quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Com saída de Amaury Jr, Cátia Fonseca é a única sobrevivente da "nova" Band

"Sobrevivi!"
Nesta semana, o apresentador Amaury Jr e a Band anunciaram o fim do contrato de um ano do artista com a emissora. No início do ano passado, o apresentador lançou seu Programa Amaury Jr nas noites de sábado, da Band, depois de mais de 15 anos na RedeTV, onde seu programa era exibido diariamente. Era a volta do apresentador à emissora que o consagrou, pois foi ali que ele ditou moda com o Flash. Amaury Jr, agora, se dedicará a um canal voltado a brasileiros nos EUA. E, segundo Flavio Ricco, pode estar com os dois pés de volta à RedeTV.

Com a extinção do Programa Amaury Jr, o Melhor da Tarde com Cátia Fonseca passa a ser o único programa lançado no ano passado a permanecer no ar. A emissora fez uma grande reformulação em sua grade de programação em 2018, lançando uma série de programas e modificando suas manhãs, tardes, noites e finais de semana. Foram lançados, além do Melhor da Tarde e Programa Amaury Jr, os programas Vídeo News, Cozinha do Bork, Superpoderosas, Agora É com Datena e Show do Esporte. Mas nenhuma novidade foi em frente, à exceção do vespertino.

Vídeo News foi o primeiro a ser rifado. Nova versão de um programa já exibido pela Band, a atração era gerada do Rio de Janeiro e contava com dois apresentadores, Rafael Baronesi e Larissa Erthal. No conteúdo, bastidores da Band, agenda cultural e notícias de celebridades. Mas o programa, exibido na faixa das 22 horas, não disse a que veio e foi logo reduzido a um apanhado de vídeos. No fim do ano, foi a vez dos matinais Cozinha do Bork e Superpoderosas deixarem a grade. Sem retorno comercial e de audiência, os dois foram substituídos por desenhos. A mudança significou a saída de Daniel Bork das manhãs da Band, espaço que ocupou por incríveis 20 anos.

Neste meio tempo, a indecisão de José Luiz Datena fez o Agora É com Datena virar Agora É Domingo. O programa foi reduzido, passou de entretenimento para jornalismo, mas nada fez com que a audiência reagisse. Assim, saiu do ar no fim do ano. Junto dele foi rifado o Show do Esporte, uma tentativa de transformar Milton Neves num animador de auditório. Esta foi a aposta mais estranha, já que o Terceiro Tempo, programa anterior de Neves, dava mais audiência, mas foi substituído por esta bomba. Acabou que o Terceiro Tempo acaba de retornar à programação. Agora, foi a vez de Amaury Jr. Já Cátia está garantida, já que seu programa fatura. 

Ou seja, o desmantelamento da grade 2018 da Band deixou claro que as mudanças implantadas foram realizadas de maneira um tanto irresponsáveis. Não houve cuidado da emissora nos lançamentos e na formatação de suas novidades, que se mostraram sem nenhum apelo para chamar público e, consequentemente, melhorar as finanças. Uma pena. Que o canal tenha mais sorte em 2019!

André Santana

sábado, 26 de janeiro de 2019

"O Tempo Não Para" sofreu da 'maldição' "I Love Paraisópolis"

#Maruca ou #Saroca?

Em 2015, o autor Mario Teixeira, em parceria com Alcides Nogueira, assinou a novela das sete I Love Paraisópolis. A trama, que narrava a trajetória da humilde Mari (Bruna Marquezine), começou muito bem. Leve, divertida, com bons personagens e situações, a história elevou a audiência do horário das sete, que parecia numa crise eterna. Porém, ao longo de sua trajetória, a trama perdeu fôlego, a história desandou e a audiência acabou caindo.

Um dos motivos que levou à queda de I Love Paraisópolis foi a ideia dos autores de casar os protagonistas, Mari e Ben (Maurício Destri), num momento bem distante de seu desfecho. O casal caiu nas graças da audiência jovem e “shippadora”, que não aceitava vê-los separados. Assim, eles se casaram e passaram todo o resto da novela juntos. Com isso, a história de ambos esvaziou-se, e Mari e Ben perderam o protagonismo. Os autores acabaram deslocando o romance principal para o casal antagonista, Grego (Caio Castro) e Margot (Maria Casadevall). Para suprir a ausência de vilões, trouxe o mafioso Dom Peppino (Lima Duarte) de volta (a princípio, ele faria apenas uma participação nos primeiros capítulos), e I Love Paraisópolis se tornou uma estranha comédia sobre uma máfia italiana instalada numa comunidade paulistana.

Com O Tempo Não Para, do mesmo Mario Teixeira, desta vez assinando sozinho, aconteceu algo semelhante. A história começou inspiradíssima. A ideia de congelar uma família do século 19 e colocá-los num contexto atual, por si só, já parecia brilhante. Quando Dom Sabino (Edson Celulari), Marocas (Juliana Paiva) e seus parentes acordaram no século 21, O Tempo Não Para se colocou como uma comédia provocativa e reflexiva. Afinal, em que ponto evoluímos enquanto sociedade do século 19 para cá? E em quais pontos regredimos? Estas perguntas eram colocadas na novela o tempo todo, sempre com bom humor.

Por meio da estranheza de Dom Sabino vivendo nos dias de hoje, O Tempo Não Para levantou questões importantes, sobretudo nas temáticas de machismo e patriarcado e, principalmente, escravidão e racismo. Enquanto isso, a mocinha Marocas vivia um romance com um jovem dos dias de hoje, Samuca (Nicolas Prattes), que passou bons momentos tentando entender como funciona a cabeça de uma jovem do século 19 para poder conquistá-la. Foi um romance gracioso e divertido.

O casal funcionou. E os “shippadores”, sempre eles, mais uma vez não queriam ver seu casal favorito separado. Em matéria recente do site Notícias da TV, foi revelado que, na sinopse original de O Tempo Não Para, Samuca e Marocas passaria um bom tempo separados. Ele acabaria se envolvendo com Walesca (Carol Castro), enquanto ela se casaria com Emílio (João Baldasserini). Ao mesmo tempo, Samuca e Dom Sabino travariam uma grande batalha pelas terras da Sam Vita, a empresa de Samuca, instalada nas mesmas terras que pertenceram a Dom Sabino no passado. A briga familiar impediria os protagonistas de viver o amor por um bom tempo. Mas nada disso aconteceu. O autor até separou o casal, mas por pouquíssimo tempo. E tratou de casá-los logo em seguida. Com isso, precisou tirar novas tramas da manga para manter a novela de pé. Mas, neste processo, acabou se perdendo.

Para agitar O Tempo Não Para, o autor “matou” o vilão Emílio, trazendo em seguida seu irmão gêmeo, Lúcio (João Baldasserini). A troca nunca se justificou. Betina (Cleo), que já era uma antagonista um tanto sem graça, se tornou uma maluca criminosa, cometendo as maiores barbaridades sem levantar uma suspeita sequer. Para piorar, os personagens congelados já estavam adaptados à vida nova, e a contraposição entre passado e presente perdeu espaço. Assim, sem ter mais o que fazer, Mario Teixeira trouxe de volta a doutora Petra (Eva Wilma), que havia participado dos primeiros capítulos, injetando uma última trama sobre um vírus mortal que os congelados carregariam. Petra voltou como uma espécie de vilã, confinando os protagonistas. Assim, a “estratégia Dom Peppino”, de I Love Paraisópolis, foi repetida.

Neste contexto, a trama abandonou vários personagens no caminho. Zelda (Adriane Galisteu) começou como comparsa de Betina, mas acabou sendo substituída justamente pelo seu “escada”, Poc (Leo Bahia). Assim, foi deslocada para um triângulo amoroso com Teófilo (Kiko Mascarenhas) e Monalisa (Alexandra Richter), outros atores jogados para escanteio. Enquanto isso, Helen (Rafaela Mandelli), Cairu (Cris Vianna), Amadeu (Luiz Fernando Guimarães), Mazé (Juliana Alves) e tantos outros fizeram figuração de luxo. E alguém aí sabe o que aconteceu com Marino (Marcos Pasquim)?

Apesar dos problemas estruturais, O Tempo Não Para teve seus méritos. Mesmo quando a trama desandou, ainda era possível assistir e se divertir com os diálogos inspirados e o humor classudo da trama. Personagens como Mariacarla (Regiane Alves), Coronela (Solange Couto), Januza (Bia Montez), Cesária (Olívia Araújo), Elmo (Felipe Simas) e Miss Celine (Maria Eduarda de Carvalho), entre outros, mantiveram a trama de pé. Além disso, O Tempo Não Para nos brindou com as boas performances de Juliana Paiva, Edson Celulari, Christiane Torloni (Carmen) e Milton Gonçalves (Eliseu), entre outros.

Ou seja, apesar dos pesares, O Tempo Não Para não foi uma novela ruim. Mas sairá de cena com a impressão de que deveria ser melhor do que foi. Fica a lembrança da ótima premissa, dos primeiros capítulos geniais, dos diálogos inteligentes e dos bons personagens de uma novela que teve seus momentos.

André Santana

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

SBT reduz ainda mais espaço para novelas da tarde


Como já era de se esperar, a enésima reprise de Carrossel na faixa das 18h30 do SBT não disse a que veio. A trama não conseguiu reverter a tendência de queda das Novelas da Tarde da emissora. Por isso, Carrossel já está sendo devidamente editada para sair do ar o mais rápido possível. Até aí, nenhuma novidade no reino de Silvio Santos.

Porém, enquanto muitos fãs aguardavam o lançamento de uma novela mexicana inédita, Silvio Santos atacará com mais uma de suas “armas secretas” (que, normalmente, têm cheiro de fiasco). Não, ainda não será mais um retorno do Aqui Agora (ou similar) e nem a volta triunfal de Chaves. Desta vez, o dono do SBT apostará em Rosa dos Milagres, uma série mexicana.

Rosa dos Milagres (ou La Rosa de Guadalupe, no original) é uma série que traz um episódio diferente a cada dia. A trama de cada episódio sempre gira em torno da fé diante de Nossa Senhora de Guadalupe. Ou seja, trata-se de uma série sobre fé, bastante calcada na religião católica.

Rosa dos Milagres é uma série de sucesso na TV mexicana, tanto que está no ar há mais de dez anos. Entretanto, ela é alvo de muitas críticas, por conta do exagero na abordagem da fé, bem como pelas atuações pobres de atores em início de carreira que estrelam os episódios. Assim, mal comparando, Rosa dos Milagres seria uma espécie de “versão católica” de Casos da Vida Real, outro programa importado do México que Silvio Santos tentou emplacar em 2004. Obviamente, não deu certo. Hoje, a série é lembrada mesmo por ter marcado a estreia de Silvia Abravanel como apresentadora do SBT. Em performance sofrível, diga-se.

Apesar de ter tradição na exibição de novelas mexicanas, o SBT raramente consegue emplacar um outro formato importado do México que não seja folhetim. Não só do México, mas também de qualquer outro país da América Latina. Ou alguém aí já se esqueceu do inacreditável Caso Encerrado? É uma pena que Silvio Santos prefira continuar brincando de tentativa e erro, em vez de voltar a oferecer uma novela mexicana original, algo muito almejado pelo espectador da emissora.

André Santana

sábado, 19 de janeiro de 2019

Com renovação de humorísticos, Globo busca novo público

"Fecha a conta e passa a régua!"

Nos últimos anos, foi intensa a movimentação da Globo no intuito de repaginar sua programação humorística. Após experiências pontuais, a emissora foi apostando cada vez mais fundo em jovens comediantes, tentando se aproximar de uma geração de espectadores acostumada a consumir vídeos na internet. Assim, depois de alguns murros em ponta de faca, a emissora foi acertando a mão. E a atual grade, com Tá no Ar às terças e Lady Night às quintas, mostra que o canal achou o caminho.

O empenho em renovar o humor ficou evidente quando a emissora tratou de substituir o cansado Zorra Total pelo atual Zorra. Saíram os esquetes enormes, cheios de bordões e piadas batidas, e entraram esquetes rápidos sobre o cotidiano. Muitos chiaram, mas a boa audiência do Zorra mostrou que a direção da Globo foi feliz na mudança. A inspiração, sem dúvidas, foi a boa repercussão do Tá no Ar – A TV na TV, um grande acerto do canal, que chega agora à sua última temporada.

Os seis anos do Tá no Ar foram fundamentais para que este “novo” humor da Globo se estabelecesse. A atração agradou o público e a crítica ao brincar com o efeito “zapping”, trazendo esquetes que emulavam os mais variados canais de televisão. O formato permitiu brincar com todos os canais de TV, bem como satirizar o cotidiano, abusar do besteirol e, principalmente, promover ácidas críticas políticas e sociais. A boa aceitação do humorístico abriu espaço para a grade atual, que aposta num humor mais contemporâneo, crítico e em sintonia com os assuntos da atualidade. Assim, a Globo, outrora sempre tão engessada, hoje tem o humor mais livre e crítico da televisão aberta brasileira.

Um exemplo disso é o mesmo Tá no Ar, que estreou sua última temporada na terça-feira, 15. Em meio a muitas cenas divertidas e inspiradas, o esquete da Vila Militar do Chaves viralizou e se tornou um dos assuntos da semana. Na cena, Marcelo Adnet encarna o militar Jair e, imitando o presidente Jair Bolsonaro, se colocou como o novo dono da vila do Chaves. Ali, chamou Chaves, Seu Madruga e Professor Girafales de “va-ga-bun-do” e tratou de prender todo mundo. Ou seja, o programa brincou com Chaves, um clássico da concorrência e, ainda, lançou um olhar crítico ao novo governo, algo raro nas TV’s abertas atualmente, quase todas alinhadas à atual gestão.

Além do Tá no Ar, a atual grade da Globo apresenta o talk show Lady Night às quintas-feiras. A emissora surpreende ao escalar, para sua linha de shows, um programa que não é original seu, e sim do Multishow, da Globosat. E a aposta se mostrou acertada, tendo em vista que o programa de Tatá Werneck é um dos melhores achados da televisão brasileira dos últimos anos. Ali, o besteirol rola solto no bate-papo entre Tatá e seu convidado. O humor da apresentadora acaba levando o convidado a se soltar e se desconstruir. Soou familiar? Sim, esta era a proposta do extinto Adnight, de Marcelo Adnet, que ocupou o mesmíssimo horário anos atrás. Lady Night, de estrutura bem mais simples, é infinitamente mais eficiente na proposta. E a audiência não decepcionou.

Depois de apostas equivocadas, como os malfadados Divertics, Tomara que Caia e o próprio Adnight, a Globo vai azeitando a fórmula de seus novos programas de humor. Além de Zorra, Tá no Ar e Lady Night, o canal ainda exibe Choque de Cultura, com uma linguagem bem diferente das atrações do gênero na TV aberta, e que também diverte bastante. E a promessa é que um novo formato, ao vivo, substitua o Tá no Ar na grade a partir do ano que vem. Seria uma versão Globo do Saturday Night Live? Aguardemos.

André Santana

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

"Mais Você"? "Encontro"? Tardes da Globo podem ter solução caseira

"Acorda, menina!"
A diversão da imprensa televisiva neste momento, além do início do BBB, é especular sobre o que será das tardes da Globo agora que o Vídeo Show finalmente foi rifado sem dó nem piedade. Muito já foi dito. Enquanto uns apostam numa revista eletrônica pilotada por Fernanda Gentil e Fabio Porchat, outros acreditam que um dos programas matinais da Globo, como o Mais Você ou o Encontro, poderiam migrar para as tardes. Será?

Sobre o projeto de Fernanda Gentil, ainda há poucas informações a respeito. Mas, até aqui, acredita-se que deve ser um programa solo mesmo, sem Porchat como parceiro. Segundo Ricardo Feltrin, Dani Gleiser já está escalada para a direção da atração, que deve ser um programa diário com auditório. Há quem diga que pode ser uma espécie de versão jovem do Encontro, o que torcemos para que não seja verdade. O ideal seria fazer algo aos moldes do Programa Livre, do SBT (lá vou eu de novo com minha fixação no Programa Livre… rs!).

Independentemente do formato do programa de Fernanda Gentil, o que parece é que a Globo ainda não sabe se será um programa matinal ou vespertino. Como há vaga nas tardes da emissora, o mais óbvio é que seja vespertino. No entanto, muitos especulam que a direção da Globo cogita transferir o Mais Você, ou o Encontro, ou até os dois, para as tardes, abrindo vaga nas manhãs. Mas essa parece a pior das ideias.

Encontro com Fátima Bernardes não é nenhuma unanimidade nas manhãs. Apesar de Fátima bombar na internet com seus memes e dancinhas, a audiência da atração não é lá essas coisas. Encontro chega a perder a liderança da Globo em algumas capitais. Sendo assim, nada garante que sua audiência melhoraria se fosse exibido à tarde. Pelo contrário. São grandes as chances do programa de Fátima Bernardes naufragar de vez. O ideal seria promover mudanças na atração, mas mantê-lo nas manhãs. Afinal, ele foi concebido para aquele horário, e seu formato permite mudanças que não iriam descaracterizá-lo. 

Já o Mais Você é um programa mais tradicional e mais redondo e, portanto, poderia levar sua credibilidade às tardes da Globo. Mas vale lembrar que o programa de Ana Maria Braga estreou nas tardes do canal, lááááá em 1999. E não deu certo. Ana costumava apanhar de Chaves e resistiu apenas 10 meses em seu horário inicial, migrando para as manhãs logo em seguida. Ali, também demorou para se encontrar. Mas se encontrou. Hoje, é um programa consolidado e o matinal mais estável da Globo. Trocá-lo de horário seria mexer em time que está ganhando. Ou seja, o ideal mesmo seria a emissora lançar um novo programa vespertino, e não promover troca-trocas na grade. A chance de não dar certo é grande.

André Santana

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Comentários sobre o início do ano na TV

"Upa neguinho!"
2019 já começou um tanto movimentado na televisão brasileira, com o fim do Vídeo Show acontecendo de supetão. Porém, mais coisas aconteceram nestas primeiras semanas do ano na telinha. A Globo já atacou com duas microsséries oriundas de filmes, além de novidades aos finais de semana. Enquanto isso, a Record foi de Terrores Urbanos. Já os demais canais fizeram vários nada.

Pela primeira vez em anos, a Globo não abriu o ano com uma minissérie “exclusiva”. Se Eu Fechar os Olhos Agora, prevista para abrir o ano, foi adiada para abril, já que não haverá “supersérie” este ano. Por isso, a emissora preferiu exibir dois filmes em formato de minissérie numa tacada só, em dobradinha, ao longo da semana. Elis merece destaque, já que a emissora incrementou o longa com cenas inéditas e inseriu imagens e depoimentos documentais. Isso deu um “plus” no filme. Deu muito certo.

Já nos finais de semana, a emissora trouxe novidades em seus espaços de programas de temporada. Tá Brincando, com Otaviano Costa, estreou com uma boa e divertida proposta. O game show no qual jovens disputam provas com uma equipe de “sêniors” funcionou muito bem no horário. O ponto negativo é a gritaria de Otaviano, que precisa maneirar no tom de voz. Nada que comprometa. 

Aos domingos, a novidade é a nova temporada de The Voice Kids. Em seu quarto ano, a competição musical infantil começa a evidenciar os mesmos vícios que anda cansando na edição adulta: os técnicos ultra afetados! Cheios de caras e bocas e emoções duvidosas, Carlinhos Brown, Claudia Leitte e Simone e Simaria andam exagerando nas reações e começam a virar caricaturas de si mesmos. A direção do programa já deveria considerar substituições no time.

Fora da Globo, o único canal aberto que trouxe alguma novidade foi a Record, com a série Terrores Urbanos, que já estava em exibição no PlayPlus. A atração foi uma bem-vinda experiência no campo do terror da emissora. Mas os resultados ainda não foram lá essas coisas. Foi uma produção caprichada, sem dúvidas, mas o texto raso e as atuações duvidosas enfraqueceram a série. Mas valeu como experiência. 

André Santana

sábado, 12 de janeiro de 2019

Fim do "Vídeo Show" não fez jus à sua história e importância

"Um beijo muito carinhoso,
fique com Deus... e adeus!"

Na tarde de ontem, 11, a Globo exibiu o último Vídeo Show de sua história. O clássico programa que mostrava os bastidores e as novidades da emissora se despediu sem grandes celebrações. Foi ao ar uma edição “normal”, que deixou bem claro os motivos que levaram o Vídeo Show ao fim. Pautas fracas e desinteressantes já envolviam o programa há tempos, e foram vistas também na edição derradeira. Uma despedida frustrante para um programa que deixou seu nome cravado na história da TV.

Afinal, o Vídeo Show cambaleou mais nos últimos cinco anos. Assim, teve outros 30 anos de sucesso absoluto. Trata-se de uma trajetória vitoriosa, que sempre mereceu todas as celebrações, apesar do pesares. Ainda mais se levarmos em consideração que o Vídeo Show estreou despretensioso, como um apanhado de vídeos diversos da Globo exibidos em uma hora das tardes de domingo. Quando aquele novo programa comandado por Tássia Camargo estreou, a ideia era que tivesse vida curta. Ninguém apostaria que a atração ganharia substância e atravessaria décadas.

Alternando entre o sábado e o domingo, e ganhando outros apresentadores, o Vídeo Show foi ampliando sua pauta, ganhando conteúdo exclusivo e saindo da simples fórmula de requentar vídeos antigos. Quando Miguel Falabella assumiu a atração, no fim da década de 1980, e o Vídeo Show era uma das atrações dos sábados da Globo, o programa chegou à uma fórmula original e irresistível, que celebrava o ontem, o hoje e o amanhã da programação da emissora. E a direção da Globo foi esperta ao notar que havia ali um material e tanto para a grade diária. E o Vídeo Show se tornou sinônimo de programa da hora do almoço nos anos 1990.

Com excelente audiência e repercussão, Vídeo Show atravessou a década de 1990 e 2000 com muito sucesso nas tardes da Globo. Após a saída de Falabella, a atração seguiu em alta com a dobradinha André Marques e Angélica. No final da década de 2000, ganhou mais musculatura com exibições ao vivo e outros quatro (!) apresentadores. Mais adiante, André e Ana Furtado assumiram, numa fase marcada pelo início da crise de identidade da atração. Que ficou ainda pior na fase Zeca Camargo, e que ensaiou uma retomada com Otaviano Costa e Monica Iozzi. Mas que não resistiu à saída desta, sucumbindo de vez. A fase pouco criativa do Vídeo Show deu espaço ao avanço do Balanço Geral, da Record, e até do Chaves e do Fofocalizando, do SBT.

Com isso, o Vídeo Show sofreu inúmeras modificações ao longo do tempo, mas nenhuma capaz de recuperar a liderança absoluta na audiência. E já falamos aqui os motivos: Vídeo Show trocou apresentadores, repórteres e cenários, mas não renovou o seu conteúdo. Em tempos de internet e redes sociais, os bastidores e a história da TV já não eram pautas tão interessantes assim junto ao público. Nos tempos em que o Vídeo Show era líder absoluto, a atração era o único canal onde o espectador podia rever cenas antigas e entender como a cena tal da novela tal foi gravada. Hoje, há Google, há YouTube, e os próprios artistas desvendam seus segredos nos histories da vida.

Ou seja, o Vídeo Show envelheceu mal. O programa não conseguiu se adaptar aos novos tempos, ficando com cara de prato requentado. Além disso, as parcas tentativas de modernização foram feitas porcamente, com a falsa ideia de que digital influencers e fofocas “chapa branca” fariam alguma diferença no programa. Não fizeram. Ao apostar em redes sociais na tela e apresentadores que acumulam seguidores nas redes sociais, o Vídeo Show afastou seu público tradicional e não se tornou atrativo o suficiente para que os tais “seguidores” olhassem para a tela da TV.

Por conta disso, o fim do Vídeo Show se tornou inevitável. As últimas mudanças desgastaram ainda mais a imagem da atração. Assim, qualquer tentativa de nova mudança seria vista com desconfiança pelo público, e eram grandes as chances de novamente não funcionar. A solução mais óbvia, portanto, seria sua extinção e substituição por um novo programa, mais elaborado, condizente com os dias de hoje, e que fosse capaz de atrair a atenção da audiência.

Justamente por isso, o fim do Vídeo Show como foi feito foi uma bola fora da emissora. A direção da Globo anunciou a descontinuação da atração faltando apenas três dias para o seu fim. E num momento em que nada foi planejado para substituí-lo. O canal apelou para uma grade “tampão”: na primeira semana, as novelas Belíssima e Cordel Encantado serão exibidas num duplo Vale a Pena Ver de Novo; depois, A Grande Família ganha um repeteco. Ou seja, foi um cancelamento mal planejado, para não dizer improvisado.

Se não havia o que por no lugar, por que a Globo não deixou o Vídeo Show no ar mais algum tempo, para uma despedida à altura de sua importância? Há um BBB chegando, e o vespertino poderia ter uma sobrevida repercutindo os acontecimentos da casa. Além disso, teria tempo para uma grande retrospectiva, celebrando a vitoriosa trajetória da atração. Vídeo Show merecia uma despedida tão ou mais elaborada que a despedida do Programa do Jô, por exemplo, que passou um ano inteiro anunciando seu fim e realizando entrevistas especiais.

Claramente, a decisão sobre o fim do Vídeo Show foi tomada no “susto”, sem dar tempo à equipe de produzir uma despedida decente. Assim, um dos mais importantes programas da história da televisão brasileira saiu de cena com um dos piores episódios de sua extensa ficha. Não merecia. Não merecia mesmo. O programa que mais valorizou a memória da televisão brasileira terminou sem respeitar sua própria memória.

Aliás, é uma pena que a Globo tenha resolvido se livrar do Vídeo Show sem nem ao menos testar uma volta à grade semanal. O programa não tinha mais fôlego para a grade diária, é fato, mas ainda poderia render muito no ar uma vez por semana. Ao invés disso, a promessa é que Vídeo Show se torne uma marca, exibida em programas como Mais Você e Encontro sempre que houver uma matéria de bastidores e TV. Que morte horrível!

André Santana

Começa hoje o TELE-VISÃO 2019


Depois de um breve período de descanso, enquanto revisitamos o ano de 2018 com os dois Top 10, o TELE-VISÃO inicia hoje a temporada 2019. Com a expectativa de fazermos mais um ano juntos, assistindo, comentando, analisando e criticando tudo o que nossa querida TV brasileira nos apresentar ao longo do ano.

A partir deste sábado, 12, o blog volta a ser atualizado ao longo da semana, normalmente às terças, quintas e sábados. Nestas atualizações, seguimos comentando os acontecimentos da telinha e, ainda, repercutindo o noticiário televisivo, analisando as notícias dos veículos especializados em TV. De quebra, seguiremos celebrando a história da TV, com posts especiais que relembram programas, emissoras e momentos da televisão brasileira.

Sábado segue sendo o “dia nobre” do TELE-VISÃO. É neste dia que o blog apresenta uma crítica mais longa e elaborada sobre as novidades da nossa TV. E, claro, todo dia é dia para que você leia, comente e se divirta com a gente aqui no TELE-VISÃO. Aqui, a ideia é que tudo se torne uma grande conversa sobre TV. Uma conversa cordial, agradável, com troca de ideias e informações.

Desde já, agradeço sua presença e participação neste humilde espaço. Que tenhamos um ano cheio de novas tele-visões! Bem-vindos ao TELE-VISÃO 2019!

André Santana

sábado, 5 de janeiro de 2019

Top 10 de 2018: destaques positivos


A televisão brasileira produziu muita coisa boa em 2018. O TELE-VISÃO lista agora os dez melhores momentos da telinha do último ano. Lembrando que a lista foi elaborada baseada unicamente na opinião deste que vos escreve e, portanto, está sujeita a injustiças e esquecimentos. A ordem em que aparecem não é importante. Acompanhem:

- Séries

2018 pode ser considerado o ano em que as séries brasileiras deram um passo além, rumo ao aperfeiçoamento. A Globo diminuiu o espaço das séries semanais em sua grade, mas, por outro lado, vem investindo pesado em streaming. E a tal “supersérie” finalmente se desprendeu da fórmula de novela, dando um rumo próprio a esta nomenclatura criada pela emissora. Neste contexto, Onde Nascem os Fortes, Carcereiros, Mister Brau, Assédio e Ilha de Ferro figuram entre as melhores produções de teledramaturgia do ano. A segunda temporada de Sob Pressão, sem dúvidas, foi a melhor série nacional exibida.

- “Amor & Sexo”

O programa de Fernanda Lima deu o que falar em 2018. A atração sempre levantou uma bandeira libertária, mas, neste ano, sua abordagem esteve em meio a um momento político polarizado e até agressivo. Assim, o programa ganhou uma outra dimensão e enfrentou muitos percalços. Mas foi muito bem ao manter uma necessária pauta informativa, tocando em assuntos importantes, mas que poucos têm coragem de bancar. Fernanda Lima evoluiu ainda mais como apresentadora e saiu por cima em meio às críticas que sofreu.

- Gugu Liberato

Mesmo um tanto apagadinho no Canta Comigo, Gugu sobressaiu em 2018 ao abandonar seu programa sem conteúdo para assumir o comando de bons formatos na Record. O apresentador emprestou sua experiência e credibilidade ao Power Couple, potencializando a atração. E o novo Canta Comigo se destacou pela produção caprichada e o formato cheio de emoção. Gugu perdeu seu espaço próprio, mas ganhou em conteúdo. Foi uma boa troca, apesar dos pesares.

- Regina Volpato

Uma das mais queridas apresentadoras da televisão brasileira, Regina Volpato fazia falta na telinha. Mas retornou em grande estilo ao assumir o tradicional Mulheres, da Gazeta. Regina imprimiu sua marca na atração, ao modernizar a pauta, mas sem perder de vista a essência do programa. À vontade em cena, se tornou a principal companhia da dona de casa, além de agregar mais público.

- “Lady Night”

O talk show de Tatá Wernerck no Multishow teve duas temporadas extremamente felizes, principalmente a exibida no final do ano. Tatá ganhou mais estofo como apresentadora e os convidados entraram no espírito do programa, se permitindo brincar com a comediante e, de quebra, fazer revelações realmente relevantes. Deu tão certo que Lady Night estreia na TV aberta, no horário nobre da Globo, em breve. Um feito e tanto!

- “Bake Off Brasil – Mão na Massa”

A já tradicional competição de sobremesas do SBT ganhou novidades em 2018 e se deu bem. A nova apresentadora Nadja Haddad conseguiu aproximar o público da disputa, ao trazer mais humanidade e emoção no comando da atração. Olivier Anquier estreou estranho como jurado, ao tentar fazer o papel de malvado implacável, mas foi amenizando esta postura no decorrer da temporada e se encontrou. E Beca Milano segue impecável como jurada, fazendo comentários e análises realmente relevantes. Além disso, o elenco foi um dos mais diversos e divertidos que já passaram pela atração.

- Tiago Leifert

Há quem diga que ele sofreu superexposição. Discordo. Tiago Leifert apresentou nada menos que quatro programas na Globo em 2018, mas foi cada um em um momento do ano. Apareceu na TV menos que Luciano Huck ou Fausto Silva, por exemplo. Mas, mesmo que você tenha enjoado da cara dele mesmo assim, ao menos há de reconhecer que o apresentador mostrou toda a sua versatilidade neste ano. Ele esteve impecável à frente do BBB, dominando o reality como poucos e se divertindo em cena. No The Voice, continua mandando bem também. Já o Central da Copa não foi lá essas coisas, mas a presença de Tiago era um dos poucos pontos positivos do programa. E o divertido Zero 1 é a cara dele! Ideia simples e muito interessante.

- Marcos Mion

Marcos Mion passou praticamente todo o ano de 2018 afastado da TV, após o fim de seu Legendários. Mas retornou ao ar no final do ano em grande estilo, apresentando A Fazenda, e aproveitou bem a oportunidade. Mion deu vida ao formato, que andava um tanto combalido. Já o formato também fez bem à Mion, que estava sem perspectivas e andava meio apagadinho. Ressurgiu com força total e mostrou que é um nome que a Record não pode desprezar.

- Rebeca Abravanel

Patrícia Abravanel e Silvia Abravanel saíram na frente na disputa para saber quem é a sucessora de Silvio Santos no vídeo. Mas, neste ano, foi Rebeca Abravanel quem mostrou ser a mais parecida com o pai. Enquanto Patrícia é correta, mas um tanto polida, e Silvia não tem lá muito carisma, Rebeca mostrou que tem personalidade. No comando do Roda a Roda, ela se mostra como ela mesma, com tiradas divertidas e momentos de emoção. Em suma, mostrou-se um ser humano, e não uma simples mestre-de-cerimônias. Sua evolução no vídeo foi visível. Das herdeiras de Silvio Santos, é Rebeca quem merece atenção. De olho nela!

- Taís Araújo
 
Depois de tantos bons serviços prestados como atriz, Taís Araújo se tornou apresentadora da Globo no comando do PopStar. E mostrou ter traquejo para a coisa. Taís tornou a competição de cantores com famosos mais acalorada e humana, ao se envolver com a disputa e se divertir em cena. Além disso, soube driblar com bom humor os momentos inusitados que acontecem nos programas ao vivo. PopStar cresceu com sua presença.

E para você, internauta? Quais foram os destaques positivos de 2018 na TV? Deixe sua opinião! Eu volto no próximo sábado, dia 12, com o início do TELE-VISÃO 2019! Não percam!

André Santana