sábado, 30 de junho de 2018

Novo formato deixou a disputa do "Power Couple" injusta

"E eles ganharam a Toca do Gugu!"

A grande novidade da terceira edição do Power Couple Brasil, que a Record encerrou na última quinta-feira, 28, foi abrir espaço para a votação do público. Isso não existia nas edições anteriores. Tal manobra mudou consideravelmente a dinâmica da atração e tornou a final um tanto previsível, com Munik despontando como grande favorita. Mas, surpreendentemente, a Record tirou o poder do público de definir os finalistas justamente no último episódio. Assim, o casal Tati Minerato e Marcelo Galático acabou vencendo a atração, numa virada interessante.

Porém, de maneira geral, o novo formato do Power Couple não funcionou. Ao apostar na disputa em “tempo real” e com edições diárias, a emissora acabou tornando o programa mais cansativo e entediante. O jogo apresentado por Gugu Liberato não demonstrou o fôlego de um Big Brother para dedicar tanto tempo mostrando a convivência entre os participantes.

Na dinâmica implantada este ano, o Power Couple passou a ir ao ar de segunda a sexta-feira. E com edições enormes, com cerca de duas horas de duração. Apenas às quartas-feiras o programa era menor, já que divide espaço com Batalha dos Confeiteiros. Sendo assim, a direção da atração teve o desafio de preencher este espaço. O problema é que não acontecia tanta coisa assim no confinamento dos casais que merecesse ser mostrado.

Nas edições anteriores, Power Couple ia ao ar uma ou duas vezes por semana. Este espaço permitia episódios mais dinâmicos, já que as provas tomavam grande parte do capítulo. Além disso, o fato de o público não participar das escolhas dos vencedores fazia surgir fatos inusitados. Uma performance “kamikaze” como o do casal Laura Keller e Jorge Souza, vencedores da primeira edição, não seria possível neste novo formato. Agora que houve votação na eliminação, Power Couple correu o risco de sagrar vencedor um casal cuja performance nas provas não fosse assim tão competente. Tanto que a ex-BBB Munik despontava como favorita, mesmo não tendo feito nada muito relevante lá dentro.

A ideia de transformar Power Couple em BBB foi uma tentativa da Record de gerar torcida e mobilizar a audiência. No entanto, a manobra fez com que o reality perdesse um de seus principais propósitos. O objetivo do programa, a princípio, era premiar o casal “power”, ou seja, a dupla que demonstrasse maior afinidade e poder de fogo. Deste modo, os desempenhos de cada dupla nas provas eram fundamentais. Mas, este ano, a popularidade do casal passou a ter grande peso na definição dos vencedores, já que era o público quem eliminava os concorrentes.

Porém, na final, fomos surpreendidos com a decisão da direção do Power Couple de manter as regras das edições passadas na prova final. Deste modo, o último “desafio dos casais” eliminaria o casal menos bem-sucedido. Ou seja, o público perdeu seu poder justamente no momento mais crucial do jogo. Gugu Liberato se esforçou na tentativa de mostrar ao público que não havia nada de errado com a decisão. Chegou a exibir cenas das edições anteriores para mostrar que a última prova dos casais sempre foi determinante no Power Couple. Até Roberto Justus ressurgiu nas cenas de repeteco. Realmente, não houve uma mudança de regra. O programa simplesmente manteve uma regra de suas edições anteriores.

Mas o público se sentiu “traído” com o fato de não ter podido definir os finalistas. Muitos chiaram na internet, incomodados com o fato de Munik e seu marido Anderson terem ficado de fora da votação final, que  ficou entre Aritana e Paulo e Tati e Marcelo. E o segundo casal levou a melhor. Mas, apesar de parte do público ter se incomodado, fato é que esta manobra permitiu alguma surpresa no episódio final do reality. Ao não dar o prêmio ao casal favorito, a atração garantiu alguma emoção extra neste desfecho, além de ser sido mais justo com os casais melhores de prova. Sendo assim, por mais que tenha sido uma final polêmica, a mudança na final tornou a disputa mais interessante.

Mesmo com esta mudança de rota na reta final, Power Couple Brasil ainda não deu o prêmio ao melhor casal. Tati e Anderson mantiveram alguma regularidade dentro do jogo e foram bem. Mas Aritana e Paulo foram o casal que obteve o melhor desempenho nas provas do programa. Sendo assim, se valessem as regras dos anos anteriores, seriam eles os vencedores da atração. Mas o público preferiu dar o prêmio ao outro casal.

Se o novo formato do Power Couple não convenceu tanto, o mesmo não se pode dizer da performance de Gugu Liberato à frente da atração. O apresentador, que comandava um semanal fraco até o ano passado, conseguiu se reinventar. Esteve à vontade e valorizou o formato com sua presença e sua postura mais “solta” na condução do programa. Gugu, de quebra, vai emplacar outra nova atração, o musical Canta Comigo, que estreia no mês que vem. O apresentador, sem dúvidas, vive um bom momento.

André Santana

quinta-feira, 28 de junho de 2018

José Luiz Datena deixa seu dominical, que ainda está em processo de implantação

"Fui!"

Nesta semana, o apresentador da Band José Luiz Datena surpreendeu a todos ao anunciar seu afastamento da emissora para se aventurar na política. A vontade política de Datena não é a surpresa, já que ele ensaiou um afastamento para concorrer à prefeitura de São Paulo, mas acabou voltando atrás. A surpresa, aqui, é que ele acaba de lançar-se como apresentador de programa de domingo, um desejo antigo seu, e deixará a atração que ainda está em processo de implantação.

Agora É com Datena estreou há alguns meses e ainda vem sofrendo ajustes para se adequar ao horário de exibição. Começou como uma maratona musical de seis horas de duração. Aos poucos, foi aumentando o espaço para o jornalismo. Por fim, perdeu o game A Fuga, que, a princípio, se tornaria uma atração solo, e também perdeu duas de suas longas seis horas. Os resultados não são nada espetaculares, mas, para os padrões da Band, também não chegam a decepcionar. Mas é fato que a atração ainda buscava sua própria identidade na “guerra de domingo” da TV aberta.

Com o afastamento de José Luiz Datena, o programa acabará interrompendo este processo. Segundo Flavio Ricco, Agora É com Datena passará a ser apresentado por Joel Datena, filho de Jose Luiz Datena, e que já apresenta o Brasil Urgente no lugar do pai. “Dateninha” tem ido bem no programa policial, mas nunca foi visto num programa de auditório. Ele conseguirá segurar as pontas? E, mesmo que segure, o programa haverá de ser levado em “banho Maria” até o retorno do apresentador titular.

Datena lutou muito para conseguir seu programa de domingo. Ele ainda vinha se dividindo entre o Brasil Urgente e o dominical, mas nunca escondeu de ninguém que queria se aposentar do jornal policial e se dedicar, definitivamente, à carreira de animador. Agora que finalmente conseguiu, deixará o barco. No mínimo, esquisito.

Se ver obrigada a modificar às pressas sua programação, aliás, foi o que motivou a Globo a dar um ultimato na vontade política de Luciano Huck. A direção da emissora solicitou que o apresentador definisse seu destino ainda no ano passado. Se ele quisesse tentar a sorte na política, sairia do ar já no começo deste ano. Depois de muito pensar, Huck optou por seguir no canal, e o Caldeirão do Huck seguiu sua vidinha, promovendo suas habituais estreias pontuais. A Band não teve a mesma sorte, ou o mesmo cuidado. Investiu no Agora É com Datena e “perdeu” o apresentador logo em seguida. Ao menos, parece que o afastamento de Datena foi feito amigavelmente, e ele deve retomar seu posto depois das eleições, sendo eleito ou não. Vamos ver o que acontece.

André Santana

terça-feira, 26 de junho de 2018

Globo prepara game para linha de shows

"Ou ganha o cliente
ou ganha a carta!"

A notícia é da semana passada, mas como viajei e não consegui comentar quando saiu, faço agora: segundo Flavio Ricco, a Globo prepara um novo game show para seu horário nobre. Segundo o colunista, trata-se de um formato importado e que deve ocupar a segunda linha de shows das quintas-feiras (depois do The Voice Brasil) no segundo semestre.

A notícia chamou a atenção por alguns motivos. A Globo, apesar de já ter feito alguns game shows bem-sucedidos, não tem lá muita tradição no gênero. Atualmente, quase todos os seus games não são programas, e sim quadros das atrações de auditório, como o Domingão do Faustão (Ding Dong) e Caldeirão do Huck (The Wall e Quem Quer Ser um Milionário?). O único game show que é um “programa solo” na atual grade é Tamanho Família, de Márcio Garcia.

Além disso, a Globo não tem tradição em games na linha de shows, que por muitos anos foi restrita aos filmes, programas de dramaturgia (como séries e especiais), humorísticos e jornalísticos. Quem “quebrou” esta “tradição” foi o Big Brother Brasil, primeiro reality show da Globo a ocupar o horário nobre da grade diária. Depois disso, o Amor & Sexo se tornou um estranho no ninho, como o único programa de auditório da linha de shows do canal. Mais tarde, surgiu o The Voice Brasil. Ou seja, a abertura no leque de variedades da linha de shows da Globo é algo bem recente.

Sendo assim, a notícia de que haverá um novo game show nas noites de quinta da Globo já é, por si só, uma boa notícia. É uma prova de que a emissora quer variar ainda mais a oferta de produtos exibidos após sua novela principal. Num passado não muito distante, o canal abusou das séries, que são boas, mas faziam uma grade muito focada na dramaturgia. Nas noites de terça, por exemplo, a Globo exibia série atrás de série, e depois da novela, somando quase três horas de dramaturgia seguidas. Acabava cansando.

Fora que game show é um formato sempre eficiente, e que vem numa onda bem-sucedida lá fora. Em entrevista recente a Mauricio Stycer, do UOL, uma representante destas produtoras que vendem formatos comentou o quanto a venda de game shows estava aquecida no mundo. E basta observar a programação dos canais abertos para ver que esta onda já chegou no Brasil: o SBT exibe Roda a Roda, Passa ou Repassa e voltará com o Topa ou Não Topa; a Band apostou em A Fuga no dominical Agora É com Datena; a RedeTV colhe o bom desempenho de O Céu É o Limite; e a Globo exibe os games já citados neste texto. Não é pouca coisa.

Flavio Ricco disse ainda que não está definido quem apresentará a nova aposta da emissora. Este blog, claro, torce por Angélica. A loira está em busca de um projeto, é excelente comandante de games (basta lembrar que foi seu sucesso à frente do Passa ou Repassa, no SBT, que a levou à Globo) e seria uma oportunidade de a apresentadora surgir diferente na programação da emissora, após anos à frente do Estrelas. Um retorno no horário nobre seria bem interessante.

André Santana

sábado, 23 de junho de 2018

Há 31 anos, Sérgio Mallandro estreava como apresentador infantil

"Glu glu! Ié ié!"

Atualmente visto como jurado do Prêmio Multishow de Humor, Sérgio Mallandro é um ícone dos anos 1980 na televisão brasileira. Descoberto por Silvio Santos numa participação no Cidade Contra Cidade, o rapaz, digamos, “cheio de energia”, foi convidado para integrar o elenco do canal, onde participou de O Povo na TV, TV Powww e do Show de Calouros. Sua performance de menino travesso levou Silvio Santos a apostar em Mallandro como apresentador infantil e, assim, Sérgio foi o único homem a ingressar numa seara dominada por mulheres, como Xuxa, Angélica e Mara Maravilha.

Seu primeiro programa infantil, Oradukapeta, estreou no dia 22 de junho de 1987. A atração abria a programação infantil do SBT, indo ao ar às 8h, antes do Bozo, e seguia o formato clássico dos programas de auditório para crianças da época. Cercado pelos pequenos, Sérgio Mallandro comandava atrações especiais, musicais e promovia brincadeiras com a plateia. Ele também cantava suas próprias canções, como “Vem Fazer Gluglu” e “O Escândalo” (que era o tema de abertura, onde repetia o verso “Conheci um capeta em forma de guri” e de onde Silvio Santos se “inspirou” para batizar a atração).

Entre os jogos, alguns se tornaram uma marca do apresentador, como o jogo do Goleiro Mallandrovsky e a clássica Porta dos Desesperados. No primeiro, Mallandro se posicionava como um goleiro meio atrapalhado, e os participantes deviam chutar a bola e tentar fazer um gol.

Já na Porta dos Desesperados, os participantes tinham que escolher uma entre várias portas que ficavam dispostas no cenário da atração. Numa delas, havia muitos prêmios, como bicicletas, videogames e brinquedos em geral. No entanto, em tantas outras se escondiam brindes estranhos e até “monstros”, que corriam atrás do participante que escolhesse a porta errada. A brincadeira fazia muito sucesso no programa, e todas as crianças pediam para participar. Tornaram-se clássicas as ordens que Serginho dava às crianças antes de escolher a porta. Ele perguntava se a criança estava desesperada, e pedia coisas como “grita!”, “mergulha na lagoa!”, e “olha o monstro!”, enquanto as crianças se jogavam no chão e gritavam.

Além das brincadeiras no palco, Oradukapeta também exibia muitos desenhos animados, como Dennis, o Pimentinha, A Formiga Atômica, Hong Kong Fu, Super Mouse, Pinóquio, Samurai Pizza Cats, Pole Position, A Turma do Pica Pau, Kissyfur, Os Fantasmas, O Pequeno Príncipe e A Nossa Turma.

O sucesso do Oradukapeta levou Sérgio Mallandro a assinar com a Globo no início dos anos 1990. Na nova casa, participou da Escolinha do Professor Raimundo, apresentou o programa Show do Mallandro, nas tardes de sábado, e substituiu Xuxa Meneghel no Xou da Xuxa em duas oportunidades, em razão de férias da apresentadora. A amizade antiga entre Xuxa e Mallandro, aliás, os levou a várias parcerias nesta época, como no programa Paradão da Xuxa e no filme Lua de Cristal. Antes de deixar a Globo, o apresentador comandou uma versão diária do Show do Mallandro, que era exibida pelas manhãs, antes do Xou da Xuxa. Ao sair da Globo, teve uma passagem rápida pela CNT e, mais tarde, retornou ao SBT comandando o Programa Sérgio Mallandro que, assim como o Show do Mallandro, seguia basicamente o mesmo formato lançado em Oradukapeta.

Depois desta fase, Sérgio Mallandro ainda se manteve na TV em programas já não tão infantis, passando por emissoras como Manchete e CNT/Gazeta, onde comandou o “lendário” Festa do Mallandro. Ali, consagrou suas “famosas” “pegadinhas do Mallandro”. Depois, ressurgiu no canal Multishow, onde esteve em Vida de Mallandro, Papo de Mallandro, Pegadinha do Mallandro e Prêmio Multishow de Humor.

André Santana

sexta-feira, 22 de junho de 2018

"Hoje Em Dia" está com apresentadores "sobrando"

"Somos os mais bem pagos
leitores de teleprompter!"

O matinal Hoje Em Dia, da Record, tem atualmente quatro apresentadores. César Filho, Ana Hickmann, Renata Alves e Ticiane Pinheiro comandam a revista eletrônica que está no ar desde 2005. No entanto, na atual fase, o programa está essencialmente jornalístico, tendo seu tempo de arte quase todo tomado por reportagens. Sendo assim, não precisava de tanta gente em cena.

Hoje Em Dia já é aberto com um bloco de notícias que ocupa praticamente metade do programa, que tem menos de duas horas no ar. César Filho comanda o bloco, que reúne matérias de diversos jornalísticos da Record. Sozinho em cena, o apresentador repete o trabalho que já desenvolvia no SBT, onde ancorava o Notícias da Manhã.

Quando Renata, Ana e Ticiane entram em cena, o conteúdo do Hoje Em Dia muda para matérias de comportamento e entretenimento. As mulheres do programa, então, dividem as “cabeças”, chamando reportagens diversas. De vez em quando, uma pauta é desenvolvida ao vivo no palco. Mas bem de vez em quando. Ou seja, se o Hoje Em Dia atual é quase todo formado por reportagens, não há a necessidade de tanta gente em cena. Uma dupla já resolveria a atração.

Do jeito que está, o Hoje Em Dia também não explora os talentos individuais de seus apresentadores. Apenas César Filho, com experiência de sobra em apresentações de jornalísticos, parece fazer sentido ali. Renata Alves tem alma de repórter, enquanto Ana e Ticiane são boas no palco, comandando pautas que têm a ver com seus universos. E elas não têm feito isso.

O Hoje Em Dia nasceu da ideia de ser uma revista eletrônica com diferentes apresentadores, que seriam “especialistas” nas pautas que comandariam. Britto Jr, Ana Hickmann e Edu Guedes foram os primeiros comandantes, e cada um cuidava de um segmento: Britto, jornalista, trazia as notícias; Ana, modelo, ficava com pautas de moda e comportamento; e Edu, culinarista, cuidava da cozinha. Mesmo quando trocaram os apresentadores, a essência se manteve por muitos anos. Mas, atualmente, tal divisão não está clara. O que significa que o Hoje Em Dia perdeu sua característica original. O programa que já foi tão copiado pela concorrência agora parece viver uma crise de identidade.

ESTOU DE VOLTA! Desculpem o sumiço nesta semana. Precisei viajar e acabei me ausentando do blog mais tempo do que gostaria. Amanhã, 23, e na próxima semana, tudo volta ao normal por aqui.

André Santana

sábado, 16 de junho de 2018

Afastamento de autora deixa "Apocalipse" ainda mais perdida

"Faço essa cara de mau
porque sou o anticristo!"

Recentemente, foi notícia o fato de a Record afastar a autora Vivian de Oliveira dos trabalhos da novela Apocalipse, alegando atraso na entrega dos capítulos. Tal afastamento representa o ponto final de um processo criativo marcado por turbulências, já que Vivian chegou a declarar, logo no início da novela, que não reconhecia sua trama no ar. A história passou por intervenções da direção da emissora (leia-se da igreja), no intuito de aumentar o tom evangelizador da obra.

E estas intervenções foram as responsáveis pelas principais críticas voltadas à Apocalipse, logo que a novela estreou. Uma novela sobre o fim do mundo poderia render bastante, já que trata de um tema bastante explorado pela ficção, normalmente com sucesso, vide a repercussão dos “filmes-catástrofes” de Hollywood. Porém, com a novela no ar, o que se viu foram referências negativas às religiões não-ligadas à igreja que controla a Record, fazendo de Apocalipse uma novela de cunho doutrinador, o que pegou muito mal.

Agora, com o afastamento definitivo de Vivian de Oliveira, Apocalipse chega à reta final perdendo sua pouca chance de conquistar alguma atenção do público. Isso porque Vivian é uma autora que, embora bastante ligada ao texto bíblico, tem um bom entendimento de folhetim. Assim, mostrou-se habilidosa na construção de tramas folhetinescas baseadas no texto sagrado, vide o sucesso de Os Dez Mandamentos. Com a saga de Moisés (Guilherme Winter), a autora agradou tanto àqueles que são atraídos pelo tema religioso, quanto os que apenas buscavam uma boa história para acompanhar.

Ela tentou imprimir a mesma fórmula em Apocalipse. Ao mesmo tempo em que narrava a chegada do anticristo e a volta dos profetas, anunciando o fim dos tempos, Vivian contava a saga dos heróis Benjamin (Igor Rickli) e Zoé (Juliana Knust), como um típico romance. No entanto, no desenrolar da trama, o folhetim perdeu espaço para uma guerra entre homens e máquinas, com pouco espaço para tramas que configuram uma novela. Histórias de amor mostradas em meio à guerra, portanto, parecem bem forçadas. Ou seja, como folhetim, Apocalipse nunca funcionou. E sem Vivian de Oliveira encabeçando os trabalhos, não vai funcionar.

Na realidade, toda esta celeuma reforça o que já estava bem claro: a interferência da igreja na teledramaturgia da Record está fazendo cair por terra o setor de novelas da emissora, que havia encontrado um rumo interessante. Se continuar assim, a tendência é perder ainda mais público, infelizmente.

André Santana

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Mais uma vez, vamos falar sobre o "Vídeo Show"

"Me salvem!"
Seja lá o que a Globo anda planejando fazer com suas tardes depois do fim da Copa do Mundo, fato é que o canal está trabalhando na base do sigilo. Até aqui, apenas Ricardo Feltrin, colunista do UOL, vem trazendo informações de bastidores sobre o andamento das reformas, ao menos no que se refere ao Vídeo Show. Feltrin já disse que Otaviano Costa vai deixar a atração, que Marcius Melhem está atuando na reformulação, e que Angélica e Joaquim Lopes estavam cotados para a apresentação. Mas ontem, 14, o mesmo Feltrin noticiou que o nome de Angélica já foi descartado.

Isso é muito esquisito, para não dizer temeroso. Otaviano Costa não é nenhuma unanimidade, mas, verdade seja dita, ele é o grande nome atual do vespertino, e sua experiência em televisão faz toda a diferença. Se querem substituí-lo, deveria ser alguém igualmente experiente, para que o Vídeo Show conte com o estofo de um grande nome, ou um apresentador "de verdade", e não inventado. Se Angélica está descartada, quem seria este grande nome?

Dá medo imaginar que o Vídeo Show comece a dar mais espaço para "digital influencers" do naipe de Sophia Abrahão. Um programa com a história e a importância do Vídeo Show não devia estar entregue a jovens "youtubers", "ex-BBB's" ou pessoas assim. Sophia nunca foi bem apresentando o Vídeo Show; e nomes como Fernanda Keulla até funcionam como repórteres, mas a figura do âncora devia ser essencial. O programa precisa de um nome de TV com história para se apoiar.

O principal apresentador da história do Vídeo Show foi Miguel Falabella, um nome que dispensa apresentações. Quando saiu, foi substituído por André Marques, um nome não tão grande, mas que contava com o apoio de Angélica, que apresentava o Vídeo Game na mesma época. A dupla funcionou. Porém, depois que a dupla se desfez, o vespertino passou a ser apresentado por grupos irregulares. E quando André Marques finalmente saiu de cena, veio Zeca Camargo tentar ser esse grande nome. Mas, num formato mal executado, Zeca não funcionou, até que chegou Otaviano Costa, dando algum rumo à nau. 

Ou seja, Otaviano Costa tem sua importância na história do Vídeo Show, pois com ele o programa voltou a ter uma identidade. É importante para o público saber quem, afinal, é o "dono" do programa. Sendo assim, a saída de Otaviano abre uma lacuna importante. Ele devia ceder a cadeira a outro nome experiente, tipo Angélica, Márcio Garcia, Fernanda Lima ou até Adriane Galisteu. Se Angélica foi descartada, Márcio e Fernanda têm outros projetos, e Adriane vai fazer novela, quem seria esse nome? Dá medo pensar no que virá desta tal "reformulação" do Vídeo Show. Se for pra ficar pior do que já está, deviam extingui-lo de vez.

André Santana

terça-feira, 12 de junho de 2018

"Vídeo Show" deve passar por mais uma reforma

"E se meu novo programa não der certo,
eu vou pro 'É de Casa'!"

Já faz algum tempo que vários veículos especializados têm afirmado que o Vídeo Show passará por sua enésima reformulação. Freguês da Record em São Paulo, praça onde costuma perder para as fofocas de Fabíola Reipert no Balanço Geral, o vespertino da Globo já teve tantas reformulações nos últimos anos que dá a impressão de que não tem mais para onde correr. No entanto, a direção da Globo parece que não está disposta a jogar a toalha e seguirá tentando ressuscitar seu clássico programa.

O que se sabe é que o Vídeo Show ficará fora do ar por um mês, durante a Copa do Mundo, num ajuste de grade para acomodar os jogos. E a ideia é que, quando a atração retornar, já esteja de cara nova. Entretanto, a Globo ainda não divulgou como se dará esta renovação. Está tudo envolto em mistério. Até aqui, apenas Ricardo Feltrin, colunista do UOL, noticiou o que deve acontecer. Segundo ele, Otaviano Costa será afastado da atração, que pode ganhar a apresentação de Angélica e/ou Joaquim Lopes. Feltrin disse ainda que Marcius Melhem é quem está trabalhando junto à equipe em busca da tal renovação que o programa tanto necessita.

Na semana passada, Feltrin pegou todo mundo de surpresa ao noticiar a saída de Otaviano Costa do Vídeo Show. Costa está no comando da atração desde 2013, e deve sair para comandar um novo programa. Segundo consta, Otaviano está nos planos do diretor de gênero Ricardo Waddington para assumir um novo projeto para as tardes de sábado. Como se sabe, a Globo pretende fazer da faixa anteriormente dedicada ao Estrelas um espaço para programas de temporada, como acontece nas tardes de domingo. As Matrioskas abriu os trabalhos; o musical Só Toca Top virá em julho e deve seguir até outubro; e o próximo programa ainda não está confirmado. De repente, pode ser o novo programa de Otaviano.

Dias depois de noticiar a saída de Otaviano, Feltrin noticiou que o “novo” Vídeo Show estaria sendo pensado com a ajuda de Marcius Melhem, e que Angélica e Joaquim Lopes estavam cotados para apresentar a nova fase. Entretanto, o site Observatório da Televisão entrou em contato com a assessoria de imprensa do canal, que respondeu que a informação não procede. Ou seja, tempo ao tempo.

Embora nada tenha sido confirmado pela emissora, as informações de Ricardo Feltrin fazem sentido. Há um espaço para programas de temporada nas tardes de sábado, e a saída de Otaviano do Vídeo Show para assumir um projeto no espaço é bastante possível. Até porque o projeto é de Ricardo Waddington, que tem boas relações com Otaviano. Basta lembrar que foi na gestão de Waddington que Otaviano se tornou apresentador do Vídeo Show. Sendo assim, se a saída de Otaviano se confirmar, nada mais natural que a direção do Vídeo Show busque um apresentador experiente para sucedê-lo. E Angélica seria um nome até óbvio: é experiente, já passou pelo programa, já foi dirigida por Boninho (responsável pelo Vídeo Show) em vários programas e, atualmente, está sem projeto no canal. Ou seja, tudo se encaixa. Mas o jeito é esperar a comunicação oficial da Globo para saber se estas mudanças realmente acontecerão.

Em tempo: só Angélica não vai salvar o Vídeo Show. O programa deveria adotar um formato que valorizasse a presença da apresentadora, caso ela realmente vá pra lá. No passado, o Vídeo Show tentou uma reforma radical transformando-se num talk show, comandado por Zeca Camargo. Mas não deu certo, porque o formato foi extremamente mal executado. Se bem feito, e com Angélica no comando, trata-se de um formato bastante possível. O que não pode é apenas trocar apresentador. Uma sugestão: Video Show podia ser uma espécie de “Encontro com Fátima Bernardes sobre televisão”, ancorado por Angélica. Fica a dica.

André Santana

sábado, 9 de junho de 2018

Esticamento desnecessário prejudicou "Carinha de Anjo"

"Tchau, galera, estou indo
para a faculdade!"

Após incríveis um ano e sete meses no ar, a novela infantil Carinha de Anjo chegou ao fim no SBT na última quarta-feira, 06. Mais uma adaptação de novela mexicana da emissora, a trama cumpriu sua missão de manter o bom público das tramas para crianças e, ainda, encher o cofrinho do canal de Silvio Santos, tornando-se uma poderosa marca para produtos licenciados.

Carinha de Anjo teve seus méritos. O principal deles foi ter alçado Leonor Correa ao posto de autora de novelas. A irmã de Fausto Silva e sua equipe deram um “descanso” a Iris Abravanel, mas mantiveram o estilo adotado pela mulher de Silvio Santos na adaptação mais “vitaminada” dos textos originais. Em Carrossel, Chiquititas e Cúmplices de um Resgate, Iris Abravanel criou novos entrechos e outras tramas paralelas para atrair novos públicos, aumentar o tom lúdico e variar as temáticas, para que não apenas a criança, mas a família se visse envolvida em suas histórias. Deu certo.

Carinha de Anjo manteve tal estilo. A versão nacional da saga de Dulce Maria (Lorena Queiroz) manteve intacta a espinha dorsal da trama, com a pequena aprontando num colégio de freiras, enquanto tenta unir a noviça Cecília (Bia Arantes) e seu pai, Gustavo (Carlo Porto). Mas a nova versão ganhou outros personagens que deram variedade à história, ligados aos adolescentes Juju Vlogueira (Maisa Silva) e Zeca (Jean Paulo Campos). Os dois viveram um romance jovem que contrapunha dois universos distintos, o urbano e tecnológico (ela), e o rural (ele).

Juntos deles, dois núcleos familiares, formados pelos sitiantes Inácio (Eddie Coelho) e Diana (Camila Camargo), pai e madrasta de Zeca; e a família de Juju, formada por Rosana (Ângela Dippe) e Emílio (Gabriel Miller), sua mãe e irmão. De quebra, os novos personagens permitiram a repetição de uma dobradinha famosa da novela Pérola Negra, um clássico do SBT: Blota Filho e Ângela Dippe, parceiros cômicos na história de Pérola (Patrícia de Sabrit) repetiram a parceria em Carinha de Anjo, onde ele viveu Silvestre, mordomo de Gustavo, que era vizinho de Rosana.

No entanto, apesar dos pontos positivos, Carinha de Anjo sofreu com o esticamento desenfreado da trama. Prevista para durar um ano, a novela teve quase o dobro disso no ar. Com isso, a novela acabou cansando. E a culpa deste cansaço não é do texto e nem da direção. É da edição final. Ficou bem claro, aos olhos do público, que capítulos foram fatiados para que a trama ficasse mais tempo no ar. O uso abusivo de números musicais e flashbacks tornou os capítulos finais verdadeiras colchas de retalhos meio estranhas. Com isso, a novela até perdeu audiência, embora sempre se mantivesse em patamares aceitáveis para o SBT.

Todas as novelas infantis da emissora foram bem grandes. Carrossel ficou pouco mais de um ano no ar. Chiquititas foi ainda maior, com dois anos de exibição. Cúmplices de um Resgate durou mais um ano e, agora, Carinha de Anjo emplacou mais de um ano e meio no ar. E a coisa não vai melhorar, já que As Aventuras de Poliana, que estreou recentemente, também tem duração prevista bem alongada: mais de 500 capítulos e dois anos no ar. Poliana, aliás, está surpreendendo na audiência, mantendo-se sempre acima dos 15 pontos no Ibope, o que a coloca como o maior sucesso das novelas do SBT desde a reprise de Pantanal. Ela manterá o fôlego por tanto tempo?

Novelas longas são um bom negócio para o SBT. Afinal, número elevado de capítulos permite pulverizar os custos de produção, e se encaixa bem no método de gravações da emissora, que costuma ter uma frente bem grande de capítulos. Mas o “negócio da China” descoberto pelo canal esbarra na qualidade do produto final, que fatalmente será afetado. Carinha de Anjo foi uma novela de inúmeras qualidades e, portanto, merecia sair do ar por cima. Seu final deveria deixar saudades, e não provocar alívio.

André Santana

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Hermano Henning assina com a Rede Brasil

"Aqui eu não vou
precisar dançar"

Depois de sua surpreendente dispensa do SBT, que atualmente prefere entregar jornais a dançarinos de 19 anos e gritalhões metidos a paladinos da justiça, Hermano Henning acertou seu retorno à TV aberta. O jornalista assinou com a pequena Rede Brasil, e comandará o principal telejornal da casa, o RB Notícias, exibido diariamente na faixa das 19 horas. Sem dúvidas, uma aquisição de quilate para uma emissora pequena, mas que vem trabalhando por um lugar ao sol.

Na Rede Brasil, Hermano Henning vai se reencontrar com Ney Gonçalves Dias, seu colega dos tempos de SBT. Juntos, os dois comandaram a primeira versão do SBT Notícias, uma versão “requentada” do Jornal do SBT que a emissora exibia de madrugada, e que era apresentado por Hermano e contava com um quadro de entrevistas com Ney. Atualmente, Ney Gonçalves Dias participa do RB Notícias, fazendo comentários sobre os acontecimentos do dia.

Com estrutura pequena, o RB Notícias é um noticiário simples, que usa muito material de agência e notas cobertas para informar as notícias do dia. Por isso mesmo, seu diferencial são os comentários de Ney, que buscam aprofundar os assuntos tratados. O jornal também conta com a participação de Fernando Vannucci, com as notícias do esporte. Ou seja, a chegada de Hermano deve significar mudanças para melhor no noticioso, com um jornal mais conversado e comentado, já que a Rede Brasil não dispõe de uma grande equipe de jornalismo. E vamos combinar? Hermano Henning é especialista em fazer um jornal sem recurso nenhum, se a gente se lembrar dos tempos do Jornal do SBT das vacas magras, que tinha apenas dois repórteres.

No ar há 11 anos, a Rede Brasil ainda é uma TV de pouco alcance. Atualmente, sua programação chama a atenção dos saudosistas, já que o canal exibe séries clássicas, como Batman e Robin, A Feiticeira, O Homem Invisível, Thunderbirds e Viagem ao Fundo do Mar, entre tantas outras. Além disso, exibe os animes Os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z no horário nobre. Recentemente, o canal lançou uma nova grade matinal, composta pelos programas Papo em Dia, com Luciano Faccioli; Curtas e Quentes, com Décio Piccinini; e Vida & Estilo, com Amanda Françozo.

Ou seja, a chegada de Hermano Henning coincide com um momento de interessantes investimentos da emissora, que é pequena, mas parece ter boa intenção. Uma pena que o canal ainda sobreviva como todas as outras emissoras menores, baseada na venda de horários para igrejas e games caça-níquel (o jogo do “cavalinho sem pata”, como gosta de dizer o colunista Flavio Ricco). Mesmo assim, o fato de eles estarem se mexendo para tentar fazer algo novo é bastante louvável.

André Santana

terça-feira, 5 de junho de 2018

Análise: sem perspectiva na Globo, Angélica terá que se encaixar num projeto para renovar com o canal

Apresentadora com experiência
procura programa

Como este blog já apontou em algumas oportunidades, todo este silêncio em torno do novo programa de Angélica pode não significar coisa boa. Quando anunciou o fim do Estrelas, no final do ano passado, a emissora avisou que a loira já trabalhava na formatação de uma nova atração, sob o guarda-chuva de Ricardo Waddington. Porém, nunca se falou sobre o tal projeto, mesmo com o Estrelas já fora do ar. Também falou-se que a apresentadora estava cotada para um projeto diário vespertino, algo que ainda parece bem longe do concreto.

Neste contexto, o colunista do UOL Ricardo Feltrin jogou ainda mais desesperança no ar. Em nota publicada ontem, 04, o jornalista afirmou que Angélica entregou projeto de novo programa à equipe do núcleo de Waddington, mas que o conteúdo do projeto foi considerado semelhante a outros programas da Globo e, por isso, seriam pequenas as chances de ele ser aprovado. Além disso, falta espaço na grade: o horário anterior de Angélica, a tarde de sábado, já tem projetos enfileirados. De quebra, o contrato da apresentadora com a emissora está próximo do fim, e até o momento ela não teria sido chamada para tratar da renovação.

Sendo assim, e considerando a atual política de cortes adotada pela Globo, não seria de se estranhar se o contrato de Angélica não fosse renovado. Atualmente, a emissora só segura artistas com projetos engatilhados, e esse, pelo jeito, não é o caso da apresentadora. Pode até ser que a emissora resolva segurá-la por um curto espaço de tempo para estudar novas possibilidades, renovando por um curto período, como fez com Xuxa e Jô Soares após o fim de seus respectivos programas. Porém, em nenhum destes dois casos surgiram projetos, e Xuxa e Jô, como se sabe, não estão mais no canal. E mais: arrisco dizer que, atualmente, a Globo está ainda mais criteriosa quando se trata de renovação e, portanto, acho pouco provável uma renovação se não houver, ao menos, uma fagulha de ideia lançada.

Ou seja, caso o programa de Angélica realmente não seja aprovado, ela só deve ficar na emissora se for encaixada num projeto da própria emissora, que não seja, necessariamente, desenhado para ela. É aí que entraria o tal programa vespertino que o núcleo de Boninho quer emplacar na grade diária do canal. Sabe-se que, por enquanto, é apenas uma ideia, e não tem nem apresentador definido. Poderia ser Angélica. Mas poderia ser também vários outros nomes do canal, em busca de uma colocação. Está aí o time do É de Casa que não me deixa mentir. Em último caso, a apresentadora poderia ser considerada para comandar um possível novo formato enlatado que, vira e mexe, surge na programação. Mas, também neste caso, a Globo dispõe de vários outros nomes na disputa. E, além de apresentadores “encostados”, o canal também dispõe de artistas que podem vir a acumular função, caso de Taís Araújo, alçada a apresentadora do próximo Popstar.

Outra coisa ainda há de ser considerada: a televisão, hoje, vive um momento diferente. Nenhum dos grandes canais parece disposto a investir em programas com a assinatura de seu apresentador. Na Globo mesmo, apenas medalhões como Ana Maria Braga, Fausto Silva, Serginho Groismann ou o próprio “Sr. Angélica”, Luciano Huck, seguem com seu espaço personalizado consolidado. É bem difícil imaginar que a emissora esteja disposta a fazer um “Programa da Angélica”. Por isso mesmo, fica ainda mais forte a impressão de que seu contrato só seria renovado se ela fosse encaixada num projeto, e não o contrário. Aliás, parece bem evidente que o Vídeo Show, que está prestes a passar por sua 329ª reformulação, precisa de alguém com a experiência da apresentadora. Mas preferem apostar em Sophia Abrahão, o que se pode fazer?

Vale lembrar que não seria a primeira vez que Angélica renovaria com o canal para assumir um programa que não necessariamente tenha sido pensado para ela. No final de 2001, com o fim do Bambuluá, especulou-se que a loira não continuaria na casa, já que não havia um novo projeto para ela. Ao mesmo tempo, a equipe do Vídeo Show formulava o quadro Vídeo Game, e nomes como Miguel Falabella, Susana Werner e Ivete Sangalo foram cotados para a apresentação. Mas a direção do programa acabou convidando Angélica, que aceitou e renovou seu acordo com a emissora, a princípio por apenas três meses. Foi o sucesso do Vídeo Game que fez com que Angélica se firmasse no canal, apresentando posteriormente o Fama e o Estrelas.

André Santana

sábado, 2 de junho de 2018

"Denúncia Urgente": RedeTV atirou no que viu e acertou no que não viu

"Manda um zap ae!"

Na eterna dúvida entre exibir programas próprios ou vender horários a terceiros, a RedeTV já promoveu uma série de mudanças, estreias e reestreias na faixa das 18 horas de sua programação diária. Buscando um programa capaz de alavancar a audiência do RedeTV News, o canal já programou desenhos, jornalísticos e humorísticos, que passaram pelo horário sem dizer a que vieram. Até mesmo uma segunda edição do A Tarde É Sua chegou a ser exibida, mas durou apenas uma semana.

Dentre tantas tentativas, o único destaque que a emissora obteve no horário foi a reprise do Operação de Risco, programa policial exibido nas noites de sábado. Mas, mesmo com o bom resultado, o repeteco de Operação de Risco foi rifado em razão da venda de horário para terceiros. Voltou um bom tempo depois, e novamente registrando índices satisfatórios. E, enxergando o potencial da atração, a direção da RedeTV teve a boa ideia de exibir programetes informativos dentro da reprise, ampliando o espaço do jornalismo. Silvio Luiz passou a comandar os boletins esportivos, enquanto o repórter Edie Polo passou a comandar o Edie Zap, um espaço para denúncias baseadas em vídeos de whatsapp. E assim, sem muito planejamento, descobriram uma verdadeira “mina de ouro”. Em razão dos boletins, a audiência do Operação de Risco cresceu, chamando a atenção da direção da emissora.

Por conta disso, desde a última segunda-feira, 28, os dois segmentos “ao vivo” do Operação de Risco se tornaram programas independentes. Surgiu assim o Denúncia Urgente, uma ampliação do Edie Zap, trazendo Edie Polo comentando os vídeos e as denúncias recebidas, sempre num tom acima. Numa mistura inusitada de programa policial e humor, abusando de legendas “engraçadinhas”, o Denúncia Urgente parece um jornal feito pela equipe do Encrenca.

Não se trata de uma ideia nova da RedeTV. Denúncia Urgente bebe da fonte do clássico 190 Urgente, programa policial da CNT que projetou Ratinho. O atual apresentador do SBT aparecia numa bancada com um cassetete na mão, comentando as notícias policiais. Sempre esbravejando, Ratinho criou o tipo engraçado rabugento que o consagrou. Não por acaso, 190 Urgente foi um dos poucos programas de destaque na história da combalida CNT.

Pois Edie Polo surfa na mesma ideia. Ele esbraveja, faz piada e chama bandido de vagabundo, chegando até a segurar um cassetete na mão, tal e qual Ratinho fazia. A diferença é que a RedeTV conseguiu baratear a fórmula, já que Denúncia Urgente praticamente não tem equipe de reportagem, pois é feito basicamente de vídeos de celular e um apresentador onipresente. E é aí que mora o perigo: a atração abusa da música de efeito e da gritaria, soando como uma ode à violência.

 Misturar violência, denúncia e humor é uma fórmula de gosto duvidosíssimo. Mas, sem dúvidas, trata-se de um formato que tem seu público. A RedeTV atirou no que viu, mas acertou mesmo no que não viu.

André Santana