sábado, 28 de abril de 2018

"Onde Nascem os Fortes" faz estreia empolgante

"Será que chove?"

No ano passado, ao lançar Os Dias Eram Assim, a Globo optou por alterar a nomenclatura do que vinha sendo chamada, desde 2011, de “novela das onze”. A história de Ângela Chaves e Alessandra Poggi foi a primeira novela do horário a ser chamada de “supersérie”. Segundo a emissora, a mudança de nome se deu em razão da percepção de que as tramas exibidas no horário vinham se tornando um produto híbrido, pois mesclavam a estrutura clássica das novelas com a narrativa mais arrojada das séries. Surgiu, então, o nome “supersérie”.

Entretanto, em 2017, Os Dias Eram Assim não fez jus ao título “supersérie”. A história tinha uma produção caprichada, bons atores e uma impecável reconstituição dos anos 1960, 70 e 80, mas pecava na história central rasa, que nada mais era que um típico amor impossível tendo como pano de fundo a ditadura militar. Ou seja, foi uma novela quase “água com açúcar”, que ganhou um tom mais adulto apenas por algumas sequências mais ousadas de nudez ou violência.

Mas Onde Nascem os Fortes, estreia da última segunda-feira, 23, na Globo, já mostrou que tem muito pouco de novela. Em sua primeira semana, a trama de George Moura e Sergio Goldenberg deixou claro que vai além do folhetim. Não que a trama fuja dos elementos clássicos da narrativa diária televisiva (e nem é essa a intenção), mas a história procura se colocar de maneira diferente. Grande takes silenciosos mesclados a personagens que dizem a que vieram não por palavras, mas por gestos, caracterizam a produção.

Há ali um interesse romântico principal, a mocinha Maria (Alice Wegmann, ótima em cena) e o mocinho Hermano (Gabriel Leone, também muito bem), em meio à paisagem arenosa da fictícia Sertão. A mãe dela, Cássia (Patrícia Pillar), já avisou que não gosta do lugar, enquanto a mãe dele, Rosinete (Débora Bloch) se ressente com seu casamento frustrado com Pedro Gouveia (Alexandre Nero) e pela solidão que sente ao cuidar sozinha da filha doente. Enquanto Maria e Hermano se conhecem, Nonato (Marco Pigossi), o irmão de Maria, se envolve numa briga justamente com Pedro Gouveia, que se mostra como o homem forte do local. Neste conflito de cores fortes, há o contraste entre a modernidade e o coronelismo arcaico, mostrando os “poderosos” que fazem a lei.

Logo depois do embate entre Nonato e Pedro Gouveia, o rapaz desaparece. Maria, já envolvida com Hermano, se desespera. Cássia, então, vai até Sertão a contragosto em busca do filho. Paralelamente, há o juiz Ramiro (Fábio Assunção fazendo um tipo novo em sua galeria), inimigo de Pedro Gouveia, que tem um embate sério com o filho Ramirinho (o sempre ótimo Jesuíta Barbosa). Ele quer que o jovem o ajude em seus negócios escusos, mas Ramirinho quer mesmo seguir se apresentando como a Shakira do Sertão.

Tudo isso mostrado em boas cenas e uma apresentação de personagens que fugiu do lugar-comum. Os protagonistas foram apresentados em ação, sem firulas, numa narrativa que não chega a ser difícil, mas que também não entrega tudo pronto ao espectador. Algo na linha que os autores George Moura e Sergio Goldenberg e o diretor José Luiz Villamarim já entregaram anteriormente, com Amores Roubados e O Rebu.

O Rebu, aliás, foi exibida como “novela das onze” em 2014, mas já havia trazido algo além de uma novela. O remake do clássico de Bráulio Pedroso chamou a atenção não apenas pela narrativa não-linear, que fazia um looping temporal vertiginoso, mas também pela maneira arrojada da apresentação dos personagens, das relações que iam se desenrolando e do conflito que os envolvia. Injustamente lembrada apenas pela sua audiência fraca, O Rebu, na verdade, foi a primeira “novela das onze” a, verdadeiramente, imprimir elementos da narrativa seriada em sua estrutura, característica que fez o próprio canal a rebatizar a novela das onze de supersérie anos depois. Ou seja, na prática, O Rebu foi a primeira supersérie, de fato, a ser exibida pela Globo.

Onde Nascem os Fortes vai pelo mesmo caminho, com a vantagem de ter uma narrativa mais palatável, que deve agradar tanto aqueles que curtem uma boa novela, como aqueles que preferem um produto mais bem cuidado, tanto na narrativa quanto na direção. Por isso mesmo, tem grandes chances de agradar. A conferir.

André Santana

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Gugu assume "Power Couple" e inicia novo "plano de carreira"

"Valendoooo!"

Após três temporadas do apagado programa que levava seu nome nas noites da Record, Gugu Liberato topou o desafio de comandar um reality show. Na última terça-feira, 24, o animador estreou à frente do Power Couple Brasil, um divertido jogo entre casais que já teve duas temporadas comandadas por Roberto Justus. Para receber o novo apresentador, a direção da emissora alterou o formato, que antes era um game com ares de reality show; agora, é um reality com ares de game.

Com edições diárias e eliminações ao vivo às terças-feiras, o novo Power Couple teve direito a, até, um palco com plateia. Em seu habitat natural, Gugu apareceu bem à vontade. O volumoso texto da gincana não impediu o apresentador de exercitar sua espontaneidade e, ainda por cima, as grandiosas provas do Power Couple fizeram com que Gugu retornasse ao comando de game shows, algo que ele sempre fez muito bem. Como resultado, Gugu surgiu muito mais feliz no vídeo do que nos tempos de seu finado programa solo. Ou seja, o novo formato serviu como uma injeção de ânimo ao apresentador, o que pode significar uma bem-vinda reinvenção.

Após o fim do programa Gugu, o apresentador relutou um pouco para renovar seu contrato com a Record, mas acabou firmando o acordo de um ano, topando a oferta de apresentar dois programas de temporada. O primeiro deles é o Power Couple; no segundo semestre, segundo Flavio Ricco, ele comandará a versão nacional de All Together Now, um formato britânico que consiste numa espécie de show de calouros, no qual os participantes são julgados por um júri formado por 100 (!) pessoas.

Ou seja, Gugu deve ter um momento mais tranquilo na Record, revezando dois formatos de temporada e garantindo sua presença no vídeo nos dois semestres. Sem dúvidas, um atraente plano de carreira, que pode funcionar, já que a Record entregou a ele dois formatos que têm a ver com seu perfil. E, se levarmos em consideração que o principal problema do programa Gugu era sua falta de um conteúdo atraente (entrevistas com celebridades sumidas e pautas sobre produtos de beleza no palco não se sustentariam por muito tempo, não é mesmo?), agora ele terá dois produtos com conteúdo para comandar. Ou seja, trata-se de um plano de carreira interessante ofertado pela Record.

A emissora podia ter este mesmo cuidado com outra de sua estrela, Xuxa Meneghel. Assim como Gugu, Xuxa vem aparecendo radiante no comando do Dancing Brasil, como há muito tempo não se via. E ela também garantiu sua presença no vídeo ao longo do ano, já que seu Dancing, desde a estreia, vem emplacando duas temporadas por ano. Mas a competição de dança vem dando sinais de desgaste, como já dito anteriormente. Sendo assim, por que o canal não busca (ou, melhor ainda, não cria), desde já, um novo formato para que Xuxa possa revezar com o Dancing Brasil? A loira também merece um plano de carreira mais bem elaborado.

André Santana

terça-feira, 24 de abril de 2018

Dispensado pela Record, Roberto Justus engrossa lista de novidades da Band

"Fui demitido, mas já consegui
me recolocar no mercado de trabalho"
Nesta fase em que a Band tirou o escorpião do bolso e está promovendo uma série de estreias, sobrou espaço até para Roberto Justus. O apresentador, que não foi bem avaliado à frente de A Fazenda e Power Couple, na Record, acabou dispensado pelo canal de Edir Macedo e tratou de se tornar produtor de si mesmo. O ex-publicitário comprou os direitos do formato de O Aprendiz e o ofereceu para a Band, que encampou o projeto.

O acordo há de ser bom tanto para Justus quanto para a Band. Justus se tornou apresentador quando foi convidado pela Record para tocar a versão brasileira de The Apprentice, reality empresarial de sucesso dos EUA, e que foi comandado por muitos anos pelo atual presidente do país, Donald Trump. O estilo de Justus, conhecido homem de negócios, casou perfeitamente com a proposta da atração, fazendo de O Aprendiz um sucesso da Record naquele já longínquo ano de 2004.

No entanto, em 2009, o SBT tratou de tirar Roberto Justus da Record, numa represália em razão da contratação de Gugu Liberato pela concorrente. No canal de Silvio Santos, Justus conseguiu realizar seu sonho de comandar outros estilos de programas, assinando um contrato para se tornar apresentador de game shows de formato importado. 

Justus, então, comandou uma temporada de Um Contra Cem e uma temporada de Topa ou Não Topa, dois ótimos games. Mas mostrou não ter traquejo para a missão: definitivamente, Justus não é um animador de auditório. De volta à Record, ele ganhou o talk show Roberto Justus +, além de nova temporada de O Aprendiz, até chegar aos realites Power Couple e A Fazenda. E não teve jeito: ele só rende mesmo em O Aprendiz. O reality é a cara dele, e é isso que ele faz bem na TV.

Por isso mesmo, a Band também sai ganhando nesta história toda. Refém de apenas um reality de sucesso, o MasterChef, a emissora agora terá um novo formato forte para compor sua linha de shows. E, como se trata de um formato já testado e aprovado, é bem provável que a nova empreitada alcance bons resultados para o canal. E, caso isso realmente aconteça, a Band poderá espaçar mais as temporadas do MasterChef, que atualmente são exibidas quase em looping. O Aprendiz é um formato que faz falta na telinha, e seu retorno, agora pela Band, será muito bem-vindo. 

André Santana

sábado, 21 de abril de 2018

Record corrige erros em nova temporada de "Batalha dos Confeiteiros"

"Oi, eu sou o Goku!... Não, péra!"

Na última quarta-feira, 18, a Record lançou a segunda temporada do reality show culinário Batalha dos Confeiteiros Brasil, com o “cake boss” Buddy Valastro, após um longo hiato. Mais uma vez, o canal aposta no especialista em bolos estadunidense para comandar uma disputa entre confeiteiros que escolherá um profissional para atuar na filial brasileira da Carlo’s Bakery, famosa doceria do apresentador.

Com a nova temporada de Batalha dos Confeiteiros, a Record corrige alguns dos erros cometidos com a trajetória de Buddy na emissora. Quando estreou no canal, o confeiteiro ocupou as noites de quarta-feira, um dia propício para atrações de entretenimento, em razão da concorrência com o futebol da Globo. E a audiência correspondeu positivamente. Daí, o canal concluiu que Buddy Valastro tinha força suficiente para competir com o consolidado MasterChef, da Band. Então, lançou o Batalha dos Cozinheiros, com os competidores cozinhando pratos salgados, e o lançou nas noites de terça, batendo de frente com Ana Paula Padrão e companhia. Com Buddy totalmente fora de seu universo de bolos, e ainda concorrendo com um verdadeiro hit, o reality da Record acabou levando a pior.

Assim, desta vez, Buddy Valastro volta aos seus bolos megaproduzidos e no dia da semana no qual foi melhor. E tratou de reunir um bom grupo de competidores para a nova temporada de Batalha dos Confeiteiros, garantindo a diversão da audiência. Na estreia, algumas figuras já chamaram a atenção, positiva e negativamente. Um dos destaques foi Elisabeth Teodoro, culinarista do Mulheres da TV Gazeta, que já estreou orgulhosa de sua trajetória e não poupando elogios aos seus doces (que ficaram realmente muito bonitos). Mas seu caminho não será tão fácil, já que uma de suas concorrentes é Alessandra Peruzzo, cuja especialidade são doces finos. Figuras que prometem! Batalha também reúne dois estrangeiros: o italiano Giovanni e o singapurense James Lhu.

A mecânica do programa é simples e funcional. São sempre dois desafios propostos aos participantes. Na estreia, a primeira missão dada aos confeiteiros foi um desafio de sobremesas, no qual todos tiveram que fazer suas especialidades. Já o segundo desafio foi o da eliminação, no qual, divididos em equipes, deviam fazer um bolo confeitado com motivos que remetessem a ritmos musicais preestabelecidos. Buddy, ao lado dos jurados convidados Valesca Popozuda e Rick Bonadio, elegeu o melhor e o pior bolo. E o quitute sertanejo foi escolhido o pior, fazendo com que os quatro confeiteiros responsáveis por ele encarassem Buddy de frente. A reunião, tensa e com direito a cortadas ferinas do apresentador, culminou com uma crise entre Elisabeth e seu parceiro Ícaro Lobo. Mas foi Dominique a primeira eliminada.

Este formato mais enxuto, que contrasta com os episódios longuíssimos do MasterChef, é outro trunfo de Batalha dos Confeiteiros. E o grande diferencial é o fato de que os participantes não são avaliados por saberem cozinhar, e sim por saberem “esculpir” bolos, já que é o doce mais bonito que ganha a competição. Mas, como nem tudo são flores, o grande ponto negativo da atração é a decisão de dublar Buddy Valastro. Ter um apresentador dublado, e ainda por cima com a voz do Goku de Dragon Ball (Wendel Bezerra, dublador de Buddy, também dá voz ao protagonista do desenho japonês), causa desconforto a quem assiste, dando um clima “fake” ao programa. Mas, no geral, Batalha dos Confeiteiros diverte e promete bons momentos.

André Santana

terça-feira, 17 de abril de 2018

Record cancela "A Casa" e Mion fica sem projeto

"Senhoras e senhores: parti!"

Ao continuar sua política de transformar seus animadores em anfitriões de formatos prontos, a Record reservou a Marcos Mion o comando do reality show A Casa, ao mesmo tempo em que cancelou sua atração, o Legendários. Com a medida, Mion se juntou a Xuxa e Gugu, que perderam seus programas para apresentarem atrações de temporada baseados em formatos estrangeiros.

Entretanto, recentemente, a emissora avisou que a segunda temporada de A Casa foi paralisada. O pavoroso reality show que confina 100 pessoas numa casa adequada para apenas quatro habitantes estreou no ano passado com parco desempenho e proposta questionável. Mesmo com a recepção morna, o canal havia decidido por uma segunda leva, desta vez com exibições ao vivo e a participação do público nas eliminações. No entanto, alguém com juízo na emissora deve ter percebido a roubada que era esse programa e optou por repensar os planos.

Mesmo sendo um programa muito ruim, A Casa tinha um único trunfo: Marcos Mion. À vontade comandando o programa, Mion conseguiu driblar com graça e improviso os textos engessados que caracterizam os realities da Record, todos dirigidos por Rodrigo Carelli. O apresentador foi tão bem no comando da atração que muitos acharam que era ele, e não Roberto Justus, que deveria estar à frente de A Fazenda. Aliás, o canal dispensou Justus e já entregou um de seus programas, o Power Couple, a Gugu. De repente, Mion pode ganhar A Fazenda de presente. Não é impossível.

Mas melhor mesmo seria se Marcos Mion tivesse seu próprio programa. Em seus anos de Legendários, o apresentador aprendeu a fazer TV aberta, tornando-se um animador de mão cheia. Além disso, seu programa era o único programa de auditório da Record que não apelava para chororôs e exploração da desgraça alheia. Um oásis de diversão numa grade repleta de “histórias de emoção”.

No entanto, ao que tudo indica, a Record não tem qualquer plano de dar a Mion um novo programa para chamá-lo de seu. Oficialmente, a emissora está buscando um novo formato para o artista, mas há quem diga que seu contrato estaria chegando ao fim. Caso esta informação proceda e a emissora sinalize não querer renová-lo, fica a torcida para que Marcos Mion se recoloque na TV aberta, pois se trata de um apresentador de muitos predicados. O SBT, que vira e mexe ameaça retomar o lendário Programa Livre, seria bem esperto se aproveitasse tal ocasião. Mion seria o nome ideal para um projeto nestes moldes. Vamos ver o que acontece.

André Santana

sábado, 14 de abril de 2018

Ótimo programa, "Dancing Brasil" perde fôlego

"Boa noite amiguinhos, já estou aqui!"

Na última quarta-feira, 11, a Record exibiu o último episódio da terceira temporada do Dancing Brasil. A competição de dança apresentada por Xuxa Meneghel consagrou Geovanna Tominaga a grande vencedora da disputa. A ex-angelicat, que apresentou o Vídeo Show e a TV Globinho, entre outros trabalhos relevantes, venceu Raíssa Santana e Bárbara Borges numa final bem disputada.

Geovanna teve uma trajetória interessante dentro do Dancing Brasil. Desde o início, a artista mostrou ter jeito para a coisa, abusando do traquejo adquirido quando era assistente de palco de Angélica nos infantis que a loira apresentou na Manchete, no SBT e na Globo. No entanto, num determinado momento, Geovanna parecia ter ligado o “piloto automático” e estacionou sua evolução, situação que foi constatada pelos jurados Paulo Goulart Filho, Fernanda Chamma e Jaime Arôxa. Por muito pouco, não experimentou uma “zona de risco”, sendo salva por um “tira-teima” numa das fases da competição. Mas Geovanna usou as análises dos jurados ao seu favor e voltou a surpreender. Na final, mostrou o quanto cresceu. Acabou sendo agraciada com a vitória, numa disputa acirrada com Raíssa e Bárbara, que também foram muito bem.

Por conta desta disputa intensa, Dancing Brasil conseguiu oferecer ao público mais uma interessante e divertida edição. A atração é, de longe, a melhor e mais bem-feita da Record, ostentando estrutura suntuosa, com uma boa direção de câmeras que valoriza o espetáculo na pista de dança. Nesta temporada, o programa fez um uso maior de projeções, proporcionando ainda mais beleza ao espectador. Além disso, contou com uma Xuxa à vontade em cena, que funcionou muito bem com seu novo partner Leandro Lima, uma grata surpresa. E o trio de jurados é ótimo. Enfim, são muitas as qualidades do Dancing Brasil.

E, justamente, por conta de tantas qualidades, esperava-se que Dancing Brasil rendesse mais exibido nas noites de quarta-feira. No novo dia, o programa tem um público potencial maior, já que concorre com o futebol na Globo e, portanto, pode atrair a audiência que foge do esporte. A aposta pareceu certeira, já que Dancing Brasil estreou muito bem no novo dia. Mas foi perdendo força semana a semana. Na média final, a terceira temporada se tornou a mais vista do programa, mas com uma diferença bem pequena na comparação com as duas primeiras.

A queda de audiência do Dancing Brasil pode estar relacionada, entre outros fatores, ao desgaste da fórmula. A Record arriscou ao engatar temporadas seguidas da atração. Talvez empolgada pela boa repercussão e pelos bons resultados comerciais, a emissora praticamente enfileirou as três temporadas do programa. Apenas um mês separou a primeira da segunda edição. Três meses separaram a segunda temporada da terceira. Num formato que tende a se repetir, trata-se de uma pausa curta. Não dá tempo de o espectador sentir saudades.

Mesmo assim, a emissora não planeja pausa longa para o talent show. Agora, Dancing Brasil dá espaçao ao Batalha dos Confeiteiros, com Buddy Valastro. Provavelmente, terminado o reality de culinária, já começa a quarta temporada do Dancing, por volta do mês de julho (a Record não confirma, mas, até aqui, a emissora não divulgou nenhum outro programa que possa ocupar a quarta à noite após o programa de Buddy, então se deduz que Xuxa retorna em seguida). Com isso, é bem possível que o programa perca mais público. O que seria uma pena, já que o programa é muito bom.

O desgaste precoce da fórmula, portanto, obrigará a Record a planejar, desde já, o futuro de Xuxa Meneghel. A direção da emissora terá que buscar um novo formato para que sua estrela comande. É hora de estudar o mercado e considerar as possibilidades, até para aproveitar o bom momento de Xuxa, que conseguiu melhorar sua imagem com o Dancing Brasil depois do naufrágio do Programa Xuxa Meneghel. Seria interessante buscar um novo formato para revezar com o Dancing e fazer apenas uma temporada da competição por ano, para preservar a fórmula.

André Santana

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Band devia investir mais no "Vídeo News"

"Eu tô na Band!"
Praticamente de surpresa, a Band relançou o programa Vídeo News, revista eletrônica de variedades exibida todas as noites, na faixa das 22 horas. A atração já foi usada pela emissora no passado, como uma espécie de “tapa-buracos” que servia como transição entre o Show da Fé e a linha de shows. Era apresentado inicialmente por Nadja Haddad e sobrevivia, basicamente, de vídeos da internet.

Na nova versão lançada há duas semanas, Vídeo News estreou com jeito de revista cultural e de entretenimento, com foco nos bastidores das artes e espetáculos. Com apresentação de Larissa Erthal e Rafael Baronesi, o novo programa mostra curiosidades da programação da Band, notícias de celebridades e agenda cultural.

Ou seja, um programa cheio de boas intenções. Na prática, a missão é a mesma da versão anterior do Vídeo News: servir como esquenta à linha de shows do canal. Mas agora, no entanto, há um cuidado ligeiramente maior com o conteúdo. A versão anterior tinha duração elástica, moldando-se de acordo com a programação, exibindo mais ou menos vídeos da internet, de acordo com a necessidade do dia. Desta vez, há a preocupação em exibir (poucas) matérias exclusivas e um conteúdo feito especificamente para o programa, o que é uma coisa boa.

Mesmo assim, Vídeo News carece de mais atenção do canal. O conteúdo, por mais que seja mais bem elaborado que o anterior, ainda não tem o apelo necessário para conseguir aumentar a parca plateia herdada do Show da Fé. A direção do programa devia aproveitar sua estrutura e o fato de ser ao vivo para fazer um programa mais recheado, com entrevistas, convidados e informações que fujam do lugar-comum. Do jeito que está, ainda tem jeito de atração improvisada, e dificilmente conseguirá atrair grande público.

É louvável que os investimentos atuais da Band também se apliquem à programação noturna. E é admirável que o canal não tenha nivelado por baixo, preferindo apostar num programa de boa informação. Mas é preciso concentrar esforços em busca de um conteúdo mais criativo, até para aproveitar a boa estrutura humana da qual o programa dispõe. Larissa Erthal e Rafael Baronesi são ótimos e estão muito bem no comando da atração. Falta apenas mais empenho para que o novo Vídeo News consiga aliar personalidade, qualidade, informação e diversão. É algo bastante possível.

André Santana

sábado, 7 de abril de 2018

RedeTV investe na programação infantil, mas está fazendo errado


Canal que entrou no ar apostando em conteúdo de qualidade, numa política que durou poucos meses, a RedeTV construiu uma história no segmento infantil. Inicialmente, com a ótima série Galera da TV, com Andrea Sorvetão, uma atração divertida e que tinha a grife de Renato Fernandes e Ana Muylaert. Quando a atração saiu do ar, vieram as apostas equivocadas, como Miguelito e Vila Maluca. Até chegar ao TV Kids, faixa de desenhos que tinha uma proposta semelhante à da extinta Rede Manchete, ao apostar em animações japonesas.

TV Kids teve várias fases e exibiu ótimas animações, como Fullmetal Alchemist, Os Supercampeões, Yu-Gi-Oh e Pokémon, entre muitos outros. E várias destas fases renderam ótimos índices de audiência para a emissora, que se tornou querida pelos fãs destas animações. Quando a faixa saiu do ar, nunca houve um só dia que um fã não pedia para a emissora voltar a exibir desenhos em sua programação. E, após muitas insistências e alguns boatos, o canal finalmente ressuscitou TV Kids, mas o fez de maneira “torta”.

Exibido na faixa das 9h da manhã, o novo TV Kids apostou em atrações voltadas às crianças muito pequenas, com o desenho Pororo e a produção própria Momento Kids, um segmento chatíssimo que mostrava uma mão brincando com uma boneca enquanto contava histórias. Nada a ver com a proposta anterior do TV Kids, voltado a crianças mais velhas e com animações mais “radicais”. Esperava-se a volta de Pokémon, o que inicialmente não aconteceu. Mas a emissora prometeu que a série sobre os monstrinhos de bolso que fez sucesso no Brasil quando exibido pela Record, no final dos anos 1990, retornaria.

E, após muitos adiamentos, Pokémon retornou. A RedeTV voltou a exibir a famosa animação, desta vez desde seu início, e remasterizado digitalmente. Em entrevista ao site Observatório da Televisão, Rafael Ariais, gerente de conteúdo e novas aquisições da RedeTV, afirmou que a volta de Pokémon seria apenas o início de um plano da emissora de voltar a exibir animações. “Esperamos que Pokémon seja só o primeiro de uma série de títulos que pretendemos resgatar, mas não pretendemos ficar restritos apenas aos clássicos. Tudo vai depender da aceitação do público”, afirmou Ariais. Ou seja, o diretor deixou claro que a ideia era avaliar os resultados de Pokémon para adquirir outros produtos de apelo, tanto ao público jovem quanto ao público nostálgico. Um ótimo plano, diga-se.

No entanto, a emissora colocou tudo a perder nesta estratégia ao oferecer Pokémon como uma atração do programa Turma da Pakaraka. O novo infantil, lançado recentemente, traz três palhaços, Pepeu, Pepita e Barrú, em esquetes de humor e brincadeiras lúdicas. Piadas velhas e bem antiquadas às crianças de hoje aparecem no novo programa. Tudo com cara de programa antigo, sem nenhum atrativo à nova geração. Além disso, Turma da Pakaraka parece querer conversar com um público formado por crianças bem pequenas.

Com isso, a emissora criou um conflito de público para seu infantil. Turma da Pakaraka, com seu jeito antigo e estritamente infantil, afugenta o potencial público de Pokémon, formado por crianças mais velhas e fãs nostálgicos. Ou seja, Turma da Pakaraka mira em todos os diferentes tipos de público infantil, mas acaba não acertando em nenhum. Resultado: o programa não emplaca. Exibido às 9h e às 18h, Turma da Pakaraka apresenta resultados pífios. Consequentemente, a partir da próxima semana, o programa perderá a edição das 18 horas, permanecendo às 9h. O que é uma pena.

Assim, o fraco desempenho do infantil pode levar a RedeTV a reavaliar seu planejamento de retomada da programação para crianças. O gerente de novas aquisições deixou bem claro que os resultados de Pokémon seriam decisivos para que o resgate de animações fosse levado adiante. Como, até aqui, os resultados são modestos, o perigo é o plano ser descartado, o que seria muito triste. E, mais triste ainda é constatar que Pokémon não emplacou por um erro da própria RedeTV. O canal tem um bom produto em mãos, mas não soube usá-lo adequadamente, colocando tudo a perder. O ideal seria separar Turma da Pakaraka e Pokémon. Do jeito que está, a coisa não vai melhorar.

André Santana

quinta-feira, 5 de abril de 2018

"Belíssima" é o próximo cartaz do "Vale a Pena Ver de Novo"

"E os biscoitinhos?"
Belíssima, novela de Silvio de Abreu exibida entre o final de 2005 e meados de 2006, será a próxima atração do Vale a Pena Ver de Novo, nas tardes da Globo. A trama é um típico folhetim do novelista, mesclando melodrama, humor e trama policial. Gloria Pires, Tony Ramos e Fernanda Montenegro foram os protagonistas, sendo que esta última viveu a inesquecível vilã Bia Falcão.

Em Belíssima, Gloria Pires é Júlia Assumpção, uma empresária de sucesso, que toca uma fábrica de lingeries. Ela é filha de um ícone da beleza, mas não herdou o glamour da falecida mãe. Por conta disso, é sempre reprimida por sua avó, a poderosa Bia Falcão (Fernanda Montenegro), uma ricaça que faz de tudo para se manter por cima. A vida de Júlia muda quando ela conhece o charmoso André Santana (não eu, o Marcello Antony), por quem se apaixona. Paralelamente, acompanhamos também a saga da mocinha Vitória (Claudia Abreu), uma ex-menina de rua que se casou com Pedro (Henri Castelli), irmão de Júlia, e se mudou para a Grécia. Quando seu marido morre, Vitória se vê obrigada a voltar ao Brasil e encarar Bia Falcão, que nunca a aceitou. Ela retorna ao lado do amigo Nikos Petrakis (Tony Ramos), que se apaixona por Júlia.

Belíssima chamou a atenção pela estrutura de sua narrativa, que não entregou, de cara, que se tratava de uma trama policial. Inicialmente, a história é centrada no triângulo amoroso envolvendo Júlia, Nikos e André, com as armações de Bia para tentar fazer de Júlia a mulher que ela acha que deve, ao mesmo tempo em que a vilã tenta destruir Vitória para ficar com a bisneta, a pequena Sabina (Marina Ruy Barbosa). Aos poucos, no entanto, André vai se mostrando um homem de caráter dúbio, que age como um peão de um vilão oculto que acaba por roubar a Belíssima de Júlia. A identidade desta figura só é revelada no último capítulo. Outros mistérios também acontecem, como a morte de Valdete (Leona Cavalli) e da própria Bia Falcão.

Além disso, a trama tinha muito humor, uma marca de Silvio de Abreu. Entre os tipos mais marcantes estava o engraçado mecânico Pascoal (Reynaldo Gianecchinni), que vive uma relação de amor e ódio com Safira (Claudia Raia), uma mulher sensual que já se casou quatro vezes. Outro núcleo que rende muitas risadas é o das ex-vedetes Mary Montilla (Carmen Verônica) e Guida Guevara (Iris Bruzzi), que aprontam todas enquanto tentam montar um espetáculo dirigido por Gigi (Pedro Paulo Rangel), irmão de Bia. Bia, aliás, apesar de ser uma vilã pérfida, tem seus momentos engraçados, como a cena em que brada que “pobreza pega”. A frase se tornou um hit da internet, sendo lembrada até hoje.

Belíssima é uma ótima novela, e que registrou bons índices de audiência quando foi exibida. A escolha da trama para o Vale a Pena Ver de Novo demonstra que a direção da Globo não desistiu de reapresentar tramas mais, digamos, “antigas”, já que Belíssima foi exibida pouco mais de um ano depois do fim de Celebridade, atual reprise da tarde. Mesmo com os resultados abaixo do esperado com a saga de Maria Clara Diniz (Malu Mader), o canal segue na intenção de resgatar tramas das nove com mais de dez anos de idade, o que é uma coisa boa. O fato de a classificação indicativa não ser mais vinculada a horários também ajuda, já que Belíssima já havia sido cogitada para retornar em outros momentos, mas esbarrava justamente na classificação. Agora vai!

André Santana

terça-feira, 3 de abril de 2018

Ao encurtar "Domingo Show", Record "ajuda" o "Mundo Disney", do SBT

O domingo de Páscoa rendeu números de audiência bem interessantes aos canais abertos. E, neste cenário positivo, uma das surpresas foi o Mundo Disney, bloco de atrações dos estúdios Disney exibidos no SBT entre 11h e 13h. A faixa foi vice-líder de audiência em seu horário de exibição, cravando 7 pontos no Ibope, de acordo com dados publicados pelo site Na Telinha. Com a boa marca, Mundo Disney foi o terceiro programa mais visto do SBT no dia, atrás apenas do Roda a Roda e do Programa Silvio Santos.

Nada mal para um bloco que foi apontado por muitos (inclusive por este blog) como um dos “responsáveis” pelo afundamento do Domingo Legal. Os programas da Disney, aos domingos, batiam de frente com o Domingo Show, um programa da Record que sempre foi bom de Ibope. E os desenhos e séries infantis exibidos não tinham fôlego diante das histórias de vida “emocionantes” contadas por Geraldo Luís. Como resultado, Mundo Disney registrada índices modestos e entregava em baixa para o programa de Celso Portiolli.

Curiosamente, quem ajudou o Mundo Disney a se fortalecer na grade dominical do SBT foi justamente a Record. Com a decisão de encurtar a duração e enxugar a produção do Domingo Show numa política de redução de despesas radical, a Record tirou o programa de Geraldo Luís do embate com o bloco da Disney. Em seu lugar, programou o insosso Show de Humor, um bloco que reúne reprises de humorísticos antigos do canal. O resultado não poderia ser outro: entre programas reprisados e um desenho maneiro, a audiência parece ter preferido a segunda opção.

Além disso, o Mundo Disney conta com uma programação bem interessante aos domingos. No horário, vem sendo exibido desenhos novíssimos dos estúdios Disney, como a ótima e divertida nova versão de DuckTales – Os Caçadores de Aventuras. Trata-se da versão anos 2010 de uma das mais clássicas séries animadas da Disney, que mostra os sobrinhos do Pato Donald, Huguinho, Zezinho e Luizinho, vivendo na mansão do Tio Patinhas, o "pato mais rico do mundo", e vivendo grandes aventuras, que envolvem tesouros perdidos, maldições e civilizações antigas. 

DuckTales fez história por ter sido a primeira série animada produzida pela Disney para a televisão, nos anos 1980. No Brasil, a série encantou os pequenos que assistiam à programação infantil do SBT nos anos 1980 e 1990. Sem dúvidas, foi DuckTales que apresentou pra muita gente os clássicos personagens de Patópolis. Agora, eles ressurgem numa nova animação, com um visual mais moderno e estilizado, mas mantendo o espírito da série original. O resultado é muito bom e vale o ingresso. DuckTales é exibido aos sábados e domingos, sempre às 11h, dentro do Mundo Disney

André Santana

domingo, 1 de abril de 2018

Memória da TV: 11 anos da frustrada "arrancada da vitória" do SBT


Em março de 2007, o SBT fazia uma grande mudança em sua grade de programação. Vivendo maus momentos no Ibope, num contexto em que a Record investia pesado e tirava a vice-liderança do canal de Silvio Santos, o SBT contra-atacou, programando uma série de estreias e mudanças, que ficou conhecida como a “arrancada da vitória”. As chamadas anunciando as novidades ficaram marcadas pelo tom agressivo, que dizia: “novos programas, novas novelas e novas contratações; em março, a arrancada da vitória do SBT”. A chamada era encerrada com “a concorrência vai tremer de medo”.

As mudanças começaram no domingo, dia 4 de março. Naquela época, Silvio Santos havia deixado o domingo para Gugu Liberato e seu Domingo Legal, e comandava seus programas nas noites de quarta-feira. Pois naquele dia, Silvio Santos voltou ao dia que o consagrou, comandando seus programas entre 13h e 17h. No pacote, a volta do Tentação, a segunda temporada de Rei Majestade (programa lançado em 2006 e que trazia uma competição entre cantores das “antigas”), o game Topa ou Não Topa e o 1º Campeonato Brasileiro de Dança, uma nova versão do Bailando por um Sonho, desta vez apenas com competidores anônimos.

Mas as grandes mudanças na grade começaram mesmo no dia 26 de março de 2007. Naquela segunda-feira, o Bom Dia e Cia, que começava às 9h, passou a entrar no ar às 7h, extinguindo a Sessão Desenho e A Hora Warner, que ocupavam o horário anteriormente. Neste novo horário, a atração apresentada por Priscila Alcântara e Yudi Tamashiro passou a ser exibida ao vivo, com a promoção de jogos por telefone, formato que segue até os dias de hoje, com Silvia Abravanel.

Às 17h, estreava a trama mexicana Mundo de Feras. Depois, na faixa das 18 horas, o SBT abria um novo horário de novelas com a mexicana Destilando Amor, num horário em que, até então, exibia desenhos animados. Outra novidade foi a estreia da novela Maria Esperança, na faixa das 19 horas. Adaptação nacional de Maria Mercedes, a trama era o início de uma estratégia da emissora, que previa reeditar as três novelas protagonizadas por Thalía que fizeram sucesso no Brasil. Além de Maria Mercedes, deviam vir as versões brasucas de Marimar e Maria do Bairro. Bárbara Paz foi a escolhida para encabeçar o projeto e protagonizou Maria Esperança, tendo inclusive soltado a voz na trilha de abertura da trama.

No mesmo dia, o jornal SBT Brasil, que era exibido às 21h15, foi completamente reformulado. Cynthia Benini, afastada do jornalismo da emissora desde o fim do clássico “jornal das pernas”, voltava à bancada ao lado de Carlos Nascimento na nova versão do jornal, que retomava alguns quadros do antigo Jornal do SBT, como a participação de espectadores por telefone dando opiniões sobre os temas apresentados. O noticioso também passou a contar com a presença dos comentaristas Joseval Peixoto, José Neumanne Pinto e Denise Campos de Toledo.

O SBT também lançava uma nova linha de shows na faixa das 20 horas. Na época, a Record estava consolidada com suas novelas neste horário, e o canal de Silvio Santos resolveu combater os folhetins da concorrência com seus programas de auditório e reality shows. No cardápio das 20 horas, estreava a segunda temporada de Supernanny, exibida às segundas-feiras; às terças, começava um novo programa de calouros, Você É o Jurado, com a apresentação de Ratinho; às quartas e quintas, era exibida a segunda temporada de Ídolos; às sextas, Celso Portiolli reeditava o Curtindo uma Viagem no novo Curtindo com Reais; e aos sábados, Ratinho apresentava reportagens curiosas e quadros de humor numa nova versão do Jornal da Massa.

Ainda no dia 26, Ana Paula Padrão estreava seu novo programa de grandes reportagens, o SBT Realidade. E na madrugada do dia 26 para o dia 27, Adriane Galisteu também iniciava uma nova fase no SBT. Seu programa Charme foi transformado num talk show de fim de noite, onde a loira recebia convidados para entrevistas descontraídas. Na quarta-feira, dia 28, estreava o humorístico Sem Controle, uma espécie de versão tosca do Zorra Total. No elenco, a desconhecida Dani Calabresa, que assinava Daniela Giusti. No final de semana, Celso Portiolli comandava o Namoro na TV e Etc nas tardes de sábado, enquanto a cantora Gilmelândia estreava como apresentadora na nova versão do Viva a Noite, que estreou no dia 31 de março.

Apesar dos investimentos e da agressiva campanha, a concorrência não “tremeu de medo”. A volta de Silvio Santos aos domingos não fez frente ao Tudo É Possível, que Eliana comandava nas tardes de domingo da Record. Destilando Amor registrou baixos índices e saiu do ar no capítulo 20, deixando o espectador a ver navios. Maria Esperança se revelou um fiasco (curiosamente, ela fez sucesso mais tarde, nas reprises), fazendo com que os projetos de remakes das outras “marias” fosse cancelado. A linha de shows das 20 horas também não fez frente às novelas do canal de Edir Macedo e foi extinta quando Supernanny e Ídolos encerraram suas temporadas, culminando com o cancelamento de Você É o Jurado, Curtindo com Reais e Jornal da Massa. O Viva a Noite também não foi bem, e logo migrou da faixa das 22h30 para o esquisito horário das 18h30, onde conseguiu sobreviver até o início de 2008. Já o Charme foi até bem, mas Silvio Santos não aprovou o novo formato e tratou de trazer o programa de Adriane Galisteu de volta para as tardes poucos meses depois de sua estreia na madrugada. E o Sem Controle enfrentou mudanças de horário, até sair do ar em novembro daquele ano.

Da “arrancada da vitória”, sobreviveram apenas o SBT Realidade, que ficou no ar até 2009, e o novo formato do Bom Dia e Cia (que voltou a ser exibido a partir das 9h, e a faixa entre 7h e 9h passou a ser ocupada pelo Carrossel Animado, que nada mais era que o Bom Dia e Cia com outro nome). Mesmo com o fracasso inicial de seu retorno aos domingos, Silvio Santos continuou a ocupar o horário anterior ao Domingo Legal trazendo novas atrações, como o game Vinte e Um e uma nova temporada do Qual É a Música. No ano seguinte, o apresentador retomaria no horário o seu Programa Silvio Santos, adotando o formato de variedades que segue até hoje nas noites de domingo.

André Santana