sábado, 16 de fevereiro de 2019

"Troca de Esposas" é um grande acerto da Record

"Vou trocar o Tralli pelo César Filho!"

Apesar de ultimamente só se dedicar a A Fazenda, Power Couple e afins, a Record já teve uma cartela de reality shows variada. E um dos grandes destaques de sua linha de shows no passado foi Troca de Família. A atração divertia e ainda fazia pensar, ao propor a troca entre as mães de duas famílias bem diferentes entre si. Ao mostrar as dificuldades em se adaptar a uma casa que não é a sua, Troca de Família sempre deixava no ar a lição de que não há nada melhor que o nosso lar.

Produzido entre 2006 e 2011, Troca de Família teve várias fases e apresentadoras. Estreou sob o comando de Patrícia Maldonado, que, na época, fazia sucesso à frente do vespertino Tudo a Ver. No entanto, a jornalista deixou a emissora no ano seguinte e foi substituída pela atriz Ana Paula Tabalipa. Mais adiante, Troca de Família se tornou um quadro do dominical Tudo É Possível, na tentativa de elevar os índices de audiência da atração que, na época, era apresentada por Ana Hickmann. Depois, Troca de Família voltou a ser um programa independente exibido no horário nobre, e Amanda Françozo assumiu o comando. Por fim, em 2015, a Record passou a reapresentar episódios do Troca de Família, e Chris Flores assumiu a apresentação. Nesta fase, Chris recebia no estúdio as famílias participantes, que contavam o que mudou na vida deles após a experiência no programa.

O repeteco de Troca de Família deu tão certo que a Record se viu encorajada a retomar a atração. Entretanto, ao invés de um simples retorno, a emissora optou por modificar o programa e lançou o Troca de Esposas, que estreou na última quinta-feira, 14. Apesar de manter a mesma dinâmica, o novo programa tem algumas diferenças. A principal é que, em Troca de Família, havia um prêmio em dinheiro. E eram as mães opostas quem deviam ditar os rumos da premiação. Agora, a dinâmica impõe que as mães devem seguir as regras de sua antecessora na primeira metade da estadia; depois, a coisa se inverte.

Outra diferença é a presença da apresentadora. Em Troca de Família, a apresentadora apenas narrava os acontecimentos. Já em Troca de Esposas, a apresentadora Ticiane Pinheiro tem uma participação mais efetiva. Ela visita as casas das famílias, além de mediar um encontro final, no qual os casais participantes discutem o que foi vivido.

Na estreia, Troca de Esposas trouxe de volta uma das personagens preferidas dos realities da emissora: Aritana Maroni. A chef de cozinha, com passagens por A Fazenda e Power Couple (além do MasterChef, da Band), trocou de casa por uma semana com a veganista Nana Indigo. A edição, então, explorou o que acontece quando uma família vegana recebe uma amante de carnes. E vice-versa.

A aposta em Aritana se justifica, já que a chef é realmente uma figura de muitas possibilidades. O programa divertiu ao mostrá-la tentando se adaptar à nova vida num verdadeiro “santuário” de animais. Ao mesmo tempo, foi interessante acompanhar Nana tentando manter o jogo de cintura ao se ver em meio a uma família cuja alimentação tem a carne como base. Deste modo, Troca de Esposas teve um material humano muito rico. A atração provoca reflexão sobre hábitos culturais e a possibilidade de se abrir a novas experiências. Ou seja, Troca de Esposas é um reality show com alguma profundidade, algo não muito comum no segmento.

Enquanto no Troca de Família, apenas as mães se encontravam no final da experiência, desta vez Ticiane Pinheiro promove uma espécie de “lavagem de roupa suja” entre os casais. Ali, os maridos e as esposas têm a chance de falar sobre suas experiências, ampliando o choque de cultura causado pela troca. Com isso, o espectador é levado a pensar sobre sua própria família e seus próprios hábitos.

Assim, Troca de Esposas resgata uma boa ideia. E, de quebra, ajuda a diversificar a linha de shows da Record, cada vez mais refém de realities de confinamento e musicais. O formato veio para dar um necessário “respiro” às produções da emissora. Um grande acerto do canal.

André Santana

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Silvia Poppovic pode voltar à Band

Boa filha à casa torna

Em coluna publicada nesta quinta-feira, 14, no UOL, o jornalista Flavio Ricco informou que o diretor Vildomar Batista trabalha num projeto de novo matinal para a Band. Na nota, ele afirma também que a apresentadora Silvia Poppovic é um nome cotado para ancorar a novidade. Ainda não há nada definido, mas, sem dúvidas, seria um nome bem interessante, já que a jornalista faz falta na telinha.

Silvia Poppovic é veterana da televisão brasileira, mas está fora do ar há quase 10 anos. Sua carreira como jornalista na TV começou na Globo, onde passou pelo Jornal da Globo, Globo Rural e Jornal Hoje. No entanto, ela despontou mesmo quando assumiu o comando de um programa que levava seu nome. Inicialmente exibido pelo SBT, o Programa Silvia Poppovic chegou às tardes da Band no início dos anos 1990. E fez história.

O Programa Silvia Poppovic fez parte de uma vitoriosa grade de programação da emissora naquela década, que mesclava esporte, entretenimento e jornalismo. Na atração, Silvia recebia convidados para debater temas contemporâneos, normalmente voltados ao cotidiano da mulher. De acordo com o tema proposto, ela entrevistava personagens que viveram determinada situação, além de trazer especialistas para analisar os casos. O formato deu tão certo que, anos depois, quando a Globo lançou o Encontro com Fátima Bernardes, muitos comparavam o matinal à atração de Silvia. Realmente, havia muitas semelhanças.

O Programa Silvia Poppovic ficou cerca de 10 anos nas tardes da Band. Era um de seus principais e mais tradicionais programas, além de um de seus produtos de maior audiência. No entanto, o programa não resistiu às mudanças implantadas pela emissora a partir de 2001, quando lançou uma estratégia de “popularização” de grade. Assim, o Programa Silvia Poppovic saiu do ar para dar espaço à primeira versão do Melhor da Tarde, com Astrid Fontenelle e cia, e o Hora da Verdade, com Márcia Goldschmidt.

Inicialmente, a ideia da Band era aproveitar Silvia num jornal popular aos moldes do Cidade Alerta. No entanto, o projeto acabou nas mãos de Roberto Cabrini e se tornou o Brasil Urgente, no ar até hoje com José Luiz Datena. Assim, Silvia foi deslocada para um projeto de programa de entrevistas no final das noites de domingo. Mas seu contrato chegou ao fim e o projeto não saiu do papel.

Depois disso, a jornalista retornou ao ar apenas em 2005, na TV Cultura, com um programa de debates nas noites de quinta-feira. Em 2009, ela retornou à Band no comando do Boa Tarde, um jornal exibido no horário do almoço. Depois, passou pelo matinal Dia Dia. Em seguida, retomou o Boa Tarde, que passou para a faixa das 15 horas, mas que também teve vida curta. Desde então, Silvia Poppovic tem se dedicado a projetos na web e apresentações de eventos e palestras.

Agora, finalmente, ela pode retornar. E à casa que a consagrou. Fica a torcida, então, para que seja um bom projeto. Silvia merece. E a Band está precisando.

André Santana

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

"Encontro" no fim? Globo nega, mas a ideia não é das piores

"Alguém tem o telefone do Leo Dias?"
Na noite desta segunda-feira, 11, o TV Fama, da RedeTV, noticiou que fontes ligadas à Globo asseguravam que o Encontro com Fátima Bernardes chegaria ao fim. Segundo a nota, a ideia era que Fátima Bernardes ganhasse um novo programa, à tarde, enquanto a nova atração de Fernanda Gentil substituiria o Encontro no final das manhãs da emissora. Consultada, a Globo negou veementemente que o Encontro chegará ao fim.

Trata-se de mais um dentre tantos boatos que cercam a programação 2019 da Globo. Com o fim do Vídeo Show e a iminente estreia de Fernanda Gentil, o que não faltam são especulações sobre como ficará a grade diária do canal com este novo cenário. A emissora tem feito silêncio sobre o assunto, se limitando a dizer que vários projetos estão em discussão. Enquanto isso, já especularam que Fernanda Gentil teria um programa à tarde; que o Mais Você iria para as tardes; que o Encontro iria para as tardes; enfim. 

Dentre todos estes boatos, má ideia seria trocar qualquer matinal de horário. Mais Você está consolidado nas manhãs, e não faria sentido mudá-lo para as tardes. Já o Encontro foi formatado para as manhãs e dificilmente emplacaria à tarde, tendo em vista que até de manhã a atração já não garante a liderança de audiência para a Globo. No entanto, a hipótese de extinguir o Encontro e pensar numa nova atração para que Fátima Bernardes comande à tarde já não seria tão ruim, embora seja muito improvável.

Isso porque o Encontro com Fátima Bernardes, embora não seja necessariamente ruim, está numa fase um tanto cansativa. Os assuntos debatidos no sofá de Fátima andam bem repetitivos, superficiais e raramente saem do lugar-comum. Ao mesmo tempo, um programa que mesclasse entretenimento e jornalismo parece ser uma boa solução para as tardes da Globo. Algo semelhante ao Estúdio I, da GloboNews, ou próximo aos programas matinais estadunidenses (que inspiraram o extinto Tudo a Ver, da Record, por exemplo). E Fátima Bernardes seria o nome ideal para comandá-lo, afinal, ela já tem o traquejo de uma apresentadora de entretenimento, mas também o estofo do jornalismo, com a experiência acumulada de anos em bancadas de telejornal. 

Ou seja, simplesmente trocar o Encontro de horário seria uma bela bola fora. Mas pensar num novo programa para Fátima que fosse capaz de segurar as tardes da emissora não seria de todo ruim. No entanto, como dito acima, me parece uma hipótese muito pouco provável. Ainda me parece mais lógico que a direção da Globo opte por manter as manhãs como estão e aproveite Fernanda Gentil no novo projeto das tardes. Mas, enquanto a Globo não confirma nada, seguimos acompanhando as especulações. Está divertido de ver.

André Santana

sábado, 9 de fevereiro de 2019

"The Four Brasil" é bom, mas... precisamos de mais uma competição musical?

"Quatro reais?"

É inegável que o The Four Brasil, primeira novidade da linha de shows da Record em 2019, é um ótimo programa. Trata-se de uma produção grandiosa, com cenário suntuoso e um jogo de luzes que enche os olhos do espectador. Além disso, a Record demonstra que aposta todas as suas fichas na nova atração ao entregar-lhe à Xuxa Meneghel, uma de suas maiores estrelas. O formato também rende momentos de muita emoção, além de boas performances musicais.

The Four Brasil é mais um talent show de cantores, um dos formatos mais populares do mundo. Seu diferencial é que o programa já começa com quatro finalistas definidos (o tal “The Four”), e seus participantes devem tentar derrubá-los para conquistar o seu lugar. Mas, para que eles possam desafiar um dos integrantes do The Four, eles devem, primeiro, passar pelo crivo do trio de jurados. Apenas quem consegue a aprovação dos três jurados pode ir para a batalha, na qual escolhe qual dos finalistas quer enfrentar. A plateia, então, escolhe qual dos dois merece a vaga.

A dinâmica é o grande trunfo do formato. Ao promover constantes batalhas entre os “finalistas” e seus desafiantes, The Four Brasil mantém um clima de competição constante, o que lhe confere a emoção necessária neste tipo de programa. Porém, apesar da mecânica diferente, o The Four Brasil tem mais semelhanças que diferenças que seus similares. Há ali as apresentações musicais costuradas pelas histórias de vida dos participantes. Além, claro, do trio de jurados que cumpre papéis específicos no julgamento.

O músico João Marcello Bôscoli é o mais sério, próximo ao “carrasco”, com análises mais exigentes. Léo Chaves é o intermediário, passeando entre o “parceiro” e o “mestre”. Enquanto isso, a ex-Rouge Aline Wirley é a “amiga”, sempre empolgada com o que vê. Aliás, na estreia, Aline passou do ponto na empolgação. Seus gritos eufóricos incomodaram e ela chegou a ser inconveniente em vários momentos. Ela precisa encontrar o tom. Mas nada que tenha comprometido o funcionamento do júri, que, no geral, é interessante.

Porém, como dito antes, trata-se de mais do mesmo. E um mais do mesmo que, numa análise fria, não se justifica. Isso porque, apesar de competições musicais serem uma febre no mundo todo, aqui no Brasil o formato nunca foi um fenômeno. E olha que eles estão no país desde 2002, quando Popstars, do SBT, e Fama, da Globo, estrearam (no mesmo dia, diga-se). Popstars não teve lá grande audiência, mas fabricou um ídolo de fato, a banda Rouge. Já Fama tinha audiência regular, embora seus cantores, salvo raríssimas exceções, não ficaram famosos.

De lá para cá, o único programa do segmento que alcançou relevância no Brasil foi o The Voice Brasil, da Globo. Sobretudo em suas primeiras temporadas, o programa foi um estouro de audiência e muito bem engajado nas redes sociais. Mas é uma exceção. No geral, os talent shows musicais têm recepção morna, ou passam em brancas nuvens. Basta lembrar de Ídolos, no SBT e na Record, que faziam sucesso apenas na fase de audições, quando os jurados esculachavam os candidatos bizarros e garantiam a diversão. Ou ainda Astros, Superstar, X Factor Brasil, e tantos outros, com trajetórias de regular a ruim.

A própria Record já tem um formato no segmento, o Canta Comigo, apresentado por Gugu Liberato. A atração chamou a atenção também pela estrutura e pela dinâmica diferente, com um “paredão” de 100 jurados que avaliavam os intérpretes. Apesar disso, a audiência foi apenas regular. E, mesmo assim, Canta Comigo terá nova temporada este ano. Ou seja, a Record apostará em dois formatos similares em sua programação 2019. Como dito acima: se justifica todo este investimento num formato que raramente repete no Brasil o frisson que causa lá fora?

Este, na verdade, é o grande efeito colateral da escolha da Record em fazer uma linha de shows apenas importando formatos. A emissora não demonstra muito cuidado na escolha dos shows que adquire, trazendo à sua programação uma série de programas semelhantes. Power Couple Brasil, com as mudanças implantadas no ano passado, ficou parecido com A Fazenda. Já The Four e Canta Comigo têm semelhanças. Este ano, a emissora apostará ainda no Top Chef, depois de já ter exibido Batalha dos Confeiteiros e Batalha dos Cozinheiros. O único formato mais “diferente” é o Troca de Esposas, que estreia na semana que vem.

Se é para trazer formatos de fora, a Record devia, ao menos, prestar atenção e garantir alguma variedade à sua linha de shows. Por que não deixar um pouco de lado as competições de confinamento, canto, dança e culinária para apostar, também, em game shows, por exemplo? O espectador agradece.

André Santana

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Maisa Silva ganha programa no SBT

"Desta vez, sem trolar as crianças!"

Para quem não anunciou novidade nenhuma no início do ano, até que o SBT está surpreendendo. A emissora de Silvio Santos anda reprisando programas da grade regular, mas prepara uma série de novidades para colocar no ar tudo de uma vez, em março. Entre elas, as estreias de A Rosa dos Milagres e a nova temporada de A Garota da Moto, além dos retornos dos inéditos de Programa do Ratinho, The Noite, Domingo Legal e Eliana. Agora, outra novidade acaba de ser anunciada pelo canal: um novo programa com Maisa Silva.

A pequena notável, que foi apresentadora mirim do Sábado Animado e Bom Dia e Cia, estava sem função no SBT desde o fim da novela Carinha de Anjo, onde viveu a vlogueira Juju. Depois, por conta da divulgação do filme Tudo por um Popstar, tornou-se figurinha carimbada de vários programas, dando as caras até na Globo. Sua participação no Conversa com Bial foi uma das maiores audiências do talk show no ano passado. Além disso, suas aparições no Programa Silvio Santos costumam render bastante.

Ou seja, Maisa Silva parece ter vencido o estigma de criança prodígio, mostrando que, agora adolescente, continua sendo um nome a se prestar atenção na TV. Sendo assim, ficou estranho o canal onde cresceu, o SBT, não ter dado mais espaço a ela. O site Notícias da TV chegou a noticiar que Silvio Santos acreditava que a menina estava maior que o próprio SBT, e que achava que ela devia deixar o canal para alçar voos maiores.

Neste contexto, um projeto de programa, o Maisa Digital, estava bem cotado para estrear ainda no ano passado. Bem avaliada internamente e com boas possibilidades comerciais, a atração, que a princípio foi pensada para a web, era esperada para a faixa anterior ao Domingo Legal, nos domingos do SBT. Mas, estranhamente, foi engavetada por ordem do “patrão” Silvio Santos.

Porém, agora vai! O próprio SBT divulgou hoje que Maisa terá um talk show para chamar de seu a partir de março. O Notícias da TV informou que o programa, que deve se chamar Maisera (nome pavoroso!), será uma nova versão do Maisa Digital, e deve ser exibido aos sábados, às 18h30. É um horário bem ruim, verdade, mas, ao menos, vão dar novo espaço à Maisa. A menina provou que merece.

André Santana

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

"Sai de Baixo" é a maior audiência das tardes de sábado

"E a gente ganha bem menos
que o Luciano Huck!"

Deu no Notícias da TV: no último sábado, 02, a reprise do Sai de Baixo, exibida nas tardes de sábado da Globo, deu mais audiência que os programas que vieram na sequência, os inéditos Tá Brincando e Caldeirão do Huck. Segundo o site, o humorístico marcou 12,4 pontos de média na Grande São Paulo, enquanto o programa de Luciano Huck deu 11,3. Já a atração comandada por Otaviano Costa ainda não engrenou e teve o seu pior desempenho desde a estreia, com 9,2 pontos.

Os resultados permitem várias análises. Uma delas é a de que a Globo achou o seu Chaves. Sai de Baixo foi produzido há mais de 20 anos e ainda tem um inegável apelo popular. Não por acaso, sempre foi uma das vedetes da programação do canal Viva, além de ganhar uma sobrevida nos cinemas, num longa que entra em cartaz ainda este mês. O programa de Luís Gustavo, Miguel Falabella e cia ainda agrada ao público, sem dúvidas.

No entanto, outra análise permite concluir que a programação das tardes de sábado, de maneira geral, anda bem fraquinha. Tá Brincando, por exemplo, é até divertido, mas já soa repetitivo após poucos episódios exibidos. A baixa audiência do último sábado colocou o programa de Otaviano atrás de vários outros programas que ocuparam a faixa, como o SóTocaTop, As Matrioskas e Estrelas. Sendo assim, será que Tá Brincando emplaca outra temporada mais adiante?

Enquanto isso, o Caldeirão do Huck vive uma fase pouco criativa. O programa de Luciano Huck tem como trunfos atuais apenas os games Quem Quer ser um Milionário? e The Wall, que se revezam em temporadas. No mais, todos os outros quadros são mera desculpa para explorar o assistencialismo à exaustão. Em janeiro, a coisa ficou ainda pior, já que está no ar o quadro Caldeirão ao Cubo, que revisita as “histórias emocionantes” mostradas ao longo do ano anterior. Haja paciência!

Mesmo assim, a Globo ainda é líder absoluta nas tardes de sábado. Isso porque os demais canais já não apostam tanto assim na faixa, como já fizeram. No SBT, o Programa Raul Gil já não tem a mesma força de antes. E os demais canais não exibem absolutamente nada no horário. Ou seja, o sucesso do Sai de Baixo mostra que o humorístico tem força. Mas a atração ser o programa mais visto do sábado à tarde também mostra que, 20 anos depois, não surgiu nada mais interessante.

André Santana

sábado, 2 de fevereiro de 2019

"Verão 90" é um deleite para os saudosistas, mas isso pode ser um problema

"Xampu, é você?"

É consenso que estamos numa safra irregular de novelas. Muitas das tramas apresentadas do ano passado para cá padeceram do mesmo mal: estrearam com fôlego e pretensão, mas decepcionaram em seus desenvolvimentos, desgastando suas temáticas rapidamente. Por conta disso, a estreia de Verão 90 gera alguma desconfiança: afinal, a trama de Paula Amaral e Izabel de Oliveira terá musculatura para ir além do frisson causado pelo resgate de elementos icônicos dos anos 1980 e 1990?

O primeiro capítulo foi recheado de referências. Em um prólogo que mostrou a infância dos protagonistas, o que não faltou foram programas, músicas, objetos e situações típicas dos anos 1980. Estavam ali as cortinas de madeira, a TV de tubo com palha de aço na antena, a decoração kitsch dos ambientes, o programa do Chacrinha, enfim. Tudo para mostrar a saga de Manuzita (Melissa Nóbrega), João (João Bravo) e Jerônimo (Diogo Caruso), que formavam a Patotinha Mágica, um programa de TV que dava origem a um grupo musical de sucesso.

Ainda no primeiro capítulo, a trama deu um salto e chegou ao início da década de 1990. Aí, o espectador reconheceu a novela Tieta, da qual Manuzita (Isabelle Drummond) fazia elenco de apoio, o orelhão com ficha, os figurinos extravagantes… Tudo isso regado a canções da época (algumas delas do fim da década, é verdade, mas não chega a ser um problema).

Neste contexto, Manu e João (Rafael Vitti) se reencontraram e iniciaram um romance. Mas, como a Patotinha Mágica se desfez com a rivalidade entre suas mães, Lidiane (Claudia Raia) e Janaína (Dira Paes), os dois optaram por manter o romance oculto. A trama também explora o ressentimento do vilão Jerônimo (Jesuíta Barbosa), o início do interesse entre Janaína e Herculano (Humberto Martins), um ex-ator de pornochanchada querendo se tornar um cineasta “cult”, e também os bastidores da Pop TV, uma emissora especializada em videoclipes totalmente inspirada na MTV Brasil, que surgiu justamente em 1990.

Assim, Verão 90 se apresenta como uma típica comédia romântica, tendo como diferencial sua reverência a um passado recente, resgatando fatos e elementos icônicos com o claro propósito de fisgar o público nostálgico. E a nostalgia não foi vista apenas nos elementos cênicos, mas também na estética da própria novela. As passagens de cena cafonas, o excesso de luz e colorido e os cenários menos realistas remetem às próprias novelas dos anos 1990, anteriores aos filtros de imagem atuais. Para completar a salada saudosista, a abertura também está lotada de elementos dos anos 1990. Há ali as cenas com chroma key, luzes e cores, a mola maluca, os videogames de 16 bits, a moda das academias e até o Pião da Casa Própria (!), além das coreografias de hits, como a lambada e a Macarena.

Ou seja, Verão 90 foi feita, assumidamente, para agradar quem viveu a década retratada. Isso é seu trunfo e seu problema. É um trunfo, pois dá personalidade à novela. Mas é um problema, porque a trama acaba ficando distante do público mais jovem. Para quem nasceu no final da década, estas inúmeras referências não dizem nada.

Sendo assim, Verão 90 corre o sério risco de ser mais uma novela que estreia chamando a atenção, mas que se perde no meio do caminho, como aconteceu com a antecessora O Tempo Não Para. A história, até aqui, não chega a ser ruim, mas também não traz nada de muito novo ou interessante. E não há saudosismo que se sustente por mais de 100 capítulos. Calcar a trama unicamente em seu período histórico pode ser um problema. Afinal, os jovens não se sentirão atraídos, e os saudosos podem cansar. Além disso, é questionável a ideia de fazer uma novela esteticamente parecida com as tramas dos anos 1990. Dá a impressão de que a produção é pobre. Comparada às outras novelas da Globo, Verão 90 tem uma embalagem pouco sofisticada.

Para decolar, Verão 90 precisa de uma história com mais vigor. Insistir apenas no saudosismo pode comprometer a obra.

André Santana

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

História da TV: os 29 anos de "Rá-Tim-Bum"

"Olá, classe!"
No dia 05 de fevereiro de 1990, a TV Cultura lançava um novo programa infantil que se tornaria uma grife e um dos principais sucessos de sua história. Neste dia estreava Rá-Tim-Bum, uma parceria com a FIESP e o SESI-SP, com roteiro escrito por Flávio de Souza, Cláudia Dalla Verde, Bosco Brasil, Mário Teixeira e Dionísio Jacob, e direção-geral de Fernando Meirelles.

Rá-Tim-Bum tinha um formato bastante moderno e arrojado, criando uma nova linguagem na programação infantil da TV brasileira. Era uma espécie de “colcha de retalhos”, com uma sucessão de quadros divertidos que traziam em seu conteúdo noções didáticas para crianças pré-escolares, explorando temas como higiene pessoal, ecologia, cidadania, Português e Matemática. Com personagens carismáticos e roteiro esperto e divertido, Rá-Tim-Bum tinha a proposta de educar brincando.

O programa sempre iniciava na sala de uma casa onde uma família se reunia para assistir ao Rá-Tim-Bum. Eva (Grace Gianoukas) e Luis (Roney Facchini), junto com seus filhos Ivo (João Victor d’Alves) e Lia (Pamella Domingues), viviam típicas situações familiares, ao mesmo tempo em que assistiam ao programa e interagiam com vários de seus quadros.

E, na TV, vários personagens se revezavam em esquetes divertidos e com alto conteúdo didático, como a matrona Cacilda (Eliana Fonseca), o maníaco por limpeza Euclides (Carlos Moreno) e o esperto (“pero no mucho”) detetive Máscara (Paulo Contier). Enquanto Cacilda se divertia ensinando boas maneiras, Euclides estava sempre a desafiar a cobra Silvia (Helen Helene) a desvendar enigmas. Já Máscara estava sempre envolvido em investigações, contando com a ajuda da audiência para desvendar seus mistérios.

Outro quadro clássico era o Jornal da Criança, apresentado pelo fantoche Arinelson (Márcio Ribeiro), com reportagens de Darlene Rocha (Helen Helene), e as intervenções do cameraman Zé (Wandi Doratiotto), que sempre trazia assuntos variados. Enquanto isso, os alienígenas Zero (Luís Henrique, também conhecido como Mamma Bruschetta) e Zero Zero (Ricardo Corte Real) estavam sempre sobrevoando a Terra em busca de objetos com cores diferentes. Já a menina Nina (Iara Jamra) não perdia a oportunidade de contar histórias sobre sua família, embora nunca tenha explicado porque sua boneca Careca era careca. Havia também a Família Teodoro, que propunha brincadeiras com o corpo, e a Esfinge (Norival Rizzo), sempre com enigmas para as crianças responderem.

E mais: a fada Dalila (Jéssica Canoletti) fazendo mágicas e falando sobre natureza em sua floresta encantada; o Como se Faz, com raps que ilustravam como várias coisas eram feitas; o Doutor Barbatana (Marcelo Mansfield) e Suas Sereias de Água Doce, que passavam noções de palavras antônimas; o Professor Miguilim (Luciano Ottani), que desafiava os personagens do programa com suas pesquisas científicas; a Branca de Neve, que dava noções de números contando os anões que a acompanhavam; o pinguim pianista  (Theo Werneck) com suas canções; os porquinhos que cantavam e passavam noções de higiene pessoal; os contadores de história Arthur Kohl e Helen Helene, que usavam objetos para contar suas histórias; e os peixinhos do aquário, que viviam aventuras.

No entanto, um dos mais lembrados personagens do Rá-Tim-Bum é o Professor Tibúrcio, vivido por Marcelo Tas. O professor, com seu jeito peculiar, ensinava à sua classe lições diversas, sempre de um jeito bem divertido. E, permeando toda a atração, havia o Senta Que Lá Vem História, que trazia uma historinha diferente todos os dias.

Com tantos personagens, um elenco numeroso e cheio de medalhões, uma direção arrojada e um roteiro esperto, Rá-Tim-Bum fez história na TV Cultura, tendo chegado à marca de 192 episódios. O sucesso levou o programa a se tornar uma grife, fazendo surgir duas séries “derivadas”: o Castelo Rá-Tim-Bum, que fez ainda mais sucesso que seu antecessor; e a Ilha Rá-Tim-Bum, que vinha com uma proposta mais infanto-juvenil e não repetiu o sucesso dos programas anteriores. Além disso, Rá-Tim-Bum se tornou o nome do canal infantil da TV Cultura, a TV Rá-Tim-Bum, que produziu outros programas com o nome, como Teatro Rá-Tim-Bum.

O programa contava ainda com uma graciosa abertura, que mostrava uma sequência de eventos conhecida como Máquina de Rube Goldberg. Tratava-se de uma parafernália movida por um ratinho numa esteira, que dava o start numa sequência de acontecimentos que terminava quando um peso caía sobre um soprador, que apagava velas sobre um bolo de aniversário. Outra curiosidade era que a abertura do Jornal da Criança contava com o tema musical de De Volta Para o Futuro, que foi utilizado até 1992 no Jornal da Cultura.

O infantil colecionou prêmios, nacionais e internacionais, como Medalha de Ouro do Festival de New York como Melhor Programa Infantil, o Prêmio APCA de Melhor Programa Infantil, o Troféu Criança 1990 da Fundação Fundação ABRINQ pelos Direitos das Crianças e o Melhor do Ano do Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo.

Rá-Tim-Bum foi produzido entre 1990 e 1994, e foi reprisado durante anos pela própria Cultura, e também pela TV Brasil e pela TV Rá-Tim-Bum. Está fora do ar na TV Cultura desde 2009, mas teve um episódio reapresentado dentro do Quintal da Cultura, em 2014, em razão do aniversário de 45 anos da emissora.

André Santana