sexta-feira, 31 de março de 2017

A fantástica grade do SBT: "Primeiro Impacto" e "Operação Mesquita"

E durou apenas uma semana a “brilhante” ideia de colocar o Primeiro Impacto na hora do almoço. A atração do SBT estreou às pressas na quinta-feira passada, 23, com Dudu Camargo indo das 12h às 13h30, e Marcão do Povo seguindo das 13h30 às 15h. A intenção era brigar de igual para igual com a Record, ofertando um “genérico” de seu Balanço Geral, já consolidado no horário e que incomoda até a Globo. Obviamente, Primeiro Impacto pagou um micão e derrubou a audiência da emissora no horário, e sua saga por ali durou apenas uma semana.

E esta semana não deve ter sido nada tranquila nos bastidores. Antes de ser cancelado e voltar correndo para a faixa da manhã, Primeiro Impacto foi perdendo espaço ao longo da semana. Primeiro, foi Dudu Camargo quem voltou ao seu horário habitual, deixando Marcão sozinho num Primeiro Impacto já “compacto”, das 13h45 às 14h45. A audiência seguiu péssima e na manhã desta sexta-feira, 31, o jornal já dava expediente em seu horário normal, das 6h às 8h30. Na faixa do almoço, retornaram os desenhos do Bom Dia e Cia e o Clube do Chaves, que já elevaram os índices. Elementar…

Além do quiprocó envolvendo o Primeiro Impacto, outra nova atração do SBT já entrou na berlinda da “grade voadora” do canal: Operação Mesquita. Depois de três episódios exibidos aos sábados na faixa das 18h15, o novo programa de Otávio Mesquita passa para as madrugadas de domingo para segunda-feira, da 1h às 2h, já a partir deste domingo, 02. Ou seja, toda aquela boataria que dizia que Otávio queria o lugar de Raul Gil, e que ele tinha sido o pivô que culminou com a saída do animador (que acabou nem saindo), e todo aquele discurso do próprio Mesquita se dizendo cansado das madrugadas caíram por terra. Pelo jeito, Otávio Mesquita combina mais com o público insone mesmo…

Há quem diga que a coisa não vai parar por aí. Flavio Ricco, colunista do UOL, disse, por estes dias, que Silvio Santos está que não se aguenta de vontade de mexer na grade de domingo do SBT. E que ele só não o fez ainda em razão do contrato muito bem amarrado de Eliana. Será que ele quer, de novo, mexer no horário da loira? Basta lembrar daquele tempo que ele cismou em adiantar a grade dominical, colocando o Domingo Legal das 11h às 13h, seguido de Eliana das 13h às 17h, Roda a Roda na sequência, e o Programa Silvio Santos das 18h às 22h, fechando com o Conexão Repórter a partir das 22h. Foi um desastre tão grande que a mudança durou apenas um domingo, e no outro tudo já estava em seu devido lugar.

Ou seja, mesmo o SBT tendo perdido a vice-liderança em fevereiro por causa das mudanças malucas na grade, e mesmo com a tragédia anunciada do Primeiro Impacto às 12h, parece que nada convence Silvio Santos de que estas mudanças constantes são um tiro no pé. Se essa história de mexer no domingo for levada adiante, sabe-se lá o que pode acontecer. É até compreensível o dono do SBT querer elevar os índices das tardes de domingo, já que a Record, atualmente, vive boa fase no horário. Mas só mexer nos horários todos não vai dar certo. Tem que trazer ideias, investimentos, apostas, e não ficar no eterno “escravos de Jó”. Aliás, não estranhem se logo tio Silvio resolver, de novo, lançar um jornal policial às 18h…

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André Santana

terça-feira, 28 de março de 2017

"Novidades" na programação vespertina do SBT e RedeTV

Ao que tudo indica, a programação vespertina do SBT e RedeTV trarão algumas novidades nos próximos dias. Quer dizer, “novidade” não é bem a palavra, já que os dois canais deverão é promover uma “volta dos que não foram”. Enquanto João Kleber reassume seu posto na arena de segredos do Você na TV, o SBT extingue uma faixa de novelas e faz novas mudanças no tal do Primeiro Impacto.

A volta do Você na TV já foi confirmada. Segundo Mauricio Stycer, do UOL,, João Kleber já está gravando novas edições do vespertino, que saiu do ar no ano passado em razão de uma grande mudança na grade da RedeTV. Quando Elias Abrão assumiu a direção artística da emissora, teve a ideia de extinguir o vespertino para acomodar um jornal popular que servisse como alavanca ao RedeTV News, que passou a ser apresentado às 19h15. No entanto, as apostas Olha a Hora! e Sem Rodeios não emplacaram, e, atualmente, a faixa das 18h está sendo ocupada por um programa caça-níquel.

Você na TV costumava pontuar melhor do que os dois jornalísticos que o substituíram e, portanto, seu retorno se justifica. João Kleber, que levou a revelação dos segredos mais absurdos que possam existir para o seu atual dominical, João Kleber Show, agora voltará aos fins de tarde. Haja criatividade para criar novos segredos capazes de viralizar nas redes sociais e, de quebra, ganhar uma sátira no Tá no Ar, da Globo, que deita e rola com seu impagável Te Prendi na TV.

Enquanto isso, no SBT, não se sabe exatamente o que vai acontecer. Sabe-se, apenas, que a novela Querida Inimiga está na reta final, e o canal de Silvio Santos optou por não escalar uma nova trama mexicana para substituí-la. Sendo assim, ao final do folhetim, o SBT terá apenas duas faixas de novelas mexicanas vespertina, que atualmente exibem Rubi e O que a Vida me Roubou. A princípio, o canal vai apenas aumentar a duração dos capítulos das atuais tramas para preencher o vazio deixado por Querida Inimiga, mas o fim de mais uma faixa de novelas da emissora deu margem a uma série de especulações. Entre eles, o de um novo jornal policial no fim da tarde. Oremos.

Enquanto não sabe o que fazer com seus finais de tarde, o senhor Abravanel segue apavorando no início dela. Com o fracasso anunciado do Primeiro Impacto das 12h às 15h, a emissora fará uma nova mudança já a partir de amanhã, 29: Dudu Camargo volta ao SBT Notícias, das 7h às 8h30, enquanto Marcão do Povo seguirá sozinho numa versão reduzida do Primeiro Impacto, das 13h45 às 14h45. Com isso, o Bom Dia e Cia volta a se encerrar às 13h45, e o Fofocalizando recupera seus 15 minutos perdidos. Numa dessas, Clube do Chaves já deve estar de sobreaviso para voltar ao ar a qualquer momento.

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André Santana

sábado, 25 de março de 2017

"Novo Mundo" faz ótima estreia

Enquanto Sol Nascente caminhou em banho-maria e ajudou o espectador que sofria de insônia, a estreia de Novo Mundo serviu como um agradável despertar. Claro, primeiro capítulo de novela costuma investir muito para prender a atenção do espectador. Se irá manter tal fôlego, só o tempo vai dizer. No entanto, até aqui, Novo Mundo deixou a melhor das impressões. Com jeito de aventura clássica e apostando em personagens históricos, Novo Mundo trouxe uma interessante mistura.

Claro, como se trata de uma novela das seis, o folhetim há de imperar. Em Novo Mundo, temos o casal Anna (Isabelle Drummond) e Joaquim (Chay Suede), que traz os jovens atores repetindo a vitoriosa parceria da primeira fase de A Lei do Amor. Ela é a professora de português da princesa Maria Leopoldina (Letícia Colin), e ruma com a nobre para a colônia portuguesa para que esta conheça seu futuro marido, Dom Pedro I (Caio Castro). E Joaquim é um ator que se mete numa enrascada justamente na festa da princesa, de onde sai fugido com a esposa, Elvira (Ingrid Guimarães). Anna e Joaquim, claro, vão parar no mesmo navio e se apaixonam, mas terão Elvira como a pedra no sapato. E não apenas ela, já que Anna despertou a atenção do oficial inglês Thomas Johnson (Gabriel Braga Nunes), que já mostrou não ser flor que se cheire.

Toda esta sequência vista no primeiro capítulo chamou a atenção por vários motivos. Primeiro, pelo óbvio requinte da produção. Com direção artística de Vinícius Coimbra, o nome por trás das igualmente belas Ligações Perigosas e Liberdade Liberdade, Novo Mundo aposta em cenários suntuosos, fotografia original e takes inusitados. Todas estas qualidades puderam ser observadas nas cenas da fuga de Joaquim, quando descobrem que Elvira pegou para si uma barra de ouro da festa da princesa. A correria, inspirada nas grandes aventuras do cinema, teve direito a saltos incríveis, truques de despiste e até a indefectível corda cortada que solta um lustre do teto. Escondido na embarcação que rumará ao Brasil, Joaquim teve seus dias de pirata.

Outro ponto positivo é o texto dos autores estreantes Alessandro Marson e Thereza Falcão. A ideia de mesclar o folhetim de aventura com reais passagens históricas mostrou-se acertada. Assim, o espectador conviverá com figuras já tão conhecidas dos livros de História, como toda a Família Real Portuguesa, em meio aos personagens ficcionais que ajudarão a contar esta história dos tempos da colônia. A mistura funcionou muito bem, pois fugiu do didatismo que pode acometer uma produção calcada em dados históricos, e os personagens reais ajudam a contar uma história original. E o enredo rende, até porque os autores, embora estreantes na função titular, já têm grande experiência como colaboradores. O texto se mostra maduro, com bons diálogos e situações interessantes.

Além disso, ainda se pode destacar a qualidade do elenco. Os jovens atores estão em bom momento: Isabelle Drummond e Chay Suede repetem a boa química da novela anterior, Letícia Colin segue excelente, e até Caio Castro está simpático como Dom Pedro I. Entre os veteranos, Ingrid Guimarães segue divertindo como mais uma maluca por casamento. Por outro lado, Gabriel Braga Nunes, como mais um vilão, parece ainda no piloto automático que adotou há alguns anos. Mas não compromete.

Agora é torcer para que Novo Mundo mantenha o fôlego dos primeiros episódios e recoloque o horário das seis na boa trajetória que a faixa vinha nos últimos tempos, sobretudo com a trinca Sete Vidas, Além do Tempo e Eta Mundo Bom!. Só pesa contra a trama a fotografia escura e o filtro que parece “borrar” algumas cenas, recursos que costumam ser alvo de críticas de alguns espectadores. No mais, as expectativas são as melhores.

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André Santana

sexta-feira, 24 de março de 2017

News: Telecine Cult apresenta "15 Anos sem Billy Wilder"

No domingo, 26 de março, o Telecine Cult enfileira clássicos com a assinatura do cineasta Billy Wilder. Quanto Mais Quente Melhor, Testemunha de Acusação e Se Meu Apartamento Falasse serão exibidos para homenagear o diretor que faleceu no dia 27 de março de 2002. A partir das 17h30, Quanto Mais Quente Melhor abre a sessão especial. Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon), dois músicos desempregados, testemunham o Massacre do Dia de São Valentim. Obrigados a deixar a cidade, eles arrumam emprego em uma banda de garotas. Disfarçado de mulheres, eles passam por confusões quando Joe se apaixona pela vocalista Sweet Sue (Joan Shawlee) e um milionário se apaixona por Jerry.

Em seguida, às 19h45, vai ao ar Testemunha de Acusação. No suspense baseado em peça de Agatha Christie, um homem aparentemente dócil é acusado de assassinato. Intimada a depor, a mulher dele acaba agravando a situação e então contrata um velho advogado para defender o marido.

Se Meu Apartamento Falasse encerra o especial às 22h. Bud (Jack Lemmon) trabalha em uma companhia de seguros em Nova Iorque. Para tentar planos de uma maneira mais rápida de ser promovido, ele passa a emprestar seu apartamento para que os executivos da empresa possam se encontrar com suas amantes lá. Mas, tudo muda quando ele se apaixona pela amante de seu chefe. A produção foi consagrada em cinco categorias do Oscar: Filme, Diretor, Roteiro, Edição e Direção de Arte.

Fale com o TELE-VISÃO:

E-mail: andre-san@bol.com.br




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quinta-feira, 23 de março de 2017

Surpresa: "Primeiro Impacto" já pulou para a hora do almoço

Silvio Santos já estava causando à distância, quando passava férias nos EUA e, agora que voltou a bater ponto no SBT, vai causar ainda mais. Além de apresentar seu programa com os cabelos platinados, o apresentador tratou de dar sequência a um plano antigo: realocar o Primeiro Impacto, programa dos seus atuais “queridinhos” Dudu Camargo e Marcão do Povo, tirando-o da faixa matinal e colocando-o no horário do almoço, para bater de frente com o Balanço Geral, da Record. Mandou gravarem um piloto, anunciou que a estreia seria na próxima segunda, 27, e, do nada, tratou de estrear o jornal hoje, 23, mesmo!

Quem, assim como este pequeno blogueiro, tinha o hábito de ligar a TV na hora do almoço e dar de cara com a animação Jovens Titãs em Ação, atração do Bom Dia e Cia, tomou um susto ao ver Dudu Camargo no ar. Primeiro Impacto estreou de surpresa entre 12h e 15h, tirando praticamente duas horas da duração do infantil de Silvia Abravanel, e mais 15 minutos do Fofocalizando, que passou para as 15h. Há quem diga que a ideia de Silvio Santos era mesmo contar com o “fator surpresa” para bombar a nova fase do Primeiro Impacto.

Porém, como já era de se esperar, o jornalístico derrubou bem o Ibope do SBT no horário. Primeiro Impacto registrou média de 4,4 pontos, ficando atrás da Globo, com 11 pontos, e da Record, com 8,9 pontos, segundo o blog de Mauricio Stycer. Chamou a atenção, porém, a “facilidade” com que Primeiro Impacto derrubou os números, pois recebeu em alta do Bom Dia e Cia. Enquanto isso, na Record, o Balanço Geral recebeu em baixa do Hoje Em Dia e, em pouco tempo, disparou à frente do SBT. Além disso, com desenhos e o Clube do Chaves, o SBT registrou 6,6 pontos na semana passada, ou seja, houve uma queda de 33%.

Na verdade, fato é que Silvio Santos encasquetou que quer vencer o Balanço Geral utilizando as mesmas armas da Record, ou seja, colocar jornal popular contra jornal popular. No entanto, trata-se de uma ideia ingênua, e com remotíssimas chances de dar certo. A história deixa bem claro, e o TELE-VISÃO já repetiu aqui várias vezes, que o SBT só se dá bem diante da Record quando aposta na contraprogramação. Quem quer ver jornal popular na hora do almoço vai ligar na Record, e dificilmente vai mudar de canal, até porque o SBT não tem tradição em noticioso, ainda mais ao meio-dia.

A tradição do SBT sempre foi de infantis e enlatados no horário do almoço. Nos anos 1990, Chaves e Chapolin eram exibidos nesta faixa e eram programas obrigatórios a qualquer estudante que se preze. Nos anos 2000, sitcoms americanas aos baldes fizeram sucesso ali. Há alguns anos, a faixa passou a ser ocupada pelos desenhos, numa extensão do Bom Dia e Cia, que sempre foi muito bem. O Clube do Chaves, relançado em janeiro, também não decepcionou ao entrar na sequência. Trocar a programação infantil por um jornal é uma drástica mudança de público. Assim, quem costumava assistir o SBT no horário debandou, e quem tinha o hábito de ficar no Balanço Geral vai continuar no Balanço Geral. Isso sem falar na estrutura do jornal da Record, evidentemente bem maior que a do SBT. Dudu Camargo e Marcão do Povo vão ter que comer muito arroz com feijão ainda. Vamos ver quanto tempo dura.

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André Santana

terça-feira, 21 de março de 2017

"Sol Nascente" termina sem dizer a que veio

Dando continuidade à nova política de encerrar uma novela no dia em que lhe dá na telha, a Globo exibiu hoje, terça-feira, 21, o último capítulo de Sol Nascente, trama de Walther Negrão, Julio Fischer e Suzana Pires. A trama não conseguiu sustentar os ótimos índices de audiência de sua antecessora, Eta Mundo Bom!, mas esteve longe de ser uma decepção: estreou um pouco em baixa, mas viu seus índices subirem no desenrolar do enredo e terminou com ótima audiência.

No entanto, mesmo com a curva ascendente, fato é que a novela das seis não disse a que veio. A trama começou sonolenta, baseada numa desinteressante história de amor envolvendo dois amigos de infância, Alice (Giovanna Antonelli) e Mário (Bruno Gagliasso), e com um vilão a tiracolo de olho na mocinha, César (Rafael Cardoso). Em meio ao triângulo, a união de duas famílias, uma italiana e uma japonesa, cujos patriarcas Gaetano (Francisco Cuoco) e Tanaka (Luis Mello), nutriam uma forte amizade. No entanto, até mesmo a boa intenção de se homenagear imigrantes que fizeram o Brasil ficou pelo caminho: primeiro, pelo equívoco na escalação de atores ocidentais para viverem os orientais; e depois, pelos clichês amplamente explorados. Não há dúvidas de que Luis Mello, grande ator, fez um belo trabalho como Tanaka, e a gente até se acostumou com ele no decorrer dos capítulos. Mas a Globo perdeu uma grande oportunidade de fazer com que orientais se sentissem legitimamente representados. Quase não há orientais em novelas, fato grave.

Sobre a trama em si, nada inicialmente chamou a atenção e tudo se desenvolvia em banho-maria. Em meio a tanto marasmo, destacou-se a Dona Sinhá, vivida pela magistral Laura Cardoso. Após acumular vovozinhas simpáticas ou velhinhas carolas rabugentas em outras produções, Laura finalmente voltou ao elenco principal de uma novela vivendo uma inusitada “vovó do mal”. Sinhá se fazia de velhinha simpática, que contava histórias e fazia doces, enquanto planejava artimanhas e assassinatos para colocar em prática uma vingança contra Tanaka. No meio de uma novela inicialmente insípida, Sinhá foi um sopro de criatividade e que encantou.

Laura Cardoso precisou se ausentar por vários capítulos em razão de problemas de saúde, e Sol Nascente perdeu seu principal trunfo. Seguiu em banho-maria, com a história de amor sem graça de Alice e Mário, e as armações sem muita inspiração do vilão César. Entretanto, quando Sinhá retornou, Sol Nascente conseguiu sair da inércia. Além de ela assumir de vez as vilanias da novela, a história acabou ganhando mais reforço e agilidade nas tramas paralelas. Destacou-se, principalmente, a trama envolvendo Lenita (Letícia Spiller), Vittorio (Marcello Novaes) e Loretta (Claudia Ohana). Sol Nascente ganhou mais ritmo, mas a história, mesmo assim, não trouxe lá grandes emoções. A trama foi tanto pelo caminho mais óbvio que terminou, até, no indefectível sequestro de último capítulo, quando César carregou Alice mar adentro, e Mário tratou de salvar a mocinha indefesa.

Sol Nascente, assim, foi uma novela simpática, mas só. Acabou sendo uma trama de uma única personagem, tamanha a força da vilã Sinhá. No mais, foi a velha trama arroz-com-feijão, com praia e boas paisagens, que Walther Negrão costuma oferecer sempre. Aliás, até mesmo o jogo envolvendo avó e neto, no caso Sinhá e Cesar, remeteu a outra trama do autor, Desejo Proibido, no qual a avó Cândida (Eva Wilma) manipulava o neto Henrique (Daniel de Oliveira) para conseguir o que queria. Negrão deixou a obra por problemas de saúde, e seus discípulos Julio Fischer e Suzana Pires levaram a história dignamente, mas sem arroubos de criatividade. Atendeu o público típico do horário, mas ficou faltando alguma coisa.

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André Santana

sábado, 18 de março de 2017

Com "O Rico e Lázaro", Record parece mostrar sempre a mesma novela

Não há dúvidas de que a Record, finalmente, descobriu a sua vocação na teledramaturgia. Depois de perder a mão dos folhetins realistas, que viveram uma queda livre na audiência desde Máscaras, o canal voltou a acertar quando transformou o seu projeto de minisséries bíblicas em novelas bíblicas. Neste contexto, a Record encontrou um novo filão, que a diferenciou das tramas da Globo e do SBT, e passou a azeitar a fórmula, evoluindo a cada novo trabalho.

O Rico e Lázaro, sua terceira produção na fila das novelas bíblicas (ou quarta, se considerarmos Os Dez Mandamentos – Nova Temporada como uma outra produção), estreou na última semana deixando bem claro aos olhos do público a visível evolução. Já começou com uma cena no inferno, mostrando o sofrimento do “rico”, enquanto o “lázaro” o observava do céu. A cena, realizada sob um efeito quase animado, parecido com o filme 300, funcionou muito bem. Na sequência, os primeiros personagens da novela foram apresentados aos baldes, dando a chance do público de conferir o figurino caprichado, os bons cenários e a grandiosidade da produção. Chamou a atenção as cenas de batalhas, todas ostentando uma direção criativa (de Edgard Miranda e equipe) e até uma violência num tom mais acentuado que nas tramas antecessoras, com muitas gargantas cortadas e sangue espirrando na tela.

Entretanto, com relação à trama, O Rico e Lázaro ainda não disse muito a que veio na primeira semana. Sabe-se que a trama principal é baseada na parábola de Jesus, que conta a história de dois homens que morrem no mesmo dia, mas um vai para o céu, e o outro direto para o inferno. E sabe-se, também, que os personagens-título são Asher (Rafael Gevú/Dudu Azevedo) e Zac (Vinícius Scribel/Igor Rickli), amigos de infância que disputarão o amor da mesma mulher, Joana (Maitê Padilha/Milena Toscano). Ainda não se sabe quem é o “rico” e quem é o “lázaro”, e a trama deve girar em torno da escolha destes dois personagens fictícios que os levarão em caminhos diferentes.

Ou seja, pela primeira vez, uma novela bíblica da Record tem personagens fictícios como protagonistas, e não figuras importantes da Bíblia Sagrada, como Moisés (Guilherme Winter), em Os Dez Mandamentos, e Josué (Sidney Sampaio), em A Terra Prometida. As figuras bíblicas e históricas, no entanto, ocupam as tramas paralelas, como o Profeta Jeremias (Victor Hugo) e o rei Nabucodonosor (Heitor Martinez), o grande vilão da trama. A trama de Paula Richard, assim, tem uma proposta diferente das sagas anteriores, assinadas por Vivian de Oliveira e Renato Modesto.

No entanto, esta deve ser uma das poucas diferenças entre O Rico e Lázaro e suas antecessoras. No geral, todas estas novelas formam uma única saga, já que a atual segue a linha do tempo da saga do povo hebreu. A nova novela mostra que, em 586 a.C., após a morte de Josué, o povo hebreu começa a “seguir seu próprio caminho”, dando as costas para Deus e começando a adorar deuses pagãos. O profeta Jeremias tenta alertá-los das terríveis consequências deste caminho, mas seu próprio povo tenta apedrejá-lo, o chamando de traidor e falso profeta. Sua profecia se cumpre com a chegada de Rei Nabucodonosor e de sua esposa Rainha Amitis (Adriana Garambone).

Outra diferença é o texto um tanto mais “recheado” de acontecimentos e situações, e do excesso de teor evangelizador nos diálogos. Os Dez Mandamentos e A Terra Prometida, mesmo tendo seus momentos de “pregação”, se colocava mais no propósito de contar uma história. Os “profetas protagonistas”, assim, traziam a palavra de Deus, mas também viviam situações folhetinescas típicas, dando a cara de novela necessária à narrativa. Talvez por não ter os profetas como protagonistas, O Rico e Lázaro os coloca como pregadores mais incisivos. Além disso, outros personagens também recitam ensinamentos bíblicos em praticamente todos os diálogos. O Rico e Lázaro, assim, se coloca mais firme no propósito evangelizador, ao menos nesta primeira semana.

Mas é só. De resto, o público vai encontrar cenários e figurinos bastante semelhantes às produções anteriores, imprimindo a sensação de que acompanhamos, ainda, a mesmíssima novela iniciada lá em 2015, com Os Dez Mandamentos. Com isso, a Record corre o sério risco de saturar a temática, já que a sensação de “mais do mesmo” é bem forte. Felizmente, a produção que substituirá O Rico e Lázaro será O Apocalipse, de Vivian de Oliveira, que se passará num futuro próximo. Ou seja, sairão os figurinos suntuosos dos reinos antigos e as areias do deserto, e entrará uma trama com cara contemporânea, que pode dar um necessário respiro à faixa. Caso contrário, o cansaço seria inevitável.

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André Santana

quinta-feira, 16 de março de 2017

Fernanda Lima voltará aos domingos após o final de "Amor & Sexo"

A atual (e ótima) temporada do Amor & Sexo fica no ar até a estreia da série Vade Retro e da nova novela das onze (ou seria “supersérie”?), Os Dias Eram Assim, em abril. Depois disso, não se sabia o que aconteceria com Fernanda Lima, já que o SuperStar, reality show musical que a loira comandou entre 2014 e 2016, foi definitivamente cancelado pela Globo. No entanto, Fernanda já tem destino no canal e voltará às tardes de domingo, faixa em que apresentou a mais recente temporada do SuperStar.

Segundo fontes diversas, a direção da Globo vai apostar numa espécie de “reformulação” do SuperStar, num projeto que vem sendo chamado de Popstar (não confunda com o Popstars, do SBT). A ideia é fazer algo parecido com o SuperStar, mas serão apresentadas apenas bandas formadas por famosos. No último SuperStar, o programa apostou na apresentação de artistas consagrados com suas bandas, numa tentativa de elevar os índices de audiência, que não eram nada bons. Não funcionou muito, mas, pelo jeito, gostaram da ideia e transformaram-na num programa.

A notícia tem um lado bom e um lado ruim. O lado ruim é o fim do SuperStar, que realmente não empolgou na audiência, mas foi o melhor reality show musical que já passou pela Globo. A atração revelou bandas ótimas, e trouxe uma diversidade musical rara na televisão brasileira. Tanto que algumas das bandas que passaram por ali seguem até hoje com visibilidade, como Malta, Jamz e Suricato. E o lado bom é que garante a presença de Fernanda Lima na grade. Cada vez mais desenvolta, a apresentadora merece mais espaço. E ficamos na torcida para que o Amor & Sexo volte no ano que vem!

Assim, aos poucos, a grade das tardes dominicais da Globo em 2017 começa a ganhar cores mais definitivas. Em abril, após o término do The Voice Kids, entra a nova temporada de Tamanho Família, de Márcio Garcia. Depois, provavelmente em junho, começa o tal Popstar. E, na sequência, como não haverá mais o Esquenta!, provavelmente a faixa será ocupada pela nova versão de Os Trapalhões e uma nova temporada da Escolinha do Professor Raimundo.

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André Santana

terça-feira, 14 de março de 2017

"O Céu É o Limite" e o sumiço dos game shows

Enquanto reality shows proliferam-se aos baldes, game shows andam em baixa. Num passado não muito distante, toda emissora aberta tinha, ao menos, um game em sua grade. Hoje, os games até estão presentes como quadros de programas de auditório, mas uma atração totalmente voltada à competição virou artigo raro dentre as TVs brasileiras.

Silvio Santos, o rei da “jogatina televisiva”, sempre apostou em games, desde o início de sua história na TV. Só entre o final da década de 1990 e boa parte dos anos 2000, o dono do SBT promoveu um interessante rodízio de formatos, comandando atrações como Show do Milhão (que vai voltar com Patrícia Abravanel), Vinte e Um, Sete e Meio, Roda a Roda (um sobrevivente!), Eu Compro o Seu Televisor, Topa ou Não Topa, ou, mais recentemente, o Um Milhão na Mesa. Depois que voltou a comandar o programa com seu nome, Silvio passou o bastão para Roberto Justus, que emplacou o bacana Um Contra Cem e retomou o Topa ou Não Topa. Ainda no SBT, Celso Portiolli teve como principais sucessos de sua carreira o Passa ou Repassa e o Curtindo Uma Viagem, dois excelentes games.

Outros canais também investiram no filão. A Record fez barulho no início da década de 2000 com o Roleta Russa, divertido game apresentado por Milton Neves. Mais tarde, divertiu com O Jogador, apresentado por Britto Jr e Ana Hickmann. Já a Band teve programas interessantes no segmento, como Na Pressão, com Jacqueline Dalabona, ou o A Grande Chance, de Gilberto Barros, ou ainda Quem Fica em Pé?, com José Luiz Datena. Já a Globo manteve no ar por dez anos o Vídeo Game, competição sobre televisão apresentado por Angélica, no Vídeo Show.

E assim, se todos estes canais desistiram de grandes investimentos em game shows, foi a RedeTV que supriu esta ausência na telinha. O divertido Mega Senha, apresentado por Marcelo de Carvalho, conseguiu boa visibilidade e tornou-se uma das maiores audiências do canal. Tanto que conseguiu a proeza de ficar no ar por mais de seis anos, um bom feito para um programa cuja mecânica se repete toda semana, ou seja, a tendência é que o formato canse e se esgote. E foi exatamente para dar um descanso ao Mega Senha que a emissora buscou outro programa de fora e trouxe o atual formato, que estreou no último sábado, 11, com o título O Céu É o Limite, nome de um dos mais bem-sucedidos games da história da televisão brasileira.

O novo O Céu É o Limite não tem o mesmo formato do antigo. Mas traz, também, um formato clássico e bem divertido. São várias fases, compostas por jogos de perguntas e respostas nas mais variadas mecânicas. A cada rodada, um dos seis participantes é eliminado. Quem fica por último tem a chance de aumentar os ganhos, e, ainda, a chance de voltar no programa seguinte e continuar competindo, daí o nome. É um game redondo, com bom ritmo, e que entretém bastante. E Marcelo de Carvalho, por mais que eu tenha sérias ressalvas com relação às piadinhas infames que ele dispara a todo o momento, é realmente um bom comandante de games. Todos estes anos à frente do Mega Senha lhe renderam muito traquejo para a função. Está muito bem. Em suma, foi uma boa estreia da emissora. Que venham mais games!

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André Santana

sábado, 11 de março de 2017

SBT acerta com "Fábrica de Casamentos"

No último sábado, 04, o SBT deu início às estreias das suas novidades para a grade de sábado em 2017. Já que Celso Portiolli perdeu sem ter ganhado seu novo programa vespertino, as novidades ficaram concentradas na faixa noturna, com as estreias de Operação Mesquita e Fábrica de Casamentos, além da nova temporada do game/reality Duelo de Mães. As novidades serviram para dar um novo molho na programação do último dia da semana na emissora.

Exibido logo após o Programa Raul Gil, Operação Mesquita traz Otávio Mesquita num horário mais visível, após anos e anos instalado nas madrugadas. O novo programa traz o velho Mesquita com suas gracinhas que dão vergonha alheia, mas acerta ao colocá-lo num formato diferente. Ao invés das matérias curiosas que fizeram sua fama em atrações como Perfil, A Noite É uma Criança, Claquete e Okay Pessoal!!, desta vez Otávio oferece um programa de entrevistas protagonizado por famosos e anônimos. Na estreia, seu principal bate-papo foi com Danilo Gentili, que rendeu passagens bem interessantes.

Este quadro do Operação Mesquita lembra bastante o Estrelas, de Angélica. Enquanto a loira da Globo passeia com celebridades em seu carro pelas ruas e pontos diversos do Rio de Janeiro, Mesquita faz das ruas de São Paulo o seu cenário e passeia com seu convidado de moto. No encontro com Gentili, Otávio o levou para uma loja de produtos geek, ressaltando este lado do apresentador, e também o levou para a escola onde estudou em Santo André, explorando momentos de sua juventude. Até mesmo a mãe de Danilo apareceu, enquanto Otávio e o convidado comiam batatas preparadas por ela. Apesar do jeito meio mala de Otávio, Operação Mesquita fez uma boa estreia. Um programa diferente nos sábados do SBT.

Mas a principal estreia do dia foi mesmo Fábrica de Casamentos, o novo reality show da emissora. Apresentado por Chris Flores e Carlos Bertolazzi, a nova atração tem como objetivo realizar uma festa de casamento em sete dias. E o primeiro episódio divertiu. Trouxe um casal que dança tango, muito simpático e trazendo algumas ideias um tanto inusitadas para a equipe do programa. E, assim, o episódio explorou a correria da equipe, que cortou um dobrado para atender todos os pedidos do casal, além de correr contra o tempo para fazer tudo em sete dias.

Fábrica de Casamentos, assim, lembrou bastante o Corre e Costura, reality com Alexandre Herchcovitch no qual o estilista corria contra o tempo para preparar um modelito adequado a um participante. A lembrança está no fato de a atração explorar mais a equipe que organiza o casamento do que o casal em si. Em Corre e Costura, era Alexandre o protagonista, e o participante era o elemento que o tirava do eixo. Já em Fábrica de Casamentos, o casal serve para lançar o desafio, enquanto a equipe comandada por Carlos e Chris deve se virar para tentar transformar seus sonhos em realidade.

Chris Flores e Carlos Bertolazzi funcionam bem juntos. Chris é ótima, como sempre, e está cada vez mais desenvolta diante das câmeras. E Carlos despe a capa de mal humorado que ostentava no Hell's Kitchen e surge bem mais natural nesta nova atração. Melhorou muito. E toda a equipe que os acompanha é formada por personagens interessantes. Na estreia, destacou-se a cerimonialista Elisa Tavares, que deu vários chiliques ao longo do programa, sempre que algo não a agradava. Houve algumas situações claramente fakes, no intuito de aumentar a tensão, como a aventura de Beca Milano para arrumar um adaptador capaz de fazer ligar o motor que fazia os novinhos do bolo girarem. Mas nada que comprometesse a atração como um todo.

Fábrica de Casamentos é um formato original do SBT, o que dá um alívio diante de tantos formatos comprados. E, claro, aproveita do know-how desenvolvido na produção de outros realities para explorar o desenvolvimento do “roteiro”, como os depoimentos que costuram o programa, ou as situações que seguem a fórmula da apresentação, clímax e final feliz. E, no caso de Fábrica de Casamentos, o final feliz deve sempre emocionar, afinal, terminará sempre numa festa de casamento. Outro trunfo é variar a temática dos realities da noite de sábado do SBT que, no ano passado, foi formada apenas por realities de culinária. Ou seja, Fábrica de Casamentos foi uma boa ideia do SBT e é uma boa opção para espectador no sábado à noite.

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André Santana

sexta-feira, 10 de março de 2017

News: Viva faz homenagem a Chico Anysio

O mestre Chico Anysio deixou saudades e um legado de personagens memoráveis. No dia 23 de março, quando completa cinco anos de seu falecimento, o Viva homenageia o artista do jeito que ele mais gostava: com seu humor irreverente e suas criações icônicas.

A programação especial começa às 20h, com o episódio de estreia da Escolinha do Professor Raimundo, exibido em 1990. Na sequência, o canal também recorda duas edições do humorístico que contam com participações especiais, como a dos Trapalhões Dedé (Manfried Sant'Anna) e Mussum (Antônio Carlos Gomes) e com Zé Bonitinho, personagem eternizado por Jorge Loredo. Na primeira, a dupla Dedé e Mussum causa alvoroço na sala mais animada da TV brasileira. O episódio seguinte recorda a primeira aparição de Zé Bonitinho na atração.

Ainda na homenagem a Chico Anysio, o Viva relembra a Praça da Alegria, no programa Chico City, que será exibido às 22h30. O humorístico foi criado em 1956, por Manoel da Nóbrega. Na edição especial de Chico City, que foi ao ar em 1976 na Globo, Chico Anysio interpreta o homem que senta no banco da praça e recebe convidados como a Velha Surda (Rony Rios), Jô Soares, Moacyr Franco, Catifunda (Zilda Cardoso), Cremilda (Consuelo Leandro), Sabichão (Walter D'Ávila) e Mendigo Nobre (Jorge Loredo).

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terça-feira, 7 de março de 2017

Há 20 anos, com "A Filha do Demônio", Record dava início à sua teledramaturgia

O site TV História publicou hoje, 07, uma informação bastante curiosa e interessante. O portal lembrou que, há exatos 20 anos, a Record inaugurava sua teledramaturgia com a estreia da minissérie A Filha do Demônio. Não era bem a primeira produção na área da Record, afinal, o canal produziu novelas entre os anos 1960 e 1970. Mas essa era a “velha” Record, que pertencia à família Machado de Carvalho. A Filha do Demônio foi obra da “nova” Record, controlada por Edir Macedo a partir do início dos anos 1990.

A Filha do Demônio estreou no dia 07 de março de 1997. Era a primeira produção da faixa Série Verdade, exibida na faixa das 20 horas. A proposta da faixa era exibir minisséries baseadas em depoimentos de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, ou seja, tramas com um profundo viés evangelizador. E a primeira trama já trazia um tema polêmico: o satanismo. Protagonizada por Patricia de Sabrit, que vivia o papel-título, e João Vitti, vivendo o próprio Cramulhão, A Filha do Demônio contou, em cinco capítulos, a história de uma menina cujo pai vendeu a alma dela ao diabo em troca de melhorar de vida. A menina cresce atormentada por demônios, afunda-se nas drogas e prostituição, revolta-se contra o pai, e só se salva quando encontra a igreja.

A produção caracterizou-se pela produção tosca, com sérias restrições orçamentárias. Cenários toscos, atuações sofríveis, texto maniqueísta e tolo e muito humor involuntário marcaram A Filha do Demônio. A atração exibia cenas grotescas, como a menina bebendo sangue de cachorro, ou o capeta bebendo sangue de uma mulher num ritual satânico (que parecia se passar no inferno, mas, curiosamente, tinha um extintor de incêndio em cena). E a faixa Série Verdade seguiu com Olho da Terra, minissérie em 10 capítulos que mostrava uma senhora que fazia “trabalhos” para prejudicar a todos que odiava. Pra variar, não faltou desinformação e preconceito no trato de religiões de origem afro.

Depois disso, a teledramaturgia da Record foi se abrindo a outros temas não-religiosos, como a minissérie Por Amor e Ódio, exibida a partir de julho de 1997 e protagonizada por Gabriel Braga Nunes. No entanto, tramas evangelizadoras seguiram na faixa Caminhos da Esperança, que exibiu séries como Janela Para o Céu, Velas de Sangue, A Sétima Bala e O Desafio de Elias. Enquanto isso, Por Amor e Ódio foi substituída por Canoa do Bagre, uma produção em 79 capítulos que pode ser considerada a primeira novela da “nova” Record. Escrita por Ronaldo Ciambroni, dirigida por Atilio Riccó e com Othon Bastos e Gianfrancesco Guarnieri no elenco, a trama também tinha um fundo religioso, já que seus personagens frequentavam cultos da Igreja Universal.

Mas o sucesso na teledramaturgia da Record só viria de fato com Estrela de Fogo, novela que estreou em 1998 e era produzida pela JPO, produtora de José Paulo Vallone, que também era superintendente artístico da Record. A trama de Yves Dumont foi bem de Ibope e até ganhou uma segunda fase, estendendo-se até 1999. Em seguida, a JPO produziu Louca Paixão e Tiro e Queda. Já a partir de 2000, a própria Record assumiu as produções de novelas, lançando Marcas da Paixão, Vidas Cruzadas e Roda da Vida. Com o fiasco desta última, a emissora interrompeu a produção de novelas, retomando em 2004 com a fracassada Metamorphoses, em parceria com a Casablanca. Na sequência, a emissora produziu seu remake de A Escrava Isaura, fazendo as pazes com o Ibope e iniciando sua nova fase na teledramaturgia que, entre altos e baixos, segue até os dias de hoje. Interessante, não?

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André Santana

sábado, 4 de março de 2017

Depois de mudanças infundadas, SBT perde vice-liderança para Record

Desde que Silvio Santos voltou a colocar o dedo na grade de programação do SBT, diversas mudanças intempestivas já aconteceram. Nos últimos meses, o “patrão” já criou às pressas o Fofocando, escalou Dudu Camargo para o Primeiro Impacto, mexeu na faixa Novelas da Tarde, trouxe a enésima reprise “relâmpago” de A Usurpadora, trocou o horário do Fofocando até jogá-lo para as manhãs e extingui-lo algum tempo depois, transformou o Fofocando no Fofocalizando nas tardes, dispensou Raul Gil, recontratou Raul Gil, extinguiu o Domingo Legal e o Sabadão, retomou o Domingo Legal, dispensou Hermano Henning, trouxe Marcão do Povo para dividir o espaço do Primeiro Impacto com Dudu... ufa!

Com tantas mudanças, o objetivo seria melhorar a audiência do SBT, certo? No entanto, não foi isso que aconteceu. Após tanto estica-e-puxa, a emissora de Silvio Santos viu sua audiência cair e, no mês de fevereiro, perdeu sua suada vice-lideranças nas 24 horas no Painel Nacional de Televisão para a Record, algo que há tempos não acontecia. Segundo o site Observatório da Televisão, no último mês, a Record superou o SBT por um placar de 5,6 pontos de média, 8% a mais que a rede de Silvio Santos, que caiu para 5,2 pontos. Com o arredondamento, a Record garante vantagem de 1 ponto em relação à concorrente: 6 pontos de média contra 5 pontos, segundo pesquisa do Kantar Ibope Media. Em São Paulo, a situação não é diferente: também em relação às 24h, o canal de Edir Macedo ostenta a vice com vantagem: 6,1 a 5,5 pontos.

Observa-se, em meio a todo este cenário estranho, que o SBT, em pouco mais de 10 anos, deu um giro de 360º em sua trajetória. Afinal, 2006 foi o ano em que a Record deu um grande salto de audiência, quando investiu pesado em programação e consolidou sua teledramaturgia e seu jornalismo. Neste cenário, o canal de Silvio Santos parou de investir e sucateou a grade, acarretando na perda da vice-liderança que tanto orgulhava o SBT. Em 2006, o canal fez uma série de mudanças absurdas também, abrindo espaço para que a Record avançasse. Foi neste ano que Silvio Santos resolveu colocar Hebe, que ia bem às segundas, nas noites de sábado, derrubando a audiência do programa de Hebe Camargo de uma maneira que ela nunca mais conseguiu recuperar. A programação vespertina mudava a todo momento, incluindo mudanças malucas de horário e formato do Charme e Programa do Ratinho. Cristal, seu lançamento de novela, ganhou investimentos, mas não reagiu no Ibope. Ídolos e Supernanny foram as únicas atrações do ano que fizeram algum sucesso.

No final do ano, a situação do SBT diante da Record era desastrosa. Assim, em 2007, o canal lançou sua já lendária campanha “arrancada da vitória”, na qual anunciava aos quatro ventos que voltaria a ser vice-líder. No pacote de novidades, havia uma reformulação do SBT Brasil, o lançamento da novela Maria Esperança e uma linha de shows na faixa das 20 horas, onde a Record ainda reinava com suas novelas. Na linha, Ratinho voltava ao ar apresentando o show de calouros Você É o Jurado (nas noites de terça), enquanto Celso Portiolli voltava aos games no Curtindo com Reais, nova versão do Curtindo Uma Viagem (às sextas). Charme virava um interessante talk show na madrugada, após o Jornal do SBT. Aos sábados, o canal ressuscitava o “lendário” Viva a Noite, com apresentação de Gilmelândia. Aos domingos, Silvio Santos reassumia o início da tarde com programas como Tentação e 1º Campeonato de Dança.

Em meio a tantas novidades, a verdade é que a “arrancada da vitória” revelou-se um belo fiasco. Logo, a linha de shows das 20h desapareceu (para ser retomada com outros programas em 2008). Enquanto isso, Charme deixou as madrugadas para voltar para as tardes, deixou de ser talk show para virar um chato game por telefone e, no fim do ano, até o Fantasia foi ressuscitado nas madrugadas (e depois de tarde, depois de madrugada de novo, depois de tarde de novo... enfim). Viva a Noite deixou a programação noturna para ser exibido no fim de tarde. Enfim, nada sobrou da “arrancada da vitória”. E, nos anos seguintes, as mudanças continuaram constantes, seja com o “novo” Aqui Agora, com o lançamento da novela Lalola e outras mudanças de baixa repercussão. Nesta época, apenas a reprise de Pantanal conseguiu dar uma refrescada na situação do SBT.

Apenas a partir de 2009, o SBT começou, de fato, a esboçar uma reação. O canal reformou suas tardes com o relançamento do Casos de Família e do Programa do Ratinho (que, depois, voltou para as noites, onde está até hoje), trouxe nomes da Record em represália à perda de Gugu e, principalmente, passou a realizar mudanças mais coerentes em busca de uma grade fixa. Fez estudos e testes, lançou e relançou programas e, aos poucos, a grade foi sendo redesenhada e organizada. Chegou-se a um modelo vitorioso, com infantis pela manhã, novelas à tarde e uma noite composta por novelas infantis, Ratinho e linha de shows. E a audiência correspondeu, fazendo com que, finalmente, o SBT parasse de realizar mudanças sem propósito ou planejamento.

Pois 2017 chegou obscuro, dando a impressão de que a tal “arrancada da vitória” está de volta. O canal está popularizando seu jornalismo, setor no qual lutou tantos anos para conseguir consolidar, e parece estar indo na contramão do que seu público quer. E, ainda, está fazendo errado, pois investe apenas em apresentadores de performance duvidosa, esquecendo-se de lhes dar um mínimo de estrutura. Fofocalizando segue no ar, mas continua ruim, sobretudo com a insistência de colocar seus apresentadores sempre brigando uns com os outros. Paira no ar um projeto de novo jornalístico na hora do almoço, também popular e na base do grito, para concorrer com o Balanço Geral, mas, de novo, sem a mesma estrutura da Record. A única ideia boa até aqui é o novo sábado, com as estreias de Operação Mesquita e Fábrica de Casamentos, hoje, 04, e a volta do Show do Milhão no dia 11.

O SBT perdeu a vice-liderança nacional em fevereiro. E corre o risco de continuar em baixa se continuar a insistir em mudanças tolas e feitas sem nenhum critério, estudo ou planejamento. A emissora não precisava de uma nova “arrancada da vitória”.

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André Santana

sexta-feira, 3 de março de 2017

Globo promove repeteco de "A Grande Família"

Além de trazer de volta a famosa família Ferreira da Silva na re-reprise de Senhora do Destino, no Vale a Pena Ver de Novo, a Globo também promoverá o retorno da família Silva, protagonista da já clássica A Grande Família. A comédia que ocupou as noites de quinta-feira da emissora ao longo de 14 anos terá episódios reapresentados sob o título O Álbum da Grande Família.

O Álbum da Grande Família estreia no dia 20 de março, após o Jornal da Globo, e será exibido diariamente. Serão 30 episódios de tempos e temporadas variadas, e terão introdução de Marco Nanini. Segundo o site Observatório da Televisão, O Álbum da Grande Família deverá servir como “esquenta” na faixa para a estreia do talk show de Pedro Bial, previsto para estrear em 28 de abril. Pelo jeito, a ordem na Globo é manter a faixa viva, sem deixar os talks shows da concorrência, The Noite e Programa do Porchat, avançarem neste período. Os programas do SBT e da Record retornam com edições inéditas na próxima segunda-feira, 06.

Não deixa de ser uma boa ideia da emissora de promover um revival de A Grande Família, a mais bem-sucedida série de sua história. O programa sempre se manteve em alta, seja na audiência ou na qualidade de seu roteiro e atuações (apenas atores brilhantes e inspirados), e fez história na televisão brasileira. Um produto com tantos trunfos não merece ficar, agora, apenas nos arquivos do canal e com alguns episódios disponíveis em dvd. Um repeteco num horário alternativo é uma boa maneira de saudar a atração.

Aliás, a emissora deveria considerar, até, prolongar as reprises de A Grande Família, e até colocá-la num horário mais acessível. Um bom horário seria a faixa Sessão Comédia, nas tardes de sábado, atualmente ocupada pela reprise de Os Caras de Pau. A direção da Globo poderia fazer da Sessão Comédia um “Vale a Pena Ver de Novo de séries e humorísticos”, promovendo um rodízio de títulos por ali. Já que a faixa existe desde 2015, por que não usá-la mais adequadamente? Poderiam passar por ali a própria A Grande Família (cujos episódios sempre receberam classificação livre), além de A Diarista, Sai de Baixo e outras comédias importantes da Globo.


Nota-se, analisando os números da audiência, que a reprise de Os Caras de Pau costuma derrubar um pouco a audiência herdada do Jornal Hoje. Assim, o Estrelas, que vem na sequência, acaba tendo certa dificuldade de aumentar os índices (no último sábado, 25, por exemplo, o programa de Angélica foi ao ar imediatamente após o noticioso em razão do carnaval e pontuou muito melhor do que quando recebe da reprise do humorístico). Uma reprise de A Grande Família ali teria mais condições de servir como alavanca aos programas da tarde de sábado da emissora. Fica a dica!

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André Santana

quarta-feira, 1 de março de 2017

A Globo vai acabar com o "Mais Você"?

Há algumas semanas, surgiu um forte comentário de que a Globo estaria preparando o fim do matinal Mais Você. Segundo comentários diversos, a ideia da direção da emissora seria fazer com o programa de Ana Maria Braga a mesma coisa que fez com o Programa do Jô, avisando o público com certa antecedência a proximidade do fim e fazer do ano uma espécie de grande despedida. A emissora, no entanto, jamais confirmou tal informação. Ou seja, por enquanto, tudo não passa de boato.

No entanto, se considerarmos que o canal planeje, pra já ou pra daqui alguns anos, o fim do Mais Você, o que colocariam no horário? Sabe-se que o programa de Ana, às vezes, perde em audiência para o Fala Brasil, da Record, mas, no geral, costuma manter-se na liderança da audiência matinal. Quadros como Superchef e Jogo de Panelas costumam ter boa receptividade e repercussão nas redes sociais. E o faturamento do Mais Você sempre foi muito bom. Sendo assim, a princípio, não haveria motivos para se pensar na extinção do programa.

O que poderia justificar um possível fim do Mais Você seria o fato de que a Globo, desde às 5h, vem numa grade embalada pelo jornalismo. Hora 1, Bom Dia Praça e Bom Dia Brasil dão excelentes índices de audiência, mantendo a Globo numa confortável liderança. Quando entra Ana Maria, é comum os índices darem uma recuada, e os jornalísticos da Record começam a ganhar mais força. E, como se sabe, a Globo costuma desenhar a grade para que ela funcione numa crescente, de modo que o programa anterior sempre embala a audiência, e o próximo, normalmente, deve mantê-la e ampliá-la. E isso não acontece na entrega entre o Bom Dia Brasil e Mais Você.

Sendo assim, a emissora pode, sim, considerar substituir o Mais Você por uma nova atração com uma pegada mais jornalística. Talvez uma revista que mescle jornalismo e entretenimento seria um programa ideal para o horário, pois teria condições de manter a boa audiência do Bom Dia e entregar em alta para o entretenimento. Neste caso, uma revista jornalística poderia até absorver o Bem Estar e entregar direto para o Encontro com Fátima Bernardes. Para formatar uma atração nestes moldes, a Globo nem precisa pensar muito para encontrar a fórmula: um programa aos moldes do excelente Estúdio I, da GloboNews, se encaixaria perfeitamente ali. Aliás, creio que um programa no estilo Estúdio I também funcionaria muito bem na faixa da tarde, após o Jornal Hoje, e seria uma solução para recuperar a audiência do horário, em crise por causa do Vídeo Show. E, portanto, antes de pensar numa extinção do Mais Você, o canal poderia considerar o fim do Vídeo Show (não quero que o vespertino acabe, mas entre os dois, é notório que os problemas do Vídeo Show são bem mais graves).

Mas, como dito acima, o fim do Mais Você ainda não passa de boato. E, na verdade, o blog torce para que o programa ainda esteja longe da extinção. Ana Maria Braga é uma de nossas melhores e mais simpáticas apresentadoras, que sabe como ninguém segurar um programa ao vivo, e, ainda, é capaz de se divertir com suas próprias trapalhadas. Mais Você merece continuar divertindo nossas manhãs por um bom tempo ainda. E, caso o final acabe se confirmando, que a Globo dê à Ana Maria um programa semanal como ela merece.

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André Santana