quinta-feira, 29 de março de 2018

Adriane Galisteu vai fazer novela na Globo

Como era de se esperar, a participação na Dança dos Famosos do Domingão do Faustão rendeu frutos à Adriane Galisteu. A loira assinou novo acordo com a Globo, desta vez para ser atriz de novelas. Ela foi escalada para viver a personagem Zelda Lacocque, uma estilista meio vigarista em O Tempo Não Para, próxima novela das sete do canal.

Não é a primeira vez que Adriane fará uma novela. Ainda iniciando na TV, a atriz e apresentadora integrou o elenco de Xica da Silva, na Manchete. Ela vivia Branca, uma jovem que sofria muito na história de Walcyr Carrasco, que foi dirigida por Walter Avancini. Em entrevistas, Adriane chegou a declarar que foi um trabalho muito difícil para ela, que sofreu com a nudez constante da personagem e a rigidez do diretor. Por conta disso, sempre disse ter “trauma de novela”, e que jamais faria outra novamente.

Depois da novela, Adriane começou a engatinhar uma carreira de apresentadora. Da estreia tímida e criticada no Ponto G, da CNT, até despontar no Quiz MTV e ganhar programas próprios na RedeTV, Record, SBT e Band, Adriane seguiu carreira na TV com microfone em punho. Mas nunca abandonou seu lado atriz, fazendo peças de teatro e participações no cinema. Nos palcos, foi dirigida por nomes como Bibi Ferreira e Jô Soares, e recebeu elogios.

Mas, como dito acima, Adriane declarou que não tinha interesse em fazer novela de novo. Quando ainda não tinha se consolidado como apresentadora, ela declinou de um papel em Pecado Capital, de 1998. E quando já estava na Record, ela foi cotada por Ana Maria Moretzohn para uma novela dela, algo que não se concretizou. No entanto, a carreira de apresentadora de Adriane não mais aconteceu na TV aberta desde seu desligamento da Band. E, como bom profissional que quer se recolocar, a loira tratou de voltar atrás em sua decisão de não fazer novelas, o que não é nenhum demérito. Afinal, ela nunca escondeu de ninguém que sempre desejou voltar à TV aberta.

Sendo assim, boa sorte à Adriane em sua nova empreitada. Uma pena que não será como apresentadora, já que ela é animadora das boas. Mas, sem dúvidas, a vitrine de uma novela pode colocá-la de volta ao radar dos diretores de TV, fazendo surgir novos trabalhos como apresentadora. Ou, então, um eventual sucesso dela como atriz de novelas pode fazer com que ela esqueça o trauma de Xica da Silva e se entregue, de vez, a este ofício. Sob vários aspectos, é uma boa oportunidade. 

André Santana 

quarta-feira, 28 de março de 2018

RedeTV extingue "Fala Zuca" e dispensa apresentadores

Fala Zuca era igual ao seu cenário:
um grande vazio

Como já era de se esperar, o matinal Fala Zuca, da RedeTV, já foi cancelado. O programa de meia hora no qual Celso Zucatelli apenas anunciava as atrações, fazia merchan e se despedia sairá da grade da emissora na próxima semana. Com o fim do programa, Você na TV e Edu Guedes e Você ganharão mais 15 minutos cada um.

Com o fim do programa, Celso Zucatelli deve deixar a emissora. Mas ele não sairá sozinho. Segundo Keila Jimenez, outros apresentadores da casa também foram dispensados. A colunista do R7 noticiou que Iris Stefanelli, Thiago Rocha e Mariana Leão também não devem ter seus compromissos renovados com o canal de Amílcare Dallevo e Marcelo de Carvalho.

O caso mais surpreendente é de Iris Stefanelli. Há mais de dez anos na emissora, a jovem nunca fez nada de significativo no canal, mas mesmo assim se manteve lá por anos a fio. Talvez acreditando que Iris tivesse potencial para ser uma nova estrela a la Grazi Massafera, a RedeTV a contratou assim que seu compromisso com a Globo, emissora na qual se destacou na edição de 2007 do BBB, chegou ao fim. No canal, Iris estreou à frente do TV Fama, dividindo a apresentação do programa com Nelson Rubens e Adriana Lessa.

No entanto, Iris deixou a ancoragem e passou à reportagem do programa quando Flavia Noronha assumiu a apresentação do programa de fofocas. Depois disso, foi aproveitada em outras produções da casa, como o Morning Show/Muito Show e o programa de pegadinhas Te Peguei. Mais recentemente, passou a apresentar o Tá Sabendo?, com Thiago Rocha, nas tardes de domingo. Mas o programa foi extinto, o que culminará, também, com a dispensa de Thiago.

Quanto a Celso Zucatelli, o fim do Fala Zuca já era tragédia anunciada, já que o programa foi um grande erro do canal neste mal planejado desmembramento do Melhor pra Você. Matinal, aliás, que também tinha Mariana Leão, que não tinha mais projetos em vista após o fim do programa. Enquanto isso, João Kleber segue firme e forte nas manhãs do canal com o Você na TV (aliás, quanto “você” nas manhãs da emissora, não?). Fazer o que?

André Santana

sábado, 24 de março de 2018

"Orgulho e Paixão" retoma comédia romântica no horário das seis


Depois de muito drama e chororô, entram agora sorrisos e piadas. Orgulho e Paixão, nova novela das seis da Globo que estreou nesta semana, vem com uma embalagem semelhante à sua antecessora, Tempo de Amar, ao apostar no requinte de uma produção de época, mas traz um tom mais bem-humorado que a trama anterior. Escrita por Marcos Bernstein, baseado em obras de Jane Austen, a nova história aposta na leveza para narrar um romance tradicional.

Com a espinha dorsal inspirada no romance Orgulho e Preconceito, a nova trama apresentou seu casal protagonista, Elisabeta (Nathalia Dill) e Darcy (Thiago Lacerda), que teve um primeiro encontro explosivo. A mocinha, que vive no início do século passado e cuja mãe Ofélia (Vera Holtz) sonha com seu casamento, é daquelas jovens atrevidas e à frente de seu tempo. Ao contrário de suas quatro irmãs, ela não sonha em se casar, e sim em conhecer o mundo.

No entanto, a trama trata a temática feminista com um tom bem-humorado. Na verdade, toda a trama de Orgulho e Paixão usa e abusa de um senso de humor leve, um tanto ingênuo, com os atores todos falando um tom acima, quase teatral. Isso imprime um tom à história que beira a farsa, já que dá comicidade em momentos que poderiam ser dramáticos. O diálogo entre Elisabeta e Darcy, quando brigam por uma calça numa loja, demonstra bem isso. É um homem brigando com uma mulher, mas o tom humorado dos atores dá leveza ao momento.

Com isso, Orgulho e Paixão resgata a típica comédia romântica do horário das seis. Formato, aliás, que consagrou Walcyr Carrasco na faixa, ainda mais se levarmos em consideração sua predileção por casais “gato e rato”, que vivem brigando apesar de se amarem. A diferença maior é a qualidade dos diálogos, menos didáticos e mais cuidadosos. Mesmo assim, neste início, ficou claro que Orgulho e Paixão se baseará em tipos cômicos para narrar uma história sem grandes arroubos. Basicamente, a história é sustentada pelos personagens, e não o contrário.

Ao menos, há bons personagens que podem fazer a história render. Vera Holtz, como sempre, está à vontade como Ofélia, a matriarca meio caipira e bem engraçada que tenta casar as filhas. Há ainda as boas presenças de Alessandra Negrini como Susana, e Gabriela Duarte como Julieta, duas atrizes bissextas e que faziam falta na telinha, e que encheram a tela com suas presenças. O núcleo ainda tem a presença de Grace Gianoukas, que vive a empregada Petúnia, engraçada como sempre.

Orgulho e Paixão, portanto, diverte e tem bons momentos, que devem agradar à audiência da faixa. O que pesa contra é que, mais uma vez, a Globo tem abusado de novelas de época no horário. No início dos anos 2000, as tramas contemporâneas praticamente sumiram dentre as novelas das seis, fazendo com que a fórmula fosse perdendo fôlego a cada nova história. Tanto que, em 2008, Ciranda de Pedra foi substituída por Negócio da China, inicialmente concebida para às sete, mas que acabou mudando de horário na tentativa de estancar a perda de público (e que não funcionou, diga-se). A partir daí, o revezamento entre tramas de época e contemporânea se tornaram mais constantes, o que agora já não vem mais acontecendo (as próximas da fila também são de época). É preciso cuidado.

André Santana

terça-feira, 20 de março de 2018

Fila de autores das nove da Globo pode ganhar novidades


Desde que Silvio de Abreu assumiu a Direção de Teledramaturgia Diária da Rede Globo, o autor e diretor tem concentrado esforços no sentido de lançar novos novelistas para garantir o futuro do gênero. Uma luta, aliás, que é dele desde os tempos de autor, quando escolhia sinopses de novos autores e se oferecia como supervisor. Nomes como Alcides Nogueira, Maria Adelaide Amaral, João Emanuel Carneiro, Elizabeth Jhin e a saudosa Andrea Maltarolli foram algumas das “crias” de Abreu.

Agora no comando das novelas do canal, Silvio de Abreu vem promovendo uma interessante renovação no quadro de novelistas, sobretudo no horário das seis, sete e onze. Nomes como Alessandro Marson, Thereza Falcão, Angela Chaves, Alessandra Poggi, Maria Helena Nascimento, Claudia Souto e Daniel Ortiz são alguns dos nomes mais jovens da dramaturgia do canal a emplacarem sucessos. No entanto, a fila do horário das nove ainda resiste no sentido de trazer novidades. O último lançamento do horário foi a veterana Maria Adelaide Amaral, que assinou A Lei do Amor com Vincent Villari. Duca Rachid e Thelma Guedes foram escaladas, mas tiveram sua sinopse vetada.

Até aqui, o próximo lançamento do horário das nove da Globo deve ser Manuela Dias. Uma aposta e tanto, tendo em vista que Manuela nunca assinou uma novela como titular. Roteirista e colaboradora de autores da Globo há anos, a roteirista é veterana na área, mas como titular assinou apenas a minissérie Ligações Perigosas e a série Justiça, as duas grandes sucessos de público e crítica. Por conta do êxito, estreará como autora principal de folhetim justamente no horário mais nobre da emissora, uma missão espinhosa. Talento ela já mostrou que tem. Sua estreia ainda vai demorar um tempo, já que ela entrará depois da novela de Aguinaldo Silva, que substituirá a trama de João Emanuel Carneiro e que, por sua vez, entra na vaga de Walcyr Carrasco e sua O Outro Lado do Paraíso.

No entanto, o horário das nove vem sofrendo com baixas em suas filas. Veteranos como Manoel Carlos e Gilberto Braga não estão mais interessados em escrever para a faixa, que já perdeu Silvio de Abreu para o serviço executivo. Gloria Perez, escalada para assessorar Abreu na escolha de textos para produção das séries da Globo, também ficará um tempo afastada da criação. Sendo assim, há um esvaziamento, que precisa ser revertido.

Segundo fontes diversas, Maria Helena Nascimento já foi escalada para apresentar uma sinopse de novela das nove, graças ao êxito de Rock Story, que marcou sua estreia como titular na faixa das sete. A julgar pelo seu estilo mostrado na novela de Gui Santiago (Vladimir Brichta), Nascimento tem condições de oferecer um drama adulto, que há de primar pelos bons diálogos e boas soluções. A novelista já colaborou em obras de Gilberto Braga, e parece seguir estilo semelhante. Ou seja, trata-se de uma boa aposta da casa. Há quem diga que Alcides Nogueira e Daniel Ortiz também estão cotados para escreverem para o horário. Outros dois bons nomes. O único problema é que há boatos de que Ortiz poderia propor um remake de Rainha da Sucata ou A Próxima Vítima para a faixa. O que seria um erro, na minha humilde opinião.

Seja como for, trata-se de uma movimentação interessante na dramaturgia da Globo, algo até inédito no setor. E uma medida responsável, já que garante o futuro do gênero, que ainda é o principal produto da emissora. Investir em talentos e em formação é fundamental.

André Santana

sábado, 17 de março de 2018

"Tempo de Amar": folhetim clássico ainda tem fôlego


Faltando dois capítulos para a conclusão de Tempo de Amar, o que pode dizer é que a novela de Alcides Nogueira e Bia Correa do Lago, baseada num argumento de Rubem Fonseca, resgatou a essência do folhetim romântico clássico, em todos os sentidos. A trama narrou uma história de amor, encontros e desencontros, com muitas paixões, romances e vilões ardilosos, tudo isso envolto no charme dos anos 1920. No entanto, promete um desfecho diferente do usual clássico, tendo em vista que o casal Maria Vitória (Vitória Strada) e Inácio (Bruno Cabrerizo) não deve ficar junto no último capítulo.

Algo bem fora do comum, já que Tempo de Amar foi toda estruturada em torno do casal de mocinhos e a separação deles, causada pelo destino. O amor arrebatador de ambos foi interrompido pelo pai dela em Portugal, e Inácio acaba partindo para o Brasil. Mais adiante, é a vez de Maria Vitória buscar o amado, fazendo surgir uma série de “quase encontro”.

No entanto, o final não chega a surpreender quem acompanhou a novela, tendo em vista que Vicente (Bruno Ferrari) surgiu para ser um novo pretendente para a mocinha e acabou roubando os holofotes para si. Enquanto Inácio e Maria Vitória seguiam se desencontrando, Vicente foi construindo o seu espaço, e se tornou impossível não torcer para que este novo casal ficasse junto. Consequências de uma obra aberta, sempre sujeita a soluções inesperadas.

Mesmo usando e abusando da fórmula do folhetim tradicional, Tempo de Amar conseguiu chamar a atenção da audiência pelo texto refinado, pela produção impecável e, principalmente, por trazer grandes atores fora de sua zona de conforto. Neste contexto, o grande destaque da obra foi Marisa Orth. Famosa pelas personagens de humor, Marisa vestiu-se de Celeste Hermínia, uma mulher de um passado sofrido, mas que soube dar a volta por cima. Tornou-se uma famosa cantora de fado, assumiu um romance com um homem casado e viveu sempre com dignidade. E a personagem ficou ainda mais interessante quando foi revelado que ela era a mãe de Maria Vitória. O encontro de mãe e filha e a convivência delas a partir dali rendeu cenas incríveis.

Além de conviver com a filha, Celeste Hermínia ainda viveu inúmeros conflitos com seu romance com o Conselheiro Francisco (Werner Schunemann). Um romance que dividia opiniões, pelo fato de a mulher dele estar viva, e presa a uma cama quando a história começa. Quando ela morre e parecia que o caminho estava livre para os dois, segredos do passado culminam com o desgaste da relação e ambos se separam. Neste meio-tempo, ela reencontra José Augusto (Tony Ramos), pai de Vitória, enquanto ele ensaia uma relação com Eva (Julia Almeida). Entretanto, logo fica evidente que o amor entre Celeste e Francisco não morreu. Ou seja, Celeste Hermínia tornou-se a grande protagonista madura de Tempo de Amar, e Marisa Orth mostrou que é uma atriz com recursos que vão muito além da comédia. Marisa imprimiu humanidade è Celeste Hermínia.

Tempo de Amar também repetiu a parceria entre Tony Ramos e Regina Duarte, trazendo esta última num papel coadjuvante que também a tirou do lugar-comum. Lucerne era uma mulher de camadas, um tanto divertida, mas também lotada de defeitos. Ela cresce quando inicia um romance com José Augusto, enganando-o e se fazendo passar por uma mulher correta, quando na verdade é a dona de um cabaré. Foi uma sequência que divertiu muito e rendeu ótimos momentos entre Regina e Tony. Uma pena que o romance entre eles durou pouco dentro da trama. Outros atores que mostraram novas facetas foram Nelson Freitas (Bernardo), Letícia Sabatella (Delfina) e Jayme Matarazzo (Fernão). Além disso, a trama revelou Vitória Strada, linda e muito talentosa.

No fim, Tempo de Amar mostrou que o folhetim tradicional bem escrito e bem temperado ainda tem público cativo. Foi uma obra bonita de se assistir.

André Santana

quinta-feira, 15 de março de 2018

Guel Arraes deixa de cuidar das séries da Globo, que passa às mãos de Silvio de Abreu


A notícia não é nova, mas vale o registro e o comentário por aqui: Guel Arraes, Diretor de Teledramaturgia Semanal da Globo (ou seja, era ele quem cuidava das séries do canal), pediu para deixar o cargo. De acordo com diversas fontes, Guel não quer mais exercer um papel executivo e prefere voltar à criação. Com sua saída, Silvio de Abreu, que já era Diretor de Teledramaturgia Diária (novelas), agora cuidará também da teledramaturgia semanal.

Desde que pulverizou suas atrações de entretenimento, que passaram a ser de responsabilidade de quatro grandes diretores (Silvio de Abreu e Guel Arraes respondiam pela dramaturgia, enquanto Boninho e Ricardo Waddington cuidam dos programas de variedades), a Globo vinha colhendo bons frutos desta nova gestão. Os programas de entretenimento entraram nos trilhos, as novelas ganharam maior atenção e planejamento e as séries ganharam espaço na tela da Globo, da Globosat e do streaming. Ou seja, a descentralização da produção revelou-se positiva.

No que tange às séries, a gestão de Guel Arraes perdeu espaço na grade em razão do aumento dos capítulos das novelas das onze, agora chamadas de “superséries”. Por outro lado, ampliou o leque, deixando de priorizar comédias e fazendo experimentações, além de tornar mais comum coproduções. O resultado foram séries de sucesso, como Mister Brau e Sob Pressão, e temáticas diferenciadas, como Nada Será Como Antes, Supermax e Cidade Proibida.

No entanto, a gestão de Guel Arraes fez surgir alguns desconfortos, como o fato de o diretor parecer priorizar membros de uma “panelinha”, com muitos autores e diretores que já trabalharam com ele. Jorge Furtado, Claudio Paiva, Marçal Aquino e Fernando Bonassi ganharam espaço, enquanto novos roteiristas encontravam dificuldades em emplacar projetos. Até Miguel Falabella só conseguiu emplacar suas séries porque seus projetos correram sob o guarda-chuva de Ricardo Waddington, e não de Arraes.

O nome de Silvio de Abreu para tocar também os projetos de séries, a princípio, não parecia o mais adequado. Silvio é um craque das novelas e tem grande feeling para selecionar sinopses e lançar novos autores, mas nunca teve experiência com seriados, que hoje estão bastante evoluídos e contam com formatos variados. Mas Silvio recrutou Gloria Perez para auxiliá-lo, e é a veterana novelista que analisará os novos projetos e tocará os trabalhos da Casa dos Roteiristas, um núcleo de criação da Globo que visa o desenvolvimento de novas séries. Apesar de também ser uma mestra das novelas, Gloria mostrou que entende do formato seriado com a sua ótima Dupla Identidade. Por isso, espera-se que, com Gloria e Silvio no comando, as séries da Globo consigam promover a renovação de autores e temáticas que estão acontecendo no campo das novelas. Vamos ver.

André Santana

sábado, 10 de março de 2018

"Viva a Diferença" termina como a melhor temporada de "Malhação"


Com o final da temporada Viva a Diferença na última semana, Malhação foi elevada a um novo patamar. O programa nasceu como um seriado adolescente fantasioso, se tornou uma soap opera com certo compromisso social, e evoluiu ao ponto de se tornar uma marca, até chegar ao formato atual, de novela fechada que troca autores, diretores e elenco a cada temporada. Esta última mudança livrou Malhação de amarras, permitindo mudanças de tom e de narrativas a cada nova história.

E foi este formato que tornou possível Viva a Diferença, temporada que mostrou que Cao Hamburger, nome forte do entretenimento infantojuvenil brasileiro, poderia ser um excelente novelista. Ao propor narrar a história das “five”, cinco meninas de universos distintos que se conhecem ao participarem de um parto num metrô, Cao mostrou domínio do folhetim, mas também demonstrou segurança em seu próprio trabalho ao incluir no enredo novos paradigmas.

Deste modo, Malhação - Viva a Diferença ficará marcada como a temporada que melhor soube abordar a temática adolescente, sem descambar para um tratado sociológico, mas com os pés bem fincados na realidade. Os romances de folhetim permaneceram na essência, mas ganharam contornos menos inspirados em contos de fada e mais próximos da realidade. Keyla (Gabriela Medvedovski), Benê (Daphne Bozaski), Tina (Ana Hikari), Lica (Manoela Aliperti) e Ellen (Heslaine Vieira) tiveram seus conflitos amorosos, mas também familiares e sociais. E quebraram barreiras.

A partir daí, Viva a Diferença tocou em assuntos importantes e urgentes. Falou sem pudores de gravidez na adolescência, alcoolismo, homossexualidade, racismo, homofobia, abuso sexual, fake news e tantos outros assuntos que estão na ordem do dia. Além disso, teve como mote central a educação brasileira, explorando com competência os domínios de seus dois cenários centrais, o colégio público Cora Coralina e o colégio privado Grupo. E deixou a mensagem de que um ensino público de qualidade é possível, quando há o interesse da sociedade, dos gestores e dos professores. Mensagem que parece puramente idealista, mas não é. Exemplos positivos existem.

E o melhor de tudo é que Cao Hamburger e seus colaboradores conseguiram tratar de todos estes assuntos sem cair na panfletagem gratuita. Toda a temática esteve amarrada a uma trama envolvente, que conseguia passar sua mensagem sem perder de vista o entretenimento. E o melhor: sem hipocrisia. Temporadas passadas de Malhação já tentaram tratar de assuntos sérios, mas tudo era mostrado com tanto pudor e de maneira tão hipócrita que colocava tudo a perder.

E o último capítulo de Malhação - Viva a Diferença foi de uma sensibilidade rara na televisão brasileira. As “five” terminaram o Ensino Médio e se despediram, já que cada uma delas partirá para novas experiências. Foi uma despedida emocionante, e que tocou fundo no sentimento do espectador. Um retrato fidedigno desta fase da vida onde tudo é tão intenso, que parece que vai durar para sempre. Mas que a vida trata de mostrar que os ciclos se encerram para outros possam começar. Foi lindo. Viva a Diferença deixa saudades.

Nesta semana, também estreou Malhação – Vidas Brasileiras. A grande novidade vista na estreia da nova temporada é o protagonismo da história que, pela primeira vez, caberá não a um casal adolescente (ou cinco amigas adolescentes, como na trama anterior), e sim à professora. Gabriela (Camila Morgado) é uma dedicada profissional da educação que comanda uma sala de aula lotada de jovens cheios de vida da escola Sapiência. O primeiro capítulo explorou sua vida pessoal, mostrando sua família, e também sua vontade de ajudar as pessoas, seja oferecendo apoio aos alunos, seja tentando promover a transformação social pela educação. Por isso, está disposta a trocar o emprego na Sapiência por um trabalho numa ONG. No final do capítulo, ela se emocionou com uma homenagem de seus alunos, que imploram para que Gabriela permaneça no colégio.

Ou seja, Gabriela é mostrada como uma professora do bem, amiga dos alunos e disposta a fazer a diferença na sociedade em que vive. Uma personagem que beira o idealismo. E que remete, de imediato, à antológica professora Helena, a grande protagonista da novela infantil mexicana Carrossel. Vivida por Gabriela Rivera na versão da Televisa, e por Rosane Mulholland na versão brasileira produzida pelo SBT, a professora também era um ser idealista, que acreditava num futuro melhor e que participava ativamente da vida de seus alunos.

A atual Malhação é inspirada em 30 Vies, uma série canadense, e tem a proposta de revezar o protagonismo entre os adolescentes que compõem a sala de aula de Gabriela. Ou seja, a cada duas semanas, um dos jovens terá sua história aprofundada, e será ajudado pela professora. O formato também é bem parecido com Carrossel. Mas, claro, Vidas Brasileiras discutirá conflitos típicos juvenis, o que a diferenciará de Carrossel. Mas não deixa de ser curiosa esta estrutura semelhante.

A proposta é boa e pode render. Entretanto, a autora Patrícia Moretzohn deve tomar cuidado na concepção de Gabriela, já que a personagem, tão do bem, anda no limiar entre o heroísmo e a chatice. Não chegou a incomodar no primeiro capítulo, muito por causa do carisma de Camila Morgado, que imprimiu credibilidade à personagem. Na torcida para que continue assim.

André Santana

sexta-feira, 9 de março de 2018

Troféu Imprensa vira premiação da família Abravanel

A cerimônia foi no domingo passado, dia 04, mas vale o registro aqui. O SBT exibiu mais uma edição do Troféu Imprensa e, como já disse aqui no ano passado, a atração deixou de ser uma premiação, já que os finalistas são definidos pela internet, o que acaba fazendo com que os concorrentes sejam aqueles que têm mais fãs, e não os melhores de fato. E, para piorar, na edição deste ano, os “prêmios” ficaram concentrados nas mãos da família Abravanel.

Silvio Santos, dono do SBT e mestre de cerimônias do Troféu, conquistou mais um prêmio de melhor apresentador ou animador de televisão, além de ter levado também o prêmio de melhor programa de auditório pelo Programa Silvio Santos. Sua filha Patrícia Abravanel, novamente, foi eleita a melhor apresentadora ou animadora de TV. Sua outra filha, Silvia Abravanel, também começa a colecionar troféus, já que responde pela apresentação do Bom Dia e Cia, eleito o melhor programa infantil.

Não se discute que Silvio Santos é o melhor animador em atividade na TV brasileira, embora sua presença possa ser colocada em xeque, já que é ele quem apresenta a cerimônia. Em épocas passadas, o apresentador não concorria. Mas eleger, mais uma vez, Patrícia Abravanel como melhor apresentadora é algo bastante questionável, ainda mais se levarmos em consideração que a filha de Silvio Santos nem ao menos comandou um programa próprio em 2017. Quanto ao prêmio do Bom Dia e Cia, fica cada vez mais claro que o Troféu Imprensa só mantém a categoria de programa infantil para garantir mais um prêmio para o SBT, único canal aberto com uma grade voltada aos pequenos. Bom Dia e Cia concorreu com Mundo Disney e Parque Patati Patatá, outras atrações que também são exibidas no SBT.

Além de premiar a própria família, Silvio Santos também garantiu outros tantos prêmios para sua emissora, contemplando The Noite (melhor programa de entrevistas), A Praça É Nossa (melhor programa humorístico) e Conexão Repórter (melhor programa jornalístico). Enquanto isso, o prêmio segue ignorando a evolução da televisão brasileira ao não apresentar prêmios específicos para reality shows e séries, mas contemplando categorias “esquisitas”, como melhor dupla sertaneja (se é pra segmentar música, deveria então haver prêmio para melhor banda ou melhor artista pop).

Justo mesmo foi a consagração de A Força do Querer, como melhor novela de 2017. E se muita gente não curtiu Paolla Oliveira levando o prêmio do Faustão de melhor atriz do ano passado (outra premiação questionável, diga-se), deve ter ficado feliz com a eleição de Juliana Paes (cuja Bibi Perigosa, de A Força do Querer, realmente merecia um reconhecimento). No mais, é aquilo que já sabemos: Troféu Imprensa não é um prêmio de verdade, e sim um programa de televisão. Que diverte, sem dúvidas. Mas só.

André Santana

terça-feira, 6 de março de 2018

Precisamos falar sobre o muro construído nas manhãs da RedeTV


Já fiz um breve comentário sobre a nova programação matinal da RedeTV por aqui na semana passada, mas preciso voltar ao assunto. Isso por conta da bizarrice que é ter um muro a separar Edu Guedes e Celso Zucatelli, companheiros do Melhor pra Você, mas que agora comandam seus próprios programas, o Edu Guedes e Você e o Fala Zuca.

Muitos comentários davam conta que a convivência entre Edu e Celso já não andava das melhores, daí a decisão de separá-los. Quanto a isto não cabe a este blog especular. Mas cabe questionar: separá-los por um muro foi a melhor solução? Sim, porque o conteúdo dos dois programas em nada difere da atração anterior do horário. E ficou claro aos olhos do público de que o antigo cenário do Melhor pra Você foi dividido ao meio.

Sendo assim, a cozinha de Edu Guedes ganhou uma mesa ao lado da bancada e uma tapadeira do lado esquerdo do vídeo, onde fica um monitor para merchans e para a participação de Fabiana Teixeira, que era repórter do Melhor pra Você e agora é partner do apresentador culinarista. Tapadeira, aliás, que parece reciclada do cenário do extinto Interligado, programa juvenil que Fernanda Lima e Fabiana Saba comandaram nos primórdios da RedeTV. Se considerarmos que a tapadeira do lado direito do cenário do Melhor pra Você (e que agora é cenário do Edu) também fazia parte do Interligado, logo concluímos que a RedeTV está fazendo um belo reaproveitamento de material.

A tapadeira colorida de Edu vira uma parede com "quadradinhos" à vista no lado que agora pertence a Celso Zucatelli e o Fala Zuca. Nesta área, Celso ganhou apenas um “vão livre”, com um formato claustrofóbico muito pouco funcional. Um espaço estranhíssimo e que não quer dizer nada. Mas, se levarmos em consideração que o Fala Zuca é um programa com zero conteúdo, tamanha a ineficiência em acomodar seus assuntos na parca meia hora da atração, então o cenário minúsculo e estranho não faz diferença. Na verdade, é bem provável que o Fala Zuca tenha vida curta. Melhor seria se Celso fosse incorporado ao jornalismo da RedeTV e ancorasse um jornal na hora do almoço, formando dupla com Rosana Jatobá.

Ao que tudo indica, o “muro de Berlim” construído no cenário do Melhor pra Você foi a última medida de Elias Abrão como superintendente artístico da emissora, cargo que ocupou por dois anos. Elias deixou o cargo esta semana, e seu nome já não aparece no encerramento dos programas de entretenimento do canal. Nestes dois anos como diretor artístico, Elias teve boas intenções, promovendo mudanças que buscavam deixar a grade mais coerente. No entanto, não colheu bons resultados e acabou voltando atrás em várias decisões, o que acarretou numa série de mudanças esdrúxulas (como o vai-e-volta do Você na TV e o retorno dos “segredos” e pegadinhas no João Kleber Show). Mas a ineficiência da grade não foi culpa de Elias, afinal, as constantes interrupções na programação do canal para exibir programas de igreja não ajuda a alavancar os programas da RedeTV.

André Santana

sábado, 3 de março de 2018

Com "Melhor da Tarde", Band ressuscita vespertino "das antigas"


Entre o final da década de 1990 e início dos anos 2000, houve um verdadeiro “boom” de programas femininos vespertinos. Na época, a Gazeta já fazia o seu clássico Mulheres, com Ione Borges e Claudete Troiano, mas foi quando Ana Maria Braga cresceu e apareceu no Note e Anote, da Record, que o formato se popularizou de fato. Aí, toda emissora quis ter um programa nos moldes: a extinta Manchete contratou Claudete e lançou o Mulher de Hoje, enquanto a Band apostou no Mulheres do Brasil, com Márcia Peltier, e o Mulher de Verdade, com Silvinha Franceschi. A Globo entrou na onda, quando contratou Ana Maria e lançou o Mais Você, enquanto a Record seguiu com seu Note e Anote, pilotado por Cátia Fonseca. Assim, entre os canais abertos, apenas o SBT não apostou no filão neste período.

Foram muitas receitas de bolos e tortas nos mais diferentes canais e nos mais diversos estilos, e apresentado por nomes diversos, até que, entre os anos 2000 e 2001, Sonia Abrão despontou com jornalismo e notícias dos famosos no A Casa É Sua, da RedeTV, dando um novo rumo aos vespertinos. De repente, os demais canais deram um tempo na culinária e no artesanato e passaram a investir mais em fofocas de celebridades e outros assuntos. Note e Anote e Mulheres abriram espaço para este conteúdo, enquanto a Band lançava a primeira versão do Melhor da Tarde, também nestes moldes. E até o SBT entrou na onda, tirando Sonia Abrão da RedeTV e lançando o Falando Francamente, em 2002.

Porém, passado o boom dos vespertinos de culinária e fofoca, o formato arrefeceu, sobrando alguns remanescentes. Sonia Abrão conseguiu vida longa e hoje segue há quase 12 anos na RedeTV com o A Tarde É Sua, enquanto o Mulheres resgatou o formato de revista feminina de variedades com Cátia Fonseca, permanecendo assim por incríveis 15 anos. E as demais apostas no formato, como o Pra Valer, de Claudete Troiano, na mesma Band, não vingaram, mostrando que este tipo de produto já não era garantia de sucesso nos canais abertos maiores. Nesta época, o Hoje Em Dia fazia sucesso nas manhãs da Record e lançou a tendência da “revista eletrônica”, onde até cabia culinária e fofocas, mas abraçava outros assuntos também.

Mas, quando o formato mais tradicional parecia restrito aos canais “menores” (a Gazeta é um canal paulistano com alcance nacional restrito), eis que a Band resolveu resgatar o formato, em busca de uma produção barata e com muitas possibilidades comerciais (o que, no fundo, estes vespertinos sempre foram: grandes vendedores). E foi buscar justamente a única “heroína da resistência” neste formato vespertino: Cátia Fonseca. E relançou o Melhor da Tarde, trazendo basicamente a mesma fórmula do Mulheres.

A aquisição da Band foi acertada, tendo em vista que Cátia, há 15 anos no comando de um diário ao vivo com incríveis quatro horas de duração, adquiriu um traquejo e tanto na arte de passar a tarde conversando. Cátia tem grande desenvoltura diante das câmeras, é simpática e sabe falar a língua de sua espectadora, estofo adquirido após tanta experiência no segmento. Por isso mesmo, se a Band queria resgatar o formato mais tradicional de programas femininos, não poderia ter escolhido comandante melhor.

Cátia fez uma estreia estranha, já que a primeira hora de seu Melhor da Tarde, no ar na última quinta-feira, 01, foi pura enrolação, com segmentos pré-gravados fingindo que era ao vivo e um passeio cansativo pelas instalações do Grupo Bandeirantes. Mostrar os bastidores é sempre divertido, mas a sensação de “encheção de linguiça” era inevitável. Somente às 15 horas, quando o programa entrou em rede nacional, foi que o Melhor da Tarde estreou de fato, mostrando seu cenário (clean e bonito) e suas atrações. Tudo bem apressado, pois metade do programa já havia passado.

Foi apenas no segundo programa, de ontem, 02, que o Melhor da Tarde se mostrou de verdade. Em suas duas horas de duração, Cátia comentou as notícias do dia com Neto, do Os Donos da Bola, e falou sobre a vida das celebridades com Aaron Tura e a participação de Evandro Santo, que fez uma matéria mostrando a casa de uma fã de Cátia. Também falou sobre saúde, ensinou uma receita e resgatou uma aula de dança que fazia, anos atrás, em seu Mulheres. Ou seja, nada muito diferente do que era o próprio Mulheres, ou o que foi os programas femininos da década passada e retrasada. A ideia, além de vender, é servir de companhia às donas de casa.

Ou seja, o novo Melhor da Tarde não tem a intenção de reinventar a roda, e faz bem aquilo que se pretende fazer. Mas não deixa de parecer um programa datado, meio anacrônico, como se buscasse retomar um tempo que já não existe mais (a aula de dança mesmo ensinou a coreografia de “Um Morto Muito Louco”. Alguém ainda dança isso?). Pelo menos tem “apenas” duas horas, já que ninguém aguenta mais os programas longuíssimos do final dos anos 1990. Resta saber se ainda há um grande público interessado neste “blá-blá-blá” vespertino. No mais, é um programa bem feito, e é ótimo observar que a Band voltou ao jogo, após anos entregando os pontos. Ponto para o canal.

André Santana

quinta-feira, 1 de março de 2018

Em temporada de estreias, Band surpreende com quantidade de novidades


Passado o Carnaval, o que não faltou por estes dias no noticiário televisivo foram eventos e coletivas de imprensa para lançamento de novos programas e nova programação. Enquanto Globo lançou a nova Malhação, Vidas Brasileiras, e a nova novela das seis, Orgulho e Paixão, Record avisou sobre a nova temporada do Programa do Porchat, e a RedeTV reformulou suas manhãs, com estreias já desde a última segunda-feira, 26. Mas quem surpreendeu mesmo foi a Band, que reuniu a imprensa para anunciar muitas novidades.

Uma das estreias mais aguardadas era o Melhor da Tarde, de Cátia Fonseca, que começou hoje, 01. Em termos de audiência, não foi uma estreia ruim, tendo em vista que Cátia herdou um horário que traçava com games caça-níquel. Mas, claro, a Band espera que a coisa melhore. Mas ainda é cedo para uma análise mais profunda, até porque o programa pouco disse a que veio em sua primeira edição, ficando apenas no oba-oba da estreia. Veremos nos próximos dias e voltaremos ao assunto por aqui.

No entanto, a Band informou também a reforma de alguns de seus programas. Por exemplo, o intocável Daniel Bork terá o nome de seu programa alterado pela enésima vez, e passará a comandar o Cozinha do Bork. Não vai fazer nada de diferente do que já fazia no Dia Dia, Bem Família e Receita Minuto, mas agora terá a companhia da simpática Jiang Pu, ex-MasterChef. Pela primeira vez em sua já longa carreira cozinhando nas manhãs da Band, é a primeira vez que Daniel Bork terá um programa com o seu nome, o que pode ser entendido como uma “promoção” (?).

Cozinha do Bork formará uma dobradinha com Superpoderosas, que estreia em abril. Ao contrário do programa de Cátia Fonseca, mais voltado às receitas e fofocas, a atração matinal vai focar na informação voltada à mulher contemporânea. Outra surpresa da Band é que Milton Neves passará a comandar um programa de variedades esportivo, ressuscitando o título Show do Esporte. Sem dúvidas, uma boa ideia para uma emissora que tem o esporte no DNA. E, ainda, uma faixa para exibição de shows musicais nas noites de sexta-feira, o Espaço Musical. Além disso, Datena virá mesmo no comando de um dominical de variedades, o Agora É com Datena. E, claro, nova temporada de MasterChef. Sem dúvidas, trata-se de um sopro de vitalidade para a combalida emissora.

Enquanto a Band ensaia diversificar sua programação, a RedeTV tratou de oferecer mais do mesmo em suas estreias. O Edu Guedes e Você e o Fala Zuca, novidades da semana, nada mais são que o Melhor pra Você desmembrado. Inclusive fisicamente, já que ficou evidente que os dois programas reaproveitam o cenário do extinto matinal, com um muro a separá-los. Coisa mais esquisita! E, como já foi especulado aqui antes, o Fala Zuca tem um Celso Zucatelli apressado e pouco tempo, apenas meia hora, pra dar conta de todos os assuntos que pretende. Na prática, o programa oferece um grande nada para o espectador. Mudança bem bizarra!

André Santana