terça-feira, 27 de novembro de 2018

Globo reorganiza direção de variedades

Plim plim
Nesta terça-feira, 27, a Globo anunciou uma reorganização de sua escala de executivos. Ricardo Waddington, que era o diretor de gênero “variedades” responsável pelas atrações noturnas e dos finais de semana, assume um novo cargo, o de diretor de produção. Ele entra na vaga de Eduardo Figueira, que está deixando a emissora. Com a mudança, a direção de variedades da emissora passará a ser dividida entre Boninho e Mariano Boni, com várias modificações.

Waddington e Boninho dividiam “variedades”. Enquanto Waddington respondia pelos programas descritos acima, Boninho era o comandante dos programas diários, matinais e reality shows. Agora, com a saída de Waddington e a entrada de Mariano Boni, o núcleo de variedades passará a ser dividido por conteúdo, e não mais por horários de exibição. Boninho, então, continuará com os realities, mas tocará também o que a emissora chama de “games” (Tamanho Família, Tá Brincando, Os Melhores Anos das Nossas Vidas e Zero 1), “auditório” (Caldeirão do Huck e Domingão do Faustão) e “musicais” (SóTocaTop e especiais).

Enquanto isso, Mariano Boni, que era diretor-executivo de jornalismo, ficará com as variedades enquadradas em “entrevistas e talk shows”. Nesta pasta, estarão os títulos Mais Você, Encontro com Fátima Bernardes, Vídeo Show, É de Casa, Altas Horas, Amor & Sexo e Conversa com Bial, além do Bem Estar, que deixa de estar sob responsabilidade do jornalismo.

Trata-se de uma grande mudança, sobretudo porque Boninho deixará de responder acerca de vários dos programas que implantou. O É de Casa mesmo foi um programa idealizado sob sua gerência, enquanto Mais Você, Encontro e Vídeo Show sofreram várias modificações sob sua chancela. Por outro lado, Boninho assume programas idealizados por Ricardo Waddington, como Tamanho Família, Tá Brincando e SóTocaTop. Mas não deixa de ser interessante esta divisão por conteúdos. Afinal, os programas enquadrados em “entrevistas” podem render sob um olhar de quem vem do jornalismo, caso de Mariano Boni. Aliás, Boni vai "estrear" no entretenimento com uma baita bucha nas mãos: dar um jeito no Vídeo Show!

A mudança também pode dar uma pista sobre o que está sendo preparado para Angélica. Isso porque, segundo a jornalista Patrícia Kogut, o projeto da loira foi entregue para ser implantado dentro da diretoria de Boninho. Nesta nova gestão, o projeto então deve ter mais a ver com auditórios/games/realities do que entrevistas. Vamos ver o que acontece.

André Santana

sábado, 24 de novembro de 2018

"Cidade Alerta" cresce e incomoda Globo

O sorriso de um líder de audiência

Não é de hoje que o Cidade Alerta se firmou como um dos mais importantes programas da grade da Record. Ainda na era Marcelo Rezende, o jornal policial conseguiu elevar a audiência vespertina da emissora para patamares nunca antes visto. Porém, com o falecimento de Rezende, ficou a dúvida sobre a continuidade do sucesso da atração. Mas seu sucessor Luiz Bacci tem conseguido manter o Cidade Alerta no topo da lista dos programas mais vistos da emissora. Mais do que isso: Cidade Alerta começou a alcançar a liderança no Ibope. Nesta semana, o policial se posicionou à frente de Malhação – Vidas Brasileiras e Espelho da Vida, da Globo, em vários momentos.

Nada mal para um programa que já teve altos e baixos. Criado nos anos 1990, o Cidade Alerta sempre rendeu bons frutos à Record desde sua estreia, com Ney Gonçalves Dias. Sua primeira fase chegou ao auge com José Luiz Datena no comando. Mas, quando já estava nas mãos de Marcelo Rezende, o policial foi perdendo espaço na década de 2000, quando a Record tentou qualificar sua grade de programação. Saiu do ar em 2005, para retornar apenas em 2011. Datena chegou a voltar para uma passagem relâmpago, mas foi com Marcelo Rezende que o Cidade Alerta firmou-se novamente.Com tempo de sobra, o jornalista consagrou os bate-papos descontraídos com os repórteres ao vivo. Ou seja, injetou humor num programa policial, uma mistura estranha, mas que deu certo.

Entretanto, a Record, mais uma vez, tentou reduzir o Cidade Alerta para tentar nova qualificação de grade. No ano passado, o jornal perdeu espaço para uma reprise de Os Dez Mandamentos. Não deu certo, e Cidade Alerta retomou seu tempo de exibição. Paralelamente, Marcelo Rezende foi diagnosticado com câncer e acabou falecendo. Sem seu grande âncora, Cidade Alerta parecia fadado à nova extinção. Mas Luiz Bacci conseguiu segurar a bronca.

Com Luiz Bacci à frente do Cidade Alerta, a Record conseguiu rejuvenescer uma de suas atrações mais tradicionais. Anteriormente apresentado por nomes veteranos do jornalismo, o Cidade Alerta é, agora, comandado por uma de suas “crias”. Isso porque Luiz Bacci, embora esteja na TV desde criança, se consagrou em definitivo no jornalismo televisivo quando se tornou repórter do Cidade Alerta. Batizado de “menino de ouro” por Rezende, o profissional conseguiu imprimir sua marca na atração. Dali, foi alçado à âncora do Balanço Geral, despertando o interesse da Band. Mudou de emissora para apresentar o vespertino Tá na Tela, de triste lembrança.

Mesmo com o fiasco, Luiz Bacci conseguiu retornar à Record e se firmar como apresentador na emissora. No Cidade Alerta, o jornalista exerce todo o seu traquejo no “ao vivo”, adquirido nestes anos todos de TV, e se sai muito bem. Claro, Bacci não tem o estofo e nem o conhecimento de Marcelo Rezende, um cronista e repórter policial de mão cheia e que, por isso, sabia fazer render uma única história por minutos a fio (ou horas). Já Bacci recorre a comentários mais lugares-comuns. Mesmo assim, ele consegue segurar as longas horas do Cidade Alerta e prender o público, um feito e tanto.

Assim, o atual sucesso do Cidade Alerta fez cair por terra qualquer previsão de que este tipo de programa estava fadado ao cansaço. Seu “ressurgimento das cinzas” chega a ser surpreendente. Bom para a emissora, que colhe o sucesso, mas ruim para quem prefere um programa menos trágico ou apelativo na TV. E deve piorar, afinal, toda vez que o Cidade Alerta dá trabalho, surgem genéricos dele por aí. Já rolam boatos de que Silvio Santos está de olho no passe de Bacci, e que ele deseja tentar, novamente, um jornal policial na faixa das 18 horas. Vai vendo.

André Santana

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Otaviano Costa volta aos auditórios com "Tá Brincando"

A serenidade no olhar de quem conseguiu
se salvar da barca furada "Vídeo Show"

Nesta semana, a Globo promoveu uma coletiva de imprensa para anunciar a estreia de Tá Brincando, seu novo programa, que estreia em janeiro de 2019. A atração, que ocupará a faixa anterior ao Caldeirão do Huck nas tardes de sábado, terá uma primeira temporada com nove episódios, e será apresentado por Otaviano Costa, com direção de Adriano Ricco.

Tá Brincando é um game no qual dois participantes de 20 a 35 anos encaram três desafios contra um time de masters, pessoas acima de 60 anos especialistas nas suas áreas, que são as mais variadas possíveis, passando pelo esporte, pela música e por conhecimentos gerais. A cada prova vencida contra um master, a dupla de desafiantes ganha R$ 5 mil, podendo chegar a até R$ 15 mil por episódio. Além disso, o programa terá ainda outros quadros, como um grande show de talentos com atrações nacionais e internacionais de todas as idades. E mais: Otaviano vai oportunizar algumas pessoas de reviverem momentos especiais do passado em homenagens surpresas.

Com a estreia de Tá Brincando, Otaviano Costa volta ao posto no qual mais se destacou na TV: como animador de auditório. Embora tenha uma longa carreira na telinha, onde chegou a atuar na Escolinha do Golias e ser a voz misteriosa que conversava com Angélica no infantil Casa da Angélica, do SBT, além de ter sido repórter do Domingão do Faustão e até VJ da MTV, Otaviano ficou mais conhecido mesmo quando substituiu Luciano Huck no H, da Band, entre 1999 e 2001. Com seu novo apresentador, H manteve-se como um dos principais programas da emissora naquela época, e chegou a trocar de nome mais adiante: virou O+, depois O SuperPositivo, e mais adiante, apenas SuperPositivo.

Otaviano deixou a Band seduzido pela oferta da Record de ser um novo Serginho Groismann, no comando do Domínio Público. A atração, que inicialmente ocupava os fins de tarde da Record, seguia os moldes do Programa Livre, com música ao vivo e entrevistas com a participação dos adolescentes da plateia. Era bom, mas não emplacou e durou pouco. Otaviano, então, encarou a geladeira da emissora, de onde saía de vez em quando para tocar projetos esporádicos, como o especial de verão Bahia 50 Graus, os games Jogos de Família e No Vermelho e quadros do Domingo Espetacular. Chegou a retornar à Band para comandar o Clube do Fã, também de vida curta, e voltou à Record para participar da novela Amor e Intrigas. Depois chegou à Globo, como ator de novelas, no elenco de Caras & Bocas.

Mesmo participando de novelas, Otaviano Costa nunca escondeu que gostaria de voltar a ser apresentador. Teve sua chance quando Ricardo Waddington assumiu a direção de núcleo do Vídeo Show, em 2013, e o convidou para ser repórter da atração. Logo ele assumiu o comando do vespertino, onde ficou até poucos meses atrás. Mesmo com a má fase do vespertino, Otaviano sempre foi bem avaliado no comando do Vídeo Show. Assim, ganhou a chance de tocar um projeto só seu.

André Santana

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

"PopStar" revela a apresentadora Taís Araújo

"'PopStar' sou eu, queridinhos!"

A atriz Jeniffer Nascimento, merecidamente, consagrou-se a grande vencedora da competição musical PopStar, da Globo. Numa disputa com o igualmente talentoso João Cortes, a jovem levou a melhor com uma apresentação impecável – enquanto ele teve um último número sofrível, tanto pela performance quanto pela escolha da música. No entanto, a grande vencedora desta temporada do PopStar foi a apresentadora Taís Araújo.

Estreando na função num programa ao vivo e que já teve outro nome na função, Taís foi jogada aos leões. Além da comparação inevitável com sua antecessora, Fernanda Lima, a atriz ainda teve que driblar o desafio de estar à frente de um auditório pela primeira vez. De quebra, ainda se viu tendo que lidar com inúmeras falhas técnicas e saias justas. Pois Taís se saiu bem de todas estas situações.

Ganhando força a cada domingo, Taís Araújo optou por ser “gente como a gente”. Reconhecendo seus próprios erros e os erros da produção no ar, ela conseguiu driblar as falhas com dignidade, fazendo do espectador seu cúmplice. Além disso, soube se colocar nos momentos mais tensos, nas raras oportunidades em que os jurados não jogavam confete e teciam críticas mais duras, fazendo a plateia reagir. Por conta disso, foi ganhando segurança.

Quando foi lançado, no ano passado, PopStar teve recepção morna. Não foi um desastre, mas também esteve longe de ser um sucesso. No entanto, esta segunda temporada teve um claro aumento de engajamento entre os espectadores. Havia boa repercussão e torcida.

Sem dúvidas, a troca de apresentadoras foi um dos motivos para o crescimento do PopStar. Fernanda Lima é ótima, mas estava claramente deslocada ali. Basta comparar com sua performance à frente do Amor & Sexo para notar a diferença. Este é seu espaço, que ela ocupa muito bem.

Já Taís Araújo imprimiu emoção ao PopStar. E isso fez toda a diferença. Taís não se colocou apenas como mestre de cerimônias, mas como uma das peças do jogo. Ela interagiu, riu e chorou com os participantes. Ou seja, a direção do programa acertou em cheio na escalação da atriz. Fica a torcida para que ela retorne ao posto na terceira temporada. Como atriz de novelas e séries, nem sempre ela estará disponível para a nova função. Mas sua ausência no próximo ano seria uma baita perda.

André Santana

sábado, 17 de novembro de 2018

"O Sétimo Guardião" devolve fantasia ao horário nobre da Globo

"Esse gato está roubando nosso brilho!"

No ano de 2015, a Globo viu à sua frente um concorrente à altura: o fenômeno Os Dez Mandamentos, sucesso da Record. O barulho causado pela trama bíblica obrigou o canal a repensar sua fila de novelas das nove, tomada por dramas pesados passados em favelas, Babilônia e A Regra do Jogo. Enxergando um possível cansaço da fórmula urbana e violenta, a emissora adiou A Lei do Amor e escalou Velho Chico, um projeto antigo de Benedito Ruy Barbosa. Assim, trouxe de volta a novela rural, que não dava as caras no horário nobre havia anos.

Agora, em 2018, não há um Os Dez Mandamentos à frente. E o horário nobre da emissora não vive uma crise de audiência tão grave quanto a de três anos atrás. Mesmo assim, ainda é possível constatar um excesso de dramalhões urbanos. Isso porque a fórmula da novela das nove tem ficado cada vez mais presa à violência, às campanhas sociais e a histórias cada vez mais duras e pesadas. Basta comparar com os anos 1990, por exemplo, onde havia uma diversidade de temáticas no horário nobre bem mais evidente que nos dias de hoje. Justamente porque, entre um drama urbano e outro, havia uma história rural de Benedito Ruy Barbosa e... uma trama de realismo fantástico de Aguinaldo Silva.

Herdeiro de Dias Gomes, Aguinaldo Silva escreveu pequenos clássicos regionalistas fantásticos nos anos 1990. Tieta, Pedra Sobre Pedra, Fera Ferida, A Indomada e Porto dos Milagres conquistaram um lugar especial no coração do noveleiro com suas histórias bem humoradas, passadas em cidadezinhas do interior onde tudo podia acontecer. Entretanto, depois de tantas novelas baseadas na mesma fórmula, Aguinaldo Silva percebeu que estava se repetindo e optou por se reinventar. Tentou primeiro com Suave Veneno, que não deu certo (aí ele voltou ao regionalismo com Porto dos Milagres), mas se consagrou anos depois com Senhora do Destino, uma das melhores novelas da década de 2000.

Porém, nestes tempos mais difíceis, fazia falta uma novela capaz de tirar o espectador da realidade. Sendo assim, Aguinaldo Silva retoma seu estilo anterior num momento mais do que oportuno. O Sétimo Guardião, que estreou esta semana na Globo, tem a proposta de fazer o público sonhar. A espinha dorsal é bem fantasiosa. Há um grupo de uma sociedade secreta que tem a missão de proteger uma fonte de poderes mágicos. Quando León, o gato, desaparece, é sinal de que o principal dos guardiões está prestes a deixar a missão e ser substituído. Egídio (Antonio Calloni) é o guardião, e o eleito para substituí-lo é nada menos que o filho que ele nem sabe que existe, Gabriel (Bruno Gagliasso). Ele é filho da poderosa Valentina Marsalla (Lília Cabral), que Egídio abandonou no altar no passado. Quando Gabriel repete a história com sua noiva para atender ao chamado, Valentina percebe que há algo estranho e decide buscar os segredos desta história.

O local onde este “tesouro da humanidade” está é Serro Azul, cidadezinha perdida no meio do nada onde tudo pode acontecer. Ali, há os tipos já tão comuns das antigas novelas de Silva: o prefeito, a bruxa, o padre, a “carola”, a dona do bordel, o comerciante, o delegado... Todos peças-chave dentro de uma cidade pequena, na qual qualquer acontecimento é capaz de mudar a rotina. É ali que vive Luz (Marina Ruy Barbosa), uma garota um tanto sensitiva que formará com Gabriel o par romântico do enredo.

O interessante da proposta de O Sétimo Guardião é que, apesar de marcar o retorno de Aguinaldo Silva ao seu universo mais interessante, o autor trouxe novidades para a fórmula. Há uma mistura entre a realidade urbana e o universo fantástico de Serro Azul que não havia em suas histórias anteriores. Além disso, o par romântico tem elementos que vão além das brigas familiares, o que movia boa parte de suas tramas anteriores. E não é somente o texto que traz novidades. A direção de Rogério Gomes ressalta a porção fantástica do enredo com elementos conhecidos das séries de terror, dando um ar sombrio que as novelas anteriores de Aguinaldo não tinham. Isso sem falar nos takes criativos do diretor, com movimentos de câmera inusitados que valorizam os espaços. Com isso, leva o espectador para dentro das cenas.

Sendo assim, é muito bem-vinda a proposta de retomar o realismo fantástico na faixa das nove da Globo. Isso traz de volta uma necessária leveza e bom-humor à faixa. Promove o escapismo, mas sem se descolar totalmente da realidade, já que o realismo fantástico permite a inserção de críticas sociais e políticas por meio de metáforas que sempre funcionam muito bem. O Sétimo Guardião tem bons elementos para tal. Resta saber se o público está aberto para embarcar nesta fantasia.

Ah, e é sensacional a história se passar em Serro Azul. A cidade era sempre a “cidade vizinha”, próxima à Tubiacanga, Greenville e Porto dos Milagres, onde os personagens de Fera Ferida, A Indomada e Porto dos Milagres sempre visitavam. Agora, é Serro Azul o palco principal da ação, enquanto Greenville é a cidade próxima mais citada pelos personagens de O Sétimo Guardião. Aliás, Ypiranga Pitiguari (Paulo Betti) e sua esposa Scarlet (Luiza Tomé), ex-prefeito e ex-primeira dama de Greenville, estão prestes a dar as caras em O Sétimo Guardião. Retornos que só o “universo compartilhado aguinaldiano” pode oferecer.

André Santana

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

"Lady Night" será exibido na Globo

Te cuida, Gentili!

Nesta onda de novos talk shows comandados por jovens comediantes, Lady Night tem um lugar de destaque desde sua estreia, no Multishow. Tatá Werneck, com seu pensamento rápido e total despudor, consegue fazer um programa sempre divertidíssimo, independentemente de convidado ou pirotecnia. Por conta disso, sempre se falou que Lady Night poderia ultrapassar as barreiras do canal pago e ir parar na Globo. E esta migração acaba de ser confirmada.

Lady Night terá episódios de suas duas primeiras temporadas exibidas pela Globo entre janeiro e março, na segunda linha de shows do canal às quintas-feiras. O programa de Tatá Werneck irá ao ar depois do Big Brother Brasil, num espaço normalmente ocupado por séries de comédia. Assim, o divertido programa alcançará um público bem maior.

A escolha das noites de quinta-feira para a exibição de Lady Night é curiosa. Isso porque, no segundo semestre dos anos de 2016 e 2017, o espaço foi ocupado por outra tentativa da Globo de rejuvenescer talk shows. O Adnight, de Marcelo Adnet, foi exibido por ali, mas suas duas temporadas não deixaram boas lembranças nem ao público, e nem à Globo.

A troca, portanto, reforça a lição: menos é mais. Marcelo Adnet é dono de um ótimo repertório, mas se viu comandando um programa cheio de estrutura, mas confuso e pouco convidativo. Por outro lado, Tatá Werneck estreou no Multishow com seu talk show, que nada mais é que ela mesma, um convidado e uma boa equipe de apoio. É uma conversa, basicamente. Uma conversa divertida e inusitada, claro, mas “apenas” uma conversa. A simplicidade faz o The Noite, do SBT, e o Programa do Porchat, da Record, funcionarem. Lady Night segue da mesma cartilha e dá espaço para que Tatá Werneck use todo o seu potencial.

Atualmente, o Multishow exibe a terceira temporada de Lady Night. Foram apenas três episódios exibidos até aqui. Mas as conversas de Tatá com Patrícia Abravanel, Tiago Abravanel, Juliana Paes e Angélica apenas confirmam que o programa é uma das melhores novidades da TV brasileira dos últimos anos. Chegar à TV aberta, portanto, é mais do que um caminho natural: é uma necessidade. Vida longa ao Lady Night!

André Santana

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Cada vez mais enfadonho, "Teleton" sobrevive apenas pela nobre causa

Silvio Santos constrange
Claudia Leitte no Teleton

Mais uma vez, o SBT promoveu o Teleton, uma maratona televisiva em prol da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). E, mais uma vez, bateu sua meta e conseguiu angariar recursos para manter os hospitais que atendem muitas pessoas gratuitamente. “Só” por isso, o Teleton vale a pena. É sempre emocionante ver espectadores, artistas e empresários unidos em torno de uma causa tão nobre. Vida longa ao Teleton!

No entanto, enquanto programa de televisão, o Teleton vai de mal a pior. O programa segue com o mesmo formato cansado, que trata de reunir artistas num palco para falar textos piegas e sem qualquer atração verdadeiramente interessante. O único momento do Teleton que vale a pena são as histórias de vida mostradas, que sempre emocionam. No mais, é uma música aqui e ali, e muita conversa fiada.

Mesmo assim, o Teleton sempre foi esperado pelos telemaníacos, já que promove encontros inusitados entre profissionais de várias emissoras. Globo, Record, Band, RedeTV, Gazeta e cia liberaram seus contratados para contribuir com a atração e pedir doações. Mas nem mesmo estes encontros têm valido mais a pena. Antes, todas as emissoras apareciam em pé de igualdade. Nos primeiros anos, estava sempre no palco um representante de cada canal. Hoje isso não mais acontece. Os apresentadores do SBT parecem ter prioridade, e os “convidados” surgem como coadjuvantes, salvo um ou outro. Fica parecendo um grande merchan do SBT, o que não cabe num projeto beneficente que tem como uma das propostas justamente unir as emissoras de televisão.

O encerramento, antes a melhor parte do Teleton, segue sofrível desde a passagem de Hebe Camargo. Silvio Santos vinha encerrando o programa com membros de sua família ao lado, chegando a ter no mesmo palco Silvia Abravanel, Tiago Abravanel e Patrícia Abravanel. Desta vez, a participação da família foi mais “pulverizada” (e com Rebeca Abravanel, cada vez mais à vontade, agora efetivada como apresentadora do canal). Mesmo assim, a constrangedora participação de Claudia Leitte só evidenciou que Silvio Santos vem perdendo a mão em cena. Ele sempre fez isso, é verdade. Mas, neste momento em que finalmente as discussões sobre assédio estão na ordem do dia, espetacularizar sobre isso, e ainda mais num encerramento de uma campanha beneficente, foi bola foríssima.

Teleton já teve fases melhores. A maratona já teve quadros criados especialmente para a ocasião, como Batalha dos Artistas e Show de Talentos, que eram muito bons. Também teve edições especiais de programas do SBT, como Gol Show, Curtindo uma Viagem, Show do Milhão, Family Feud e cia, que eram bem divertidos. Por que não voltar a apostar em variedades na campanha? O espectador quer doar, mas também quer se divertir. E, neste quesito, o Teleton anda devendo.

André Santana

sábado, 10 de novembro de 2018

"Segundo Sol" foi uma boa ideia desperdiçada

"Vote em mim!"

Segundo Sol terminou ontem, 09, com o rótulo de pior novela assinada por João Emanuel Carneiro. Talvez em busca de uma novela de mais fácil digestão, depois da complexa A Regra do Jogo, João acabou optando pelo caminho mais simples na condução de uma história que teve um ponto de partida muito simpático, mas desenvolvimento sofrido. Isso porque o autor tinha em mãos um personagem muito interessante, o cantor Beto Falcão (Emílio Dantas), mas preferiu dar o protagonismo a Luzia (Giovanna Antonelli), uma das piores mocinhas que já criou. Deu no que deu.

Da maneira como Segundo Sol foi conduzida, seu primeiro capítulo se revelou inútil. Afinal, o fato de Beto Falcão ser um cantor famoso, mas esquecido, que volta à fama após ser dado como morto pouco influiu no desenvolvimento da história. Beto poderia ser qualquer coisa. Até porque, depois de decidir viver dos lucros de sua falsa morte, o personagem simplesmente perdeu importância. Mesmo fingindo sua morte, ele circulava livremente por aí, ao mesmo tempo em que enganava até o próprio filho, fingindo ser seu padrasto. Surreal. Além disso, com o pouco espaço de Beto, Segundo Sol explorou pouco um dos seus trunfos iniciais: a trilha sonora recheada de clássicos do axé. Isso deu uma identidade interessante à novela, que se perdeu logo no início.

Segundo Sol teria sido bem mais interessante se o autor tivesse levado Beto Falcão a sério. A história deveria ter focado, inicialmente, em seu conflito entre seguir mantendo a farsa e se entregar de vez. Afinal, Beto era um bom homem, mas se viu tendo que enganar todo mundo. Ao mesmo tempo, deveria haver um esforço real em se esconder. Situações de quase descoberta poderiam ter sido exploradas. Mais adiante, Segundo Sol poderia focar na descoberta da farsa e suas consequências. E, por fim, seria concluída com a redenção, a retomada e a reinvenção de Beto Falcão como artista, voltando a fazer sucesso.

Mas Beto foi coadjuvante na história do dramalhão familiar de Luzia, que viu sua família ser destruída pelas vilãs Karola (Deborah Secco) e Laureta (Adriana Esteves). Uma história poderosa, sim, mas desenvolvida pessimamente. Luzia, além de escolher os piores jeitos de se reaproximar dos filhos, ainda caía em todas as armadilhas das vilãs. De uma ingenuidade exagerada, a mocinha acabou irritando o público, em vez de conquistar torcida. Além disso, sua história andava em círculos. Luzia passou a novela toda fugindo da polícia.

Além disso, personagens promissores perderam a mão. Rosa (Letícia Colin) começou dona da novela, graças a sua personalidade marcante e sua dubiedade bem construída. Mas, ao optar por ceder às investidas de Laureta, a personagem perdeu força. Passou boa parte da história pelos cantos, sem o viço inicial. Cresceu novamente apenas quando começou seu processo de redenção. Mas seu quase “sumiço” ao longo da trama foi outro desperdício.

Roberval (Fabrício Boliveira) foi outro personagem que começou bem, mas se perdeu. O clã Athayde era o núcleo que mais tinha do DNA de João Emanuel Carneiro: uma família disfuncional, com diversas personalidades dúbias, e que vivem quase como num universo paralelo. Neste contexto, o drama de Roberval era poderoso: filho do chefe do clã com a empregada, ele viu sendo renegado pela família por ser negro, enquanto o irmão branco foi tratado como legítimo. A rivalidade entre Roberval e Edgar (Caco Ciocler) era interessante, e a sede de vingança de Roberval prometia. No entanto, em algum momento, a dubiedade do personagem foi se tornando frágil. Por fim, a resolução dos conflitos da família foi forçada e preguiçosa, com personalidades mudando ao sabor do vento.

Além disso, situações forçadas da reta final ficaram com cara de resoluções de última hora pouco pensadas. A falsa morte de Remy (Vladimir Brichta) evidenciou furos. A origem de Laureta e sua então vingança contra a família de Beto pareceu inconsistente. Bem como a origem de Karola, que se revelou filha de Laureta com Severo Athayde (Odilon Wagner). Laureta e Karola sempre foram parceiras, mas o “amor maternal” de Laureta no desfecho ficou forçado. Que amor é esse que fez a própria mãe prostituir a filha, ao mesmo tempo em que a incentivava a viver um romance com o próprio tio? Entrecho estranho, que parece ter sido inventado de última hora.

Mas nem tudo foi ruim. Segundo Sol, apesar dos entrechos preguiçosos, tinha diálogos inspirados e ótimas atuações. Se Letícia Colin foi a dona do começo da novela, Deborah Secco, Adriana Esteves e Vladimir Brichta a pegaram para si na fase final. Todos saem maiores da novela. Além disso, a trama revelou ótimos nomes, como Kelzy Ecard (Nice) e Claudia di Moura (Zefa). E teve um último capítulo que, apesar dos exageros e clichês, divertiu. Laureta, mais uma boa vilã para a galeria de João Emanuel Carneiro, provocou o atual contexto nacional, ao sair da cadeia direto para a política. Adriana Esteves construiu mais um tipo excelente.

No saldo final, Segundo Sol se mostrou como uma novela frágil, de construção equivocada. Teve bons momentos, mas finaliza como um passo em falso de João Emanuel Carneiro. Não foi um dramalhão familiar eficiente como Da Cor do Pecado, nem crítica como Cobras & Lagartos, e nem inventiva e provocativa, como A Favorita e A Regra do Jogo. E, claro, não foi a novela que “uniu o Brasil” como Avenida Brasil. Apenas passou.

André Santana

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

"1 por Todos" é reality empresarial, mas estreia com cara de "Bake Off"

"Eu só quero chocolate"
Quase na surdina, a Band exibiu na noite da última segunda-feira, 05, o primeiro episódio de seu mais novo reality show. 1 por Todos tem uma interessante proposta empresarial, no qual os participantes devem integrar um coletivo e trabalhar numa nova produção dentro de uma grande empresa. No entanto, como a empresa em questão é a Cacau Show, uma fábrica de chocolate, o que foi visto na estreia foi uma espécie de reedição do MasterChef ou do Bake Off.

Nesta estreia, a apresentadora Caroline Ribeiro falou sobre como as equipes de trabalho devem ser formadas. Entre os participantes, há profissionais de engenharia de produção, empreendedorismo, design, marketing e, claro, confeitaria. E foi justamente nesta última área que 1 por Todos focou no início. Os confeiteiros passaram por provas no qual tiveram que mostrar seus talentos individuais. Fabrizio Fasano, Mônica Burgos e Alê Costa, este último o fundador da Cacau Show, são os jurados.

Assim, o que foi visto na maior parte do episódio foram os confeiteiros lidando com chocolate em variadas receitas. Além dos jurados fixos, o programa contou com a participação da confeiteira e apresentadora Carol Fiorentino. Ou seja, a presença de Carol e Fasano julgando guloseimas remeteu, de imediato, ao Bake Off Brasil, do SBT. Como se sabe, Carol e Fasano foram jurados das primeiras temporadas do reality. Mais adiante, Carol assumiu a apresentação. Mas, em 2018, os dois foram substituídos por Nadja Haddad e Olivier Anquier, respectivamente.

Ao dedicar a estreia aos profissionais da confeitaria, 1 por Todos não mostrou nada do que já não foi visto no Bake Off ou no próprio MasterChef, da Band. Ou seja, estrear mostrando desafios na cozinha pode não ter sido a melhor estratégia. Isso porque o episódio acabou soando mais do mesmo, tendo em vista as inúmeras competições do gênero atualmente em exibição.

No entanto, o programa não deve ficar só nisso. A proposta é que, nos próximos capítulos, os desafios envolvam as demais áreas da empresa. Assim, na prática, a atração é uma mistura entre os tradicionais realities de culinária com um espírito meio O Aprendiz. Algo promissor, se a linguagem adotada não ficar muito voltada a um nicho. Vamos ver como isso irá se desenvolver.

No mais, foi uma boa estreia. O programa tem bom ritmo, com um episódio mais enxuto, e não arrastado como o MasterChef. Carol Ribeiro cumpre bem sua função, e Alê Costa é bastante carismático e funciona bem no vídeo. Além disso, a Band conseguiu fazer do 1 por Todos uma grande ação de merchandising, mas que funciona muito bem como entretenimento. Um feliz casamento.

André Santana

sábado, 3 de novembro de 2018

"Superpoderosas" chega ao fim sem ter dito a que veio

Superpoderosas, agora,
só o desenho do SBT

Nesta semana a Band anunciou o fim do feminino matinal Superpoderosas. A atração de Natália Leite ficou no ar pouco mais de seis meses e nunca disse a que veio. Além da baixa audiência, o programa não soube diagnosticar suas falhas e buscar mudanças no sentido de alcançar o público da emissora. Por conta disso, sua extinção já era uma tragédia anunciada.

Idealizado por Ana Paula Padrão a partir da plataforma Escola de Você, Superpoderosas tinha a melhor das intenções. Era um programa voltado para a mulher contemporânea, abordando assuntos da atualidade sob o ponto de vista feminino. A ideia era oferecer informações para que a espectadora pudesse tomar para si e mudar de vida. Para isso, promovia debates diários com convidados e especialistas acerca dos mais variados temas.

Entretanto, Superpoderosas tinha uma falha grave para uma atração de TV aberta. O programa era segmentado ao extremo, voltado a uma fatia muito específica de público. Assim, ele não alcançava grande parte do público do canal. Sempre teve cara e jeito de programa de TV paga.

Curiosamente, o programa tinha um formato flexível, que poderia perfeitamente se adequar às demandas da TV aberta. Superpoderosas poderia ter tentado ampliar a pauta, investindo em entrevistas, jornalismo ou outros quadros que pudessem abarcar um público maior. Mas não fizeram isso. Superpoderosas foi fiel à sua proposta inicial do início ao fim. Com isso, não agregou público e acabou encontrando seu fim.

Mas Superpoderosas não está sozinho na lista de cortes da emissora. O programa de culinária Cozinha do Bork, que o antecede na grade, também teve sua produção suspensa. Mas, ao contrário do programa de Natália Leite, que sai do ar em definitivo, Cozinha do Bork segue no ar com reprises. No entanto, segundo fontes diversas, o programa realmente não volta mais. Assim, o “intocável” Daniel Bork finalmente deixará a grade da emissora depois de quase 20 anos. Bork, que é cunhado do dono da Band, esteve à frente do Receita Minuto, Bem Família e Dia Dia antes de assumir o Cozinha do Bork, que foi lançado este ano no pacote de novidades da emissora. Quem diria, hein?

A partir da próxima segunda-feira, 05, o horário ocupado pelo Superpoderosas passará a ser ocupado por uma faixa de desenhos. Com isso, a Band muda de foco em suas manhãs, “abandonando” o público feminino e investindo no infantil. Trata-se de uma mudança interessante, já que o canal costumava registrar audiência satisfatória quando dedicava suas manhãs aos pequenos, com o extinto Band Kids.

Além disso, o público feminino e adulto já está mais do que contemplado na TV aberta. Globo, Record e RedeTV já têm seus programas no segmento. Já o público infantil tem como opção apenas o SBT. Ou seja, a emissora pode ser uma alternativa ao Bom Dia & Cia, com boas chances de ampliar sua audiência no horário.

Aliás, muitos acreditam que a nova faixa de desenhos servirá como “esquenta” para uma parceria com a Disney, aos moldes do extinto Mundo Disney, do SBT. A Band estaria prestes a fechar com a gigante do entretenimento mundial, que exibiria seu conteúdo em diversos horários do canal aberto. Seria, sem dúvidas, um bom negócio para a Band, que receberia para exibir um conteúdo que tem suas qualidades. Neste momento de crise, é algo bem melhor que voltar a locar horários para igrejas e jogos de cavalinho sem pata.

PS: peço desculpas pelo sumiço nesta semana. Estou à frente da comunicação de dois grandes eventos culturais e não consegui aparecer por aqui. Mas semana que vem tudo volta ao normal. Agradeço a compreensão.

André Santana