Ruy Barbosa (1); Cleo (1).

Pior apresentador: Rodrigo Faro (4 votos)
 
Isaac - Rodrigo Faro, hors concours como apresentador fake, que se acha o tal, mas é bem ruim, fraquinho. Não faz nem cócegas nos grandes comunicadores.

Jurandir - Falta espontaneidade. Toda vez que coloco em seu programa parece que estou assistindo um personagem, e muitas vezes, aquele mocinho bobalhão que todo mundo torce o nariz.

Foram lembrados: Dudu Camargo (1); Geraldo Luís (3); Otaviano Costa (1); Leo Dias (1).

Pior apresentadora: Mara Maravilha (3 votos)

André – Mara Maravilha atravancava o Fofocalizando em sua primeira passagem por ali. Depois, atravancou o júri do Programa do Ratinho. Agora, volta ao Fofocalizando sem justificar sua presença por ali. A apresentadora perdeu a mão ao assumir uma postura tida “polêmica”.

Fábio Costa - Mara Maravilha, do SBT. Ela vai e volta, fala o que não deve de uma forma inadequada e ofensiva, cheia de uma falsa razão travestida de “personalidade”. Foi-se o tempo em que essa postura desagradável podia ser chamada de “personalidade”. Fez mínima falta ao Fofocalizando e não melhorou o quadro com sua volta após ausência.

Foram lembradas: Daniela Albuquerque (2); Eliana (1); Pâmela Domingues (1); Ana Hickmann (1); Sophia Abrahão (2).

Pior programa humorístico: “Os Roni” (3 votos)

André – Os Roni é mais um programa de humor tosco da cartela do Multishow. Texto fraco e atores forçados fazendo um humor ultrapassado, e que não tem graça nenhuma.

Marcus - Os protagonistas até funcionam na internet, mas a falta de carisma e boas piadas fez do humorístico uma bela perda de tempo.

Rodrigo - Não vi necessidade da criação de mais um programa de humor tentando imitar o Vai que Cola, o destaque da atração foi apenas o cenário, de resto foi mais do mesmo.

Foram lembrados: Encrenca (2); João Kleber Show (1); Te Peguei (1); A Vila (1); programas do Multishow (1).

Pior locutor esportivo: Galvão Bueno (5 votos)

Fábio Costa - Galvão Bueno, da Globo. Entra ano, sai ano, e o veterano locutor esportivo é paradoxalmente um ícone da profissão e ao mesmo tempo um dos que os telespectadores fiéis das transmissões esportivas clamam para que se aposente e deixe outros valores se estabelecerem. Eventualmente, pode ser que os escândalos e a desordem do futebol brasileiro colaborem para essa sensação, já que o efusivo Galvão de antes não encontra espaço para “narrrrrrrar” da mesma forma um futebol morno.

Kleber - Por falta de opção Galvão Bueno segue sendo meu voto.

Rodrigo - Voto no Galvão Bueno e tenho certeza que votarei nele ano que vem, ainda mais com essa abertura que a Globo deu para que ele possa fazer merchan, agora além de famoso “RRRRobinho, RRRRRonaldo e afins”, teremos a mesma entonação com a algum futuro meRRRRRRchan.

Foi lembrado: Lucas Pereira (1); Cleber Machado (1).

Pior programa jornalístico: “Primeiro Impacto” (5 votos)

Fábio Costa - Primeiro Impacto, do SBT. De um grande mau gosto em todos os sentidos. Além de excessivamente longo. Parece desejar copiar os concorrentes naquilo que haja de pior, para ver se atrai os espectadores.

Kleber - Primeiro Impacto. Junte Dudu Camargo e Marcão do Povo. Pronto, você tem um produto jornalístico de quinta categoria com matérias requentadas e repetidas exaustivamente e sangue até espremer, deprimente ver isso, mas o Primeiro Impacto agrada mais o Silvio Santos que o público, e o SBT acabou fazendo dispensas de jornalistas gabaritadas para ficar com esses dois malas que mal se bicam. Por isso que o jornalismo do SBT está num nível que ninguém merece. E ainda teve gente que pediu a cabeça da Raquel Sheherazade que chegou com pompa de emitir opiniões fortes, mas que com o passar desta década cedeu ao pedido de Silvio Santos e não emitiu mais opinião, virou uma mera locutora de notícias.

Foram lembrados: Bom Dia Brasil (1); O Crime Não Compensa (1); Cidade Alerta (1); Brasil Urgente (1); Domingo Espetacular (1).

Pior programa esportivo: “Os Donos da Bola” e “Esporte Fantástico” (2 votos)

Fábio Costa - Os Donos da Bola, da Band. O conjunto da obra tem telespectadores fiéis, mas não pela temática futebolística e sim pela suposta atração existente em ver os comentários pouco sutis de Neto em torno de um esporte que parece já ter fascinado mais.

Duh - Esporte Fantástico. Sempre que passo por lá, encontro pautas estilo TV Fama. Esporte mesmo, quase nada.

Foram lembrados: Papo de Bola (1); Cobertura do Pan-Americano na Record (1); Esporte Espetacular (1).

Pior programa de variedades: “Fofocalizando” (5 votos)

Fabio Maksymczuk - Fofocalizando não consegue alavancar a audiência da emissora de Silvio Santos. Ao invés do programa chamar a atenção pelas fofocas das celebridades, a atração repercute negativamente pelo futrico entre os apresentadores. 

Jurandir - É triste saber que existe um programa como esse na TV aberta. Reportagens sensacionalistas, sem contar as situações constrangedoras protagonizadas pelos próprios apresentadores. É aquela coisa, tudo por audiência.

Rodrigo - Fofocalizando, até me faltam palavras para explicar meu voto, mas as constantes brigas e visibilidade que o programa tem na mídia para divulgar suas brigas internas e loucuras do Léo Dias reforçam meu voto.

Foram lembrados: Aqui na Band (2); Hoje Em Dia (1); É de Casa (1); Melhor da Tarde (1).

Pior programa de auditório: “Hora do Faro” (6 votos)

Fabio Garcia - É muito triste ver um apresentador versátil e alegre como o Rodrigo Faro comandando um programa que apenas explora a desgraça alheia.

Kleber - Hora do Faro. Se o Domingo Show é ruim, o programa do Rodrigo Faro consegue ser pior, com atrações desnecessárias e quadros ruins de dar dó.

Marcus - Fraco e popularesco. Explora a miséria humana sem a real necessidade. É o tipo de programa que faz tudo pela audiência. Em contrapartida, a audiência tem respondido: Eliana é vice-líder consolidada.

Foram lembrados: Domingo Show (2); Programa Raul Gil (1); Domingo Legal (1); Caldeirão do Huck (1), Programa Silvio Santos (1).

Pior reality/talent show: “Big Brother Brasil 19” (3 votos)

Fabio Maksymczuk - O elenco do BBB19 fugiu dos confrontos e de uma possível rejeição. Porém, o tiro saiu pela culatra. Muitos participantes desta edição do reality da TV Globo decepcionaram.  Saíram sem deixar algum rastro e lembrança no telespectador. Não aproveitaram a oportunidade.

Jurandir - Acredito que o reality já deu o que tinha que dar pela falta de cuidado que a produção tem para escolher os participantes. Cada ano que passa a coisa piora mais.

Marcus - Talvez pelo desgaste, o programa não decolou em 2019. Some-se a isso, um elenco muito fraco e conflitos pouco interessantes. Definitivamente o pior BBB de todos os tempos.

Foram lembrados: O Aprendiz (2); Power Couple (1); MasterChef Profissionais (1); Show dos Famosos (1); Gonga La Gonga (1); The Four (1).

Pior série: “Carcereiros”, “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, “Tô de Graça”, “Z4” e “O Escolhido” (1 voto cada)

Com poucas opções de séries em 2019, muitos jurados se abstiveram de votar na categoria. Apenas cinco jurados votaram, e cada um deles citou um programa diferente, promovendo um empate de cinco programas.

André – Tô de Graça é mais uma série cômica sem graça do Multishow. Rodrigo Sant’anna é caricato, repete tipos e abusa de piadinhas que não fazem rir.

Fábio Costa - Carcereiros, da Globo. Infelizmente a adaptação do livro de Drauzio Varella não funcionou tão bem. Os personagens não despertaram maior empatia, os episódios pareciam se repetir e a vida de Adriano (Rodrigo Lombardi, em papel destinado a Domingos Montagner no início do projeto) irritou na medida em que ele se tornou uma figura de comportamento discutível e reprovável, desprezando os muitos exemplos de todo dia há anos e anos, desde quando o próprio pai era também carcereiro. Bem diferente de Sob Pressão, que igualmente já não era novidade na TV e trata de temática espinhosa e que demanda sangue frio do espectador.

Fabio Maksymczuk – Se Eu Fechar os Olhos Agora. A minissérie apostou em uma linguagem cinematográfica. Mais parece um filme desmembrado em minissérie do que ao contrário. Alguns diretores insistem em produzir filmes ao invés de produtos com linguagem televisiva na própria TV.

Rodrigo - Meu voto para a série O Escolhido da Netflix. Quando vi a chamada, achei a premissa boa e ar de cutucada política na revolta da vacina atual, porém as atuações são de nível escolar, não convencem de forma alguma e que deixa tudo caricato e sem emoção. Meu voto também vai para o Globoplay, hub de séries da Globo que merece um up tecnológico, trava tanto que dá mais raiva do que alegrias.

Duh - Difícil, porque foi tempo de coisa muito boa, como Sob Pressão, Cine Holliúdy e Carcereiros. Fico com Z4 do SBT. Parecia uma superprodução, mas o enredo era fraquinho, elenco e direção idem... Desisti na primeira semana.

Fiasco do ano: “O Sétimo Guardião” (6 votos)

Fábio Costa - O Sétimo Guardião, da Globo. Apesar de índices de audiência considerados altos diante dos alcançados pela concorrência, a novela era assistida mais para que se visse até onde se poderia chegar para erguer uma história inconsistente e sem apelo do que por gosto do público. E esses índices se tornam insatisfatórios ante o desejado pela emissora para a faixa. Afora isso, tivemos diversos problemas de bastidores, mudanças de rumo e discussões em torno da autoria da história. Uma novela que bem antes da estreia já era problemática, transcorreu por seis meses com problemas e definitivamente não deixou saudade.

Jurandir - Um fiasco que ninguém lembra.

Marcus - O maior produto da Globo, trouxe bom elenco e uma história curiosa. Porém, não soube entregar o que prometeu e acabou entregando um “arroz com feijão” muito mal feito. Os conflitos eram datados e os personagens pouco cativantes. Além de um desenrolar confuso. Definitivamente o maior fiasco de 2018/2019.

Foram lembrados: Vídeo Show (1); linha editorial acrítica quanto ao governo por alguns canais (1); De A a Zuca (1); MasterChef aos domingos (1).

Pior programa da televisão brasileira: “Você na TV” (3 votos)

André – Mesmo apostando em alguns quadros que fogem das velhas revelações de segredo, o Você na TV ainda é pobre de conteúdo, pouco criativo, enfadonho e ainda engana parte do público. Chamem o PROCON!

Kleber - Você na TV. O João Kléber faz suspense o programa inteiro pra revelar o que tem dentro da caixa, isso é batido demais.

Marcus - João Kleber sempre traz histórias pouco convincentes e sensacionalista. O drama é explorado até os últimos minutos do programa e a forma como o apresentador se porta frente às descobertas são ridículos. Vez ou outra até gera um meme, mas fica aqui o questionamento, vale tudo mesmo pela audiência?

Foram lembrados: Domingo Show (1); Cidade Alerta (1); Vício tem Cura (1); programas caça-níqueis (1); Casos de Família (1); Fofocalizando (1); Programa Silvio Santos (1).

Troféu Santa Clara 2019: menções honrosas


Numa safra de novelas mornas, O Sétimo Guardião levou até fácil o troféu deste ano. Porém, teve concorrentes à altura. Isaac Santos resumiu bem a leva: “A Dona do Pedaço tem o texto, situações vexatórias criadas pelo Walcyr; O Sétimo Guardião foi uma perda de oportunidade de retomada do realismo fantástico, poderia ter sido uma despedida em grande estilo do gênero que consagrou o próprio Aguinaldo; Verão 90 foi desilusão total, um conjunto de equívocos que não deixou saudade. Este ano sobram opções, infelizmente, mas fico com Verão 90 pelo conjunto da pobre obra”, analisou. 

A categoria Pior Atriz também teve muitas performances duvidosas lembradas. E Isaac enfileirou várias delas ao justificar seu voto em Alice Wegmann, a vilã Dalila de Órfãos da Terra. “Pensei na Lília Cabral, mas ali (Sétimo Guardião) a personagem e trama também eram ruins. O mesmo se aplica a Totia Meirelles (Verão 90). O equívoco mais notório é o da Alice Wegmann (Órfãos da Terra), que fixa a atenção do telespectador toda no olhar permanentemente perturbado da personagem Dalila. Uma caricatura de vilã, sem inflexão, sem nuances. Ou melhor, descambou nisso, porque no começo prometia algo diferente”, disse.

Na categoria Pior Apresentador, Rodrigo Faro levou, mas viu seu colega de emissora (e de domingo), Geraldo Luís, no retrovisor. Fabio Garcia foi um dos que elegeu o dono do Domingo Show o pior. “[Geraldo é] O mestre do sensacionalismo, capaz de fritar a paciência do público por duas horas pra mostrar alguma celebridade decadente”, afirmou.

Chama a atenção a presença cada vez mais constante do Multishow nas categorias Pior Humorístico e Pior Série, graças ao sem-número de humorísticos mambembes exibidos pelo canal da Globosat. Tanto que Duh Secco não conseguiu escolher entre um deles. “A TV produz cada vez menos humorísticos. Gosto do que está na aberta – Tá no Ar, Praça, Zorra... Destaque negativo, acho, só para algumas da produções do Multishow. É muita piadinha velha, muita gritaria e pouca graça”, explicou. Porém, Fabio Garcia acha o João Kléber Show, da RedeTV, muito pior que qualquer Vai que Cola da vida. “Alguém sinceramente acha graça disso [João Kléber Show]? Perto disso aqui, os humorísticos do Multishow parecem incríveis”, comparou.

Já em Pior Jornalístico, Fabio Maksymczuk lembrou de uma das mais recentes apostas de Silvio Santos, a faixa O Crime Não Compensa, que substituiu o programa de entrevistas Poder em Foco. “Silvio Santos se despede do público em alto astral. Eis que surge, logo em seguida, a tenebrosa sessão O Crime Não Compensa. O clima soturno entra na veia da programação”, justificou.

Apesar de O Sétimo Guardião ter levado com facilidade o prêmio de Fiasco do Ano, a categoria sempre rende citações curiosas. Isaac Santos, por exemplo, aproveitou a oportunidade para criticar a postura de alguns canais de TV quanto ao atual momento político do país. “[O Fiasco do Ano é a] linha editorial de jornalismo de algumas emissoras de TV, que ‘passam pano’ para alguns que estão no poder”, disse. Já Rodrigo Albuquerque reclamou da mudança equivocada que a Band promoveu no MasterChef. “Este ano tivemos muitas mancadas, a mudança de dia e horário do MasterChef Brasil foi uma delas. Apesar de achar longa a edição de terça, o programa foi jogado para um dia concorrido e meio que sacrificado para dizer que a Band está em ‘movimento’”, lembrou.

André Santana

Sobre o Troféu Santa Clara


O Troféu Santa Clara é um prêmio fictício criado pela Folha de S. Paulo no ano de 1997. Na ocasião, o jornal reunia seus jornalistas especializados em TV num júri, que votava nos piores daquele ano na TV. Os vencedores eram revelados no extinto caderno TV Folha e, posteriormente, na Folha Online (atual Folha.com), sempre na semana do dia de Santa Clara, padroeira da TV. A última edição foi realizada em 2004. Em 2008, o TELE-VISÃO resgatou a ideia, montando um júri de jornalistas e blogueiros convidados especializados em TV, para dar continuidade a essa divertida maneira de se apontar as falhas da nossa televisão.

O “prêmio” leva o nome de Santa Clara porque a santa é considerada a “padroeira da TV”. Clara Favarone foi uma religiosa que nasceu em Assis, na Itália, no ano de 1193. Canonizada em 1255, em 1958 ela foi declarada “padroeira celeste da TV”, pelo papa Pio 12. Assim, o dia 11 de agosto é considerado o dia da televisão.

Confira as edições anteriores do Troféu Santa Clara!

2018:

2017:


2016:


2015:


2014:


2013:


2012:


2011:


2010:


2009:


2008:

terça-feira, 13 de agosto de 2019

História da TV: Relembre "Brida", a novela sem final que encerrou a Rede Manchete

"Nem com magia eu consigo
ver o final dessa novela..."
No dia 11 de agosto de 1998, a extinta Rede Manchete lançava Brida, novela baseada no famoso best-seller de Paulo Coelho. A emissora, que já andava mal das pernas, apostou todas as suas fichas na novela, na esperança de que ela fosse um grande sucesso como Xica da Silva. No entanto, o sucesso não veio e a novela foi bruscamente interrompida, o que ajudou a afundar de vez a emissora.

Brida contava a história da personagem-título, interpretada por Carolina Kasting. A jovem pensava ser uma mulher comum, mas descobria ser, na verdade, a reencarnação de uma poderosa bruxa. Assim, ela se vê como parte de um mundo de magia, passando a ser perseguida por um feiticeiro rival, Vargas (Rubens de Falco). Além disso, Brida se via num triângulo amoroso, envolvendo seu namorado Lorens (Leonardo Vieira) e o mago Mariano (vivido pelo jornalista Augusto Xavier, hoje apresentador do jornalístico Documento Verdade, da RedeTV!).

A novela era escrita por Jayme Camargo, Sônia Mota e Angélica Lopes, a partir da obra de Paulo Coelho, e era dirigida pelo veterano Walter Avancini. Para transformar o livro em uma novela, os autores se viram obrigados a aumentar a história, criando tramas paralelas diversas. Brida, assim, contava com 40 personagens e um elenco que reunia grandes nomes da televisão, como Othon Bastos, Bete Mendes, Guilhermina Guinle e Marcos Pasquim.

A ideia de adaptar Brida partiu da direção da Manchete, que apostava no sucesso e na popularidade do livro e de seu autor para chamar a atenção do público para a sua nova trama. Além disso, estava de olho no mercado internacional, esperando exportar a novela mundo afora, repetindo o sucesso da obra de Paulo Coelho. Com a nova novela, o canal também esperava “modernizar” sua teledramaturgia, depois de mostrar a pobreza do sertão em Tocaia Grande, a senzala em Xica da Silva e o cangaço em Mandacaru. Brida, assim, vinha com uma embalagem mais contemporânea e arrojada.

Para tornar a novela uma realidade, o canal não mediu esforços e, mesmo com a saúde financeira extremamente debilitada, apostou alto na produção da novela. Para financiar a viagem do elenco à Irlanda, onde gravaram as primeiras cenas, a emissora fez uma série de permutas. Ao mercado publicitário, prometeu que os anunciantes só pagariam pelas suas inserções se a trama alcançasse, pelo menos, 5 pontos no Ibope.

Foi uma estratégia desesperada de sobrevivência, e que se revelou um verdadeiro suicídio. Brida estreou com parcos 2 pontos de média, patinando nos baixos índices ao longo de sua trajetória. Seu recorde de audiência foi de apenas 4 pontos no Ibope. Percebendo o fiasco, a emissora interveio na obra, afastando o autor Jayme Camargo e mantendo a dupla Sônia Mota e Angélica Lopes. A ideia era obter um toque feminino na história, na tentativa de atrair a atenção das telespectadoras.

Brida, então, procurou adotar um tom mais leve e divertido, além de escalar atores conhecidos de outras produções da Manchete, como Victor Wagner, Carla Regina e Tânia Alves. Walter Avancini também contratou Rosane Goffman e Fafy Siqueira, que entraram para aumentar o humor da trama. “Não é exatamente essa a solução que eu gostaria de dar para o problema. Mas é esse o caminho que encontrei dentro das atuais circunstâncias e com os recursos que tenho”, disse Avancini ao jornal Folha de S. Paulo. A emissora também apostou fundo em uma de suas marcas na teledramaturgia, aumentando a dose de sensualidade da trama. Porém, as mudanças não surtiram efeito, e a novela seguiu em baixa no Ibope.

Com o fracasso, cumpriu-se o combinado, e os anunciantes não pagaram para a veiculação de seus anúncios. Sem receita, a novela passou a atrasar os salários do elenco, e os atores se recusaram a gravar mais cenas. Assim, Brida foi encerrada de uma maneira inusitada: sobre cenas já gravadas, um narrador contava o final da história, revelando o destino dos personagens. Brida foi encerrada no capítulo 54, que foi ao ar em 23 de outubro de 1998.

Brida foi substituída pela segunda reprise da novela Pantanal. E a Manchete, depois disso, seguiu ladeira abaixo, saindo do ar definitivamente poucos meses depois, em maio de 1999.

Veja abaixo o "final" de Brida:


André Santana