sábado, 29 de setembro de 2018

Com "Espelho da Vida", Elizabeth Jhin reafirma sua boa mão para folhetins

"Amor, por que diabos
você está sempre
contemplando o horizonte?"

Com o sucesso de Escrito nas Estrelas, primeira novela de Elizabeth Jhin baseada na temática de vidas passadas, a autora prometeu uma “trilogia espírita”. Vieram, então, Amor Eterno Amor e Além do Tempo, duas tramas cujo mote era a reencarnação. Se Amor Eterno Amor não chamou tanta atenção (embora não tenha sido um fiasco), Além do Tempo elevou a obra da autora a um novo patamar. Ao fazer uma novela dividida em duas, narrando dois tempos distintos, Elizabeth construiu uma trama primorosa, que fez bom uso dos elementos típicos de folhetim e usou o pano de fundo espírita com eficiência e originalidade.

Passadas as três novelas da “trilogia espírita”, Elizabeth Jhin parece mesmo ter se apaixonado pelo tema e tratou de oferecer uma nova história sobre vidas passadas (aliás, vale lembrar que ela foi colaboradora de Walther Negrão em Anjo de Mim, que também falava de reencarnação). Em Espelho da Vida, a autora volta ao assunto e, mais uma vez, de um jeito diferente. Em Escrito nas Estrelas, ela mostrou um espírito influindo na vida terrena; em Amor Eterno Amor, havia um homem se encontrando com um amor de vidas passadas; e Além do Tempo mostrava duas vidas de um mesmo grupo de almas em épocas distintas, seus carmas e suas missões. Agora, em Espelho da Vida, a narrativa foca duas épocas simultaneamente, por meio de uma espécie de “viagem no tempo”.

Na trama, a mocinha Cris (Vitória Strada) é levada à Rosa Branca pelo namorado, o cineasta Alain (João Vicente de Castro). Ali, enquanto o amado é levado a confrontar problemas passados, ela sente que já conhece o local. É quando ela se vê envolvida com a história de Julia Castelo (Vitória Strada), cuja história deve virar um filme protagonizado por ela. Aos poucos, ela percebe que foi Julia numa vida passada, e passa a investigar os mistérios que levaram ao assassinato da moça.

Nestes primeiros capítulos, três mulheres se destacaram positivamente em Espelho da Vida. Vitória Strada, a mocinha Cris, mostra uma imensa segurança em cena, mesmo encarando sua segunda novela das seis (e sua segunda mocinha). Ela conseguiu se desvencilhar de Maria Vitória de Tempo de Amar e esbanja carisma em cena. Nem parece a segunda opção para o papel, tendo em vista que ela assumiu a personagem em razão da gravidez de Isis Valverde.

As outras mulheres são Alinne Moraes e Irene Ravache. A primeira vive a antagonista Isabel, que tem um passado com Alain e deve ser a pedra no sapato de Cris. Em poucas cenas, Alinne já disse a que veio, revelando um certo desequilíbrio da jovem com gestos curtos e olhar impactante. Já Irene vive Margot Dutra, esposa de Vicente (Reginaldo Faria), o avô do mocinho Alain. A personagem teve cenas emocionantes no episódio de estreia, seja lamentando a doença do amado, seja se esforçando para trazer o neto dele à cidade de Rosa Branca para se despedir.

O elo mais fraco deste início de novela foi João Vicente de Castro. O ator não convenceu como o mocinho Alain, um cineasta que parece meio distante da família. João fez um mocinho entediado e sem vida, com tom de voz e gestual monótonos. Pode ser que Alain decole quando o ator adquirir mais segurança, mas, até aqui, ele parece deslocado na função. Há quem diga que Alain pode se tornar vilão no decorrer da trama. De repente, sua aparente apatia faça mais sentido mais adiante. Vamos ver.

Por outro lado, o fato de o mocinho ser um cineasta pode dar um tempero especial à Espelho da Vida. A trama vai mostrar o desenrolar das filmagens do filme sobre Julia Castelo, e o cotidiano no set será um dos panos de fundo da obra. Não chega a ser um plot original (Roque Santeiro também fez uso deste expediente), mas traz uma vida nova à abordagem das vidas passadas presente na obra de Elizabeth Jhin. Além disso, a temática permite brincadeiras com a realidade, como foi visto na sequência da entrega do prêmio a Alain na estreia. As presenças de Ingrid Guimarães, Juliana Paes e José Loreto vivendo eles mesmos foram divertidas.

Espelho da Vida marca a estreia de Pedro Vasconcelos como diretor artístico numa novela. E o ex-ator mostra uma mão segura, abusando de grandes sequências, cortes inteligentes e mostrando na tela uma fotografia deslumbrante. Traduz com muita competência o texto maduro de Elizabeth Jhin, que conhece a carpintaria do folhetim como poucas. A autora arma boas situações e as amarra muito bem, oferecendo uma novela bastante fiel ao gênero. Em sua sequência de novelas das seis, a autora mostra que conhece bem o público ao qual escreve e consegue estabelecer um diálogo direto com ele. E, por conta destas qualidades, Espelho da Vida teve uma primeira semana bastante promissora.

André Santana

5 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Eu lembro do Pedro Vasconcelos como ator de novelas. E era muito bom. A faixa das novelas das seis serve para experiências, mas eu não apostaria em João Vicente de Castro.....Abs, Fabio www.blogfabiotv.blogspot.com.br

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    1. Oi Fabio! Também me lembro do Pedro ator, e era bom mesmo! Lembro dele como promessa de galã, e também como galã da Angélica em Bambuluá (que ele dirigia também). É um ótimo profissional. Abraço!

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  2. É uma boa novela, deveras, como diria um dos congelados, gosto demais da autora e do tema retratado, pena que já está sendo prejudicada pela péssima entrega da dupla Belíssima, que alias, não é uma novela ruim, mas vendo pela primeira vez, não enxergo nela qualidades para ter feito o sucesso que fez na versão original, não é uma novela impactante, e voltando ao assunto está sendo prejudicada também por Malhação Vidas Rasas Brasileiras, que é um panfleto ambulante, está mais preocupada em discutir todos os temas de forma rasa do que entreter, uma das temporadas mais chatas dos últimos tempos, empata com Malhação Casa Cheia, que por coincidência era da mesma autora. Mas Espelho da vida enfrentará ainda o horário de verão, festas de fim de ano e etc, mas acho que mesmo não tendo uma média alta ele tem todo potencial para segurar uma média satisfatória.

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    1. Oi Gilmar. Por tudo isso que você disse, acho que Espelho da Vida tem ido bem, não? A audiência está satisfatória, mesmo com todas estas adversidades.

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  3. Sim, está satisfatória, mas se tivesse um vento a favor poderia estar rendendo mais, é neste sentido que falei, mas sem dúvidas está bem sim.

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